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Ex-Professor
de Nefrologia da UFRJ, Fellow em
Sob este termo define-se toda e qualquer informação médica obtida através da Internet. A cibermedicina é também conhecida como a responsável pela transição de inúmeras informações e serviços médicos para dentro do computador. Bem mais abrangente que a telemedicina - a transmissão de dados médicos pelos modernos hardware via Internet -, a cibermedicina inclui todas as facetas, interativas ou não, da medicina pelo ciberespaço. A
revolução nos hábitos de divulgação
e obtenção de informações médicas está
apenas começando. Globalmente, a Internet propicia a oportunidade
de disseminar informações até então tidas como
tabus no meio médico.A crescente tendência, de buscar orientação
sobre qualquer assunto relacionado com a saúde via ciberespaço,
não tem limite. Não podemos prever o endpoint que
limitará o ser humano a este acesso.
Tanto
para médicos como para pacientes e o público em geral, a
disponibilidade de qualquer assunto ligado à área médica,
acrescida da interatividade proporcionada pelo correio eletrônico,
será certamente uma poderosa aliada na manutenção
da saúde, na prevenção de doenças, no diagnóstico
de enfermidades e no tratamento de doentes. A Internet, em todas as suas
formas, produzirá impactos profundos na medicina do futuro.
Como
a Medicina é uma especialidade fundamentada na disseminação
de informações - principalmente por meio de livros e revistas,
além da divulgação dos resultados de pesquisas e descobertas
de novos e modernos métodos de diagnósticos e tratamentos
-, com a Internet ela alcançou um avanço tecnológico
surpreendente. Em segundos e minutos pode-se ter acesso às mais
recentes informações sobre determinada enfermidade ou medicamento.
Economiza-se um tempo enorme sobre aquele gasto no processo antigo de esperar
semanas, e até meses, pelas revistas e livros enviados pelo correio.
Por vezes salvam-se vidas. Recentemente,
um paciente desenganado com leucemia aguda descobriu em consulta à
Internet que uma universidade americana tinha um medicamento experimental
para a sua doença. Comunicou-se com o médico por e-mail,
tomou um avião, fez o tratamento e sobreviveu!O fato é que
o leque de serviços médicos atualmente prestados pela Internet,
já é imenso e tende a crescer cada vez mais, com a entrada
de melhores e mais sofisticados programas de alta definição
de voz e vídeo. Conceitualmente,
como dissemos, a cibermedicina engloba todas as facetas interativas da
Medicina no ciberespaço. Dentre elas, destacamos: ·o correio eletrônico, e-mail - que permite a rápida troca de informações entre médicos do mundo inteiro, por meio de listas de discussão; ·as salas de chat - que possibilitam diálogos interativos entre médicos e pacientes; ·os sistemas de busca eletrônica – que pesquisam resultados de exames de laboratório para leigos e pacientes, disponibilizando orientações e informações médicas em tempo real; ·a solicitação de compra de medicamentos; ·a divulgação e o marketing de produtos médicos; ·e a própria telemedicina, além das recentes videoteleconferências... Certamente,
muito do que o conceito cibermedicina especifica hoje ainda está
para ser inventado. A
Medicina está sendo muito beneficiada pela Internet. Estamos presenciando
o quanto ela pode ajudar na busca por novos conhecimentos - pelos médicos
que avidamente procuram artigos bibliográficos em sites, por recentes
pesquisas que podem ser acessadas, seu andamento, atualizado on-line
em segundos e que poedm ser impressas imediatamente. Para o médico
praticante, os sites mais procurados e que fazem mais sucesso, são
aqueles que pesquisam informações bibliográficas sobre
sua especialidade, bem como as já famosas listas de discussão
que envolvem médicos do mundo inteiro, com trocas vitais de informações
entre si, atingindo regiões remotas do Mundo. Os
conhecidos sites de busca são também enormemente utilizados.
Com isto consegue-se manter atualizado o médico que trabalha em
regiões longínquas - como áreas rurais ou reservas
indígenas -, e aquele em serviço durante guerras ou expedições
especiais e espaciais. A rapidez com que as informações médicas
podem ser colocadas em um CD-ROM e despachadas para qualquer parte do mundo,
tende a nivelar os conhecimentos entre os médicos. Os
potenciais benefícios da cibermedicina são vários
(fig1). O mais objetivo é a criação de um mercado
internacional altamente eficiente de informações de serviços
médicos, com o intuito de, cada vez mais, melhorar o atendimento
aos pacientes. O
acesso instantâneo às informações médicas
- como informações,orientações e esclarecimentos
-, a economia de deslocamentos às salas de espera dos consultórios
e as compras de medicamentos on-line, em muito facilitarão
a vida dos pacientes. Os medicamentos podem chegar a suas residências
em questões de minutos. Adicione-se
a estes benefícios um sem número de serviços de apoio
como arquivos de pacientes compartilhados e computadorizados, marcação
de consultas em tempo real, recebimento de resultados de exames, aviso
automático das próximas consultas via e-mail e a consulta
pela Internet ao prontuário eletrônico do paciente por meio
de senha específica.Descobertas e novidades sobre novas vacinas
e medicamentos pertinentes, poderão ser repassadas imediatamente
ao paciente-alvo. Avisos sobre novos equipamentos, além de cursos
de atualização à distância para profissionais
da área de saúde por ciber-universidades, nos deixam com
uma grande incógnita sobre os limites com que teremos de nos deparar. Recentemente,
a atualização médica continuada também passou
a ser bastante utilizada por sistemas de educação médica
via Web. São sites que permitem aos profissionais de Saúde
que não dispõem de tempo para freqüentar aulas em instituições
tradicionais de ensino, fazerem cursos de aperfeiçoamento. Estes
e outros programas têm de seguir o modelo pedagógico especificado
pelo Ministério da Educação (MEC) para ensino à
distância.Existem também
sites específicos sobre
realização de Congressos e Simpósios em que o médico
pode se inscrever, agendar reservas de avião e hotéis.Enfim,
um mundo novo que com o aperfeiçoamento dos programas de alta definição
de som e imagem nos torna virtualmente presentes a um Congresso
que está sendo realizado na Europa, por exemplo. Da nossa casa,
da nossa cadeira, por meio da nossa televisão! Como
dissemos, o uso do correio eletrônico está revolucionando
as comunicações entre os seres humanos.Hoje já é
possível enviar e-mails pelos telefones celulares - a
Internet sem fio(conhecida como WAP)Com o rápido desenvolvimento
dos aparelhos que podem se comunicar com a Internet sem fio, abre-se um
leque atemorizador do que virá pela frente e de que modo vamos usá-los. Não
está longe de termos uma cibervideoteca onde teremos acesso a videocirurgias,
videoteleconferências, radioimagens em terceira dimensão e
ao alcance dos telefones celulares, entre outros. Já surgiram os
celulares de 3a geração – banda larga – que podem
transmitir dados em velocidade 40 vezes superior à atual, podendo
continuar a falar, acessar a Internet, ver imagens e trocar correspondência
eletrônica on-linepelos quatro cantos do mundo. Estima-se
que a cibermedicina será uma “indústria” de bilhões
de dólares -embora poucos dos seus produtos estejam atualmente difundidos
no mundo -principalmente pela venda virtual de medicamentos e equipamentos
médicos. Começamos a ver algumas das sementes do futuro. Algumas
das páginas pesquisadas revelam que a home-page doHealthon
já é uma das pioneiras, nos EUA, na integração
de processamento eletrônico de queixas e dados de pacientes, informações
sobre medicamentos, troca de informações entre médicos,
hospitais, seguradoras, companhias farmacêuticas e de equipamentos
em geral . Uma grande comunidade médica em rede 24 horas por dia
e sete dias na semana! Inúmeros
sites
dedicam-se a divulgar informações clínicas relevantes,
recentes e modernas, o andamento de pesquisas sobre enfermidades e novos
medicamentos. Oferecem ainda um espaço para compra e venda de livros
e software em CD-ROM, além de orientar para a realização
de diagnósticos diferenciais. Outro serviço é a atualização
médica constante e personalizada, remetida periodicamente ao endereço
eletrônico do paciente. Já existem revistas também
eletrônicas criadas especialmente para a Internet. Alguns exemplos
de páginas com estes serviços são a Clínica
Mayo, a do Dr. Koop, a WebMD. Outras
home-pages
inovadoras virão sem dúvida prestar outros serviços.
Pesquisarão preços de procedimentos cirúrgicos eletivos,
tais como cirurgias plásticas, cardíacas, de hérnias
e colocação de prótese femoral.Hoje o paciente já
tem a opção de pesquisar médicos, orçamentos,
além de inúmeras outras variáveis e ao final definir
a opção desejada considerando fatores como, por exemplo,
o currículo do profissional e o preço que for mais conveniente
ao seu bolso! No
que se refere a consultas on-line, parece que os psicólogos
largaram na frente.São os chamados telepsicólogos, que dão
consultas através da Internet, por meio de um canal de conversa
(chat) privado, cobrando alguns atéR$40,00/hora.Isto é
somente a ponta do iceberg. O
internauta já pode realizar um “check-up” pela rede, que
funciona do seguinte modo: o paciente responde ao questionário médico
de um programa especializado.O próprio programa depois sugere os
exames que o paciente deverá fazer.Depois de realizados, o ciberpaciente
somente terá que digitar os resultados de volta na página
da Internet. Este site remeterá ao paciente seus comentários,
orientações e diagnósticos, pedindo, possivelmente,
exames complementares ou sugerindo ao paciente procurar o especialista
mais adequado para o seu problema e o mais próximo de sua residência
! Hoje
existem três maneiras diferentes de usar a Cibermedicina como fonte
de troca de informações médicas:
1
- Correio
Eletrônico (e-mail):
(A)Listas
de discussão entre médicos;
(B)Troca
de correspondências entre médicos ou médicos e pacientes;
(C)Respostas
às perguntas mais freqüentes (FAQ);
(D)Resultados
de Laboratórios dos pacientes;
(E)Marcação
de consultas; (G)Informações
aos pacientes (novas vacinas, medicamentos). (H)Divulgação
de novas Home Pages
2
- Internet propriamente dita:
(A)Pesquisas
bibliográficas (revistas, monografias, dados diversos);
(B)Educação
Médica online;
(C)Orietação
Médica online;
(D)Telemedicina; (E)Compra
de medicamentos; (F)Compra
e venda de equipamentos médicos; (G)Grupos
de suporte (associações de pacientes); (H)Informações
sobre (curriculo) médicos; (I)Oferta
e procura de emprego; (J)Pesquisa
de orçamento de procedimentos médicos; (K)Videoteleconferências; (L)Videoteca
(radio-imagens e procedimentos cirúrgicos); (M)Marketing
médico e de produtos; (N)Sitesde
matérias médicos – nutrição, fisioterapia,
psicólogos; ....e
mais, muito mais...
3
– CD-ROM:
(A)Usar
interativamente como livros e atualizações de conhecimento;
(B)Usar
para software de medicina;
(C)Gravação
de vídeos e imagens para palestras e aulas.
Um
dos problemas que podemos prever na relação médico
/ paciente no ciberespaço, é a identificação
de quem está do “outro lado” do computador.Pela Internet, fica difícil
certificar-se de que a pessoa do outro lado é um médico licenciado,
especialista ou não e se ele está capacitado a tirar dúvidas
e orientar eticamente o paciente. Uma das alternativas é ter este
site
“acreditado” por organizações médicas mundiais, atribuindo-lhe
um selo de confiabilidade. Senão, poderá ocorrer uma
onda de aproveitadores e cibercharlatães. Da
mesma maneira, teremos de nos certificar se o paciente é verdadeiro
ou não.Exemplificando, uma pessoa que solicita um opiáceo
é obrigatoriamente um paciente terminal. No entanto, será
difícil discerni-lo de um dependente de drogas. Por isto não
se vende medicamentos por enquanto controlados pela rede. Outra
situação comum no futuro, será o paciente chegar ao
consultório carregado de informações adquiridas na
Internet, exigindo explicações mais detalhadas, mais específicas
ou até tratamentos mais modernos e atuais de sua enfermidade. Não
queremos entrar na qualidade de informações que o paciente
trará pois, por enquanto (para ele), tudo o que está na rede
é verdadeiro. Não existem ainda instruções
de como proceder no caso de divulgação de informações
médicas incorretas ou falsas. Ainda não está regulamentada
a responsabilidade civil na Internet.Mas nem por isso afastaríamos
a hipótese de vermos, em breve, médicos praticando medicina
(quase que) exclusivamente no ciberespaço.Nesta lógica, certamente
que a advocacia não perderá a oportunidade de criar uma especialidade
voltada diretamente para a Internet:o
ciberadvogado. Um
dos maiores problemas a ser equacionado, é de como será remunerado
este cibermédico.Já estão surgindo os chamados
e-cards,
que confirmam por via eletrônica a compra do serviço solicitado
e garantem qualquer despesa realizada pelo cliente; os cartões de
crédito tradicionais estão se adaptando contra as clonagens;
outras opções compreenderiam remunerações pelo
Seguro de Saúde ou por depósitos bancários posteriormente
remetidos via fax. O
paciente que não ficar satisfeito com o médico, imitará
a crescente tendência, comum em outros países, de buscar uma
segunda opinião pela rede.Existem hoje até sites para
o cibercondríaco, como o da Healthanxiety, que lhes permitem
manterem-se atualizados. Estamos
notando também uma salutar tendência entre as companhias farmacêuticas.Através
de suas home-pages aproximam-se de médicos e pacientes, prestando-lhes
informações gerais sobre os medicamentos e seus efeitos colaterais,
objetivando reduzir erros medicamentosos e, consequentemente, os riscos
de sofrerem processos legais. Outras
especialidades correlacionadas à medicina também mantêm
bons sites dentre os quais destacamos: ·Nutrição e Dietas, que informam sobre alimentações balanceadas e calóricas; ·Orientação sobre fisioterapia e condicionamento físico, alertando sobre a necessidade da prática adequada de esportes; ·Ótimos sites de psicologia, alguns com consultas on-line; ·Sites de grupos de suporte de pacientes com enfermidades específicas etc. Enfim,
uma gama enorme de sites-serviços coligados, visando promover
informações à população, com reflexos
diretos na disseminação da Medicina Preventiva que, como
sabemos, será a tônica do início do século XXI. Na
realidade, a tecnologia da cibermedicina está na sua infância.
O e-commerce, o e–service, o m-commerce (m de telefone
móvel), assim como os hardware que os apóiam - scanners,
monitores, olho mágico, e as webcams -, estão se desenvolvendo
muito rapidamente. Vários tipos de equipamentos médicos,
como o eletrocardiograma on-line, aparelhos de medir pressão
arterial e oxímetros on-line, estão dando impulso
considerável ao Home Care e alavancando tremendamente um
dos já mencionados ramos da cibermedicina – atelemedicina –, que
será um tremendo aliado no diagnóstico e tratamento dos pacientes. Um
dos terrenos mais promissores na troca de informações e conhecimentos
entre médicos e pacientes, médicos e médicos, além
de médicos e instituições, será o das videoteleconferências.Começando
a ser usada por instituições de saúde de diferentes
cidades e países, esta tecnologia será em breve, com o advento
da Internet sem fio via telefones celulares, um outro campo superevolucionário. Mantendo-se
esta taxa de desenvolvimento e introdução de novas tecnologias,
tanto na Internet quanto na medicina, rapidamente ingressaremos no mundo
novo do século XXI.Nele, os futuros cibermédicos terão
a oportunidade de examinar seus pacientes à distância e carregarão
seu consultório virtual numa mala de médico – um protótipo
atual no formato de uma maleta pesa apenas 10kgs. Este consultório
de emergência reúne equipamentos como o estetoscópio
de alta definição, o eletrocardiograma online e uma
sonda ecográfica que, acoplados a um laptop, colhem e fornecem
informações e diagnósticos da própria casa
do paciente ou de onde ele estiver para Centros Médicos especializados.
Estes aparelhos transmitem dados vitais do paciente de boa qualidade pela
Internet, com praticidade suficiente para qualquer leigo poder se conectar
de onde estiver com um médico em qualquer lugar do mundo e remeter
suas informações. É
preciso cuidado com o entusiasmo das inúmeras novidades. Por causa
delas, alguns aspectos legais e éticos devem ser equacionados à
medida que a tecnologia avança. Na medida em que os usuários
passem a usar este sistema, as relações médico-pacientes
começarão a desafiar as tradicionais e conservadoras leis
vigentes que tratam de questões éticas sobre a qualidade
da prestação e da confidencialidade do serviço médico
oferecido. Caberá
ao médico do futuro uma constante atualização de informática
para se manter conectado ao mundo da cibermedicina.O domínio deste
campo permitirá ao cibermédico um aprimoramento mais eficaz
e rápido no aprendizado de sua especialidade, bem como o conhecimento
dos modernos meios de diagnósticos e tratamentos disponíveis
no ciberespaço, com o intuito de, cada vez mais, aperfeiçoar
sua prática médica. Dr.
Horacio Arruda Falcão, médico |