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Volume 1- Número 9- Ano III (Jan/Fev/Mar de 2000)
Trabalhos Apresentados 

Aprovados no XX Congresso Brasileiro de Nefrologia, 90 temas para apresentacoes orais e 405 posteres. Desses, Med On Line escolheu  apenas 4 para publicacao. Se voce tebve um poster ou apresentacao oral e quer ve-lo publicado neste espaco pode envia-llo pelo e-maiol da Med On line. (medonline@triang.com.br)

RINS FETAIS HUMANOS. ANÁLISE DESCRITIVA HISTOLÓGICA E DOS PARÂMETROS MORFOMÉTRICOS NOS DOIS ÚLTIMOS TRIMESTRES.

J.R.Almeida, E.A.Portari, E.R.M. Souza, C.A. Mandarim-de-Lacerda.

Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ),Rio de Janeiro,RJ.

Objetivo: Análise morfológica do desenvolvimento da nefrogênese em fetos humanos nos dois últimos trimestres gestacionais. Estudou-se um total de 79 rins. Em 61 rins de ambos os lados (32 fetos: 21 masculinos, de abortos espontâneos devido à prematuridade ou anóxia perinatal), bem preservados e sem malformações congênitas detectáveis, a idade gestacional foi determinada entre 12 e 38 semanas pós-concepção (SPC). Após dissecção os rins foram pesados e mensurados (comprimento longitudinal, largura, pólo superior e pólo inferior) e o volume foi medido pelo método de Scherle. Depois, os rins foram preparados tecnicamente para estudo histológico e estereológico (fixação com formol tamponado pH 7,2) e fragmentos foram obtidos com técnica aleatória (orthrip). Cortes com 4µm foram corados pelo HE e tricrômico de Masson. O estudo utilizou sistema de vídeo-microscopia Leica DMRBE e fotografias digitais e estereologia. Foram identificadas e obtidas medidas morfométricas das zonas nefrogênica, cortical e medular. Em outros 18 espécimes com cariótipos conhecidos, variando entre 9 e 30 SPC, realizou-se extenso estudo histológico com identificação dos estádios da glomerulogênese, da formação das vesículas induzidas pelo broto ureteral no mesênquima, aos corpos “
C-shape”, “S-shape” até os glomérulos vasculares. Os dados macroscópicos foram analisados por regressão linear múltipla, de modo a obter curvas de crescimento em função da Idade Gestacional. Conclusão: São apresentados parâmetros do desenvolvimento renal em humanos, com objetivo de servir como linha de base. O estudo e recapitulação da biologia do desenvolvimento renal pode contribuir no entendimento dos mecanismos patogenéticos renais.
 
 

APOPTOSE DE NEUTRÓFILOS: DIFERENÇAS ENTRE O TRATAMENTO PRÉ-DIALÍTICO, HEMODIÁLISE E DIÁLISE PERITONEAL.

PG Suassuna, C Sardenberg, R Watanabe, MA Dalboni, MCC Andreoli, F Calvo, EG Kallas, SA Draibe, M Cendoroglo. Disciplina de Nefrologia. UNIFESP-EPM. S.Paulo

Introdução: A disfunção de neutrófilos na uremia pode contribuir para o estado de imunodeficiência encontrado em pacientes com insuficiência renal crônica (IRC). 
Objetivo: Estudar os mecanismos responsáveis por esta disfunção. 
Material e Métodos: Examinamos a proporção de neutrófilos apoptóticos em amostras de sangue fresco de 16 indivíduos normais (C), de 15 pacientes portadores de IRC terminal pré-dialítica (IRC-PD), de 10 pacientes em hemodiálise (HD) e de 11 em diálise peritoneal ambulatorial contínua (DPAC) e analisamos sua correlação com a intensidade do metabolismo oxidativo estimulado pela fagocitose de S. aureus e pelo LPS e com parâmetros bioquímicos e hematimétricos (uréia, creatinina, albumina, hematócrito e leucometria). Os polimorfo-nucleares (PMNs) do sangue periférico foram separados através de centrifugação em gradiente de Ficoll-Hypaque. Logo após o isolamento, os PMNs foram marcados com iodeto de propídeo (PI) e anexina V-FITC para a quantificação de apoptose por citometria de fluxo. Também foram incubados com S. aureus marcados com PI, e com LPS, para avaliar a intensidade do metabolismo oxidativo através da fluorescência do marcador DCFH por citometria de fluxo.

Resultados: Foi observada apoptose em 9,05,6%, 19,816,8%, 13,69,3%, e 6,44% das células PMNs respectivamente dos grupos: C, IRC-PD, HD, e DPAC. A proporção de neutrófilos apoptóticos no grupo IRC-PD foi significantemente maior que a observada nos grupos C (P= 0,007) e DPAC (P=0,0025). Não houve diferença significante entre a proporção de células PMNs apoptóticas nos grupos IRC-PD e HD. Nos grupos IRC-PD e HD encontramos uma correlação negativa entre apoptose e intensidade do metabolismo oxidativo estimulado pela fagocitose de S. aureus (r = -0.62, p = 0.013 e r = -0.89, p = 0.016) e pelo LPS (r = -0.68, p = 0.0049 e r = -0.61, p = 0.058). O grupo DPAC se comportou de maneira semelhante ao grupo C, não havendo correlação entre apoptose e função celular. As médias dos parâmetros bioquímicos e hematimétricos foram diferentes entre os grupos, entretanto não houve correlação entre estes parâmetros e apoptose. Conclusão: Os resultados indicam que o ambiente urêmico e a modalidade dialítica influenciam a taxa de apoptose e a função dos PMNs. É possível que a apoptose contribua para a disfunção dos PMNs observada na uremia.
 
 

PAPEL ATUAL DO NEFROLOGISTA EM UM HOSPITAL GERAL TERCIÁRIO- DADOS DO BANCO DE DADOS DO SETOR DE INTERCONSULTAS DA NEFROLOGIA DO HOSPITAL SÃO PAULO- ESCOLA PAULISTA DE MEDICINA- UNIFESP.

Fernandes N., Roque A., Suassuna P., Balda C., Cendoroglo M., Mastroiani G., Heilberg I.P., Stella S.R.

O nefrologista é frequentemente solicitado, em um hospital geral, para avaliar uma grande diversidade de casos abordados pelas diversas especialidades. Em países desenvolvidos esta participação se dá mais notadamente nas unidades de terapia intensiva (UTI) em casos de insuficiência renal aguda (IRA), correspondendo a cerca de 50% dos casos. Com o advento de intensivistas cada vez mais interessados em procedimentos dialíticos contínuos em pacientes graves, há a discussão sobre o papel do nefrologista neste setor. Em nosso meio, a nefrologia clínica ocupa um grande espaço dentro do hospital geral e dentro das UTIs estamos apresentando os mesmos problemas vistos nos países desenvolvidos, com necessidade contínua de discutir-se o papel do nefrologista. No Hospital São Paulo (HSP)- Escola Paulista de Medicina, um hospital de ensino, terciário, com 832 leitos, a nefrologia mantém um setor de interconsultas que atende a todo o hospital excetuando-se os setores de pediatria, transplante renal e enfermaria de nefrologia (num total de 605 leitos). No ano de 1999 foram internados no HSP, em setores acompanhados pela interconsulta da nefrologia, 27122 pacientes, destes- 717 (2,6%) pacientes internados foram avaliados/acompanhados pelo setor de interconsultas da nefrologia. A mortalidade global no HSP foi de 5,03%, com maior mortalidade nas unidades do Pronto Socorro- Emergência e UTIs (32,8%). A mortalidade global dos pacientes acompanhados pela nefrologia foi de 31%, com maior mortalidade nos pacientes portadores de IRA em UTIs (72%). Quinhentos e nove (71%) pacientes encontravam-se em enfermarias clínicas, 136 (19%) em enfermarias cirúrgicas, 72 (10%) em gineco-obstetrícia e à época da avaliação 156 (22%) estavam em UTIs. Com relação à doença de base, houve uma grande diversidade de casos com 27% de doenças infecciosas, 18% de doenças cardiovasculares, 10% de neoplasias malignas não hematológicas, 10% cirúrgicos, 8% de doenças reumatológicas, 6% de doenças hematológicas, 5% de doenças neurológicas, 4,5% de doenças gastroenterológicas, 4,5% gineco-obstetrícia, 4% urológicos. A maioria dos pacientes apresentava insuficiência renal crônica (IRC)- 394 (55%), com 130 (33%) destes pacientes internados para iniciar tratamento dialítico. 236 (33%) apresentavam IRA e 243 (34%) HAS. Setenta e nove (11%) pacientes apresentavam infecção do trato urinário, 61 (8,5%) glomerulonefrite, 21 (3%) nefrolitíase, 21 (3%) neoplasia renal. Distúrbios hidroeletrolíticos isoladamente, corresponderam a 2% (14) dos casos. Nossos dados mostram uma grande prevalência de doenças renais em um Hospital Geral Terciário, com grande número de casos de IRC. Neste grupo também observamos um grande número de casos de IRC dialítica encaminhados tardiamente. 
 
 

PROTEINURIA INDUZ APOPTOSE DE CÉLULAS TUBULARES RENAIS ATRAVÉS DA VIA FAS

E. Erkan, C. Garcia, V. Barros, P. Devarajan
Montefiore Children’s Hospital - AECOM New York-USA
Complexo Hospitalar Santa Casa-FFFCMPA - Porto Alegre-Brasil

A proteinúria persistente é considerada um fator de piora de prognóstico nas doenças glomerulares humanas. O efeito tóxico da albumina sobre as células tubulares renais foi demonstrado em estudos in vitro e in vivo.

Objetivos: pesquisar a presença de apoptose nas células tubulares renais de crianças com síndrome nefrótica (SN) e correlacionar o grau de apoptose com a severidade da proteinúria.

Metodologia: espécimes de biópsia renal de 19 crianças portadoras de SN (11 masc, 8 fem), 17 com glomeruloesclerose segmentar e focal (GESF) e 2 com SN córtico-dependente. Proteinúria média na época da biópsia foi 6,9g/24h (0-22g/24h). O ensaio Tunnel/PI foi utilizado para detectar apoptose e esta foi classificada em relação ao número de células apoptóticas por 100 células: Grau 0: sem apoptose, Grau I (1-20%): apoptose leve, Grau II (21-40%): apoptose moderada, Grau III (> 40%): apoptose severa. Proteinúria nefrótica foi definida como maior que 2,5g/24h .

Resultados:.

Proteinúria Sem apoptose Grau I Grau II Grau III
Não-nefrótica 3 (37%) 5 (63%) 0 0
Nefrótica 0 6 (55%) 3 (27%) 2 (18%)

Apoptose foi observada principalmente em um padrão descontínuo nas células dos túbulos renais através do ensaio TUNNEL. Nossos resultados mostraram uma associação entre grau de proteinúria e apoptose tubular (p=0.05, teste Qui-quadrado). A imunohistoquímica das amostras de biópsia renal foi consistente com ativação de Fas. 

Conclusões: Nossos resultados mostram que a proteinúria induz apoptose em células tubulares renais por ativação da via Fas. O bloqueio dessa via pode ser útil na prevenção de dano renal na doença glomerular humana.


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