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Volume 1- Número 9- Ano III (Jan/Fev/Mar de 2000)
Discussão: Prática Clínica

A apresentação desta história clínica acontece simultâneamente na lista de discussão em nefrologia (GER-Nefro) que conta com mais de 500 assinantes. Abaixo, vamos encontrar as opiniões debatidas nesta lista. 
(O Editor)

Caro Istenio: Como sempre seus casos são muito interessantes e ilustrativos. Os meus comentários são: Estes cálculos são radiotransparentes ou radiopacos? Tudo leva a crer que são radiotransparentes, portanto de ácido úrico puros. Com a evolução da doença e sem estudo metabólico prévio o paciente apresentou perda da função renal E. Como o tratamento metabólico não estava sendo realizado o paciente continuou a formar novos cálculos que culminava com obstrução ureteral e consequente IRA obstrutiva. Interessante observar que foi submetido a diálise, sendo que o tratamento deveria ser de desobstrução renal imediata que poderia inclusive evitar as sessões de dialise que foram realizadas. O diagnóstico de rim em esponja medular não pode ser confirmado, neste caso, pois este diagnostico só é possível com a urografia excretora a qual não foi realizada. De mais a mais os pacientes portadores de rim em esponja medular fazem com frequencia cálculos pequenos de fosfato de cálcio e/ou oxalato de cálcio. É frequente também a presença de hipercalciuria e hiperuricosuria. Neste seu caso o paciente apresentava hiperuricosuria, hipocitraturia e hiperuricemia mas sem hipercalciuria. Também para fins prognósticos o tratamento de litiase em portadores de rim em esponja medular deve ser de acidificar a urina, pois a urina alcalina aumenta a formação de novos cálculos e tambem as calcificações comuns nesta patologia. Já em portadores de litíase urica o tratamento deve ser de alcalinizar a urina com citrato de potássio e o uso de alopurinol em casos também de hiperuricemia como parece ser o caso do seu paciente. Também interessante ressaltar que o prognostico dos pacientes portadores de rim em esponja medular é benigno, o que não pareceu ocorrer com este paciente que evoluiu com perda de um rim. Resumindo acho que este seu caso é um excelente exemplo da importancia de um diagnostico metabólico e de imagem preciso e consequente tratamento específico com a finalidade de evitar complicações sérias como as que foram descritas. 

Um grande abraço do amigo,

José Augusto Meneses



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