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Luiz
Cláudio Pádua Netto(*)
Um velho conhecido, psiquiatra famoso na capital e que na juventude freqüentou com assiduidade as casas de tolerância de Araguari, me disse um dia ( enquanto se gabava das pândegas do passado) que quando chegavam as “moças” de Corumbaíba, a freguesia destes estabelecimentos aumentava consideravelmente. Esclarecia ele, que o sucesso das “moças” de Corumbaíba se devia ao fato de que elas, além de muito bonitas, não eram dadas ao recato, fato que agradava aos freqüentadores mais puritanos. Para quem não conhece; Corumbaíba é uma cidade do estado de Goiás, caminho obrigatório para quem vai para Caldas Novas( sua vizinha mais famosa),vindo de São Paulo ou do Triângulo Mineiro. Certa
feita voltando da mesma Caldas Novas, minha mulher resolveu parar em Corumbaíba
para comprar algumas peças do artesanato local ( as famosas panelas
de pedra, muito apreciadas como ornamento de plantas, pois para cozinhar
devem gastar um gás fenomenal). Fiquei dentro do carro a pensar
que no dia seguinte estaria eu, novamente, diante de árduas doze
horas de plantão no PS de Araguari. Fixo o meu olhar para a calçada
ao lado onde caminham, alegres, duas moças ( olho como quem já
saciado, aprecia o menu apenas por entusiasmo). As duas muito bonitas e
ao contrário das citadas pelo amigo psiquiatra, apesar das minissaias,
andavam e se comportavam com decoro, mesmo diante dos galanteios dos rapazes
sentados na mesa do bar. Acompanhei-as com o olhar, até que dobraram
a esquina e saíram do meu campo de visão. Entretido com as
moças de Corumbaíba, me esqueço por breves momentos
do tormento que será enfrentar o PS no dia seguinte e me veio instantaneamente
à cabeça uma estrofe do poeta ( que vai me desculpar o lapso
de memória, mas não me recordo o nome de momento): “A moça
de minissaia é uma vaia as intempéries da vida”.
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