Skip to main content
Sessões
Contatos
 
 ESCREVA 
  E-MAIL
  PESQUISE 
 EDITOR
 PÚBLICO ALVO


Edições Anteriores

     Formato antigo

     

     

        

OPINIÃOE
de 2001
 

Transplante  Renal no Brasil: Para Onde Estamos Caminhando ? 

Dr. Vilber Antonio de Oliveira Bello 
Coordenador Clínico do TRansplante Renal do Hospital de Base do Distrito Federal

No ano passado o Brasil foi elevado a um honroso segundo lugar no "ranking" mundial em número de transplantes renais realizados, ficando atrás, somente dos EUA. Graças ao esforço da comunidade médica envolvida e do associativismo dos pacientes, aliado a um governo sensível aos apelos de ambos, estamos vencendo obstáculos.

A política governamental tem sido dirigida a uma melhor remuneração do sistema, além da implementação de instrumentos organizacionais e operacionais que melhoraram o fluxo dos transplantes no nosso país . Destacam-se um conjunto de leis e normas e a criação do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) , com implantação das Centrais de Notificação, Captação e Distribuição de órgãos (CNCDO).

Há vários anos tínhamos a convicção de que para aumentar o número de procedimentos, precisávamos de uma captação organizada e efetiva.  Neste sentido, quando da realização, em Brasília, do V Congresso da ABTO, em 1997, destacamos a Captação de Órgãos como tema central, além de organizarmos o primeiro curso com a intenção de estimular a formação de coordenadores de captação de órgãos, com a participação de médicos da Organização Nacional de Transplantes (ONT) da Espanha. A partir daquele momento , coincidentemente ou não, o sistema começou a se estruturar.

Entretanto nem tudo são flores. É importante que se faça uma pausa para reflexão. Estamos mesmo no caminho certo ? Ou será que houve desvios. 

Temo que, ao analisarmos os números fornecidos pela ABTO, o panorama não seja tão favorável. Estes números demonstram que realmente houve um aumento significativo no número de transplantes  realizados.  No entanto, sua avaliação crítica mostra que tal incremento decorreu, principalmente, do crescimento de transplantes com doador vivo. O aumento do número de transplantes com doador cadáver foi, proporcionalmente, inferior (tabelas disponíveis no "site" da ABTO http://www.abto.com.br.  Paralelamente, vemos que os transplantes com doador vivo não relacionado têm ganhado espaço e vêm se tornando cada vez mais freqüentes,  tanto na comunidade internacional como em nosso meio.  Aqueles que os defendem baseiam-se nos bons resultados obtidos a curto prazo, devido a uma melhor eficácia dos novos medicamentos imunossupressores e os advogam como uma opção para diminuir a demanda reprimida de transplantes, decorrente da escassez da oferta de órgãos.

Entretanto, nossa realidade é muito diferente da de outros países em que já ocorreu o esgotamento da capacidade de se aumentar a captação de órgãos de doador cadáver. Ao analisarmos nossos números, detectamos que a nossa estrutura de captação está longe de atingir a sua plena capacidade operacional.  Na verdade, mal começamos ...!

Vejo com muita preocupação a realização de transplantes intervivos não relacionados, especialmente em um país como o nosso, onde desigualdades sócio-econômico-culturais são tão acentuadas.  Afinal de contas, estamos buscando uma Política de Transplantes que se baseie na captação adequada e na justa distribuição dos órgãos, ou queremos uma “Política de Doação entre Vivos” que, como todos nós imaginamos, nem sempre é altruísta ? Mesmo entre doadores relacionados, em alguns casos, não seria a doação mais fruto de uma pressão familiar do que de um espírito de desprendimento, altruísmo e abnegação ?

Acredito que cabe aqui uma pausa para reflexão e discussão entre toda a comunidade envolvida em transplantes.  O debate já está aberto.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Copyright © 2001 Medicina On line - Revista Virtual de Medicina