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Nutrição
e Litíase
José
Augusto Menezes da Silva
Maria Isabel T. D. Correia
Introdução
A prevalência de nefrolitíase no mundo contemporâneo
é alta, sendo descrita como situada entre 5 e 10% . Aproximadamente
12% da população mundial formará pelo menos um cálculo
renal ao longo de sua vida. Isto conduz ao raciocínio de que a
litíase renal é quase uma condição normal,
uma vez que os epidemiologistas consideram tudo que estiver incluído
no intervalo de confiança de 95% como sendo "normal".
No passado havia um forte predomínio no sexo masculino. Atualmente,
esta diferença não é mais tão marcante. A
faixa etária mais acometida está entre os 20 e 50 anos.
Existe uma prevalência aumentada desta doença em regiões
geográficas quentes e áridas. A obesidade está associada
a uma maior prevalência de litíase renal, principalmente
em mulheres. No trabalho de Curhan e cols, mulheres com o Índice
de Massa Corpórea (IMC) acima de 32 Kg/m2 apresentaram um risco
75% superior ao daquelas com IMC entre 21 e 22,9 Kg/m.
Outro dado
importante é o alto índice de recorrência, sendo que,
em geral, um ano após o primeiro episódio de litíase,
15% dos pacientes irão apresentar novos cálculos; em 5 anos
a recorrência pode chegar a 35 - 40% e no final de 10 anos este
índice pode ser de até 50%. A morbidade é outro fato
importante, pois 30% dos pacientes requerem hospitalização
e 10 a 15% necessitarão de algum procedimento médico para
retirada do cálculo. Por estas razões, o conhecimento e
o tratamento dos principais fatores etiológicos da nefrolitíase
tornam-se de fundamental importância.
As causas
mais comuns de litíase renal são as anormalidades metabólicas
primárias, das quais a hipercalciúria idiopática
é a causa em 60% dos casos, e em apenas 5% dos doentes existe uma
doença sistêmica como causa. Para que um cálculo renal
se forme é necessário a presença dos chamados fatores
de risco da litogênese. Dentre estes se destacam os ambientais,
dos quais, a dieta é um dos fatores mais importantes e mais estudados
atualmente. Por tal, uma abordagem nutricional da nefrolitíase
deverá ser mandatória, sem no entanto deixar-se de salientar
que outros fatores, tais como, doença medular renal, excessiva
produção de citocinas, defeitos de metabolismo e fatores
genéticos poderão ser a causa principal do desenvolvimento
desta doença (piorados, todavia, pelos fatores nutricionais). Acrescente-se
ainda o fato de que o tratamento da nefrolitíase, na atualidade,
é essencialmente dirigido aos sintomas da doença, em vez
das causas.
Fatores dietéticos
Dentre os fatores dietéticos se destacam o papel do cálcio,
do sódio, do potássio, do oxalato, do magnésio, das
proteínas, das purinas, dos carbohidratos, das fibras vegetais,
das gorduras e dos líquidos. Alguns destes nutrientes interferem
positivamente na cascata litogênica aumentando as chances de formação
de cálculos (ex. cálcio, oxalato e proteínas), já
outros têm uma função protetora diminuindo os riscos
(ex. fibras e potássio). A seguir descreveremos o papel de cada
um na gênese da urolitíase.
Cálcio:
A grande maioria dos cálculos renais são constituídos
de cálcio e oxalato. Entretanto a sua restrição dietética
não é aconselhável, na grande maioria dos casos,
ao contrário do que se praticava até recentemente. Curhan
e cols. em 1993, observaram, em um estudo prospectivo, envolvendo quarenta
e cinco mil homens, num período de 4 a 5 anos que o grupo de homens
que ingeriram mais cálcio (1050mg/dia), apresentou um risco significativamente
menor de desenvolver cálculos renais do que o grupo de homens que
ingeriram pouco cálcio (605mg/dia). Este trabalho foi muito importante
para chamar a atenção de que a restrição de
cálcio na dieta pode não estar indicada. Em nosso serviço
(Lithocentro-BH), constatamos através de recordatório alimentar
de 72 horas, que os nossos pacientes ingeriam pouco cálcio (mediana
600mg/dia). Isto nos faz crer que a baixa ingestão de cálcio
poderá favorecer a formação de cálculos renais
e manter as taxas de recidiva tão aumentadas como as relatadas
anteriormente. A provável explicação para este mecanismo
é conseqüência de que há na luz intestinal uma
maior liberação de oxalato para ser absorvido. Esta maior
absorção de oxalato levaria a uma maior excreção
do mesmo, favorecendo a supersaturação e a formação
de cristais de oxalato de cálcio, iniciando-se assim toda a cascata
fisiopatogênica da litíase renal. Na presença de maiores
quantidades de cálcio, o oxalato se liga a este, e ambos são
então excretados pelas fezes.
A baixa ingestão de cálcio causa também maiores riscos
de osteopenia, uma vez que a excreção renal do cálcio
é mantida, mesmo com baixos níveis deste nutriente e assim
estes indivíduos têm um balanço negativo de cálcio,
além de apresentarem níveis elevados de calcitriol.
Sódio
A excreção urinária aumentada de sódio se
associa com a elevação também de cálcio urinário,
provavelmente devido a uma competição na absorção
entre esses minerais ao longo do túbulo renal. E Assim, uma restrição
de sódio na dieta, através da redução de sal
de cozinha e/ou de alimentos ricos em sal, deve ser prescrita, principalmente
se houver um estado de hipernatriúria em urina de 24 horas. Vários
são os trabalhos que mostram haver um excesso da ingestão
de sal entre os pacientes litiásicos. No nosso serviço observamos
que a ingestão de sódio nos pacientes era muito elevada
com uma mediana de 13,8g/dia. Interessante notar que Goldfarb sugeriu
que indivíduos com nefrolitíase são mais sensíveis
ao efeito hipercalciúrico do sódio dietético. Outro
fator importante é a relação inversa entre fósforo
plasmático e o sódio urinário, ou seja a hipernatriúria
se associa a hipofosfatemia o que poderia levar a outros mecanismos litogênicos,
como aumento do calcitriol plasmático e consequente hipercalciúria.
Potássio
Foi também observado no trabalho de Curhan e cols., que o grupo
de indivíduos que ingeriu pouco potássio (2,8g/dia), o risco
de desenvolver cálculos renais era significativamente maior de
que quando comparado ao grupo de homens que ingeriu muito potássio
(4,1g/dia). Também, no estudo realizado no nosso serviço
observamos que em 380 pacientes litiásicos a média de ingestão
de potássio era pequena 2,8 + 1,0g/dia. Revelando assim que realmente
a baixa ingestão de potássio pode ser um fator de risco
para litogênese. Ao que parece a presença de potássio
diminuiria a excreção de cálcio urinário,
além de que os alimentos ricos neste mineral tendem a ser alcalinos,
o que aumentaria o citrato urinário
Oxalato
A quantidade de oxalato que aparece na urina pode ser determinada pelo
oxalato dietético, pela degradação intestinal, pela
síntese endógena e ainda pelo manuseio renal. Segundo vários
autores, o oxalato urinário parece ser mais importante do que o
cálcio para a formação de cálculos, uma vez
que pequenos aumentos na concentração de oxalato levam a
saturação urinária e conseqüente forma ção
de cristais, iniciando-se assim toda a cascata fisiopatogênica da
nefrolitíase. Daudon e cols. observaram que a formação
de cristais de oxalato de cálcio monohidratado aumenta em até
vinte vezes quando há um aumento de apenas 50% da concentração
urinária de oxalato. Por outro lado, este fenômeno não
ocorre com o mesmo aumento na concentra ção de cálcio.
Dessa forma, estes autores demonstraram que a concentração
de oxalato é muito mais importante para levar a supersaturação
e conseqüente forma ção de cristais de oxalato de cálcio
monohidratado na urina.
O oxalato proveniente da dieta contribui com apenas 10 a 20% da excreção
do oxalato urinário. Para que possa ocorrer hiperoxalúria
decorrente da dieta, seria necessária, na grande maioria das vezes,
uma ingestão exagerada de alimentos muito ricos em oxalato, o que
é raro na nossa população. É, no entanto,
importante correlacionar-se a ingestão de oxalato com a sua excreção
urinária, antes de se definir a orientação nutricional
com restrição ou não de alimentos ricos em oxalato.
Outro aspecto importante do metabolismo do oxalato é a sua excreção
aumentada na presença de altas doses de vitamina C. Nos dias de
hoje, aonde parece haver uma tendência ao uso exagerado de megadoses
de vitamina C deve-se chamar a atenção para este fenômeno,
uma vez que 40% do oxalato urinário se origina do ascorbato dietético,
sendo que 1 mg de oxalato é produzido a partir de 1 g de ascorbato,
12 mg a partir de 4 mg e 68 mg a partir de 9 mg, respectivamente.
Magnésio
Parece que o magnésio interfere na formação de cristais
de oxalato de cálcio através de um mecanismo não
conhecido.
Proteínas
No mesmo trabalho de Curhan e cols. foi estudado um grupo de homens que
ingeriu pequena quantidade de proteína animal (50g/dia). Os autores
observaram que esta população apresentou um risco significativamente
menor de formação de cálculos quando comparado com
o grupo que ingeriu uma quantidade maior de proteínas (77g/dia).
A ingestão de grande quantidade de proteína animal também
foi observada no nosso serviço. O recordatório alimentar
de 72 horas de pacientes com litíase renal estudados por nós
mostrou uma ingestão mediana de 88g/ dia.
A razão da proteína ser litogênica é multifatorial.
Sabidamente, a ingestão de proteína irá causar um
aumento da massa renal, a carga de sulfato filtrado na urina irá
aumentar e consequentemente se desenvolve uma acidose metabólica.
O aumento da massa renal irá aumentar o calcitriol plasmático
levando a um aumento da absorção intestinal de cálcio
com consequente aumento da carga de cálcio filtrada e a hipercalciúria
pós prandial. Por outro lado, o aumento da carga de sulfato filtrado
na urina irá se adicionar com o cálcio urinário dificultando
sua absorção tubular levando consequentemente a hipercalciúria
de jejum. A acidose metabólica que se desenvolve causará
hipocitratúria, diminuição da absorção
tubular de cálcio levando a hipercalciúria em 24 horas.
Além disso, a acidose metabólica levará a um quadro
de osteopenia por aumentar a reabsorção óssea. O
excesso de proteína animal aumentará também a secreção
de acido úrico urinário. Dessa forma teremos vários
fatores que irão contribuir para a formação de cálculos
renais a saber: hipercalciúria, hiperuricosúria e hipocitratúria.
Purinas
A incidência de hiperuricosúria em pacientes litiásicos
é elevada. Em nosso serviço esta incidência chega
a 32%. Sendo o ácido úrico o produto metabólico das
purinas, o controle dietético deste precursor torna-se importante.
Portanto, quando ocorre um excesso dietético das purinas, capaz
de levar a hiperuricosúria, isto poderá induzir a crista
lização de cristais de urato ou mesmo de sais de cálcio
iniciando-se assim a formação de cálculos homogêneos
ou heterogêneos. Vários estudos sugerem que pacientes hiperuricosúricos
apresentam uma ingestão maior de carnes, peixes e aves e que após
a redução destes alimentos o estado de hiperuricosúria
desaparece. Interessante notar que este efeito hiperexcretor só
ocorre quando a ingestão de alimentos ricos em purinas é
elevada, superior a 175mg/dia. Assim sendo um controle dietético
das purinas é fundamental para os pacientes litiásicos.
Carboidratos
Tem sido demonstrado que o consumo de carboidratos, como a glicose, poderia
elevar a excreção urinária de cálcio e oxalato.
O mecanismo pelo qual este efeito se verifica ainda não está
totalmente definido. Acredita-se que o excesso de carboidratos na alimentação
diminuiria a absorção de fosfato intestinal, levando a hipofosfatemia
e conseqüente aumento do calcitriol plasmático implicando
em aumento da absorção intestinal de cálcio e simultâneo
aumento de absorção de oxalato. Parece, também, que
os carboidratos estimulariam a síntese endógena de oxalato,
que será posteriormente, excretado na urina. Além do mais,
muitos alimentos ricos em carboidratos são também ricos
em oxalato.
Fibras vegetais
A ingestão de fibras no mundo ocidental tem diminuído progressivamente.
O seu papel na gênese da nefrolitíase parece ser via metabolismo
do citrato, uma vez que existe uma correlação positiva entre
a baixa excreção de citrato e a baixa ingestão de
fibras. Uma outra possibilidade seria de que as fibras se ligariam ao
cálcio no trato gastrointestinal, diminuindo a absorção
intestinal deste mineral e conseqüente diminuição da
excreção renal. Alguns trabalhos têm mostrado a direta
correlação entre prevalência aumentada de litíase
renal e baixa ingestão de fibras.
Gorduras
O exato mecanismo pelo qual a ingestão de gorduras seria mais um
dos fatores litogênicos ainda parece obscuro. Na realidade, o que
se sabe é que aqueles indivíduos que ingerem grande quantidade
de gorduras são em geral consumidores de grande teores de proteínas.
Simultaneamente, consomem também pequenas quantidades de fibras.
No entanto, parece haver um mecanismo direto entre a absorção
de oxalato e de cálcio e a presença de gorduras. A excessiva
ingestão de gorduras causaria um aumento de ácidos graxos
livres intestinais, estes se combinariam com o cálcio, diminuindo
assim a concentração deste mineral na luz intestinal com
conseqüente diminuição de sua disponibilidade para
se unir ao oxalato. Logo, haveria um aumento de oxalato livre para ser
absorvido.
Bebidas
A ingestão aumentada de líquidos parece ter uma correlação
inversa com o risco de formação de cálculos renais,
no entanto o assunto é ainda controverso. O tipo de bebida ingerida
parece também influenciar no mecanismo litiásico. Assim
sendo, um estudo caso-controle de 1985 sugeriu que o uso de bebidas carbonadas
aumentou o risco de formação de cálculos. Este estudo
foi posteriormente corroborado por um trabalho clínico randomizado
aonde se demonstrou que a restrição à ingestão
destas bebidas diminuiu em 6,4% o índice de recorrência de
episódios litiásicos no grupo orientado a diminuir o consumo.
Sem dúvida alguma, existem outros aspectos a serem analisados e
que podem ter interferido nos resultados, dos quais o fato que as bebidas
com cola possuem alto teor de oxalato. Assim , a dúvida é
se todas as bebidas carbonadas interferem no mecanismo litiásico
ou se apenas as com esta substância.
As bebidas ricas em cafeína e as cervejas parecem ter um efeito
protetor na gênese da litíase renal. Este estaria relacionado
com o fato de que ambas interferem com a ação do hormônio
antidiurético no nefron distal, resultando num fluxo urinário
aumentado e uma urina mais diluída.
Conclusão
O papel da dieta na cascata litogênica está bem definido
, apesar de não poder ser considerado fator isolado. Por tal, a
orientação nutricional deve fazer parte da rotina terapêutica
de portadores de litíase renal. No entanto, a individualização
do tratamento é fundamental, uma vez que a má orientação
poderá incorrer em deficiências crônicas e maléficas,
ao invés de melhorar a evolução, como ocorreu, no
passado, com a restrição de cálcio sem critério.
Toda a orientação nutricional deverá ser baseada
em estudo metabólico prévio que ao definir o diagnóstico
etiológico da litíase renal, norteará o tipo de dieta
a ser seguida (ver tabelas). De uma maneira geral, pacientes com nefrolitíase
deverão ingerir uma menor quantidade de proteínas (menos
de 1 g por kg de peso dia), gorduras (não mais do que 25% do teor
calórico total da dieta) e sódio (menos do que 4 g/dia).
O uso de fibras dietéticas deve ser estimulado (20 g por dia) e
o consumo de cálcio deverá ser o normalmente recomendado
para indivíduos sadios (entre 800 a 1200 mg), à exceção
daqueles pacientes com hipercalciúria absortiva do tipo II, que
deverão receber menos cálcio. A ingestão de um maior
volume de liquídos deve ser estimulada (cerca de 250 ml a cada
4 horas, fora do período de sono).
Parks e Coe demonstraram que a prevenção da recorrência
da litíase renal através do tratamento clínico, do
qual a orientação nutricional é fator importante
e benéfico representa uma diminuição de custos com
o tratamento das recorrências desta enfermidade, em cerca de US$
2.000,00 por paciente, por ano. Outros autores têm demonstrado que
a aderência ao tratamento clínico diminuiu as chances de
recorrência de novos episódios, com 88% deles tornando-se
inativos.
Todavia, a total aderência ao tratamento, a longo prazo, é
difícil e depende principalmente do impacto e do entusiasmo do
médico em transmitir a mensagem.
Referências:
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REFERÊNCIA DO TEMA LIVRE DO CONGRESSO, COM AS INFORMAÇÕES
DO SERVIÇO
Tabela 1- Recomendações nutricionais de acordo com a doença
Doença Recomendações especiais
Hipercalciúria absortiva tipo II • Controle de cálcio
dietético
Homens - 800 mg/dia
Mulheres - antes da menopausa - 1,000 mg/dia; pós-menopausa - 1,200
mg/dia
• Controle de oxalato
• Ingestão líquidos - 250 ml a cada 3 horas
Hiperoxalaciúria • Baixa ingestão de oxalato (ver
tabela 2)
• Ingestão líquidos - 250 ml a cada 3 horas
• Restrição de vitamina C - não mais do que
1 g/dia
Hiperuricosúria • Evitar ingestão excessiva de carne,
peixe e aves. Máximo 1 g de proteína por Kg peso/dia
• Evitar a ingestão excessiva de bebidas alcoólicas
Tabela 2 - Alimentos ricos em oxalato
Moderado teor Alto teor
Café; sucos de abacaxis, pêssegos, pêras, ameixas,
laranjas Cerveja; chá; bebidas achocolatas; cacau e colas; sucos
de morangos, uvas, tangerinas, framboesas
Sardinhas Tofu; molho de tomate e tofu
Aspargos; bróculos; couve de bruxelas; cenouras; milho; ervilhas;
alface; tomates e nabos Feijões; acelga; pepinos; escarola; beringela;
alho poró; espinafre; mustarda; agrião; quiabo; salsa
Pêssegos; cerejas Amoras
Amendoins; nozes; amêndoas
Tabela 3 - Alimentos ricos em purinas
Teor alto Teor muito alto
Aspargos; couve flor; leguminosas; espinafre; germe e farelo de trigo;
carnes; peixes Anchovas; rins; arenque; fígado; sardinhas; pães
doces; molhos em geral

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