
QUANTIFICAÇÃO RELATIVA DOS GENES FOXP3 E TIM3 EM SANGUE PERIFÉRICO,
URINA E EM TECIDO RENAL DE TRANSPLANTADOS COM DISFUNÇÃO INICIAL DO
ENXERTO.
E.C. Aquino-Dias, D.M. Silva, G. Joelsons, A.R. Ribeiro, R.H. Berdichevski, F.J.
Veronese, L.F. Gonçalves, R.C. Manfro
Serviço de Nefrologia. Unidade de Transplante Renal. Hospital de Clínicas de Porto
Alegre.
OBJETIVOS: Pacientes transplantados renais com órgãos de doadores falecidos
freqüentemente apresentam um impacto negativo nas sobrevidas dos enxertos,
decorrente da disfunção inicial do enxerto (DGF). Nesta situação o diagnóstico de
rejeição aguda (RA) depende da realização de biópsias renais. O objetivo deste estudo é
o desenvolvimento de métodos não invasivos para o diagnóstico da rejeição aguda,
através da quantificação de marcadores moleculares como o FOXP3 e o TIM3 em
biópsias de vigilância, correlacionando sua presença em sangue periférico e em urina de
pacientes transplantados renais com DGF.
MATERIAIS E MÉTODOS: Foram realizadas quarenta e oito biópsias de vigilância em
trinta e cinco pacientes; coleta de sangue periférico em 37 pacientes e coleta de urina em
26 pacientes receptores de aloenxertos de doadores falecidos com DGF. A classificação
de Banff-97 foi utilizada como “padrão-ouro” para o diagnóstico histológico de RA (n=20)
e necrose tubular aguda (NTA, 28 casos). Utilizou-se a técnica de quantificação relativa
por reação em cadeia da polimerase em tempo real (TaqMan EZ RT-PCR, Applied
Biosystems). O sistema de detecção de seqüência utilizado foi o ABI-PRISM 7000
(Applied Biosystems).
RESULTADOS: Não houve diferença significativa nas médias das creatininemias dos
pacientes com e sem rejeição aguda (5,3±3,4 x 5,9±2,1mg/dl; p=0,419). Observou-se
diferença significativa nas médias das quantidades relativas dos genes nos pacientes
com e sem rejeição, respectivamente, nas amostras de tecido renal: FOXP3: 4,28±1,62
x 1,12±1,04, p<0,0001; TIM3: 213,07±74,72 x 0,77±0,87, p<0,0001. No sangue
periférico: FOXP3: 3,76±1,41 x 0,76± 0,65, p<0,0001; TIM3: 200,64±74,72 x 0,43±0,42,
p<0,0001). Na urina: FOXP3: 3,56±0,80 x 0,85±0,70, p<0,0001; TIM3: 178,89±70,07 x
0,42±0,36, p<0,0001). Curvas ROC foram geradas para encontrar os melhores pontos de
corte para o diagnóstico de rejeição aguda. Os pontos de corte observados foram: FoxP3
(sangue: 1,85; urina: 2,2) e Tim3 (sangue: 50; urina: 50). Observou-se também uma
correlação significativa entre as quantidades relativas dos genes nas biópsias, em sangue
periférico e em urina (p< 0,01). Parâmetros diagnósticos (%) para RA a partir da
expressão dos genes em sangue periférico e urina estão demonstradas na tabela abaixo.

CONCLUSÕES: em pacientes com DGF as quantidades relativas dos genes estudados
em tecido renal, linfócitos periféricos e em células urinárias é significativamente maior em
pacientes com RA. A monitorização destes e de outros genes pela de reação em cadeia
da polimerase em tempo real pode auxiliar o diagnóstico da RA, sem a necessidade de
coletas de amostras de tecido renal.
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