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Dia 24/09/2000 Abertura Hoje foi aberto o XX Congresso Brasileiro de Nefrologia com a participação de cerca de 2000 congressistas. Na cerimônia de abertura, o presidente do congresso, Dr. José Bruno de Almeida, enfatizou a luta da Nefrologia para crescer como especialidade numa época em que o sistema de saúde está em crise e sem uma definição do seu futuro. Ele também mostrou os perigos da sub-especialização dentro da nefrologia, que fez com que houvesse uma diminuição de trabalhos científicos no congresso em áreas importante da nefrologia, como por exemplo a hipertensão arterial. O representante da Sociedade Brasileira de Nefrologia, Dr. João Moreira, falou sobre a comemoração dos 40 anos da Sociedade Brasileira de Nefrologia, mostrando partes de um vídeo que narra a história da sociedade, e que estará disponível em breve. Teve a palavra o representante do Ministério da Saúde, o Dr. Beltrame, que solicitou a colaboração da sociedade para que seja feita uma avaliação dos serviços de nefrologia do Brasil com vistas a otimizar a atuação da especialidade. Ele reconheceu que existe uma demanda reprimida de pacientes necessitando terapia substitutiva da função renal e que os pagamentos dos serviços está aquém do necessário, para um funcionamento ideal dos centros de nefrologia. Finalmente, foi instituído oficialmente o prêmio Oswaldo Luís Ramos com um belo discurso do Prof. Aluízio Costa e Silva, que relevou as qualidades grande nefrologista e educador que nos deixou em maio do ano passado. Resumido por: Sergio Fernando Ferreira DISCURSO PRONUNCIADO PELO DR. ALUIZIO DA COSTA E SILVA EM MEMORIA DO PROFESSOR OSWALDO RAMOS NATAL, 24/09/2000 Que
as minhas primeiras palavras sejam de agradecimento aSociedade
Brasileira de Nefrologia, na pessoa do seu presidente, Dr. João
Moreira, pelo convite para pronunciaralgumas
palavras em memoria do prof.Oswaldo Luiz Ramos. Faço-o com o melhor
de minhas emoções e feliz pôr lembrar de um grande
e maravilhoso amigo.
Desfrutei
da oportunidade de, pôr 35 anos, conviver com esse personagem singular,
possuidor de característicasincomuns
de líder, estadista, humanista eintelectual.Sua
erudição extrapolava o campo bio-médico, fomentandouma
convivência, rica em polemicas, pedagogias e controvérsias,polarizando
os presentes em torno desuas
concepções inteligentes, combatividade e idéias impregnadas
de lucidez.Taiselementoso
definiam como um intelectual. Entretanto sob o ponto de vista político
era um estadistainserido na academia. Desempenhava
suas atividadesde maneira consciente,
mas era também guiado pela intuição, principalmente
no planejamento a longo prazo, nas táticas e estratégias
para atingir os alvos pre-estabelecidos. Conhecia profundamente a
arte da negociação, sem mentir ou ironizar. A franqueza,
as vezes contundente, não atrapalhava, ao contrário, construía
pontes eviabilizava progressos porqueseus
propósitos eram honestos e possuidores das melhores intenções. A
avaliação positiva do trabalho de Oswaldo na ex Escola Paulista
de Medicina, nos últimosanos,
é peremptória. Foram quatrodécadas
de extremo labor, nos campos da capacitação, treinamento
e produção científica, bem como nas atividadesmédico-assistenciais,
para os pobres atendidos nas dependências do Hospital São
Paulo.Para
viabilizar tais ações e metastambém
dispunha da competência psicológica. Gerenciava
os conflitos entre pessoas e grupos, de modo a transformar antagonismos
em aumento de produtividade, com maximização dos resultados,
em beneficio da comunidade nefrologicadentro
e fora da Escola Paulista de Medicina. Como político entretanto,
cometia erros na sua auto avaliação. Considerava-se um conservador
embora não o fosse. Convivemos
intensamente durante as suas constantes relações com as instituições
de governo.Eraclaro
o seu totalvinculo com acoisa
pública, o seu compromissocom
a assistênciaa saúdedos
pobres, com aeducação
e com o ensino . Colocavasempre
suas atividades privadas em segundo plano, quando convocado a exercer as
tarefas públicas em Brasília e noutras cidades e estados. O
esforço acadêmico que desenvolvia em favor da nefrologia era
incansável,assemelhando-se
a uma missão religiosa. Escolhiaosauxiliarescom
elevado senso de isenção, valorizando antes de tudo as qualidades
intelectuais e éticas. Note-se que promoveu a transição
sucessória do serviço com habilidade de umlíder
de estado maior, verificando-se que após sua aposentadoria e ulterior
falecimento permaneceu o crescimento exponencial da instituição. Um
dado pôr exemplo : a FUNDAÇÃO OSWALDO RAMOSno
último anoclassificou-se
como o serviço que realizou omaiornúmero
de transplantes renais no mundo. O Oswaldo aparentemente impulsivo, bravo,
coexistia com o Oswaldoafetivo e
generoso. Afirmava que não obstante o seu espirito combativo e ímpeto
competidor, recusava sentimentos como ociúme,
a inveja e o ódio. Disse-me certa vez que “o ódio era o instrumento
dos tolos e destruidor para quem o praticava”. Na
sua visão universalista recusava acultura
institucional provinciana e ufanista e, na sua concepção
de um Brasil federativo, estimulou a democratização e a difusão
do conhecimento que fermentava e fervia nos corredores e laboratórios
da Escola Paulista de Medicina. Veja-se
quantos pós-graduados, ocupam espaços profissionais e acadêmicos
em centros nefrológicos de todas regiões do Brasil: do Amapá
ao Rio Grande do Sul, como aqui no Rio Grande do Norte, na figura do Professor
José Bruno de Almeida, presidente deste Congresso de Nefrologia. Em
Brasília a nefrologia da Escola Paulista de Medicina deixou sua
marca através dos inúmeros pos-graduandos que completaram
a residência, mestrado e doutorado. Todos ocupam posições
de muito prestígio nas áreasacadêmica,
publica e privada. Alguns desenvolvendo intensa atividade de pesquisa ao
nível internacional, produzindo impacto no indice internacional
de citações. A
obra maior de Oswaldo foi evidentemente, a semeadura de uma prole científica.
A produção de filhos científicos qualificados, que
hoje exercem oefeito multiplicador
do seu mentor. Seu trabalho, sua influencia, serão perenizados pela
ação destes filhos, netos e bisnetoscientíficos,
que ao reproduzir o ideal oswaldiano no trabalho e na ética, garantirão
sua imortalidade. Sim,
porque a imortalidade não se garante apenas pela dispersão
de nossos genes, mas também de nossas idéias. Era um homemde
muita fortuna nas amizades. Seu grande companheiro, Horacio Ajzen, eminência
não tão parda, porem discreta e homem dotado de inteligência
muito arguta e sutil. Oswaldo e Horacio eram o verso e o reverso, o par
e o impar, os simétricos. Este
discurso certamente não existiria, caso faltasse esse irmão
siamês deOswaldo. Maior fortuna
aindaOswaldo herdou com o amor de
Vera, sua companheira, pessoa de rara beleza humana. Vera recatada e habilmente
construiu o equilíbrio, a sustentação que permitiu
o sucesso do seu amado. O frágil coração do Oswaldo
nutriu-se do coração de Vera que a este deu vida e sobrevida. Antes
de encerrar as minhas palavras gostaria de apresentar dois slides: No
primeiro citando a pertinente opinião sobre Oswaldo Ramos explicitada
no capítulo de agradecimentode
umaTese de Mestrado-SLIDE
PÔR FAVOR “O
professor Oswaldo Luiz Ramos foi o principal responsavelpela
execução desse estudo . A sua participação
consciente e plena de propriedade, esta impressa ao longo de todo este
trabalho. Também nos ensinou , pelo exemplo, a lição
de que inteligência é síntese e que a captura do essencial
um gesto de sabedoria.” E
finalmente revivenciando a beleza do poema do seu filho Nando, pronunciado
na cerimonia do ultimo adeus aoOswaldo: SLIDE
PÔR FAVOR Oswaldo
Luiz Ramos (1928 – 1999) "A
PRESENÇA AUSENTE A
MEMÓRIA SEM FIM RISOS OUVIDOS E SONHOS HAVIDOSDESAFIAM
A NOITE FRIA E
FALAM AO CORAÇÃO IRRIGANDO
DE VIDA A ESCURIDÃO" NANDO
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