
ACIDOSE METABÓLICA AUMENTA A INTERAÇÃO ENTRE GAGS DE AORTAS DE
COELHOS HIPERCOLESTEROLÊMICOS COM O LDL. EVIDÊNCIA PARA UM FATOR DE
RISCO NÃO TRADICIONAL NA ATEROGÊNESE DO PACIENTE RENAL CRÔNICO
M. F. Tovar, I. M. D. Pecly, E. P. Rangel, N. M. Melo-Filho, P. A. S. Mourão, M. Leite Jr.
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Acidose metabólica é uma característica do paciente portador de insuficiência renal
crônica, tanto em tratamento conservador como em diálise. Por outro lado, a incidência de
aterosclerose chega a 20 vezes maior nesta população, quando comparada à população
normal, contribuindo de forma significativa para a alta mortalidade cardiovascular nestes
pacientes.
Este estudo tem por objetivo a investigação do papel da acidose metabólica sobre
uma etapa crucial na aterogênese, a interação entre glicosaminoglicanos (GAGs) arteriais e
o LDL.
Para isso, utilizamos um modelo de aterosclerose em coelhos, submetidos à acidose
metabólica, onde examinamos a interação GAG-LDL em aorta torácica e abdominal.
Coelhos foram divididos em 4 grupos e mantidos por 8 semanas sob os seguintes regimes:
grupo 1: dieta normal; grupo 2: hipercolesterolêmica (ração regular + 5% de óleo de soja +
5% de banha + 0.8% cholesterol); grupo 3: acidêmica (ração regular + 0.75% NH
4
Cl na água de beber e grupo 4: dietas hipercolesterolêmica + acidêmica.
Os animais foram
sacrificados após a 8
a
semana, a aorta isolada e dissecada para análise da composição e
extração de GAGs. Colheitas de sangue para análise de glicose, colesterol, triglicerídeos, pH
e bicarbonato foram feitas antes e após as 8 semanas. GAG total foi quantificado no tecido
através de ácido hexurônico. Os GAGs foram aplicados a eletroforese em gel de agarose e
poliacrilamida. LDL foi purificada a partir de sangue de voluntários sadios, e submetidos a
interação com GAGs extraídos para análise turbidimétrica.
Como resultado, não foram observadas diferenças na concentração total de GAGs
entre os grupos 1, 2 e 3. Entretanto, observamos um aumento no conteúdo de GAG total
quando a acidose foi associada a hipercolesterolemia. Os GAGs do grupo 2 exibiram uma
menor capacidade de formar complexos insolúveis, o que se mostrou significativo quando
comparado ao grupo 1 e com ac. hexurônico entre 2,5 e 5,0 ? g/mL. Por outro lado, no grupo
4, os GAGs exibiram uma abilidade de formar complexos sem diferença significativa com o
grupo 1. A análise dos pesos moleculares (PM) dos GAGs revelou menor PM no grupo
hipercolesterolêmico (2), comparado ao grupo 1. Entretanto, a associação da acidose (grupo
4) não mostrou redução no PM dos GAGs deste grupo. Podemos concluir que em condições
de hipercolesterolemia, ocorre uma diminuição da interação GAG-LDL, e que a associação
da acidose levou a um aumento desta interação.
Estes dados sugerem que a acidose per se não afeta a composição dos GAGs ou
sua interação com o LDL, entretanto, em condições aterogênicas, como observado em
pacientes renais, ela pode alterar a concentração de GAGs e o tamanho destas moléculas,
aumentando a sua afinidade com o LDL.
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