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Situações-Limite de Vida e de Morte Prof. Leonardo Boff Doutor em filosofia e teologia, professor emérito de ética na UERJ,um dos criadores da teologia da libertação e autor de mais de 50 livros entre os quais, Vida para além da morte (Vozes), A nossa ressurreição na morte (Vozes), Espírito e Saúde (Vozes) , Saber Cuidar (Vozes), Ética da vida (Latraviva) e Ethos mundial, um consenso mínimo entre os humanos (Letraviva) Sinto-me
muito feliz em poder participar deste fórum porque a presença
da reflexão ética e também espiritual já revela
mudanças em nossa época. Efetivamente estamos em tempos de
transversalidade dos discursos, buscando convergências nas diversidades,
em benefício da qualidade humana, espiritual e cívica dos
seres humanos.
Apreciei
muito as exposições do médico Dr. Paulo Cesar e do
jurista, Desembargador Capanema porque suscitaram as reais questões
, quer dizer, sinalizaram o limite e o alcance da medicina e da lei com
referência ao complexo problema dos doentes terminais e da morte.
Pessoalmente estimo que essa questão, lógico,comporta dimensões
científicas, técnicas e jurídicas mas também
nos remete a questões de natureza cultural e filosófica:
qual a imagem que temos do ser humano? Que visão projetamos da vida
cuja compreensão mais profunda vem sendo elaborada no interior das
ciências biológicas, da moderna cosmologia e de uma compreensão
ampliada do do processo da evolução ascendente? Uma nova
ótica provoca uma nova ética. É o que, no fundo, se
trata com as questões que foram suscitadas pela visão médica
e pela leitura jurídica.
1.
O cuidado: essência concreta do ser humano
Sobre
isso gostaria de refletir no sentido de levar avante a discussão
com a eventual contribuição da filosofia, nomeadamente da
ética. Gostaria de articular a reflexão ao redor do tema
do cuidado, tão essencial à vida, especialmente à
vida humana em seu limite extremo dedoença e de morte.
A
ética do cuidado é conatural aos médicos e enfermeiros
e também aos promoteres do direito e da justiça na sociedade.
No meu livro Saber cuidar: ética do humano-compaixão pela
Terra tentei vertebrar um pensamento que acolhesse essas questões
e as aprofundasse no arcode uma visão mais arquitetônica,
própria da filosofia e da ética. Parti de uma conhecida fábula
de Higino, um filosófo escravo egípcio-romano, na aparece
claramente que a essência do ser humano não residetanto no
espírito e na liberdade, quanto no cuidado.
O
cuidado significa uma relação amorosa com arealidade. Importa
um investimento de zelo, desvelo, solicitude, atenção e proteção
para com aquilo que tem valor e interesse para nós.Tudo o que amamos
tambem cuidamos e vice-versa. Pelo fato de sentirmo-nos envolvidos e compromeitos
com o que cuidamos, cuidado comporta também preocupação
e inquietação.
O
cuidado constitui a plataforma real que possibilita as demais dimensões
dohumano emergirem. Sem ele não guardariam sua característica
humana. Martin Heidegger em seu Ser e Tempo dedica alguns dos mais profundos
parágrafos a essa visão do cuidado essencial, como a natureza
concreta do ser humano no mundo com os outros. Devido à sua essencialidade,
dizia Horácio, o poeta romano, o cuidado nos acompanha como uma
sombra ao largo de toda a vida. Tudo aquilo que fizermos com cuidado significa
uma força contra a entropia, contra o desgaste, pois prolongamos
a vida e melhoramos as relações com a realidade.
A
crise da cultura mundial reside na falta de cuidado, falta clamorosa no
tratamento das crianças e dos idosos dos eco-sistemas, das relações
sociais e de nossa própria profundidade. É o cuidado que
salvaráo amor, a vida e nosso esplendoroso planeta Terra.
Na
Carta da Terra, documento elaborado ao longo de 8 anos, envolvendo as bases
da sociedade e o melhor do pensamento ecológico, político
e ético de 46 países e implicando mais de 200 mil pessoas,
visando garantir o futuro do Planeta e da humanidade e recentemente acolhido
pela UNESCO, nesta Carta, o eixo estruturador é a ética do
cuidado. Para vocês da medicina e da enfermagem, essa assunção
não significa nenhuma surpresa, pois, como disse e repito, o cuidado
é a essência da atitude curativa dos operadores da saúde.
Já no século passado emergia poderosamente essa perspectiva
do cuidado com a famosa enfermeira inglesa Florence Nightgale. Ela deixou
a Inglaterra e foi tratar, sob a ótica do cuidado, os soldados feridos
na violenta guerra da Criméia. Em seis meses conseguiu reduzir de
42% a 2% a mortandade entre os soldados feridos. De volta organizou toda
uma rede de hospitais que davam centralidade ao cuidado. Deu origem a uma
corrente de pensamento e de ética na enfermagem, articulada ao redor
do cuidado, hojemuito forte nos Estados Unidos e também em nosso
país. Particularmente a partir dos anos 70 começou a se discutir
a ética da enfermagem utilizando a categoria cuidado . Aí
aparecia o cuidado como a aura benfazeja que deve impregnar a investigação
científica e a utilização do aparato tecnológico.
Estes não devem ser subestimados nem relativizados em nome do cuidado.
Antes,devem servir à atitude de cuidado pois só então
servem à integralidade dos pacientes a serem curados ou acompanhados
em sua grande travessia da morte. Frequentemente somos confrontados com
a situação penosa de doentes terminais. A medicina contemporânea
tem condições de prolongarpor muito tempo a vida, mesmo no
âmbito de situações-limite e para além de qualquer
espectativa de reversibilidade. Há situações que comportam
grande dor dos pacientes e gastos altíssimos para a família
que quase vai a falência no afã de garantir o tratamento de
seus familiares terminais. Como atuar em casos deste gênero? Prolongar
a todo custo a vida ou deixar que ela siga o seu cursorumo à morte?
Tive
a oportunidade de acompanhar a grande travessiade uma das mais brilhantes
inteligências brasileiras e cristãs, o Dr. Alceu Amroso Lima
(Tristão de Athaide) no hospital Santa Teresa de Petrópolis.
Ele foi durante toda a vida um paladino da liberdade, especialmente nos
tempos de chumbo da ditadura militar. Com seus mais de 90 anos e sob muitos
achaques, padecia ligado a muitos aparelhos e a tubos. Num dado momento
de distração dos enfermeiros, arrancou tudo e se libertou.
Criou-se um impasse para cuja solução fui convidado a opinar.
Tratava-se de ligar ou não ligar aqueles aparelhos todos para permitir
ao Dr. Alceu prolongar por um pouco mais a vida? Suspeitando do impasse,
ele me sussurou ao ouvido: “eu lutei a vida inteira pela liberdade e não
quero morrer sob ferros como um escravo, isso não é digno,
deixem-se morrer em paz”. Foi o que eu disse ao corpo médico: “respeitem
o curso natural da vida do Dr. Alceu, porque a vida é mortal e ela
precisa ser respeitada em sua qualidade de mortal. Ademais, o Dr. Alceu
é um cristão profundamente convicto na vida eterna; a doença
não lhe tira a vida, ele a entrega Aquele de quem a recebeu, a Deus;
deixem-no morrer como quer, em plena liberdade”. E assim foi feito. E morreu
com a aura de um liberto. Essa atitude significa também cuidado
para com a natureza da vida, em sua finitude e mortalidade.2.Uma compreensão
mais complexa do ser humano
Essas
pequenas referênciasnos suscitam a questão que gostaria de
rapidamente abordar no contexto das duas conferências aqui feitas:
qual a compreensão do ser humano que preside nossas práticas
terapêuticas? Façamos um ensaio de reflexão filosófica.
Antes
de mais nada importa enfatizar que o ser humano constitui uma totalidade
extremamente complexa. Quando dizemos “totalidade” significa que nele não
existem partes justapostas. Tudo nele se encontra articulado formando um
todo orgânico. Quando dizemos “complexa” significa que o ser humano
não é simples, mas a sinfonia de múltiplas dimensões
que coexistem e se interpenetram. Dentre muitas discernimos três
dimensões fundamentais do único ser humano, dimensões
que ocorrem sempre juntas e articuladas entre si: a exterioridade (corpo),
a interioridade (mente) e a profundidade (espírito).Essa consideração
holística nos propicia uma visão mais integrada que beneficia
a medicina e a enfermagem em sua missão de cura...
A
exterioridade do ser humano é tudo o que diz respeito ao conjunto
de suas relações com o universo, com a natureza, com a sociedade,
com os outros e com sua própria realidade concreta. Ela ganha densidade
especial através docuidado, já referido anteriormente. Sem
o cuidado eles não sobrevivem nem se desenvolvem. Por isso importa
ter cuidado para com o ar que respiramos, com os alimentos que consumimos/comungamos,com
a água que bebemos,com a roupas que vestimos e com as energias que
vitalizamnossa corporeidade. Normalmente se chama essa dimensão
de corpo. Mas bem entendido: corpocomo o ser humano todo inteiro, vivo,
dotado de inteligência, de sentimento,de compaixão, de amor
e de êxtase enquanto se relaciona para fora e para além de
si mesmo.
A
interioridade do ser humano vem constituída por tudo o que é
voltado para dentroe diz respeito ao universo interior, tão complexo
quanto ao universo exterior.A interioridade humana se constela ao redor
do consciente e do inconsciente pessoal e coletivo.Por isso não
é jamais vazia mas habitada por instintos, paixões, imagens
poderosas, arquétipos ancestrais e principalmente pelo desejo. O
desejo constitui, possivelmente, a estrutura básica da interioridade
humana. Sua dinâmica é ilimitada. Como seres desejantes, nós
humanos não desejamos apenas isso e aquilo. Desejamos tudo e o todo.
O obscuro e permanente objeto do desejo é o Ser em sua totalidade.
Tentação permanente consiste emidentificar o ser com alguma
de suas manifestações. Quando isso ocorre, surge a fetichização
que é a ilusória identificação da parte com
o todo, do absoluto com o relativo. O efeito é a frustração
do desejoe o sentimento de irrealização. O ser humano precisa
sempre cuidar e orientar seu desejo para que, ao passar pelos vários
objetos de sua realização, não perca a memória
bemaventurada do único grande objeto que o faz realmente descansar:
o Ser, a Totalidade e a Realidade fontal. A interioridade é chamada
também de mente humana. Novamente mente , bem entendida,como a totalidade
do ser humano voltado para dentro, captando seu dinamismo interior e também
as ressonâncias que o mundo da exterioridade provoca dentro dele.
Por
fim, o ser humano possui profundidade. Ele possui a capacidade de captar
o que está além das aparências, daquilo que se vê,
se escuta, se pensa e se ama com os sentidos da exterioridade e da interioridade.
Ele apreende o outro lado das coisas, sua profundidade. As coisas todas
não são apenas coisas. São símbolos e metáforas
de outra realidade que está sempre além e que nos remete
a um nível cada vez mais profundo. Assim a montanha não é
apenas montanha. Ela traduz o que significa majestade. O mar, a grandiosidade.
O céu estrelado, ainfinitude. Os olhos profundos de uma criança,
o mistério da vida humana.
O
ser humano coloca questões fundamentais que estão sempre
presentes em sua agenda: de onde viemos, para onde vamos, como devemos
viver? Que significa a doença e finalmente a morte? Como preservar
o mundo que nos sustenta? Quem somos nós e qual a nossa função
no conjunto dos seres? Que podemos esperar e qualnome dar aomistério
que subjaz a todo o universo e que reluz em cada coisa à nossa volta?Ao
balbuciar respostas a estas questões vitais captamos valores e significados
e não apenas constatamosfatos e enumeramos acontecimentos
Na
verdade, o que definitivamente conta não são as coisas que
nos acontecem. Mas o que elas significam para a nossa vida e que experiências
e visões novasnos propiciam. As coisas, então,passam a ter
caráter simbólico e sacramental: nos recordam o vivido, nos
reenviam a questões mais globais e, a partir daí,alimentam
nossa profundidade.
Colocar
questões fundamentais e captar a profundidade do mundo, de si mesmo
e de cada coisa constitui o que se chamou de espírito. Espírito
não é uma parte do ser humano. É aquele momento pleno
de nossa totalidade consciente, vivida e sentida dentro de outra totalidade
maior que nos envolve e nos ultrapassada: o universo das coisas, das energias,
das
pessoas, das produções histórico-socias e culturais.
Pelo espírito captamos otodo e a nós mesmos como parte e
parcela deste todo.
Mais
ainda. O espírito nos permite fazer uma experiência de não-dualidade.
“Tu és isso tudo” dizem os Upanishads da India, referindo-se ao
universo.Ou “tu és o todo” dizem os yogis.“O Reino de Deus está
dentro de vós” proclama Jesus. Estas afirmações nos
remetem a uma experiência vivida e não a uma doutrina. A experiência
é de que estamos ligados e re-ligados uns aos outros e todos à
totalidade e àsua Fonte Originante.Uma fio de energia, de vida e
de sentido perpassa a todos os seres, constituindo-os em cosmos e não
em caos, em sinfonia e não disfonia.A planta não está
apenas diante de mim. Ela está também dentro de mim, como
ressonância, símbolo e valor. Há em mim uma dimensão
planta, bem como uma dimensão montanha, uma dimensão animal,
e uma dimensão Deus. Sentir-se espírito não consiste
em saber estas coisas. Mas, em vivenciá-las e fazer delas conteúdo
de experiência. Quando isso ocorre, emerge a não-dualidade
e a profunda sintonia com todas as coisas. A partir da experiência
tudo se transfigura. Tudo vem carregado de veneração e sacralidade.
Não estamos mais sós, centrados em nosso antropocentrismo
ou em nossa visão utilitarista das coisas. Fazemos parte da imensa
comunidade cósmica. Sentimo-nos mergulhados no fluxo de energia
e de vida que empapa todo o universo e a natureza à nossa volta.
3.
A morte como inteligente invenção da vida
É
nesse contexto que importa colocar o tema da morte. O sentido que damos
a vida é o sentido que damos a morte e o sentido que damos à
morte é o sentido que damos à vida. A morte pertence a vida
e a vida pertence ao mistério, àquele processo misterioso
de auto-organização da matéria que permite a vida
eclodir, em sua imensa diversidade.
A
vida, comotodas as coisas, é mortal. Quando alguém é
concebido já é suficientemente velho pra morrer. Começa
a morrer devagar, em prestações e vai morrendo cada dia um
pouco até acabar de morrer.
Então
a morte não vem no fim da vida, a morte está no coração
da vida. Acolher a morte como parte da vida, significa tratar diferentemente
a vida, acolher sua finitude e suas limitações, sem amargura
e ressentimento, mas com jovialidade e sentido de realidade. Numa perspectiva
evolutiva e holística a morte é considerada uma sábia
invenção da própria vida, para poder continuar num
outro nivel mais alto e realizar seu propósito de expansão
do cuidado, do amor e da liberdade.
A
morte não é entendida como um fracasso ou como uma dissolução
mas como um dos momentos da própria vida, tal o momento de nascer,
o momento de ficar adulto, o momento das grandes decisões, o momento
de casar e outros. Assim a morte significa um momento alquímico
de uma grande transformação, da grande travessia para um
novo estado de consciência e de realização do projeto
infinito que é cada ser humano. Na metáfora brilhante do
Dr. Paulo César,a morte deixa de ser “fantasma escondido debaixo
da cama”para se transformar na irmã que vem nos tomar pela mão
e nos conduzir para uma forma mais complexa e mais alta de vida. Assim
pensou e viveu S.Francisco de Assis que morreu literalmente cantando e
saudando a irmã morte.Essa concepção de vida e de
morte foi historicamente trabalhada pelas religiões. Elas apresentam
um sentido derradeiro para o ser humano, uma cura total de sua ânsia
de infinito e de vontade de viver. Para um médico humanista, tais
concepções devem ser tomadas a sério, porque elas
atuam poderosamente sobre os pacientes no sentido de integrarem os sofrimentos
e os medos face ao imponderável da grande travessia. Eles querem
ser acompanhados pela presença humana, calorosa e solidária
e não abandonados nas UTIsentregues à parafernália
tecnológica.Assim como entramos no mundo cercados pelo carinho humano,
queremos também nos despedir dele circundados dos cuidados e da
benquerença dos familiares e dos amigos.
4.
Atitude ética básica face a situações terminais
Para
concluir minhas reflexões, gostaria de apresentar alguns pontos
acerca das atitudes a se tomar face a doentes terminais.
Como
somos responsáveis pela nossa vida assim devemos ser responsáveis
também pela nossa morte.
Como
temos direito a uma vida digna da mesma forma temos direito a uma morte
digna. Esse direito muitas vezes nos é negado pelo fato de sermos
obrigados a ficar presos a aparelhos e medicamentos que nos prolongam a
vida no sentido meramente vegetativo, o que é insuficiente para
a integralidade da vida minimamente humana.
A
vida é o melhor fruto do universo como auto- organização
da matéria e, numa perspectiva espiritual, o maior dom de Deus.
Mesmo assim, a vida cái sob a responsabilidade dos seres humanos.
Somos responsáveis pelo comêco da vida e tambémresponsáveis
pelo fim da vida.
Outrora,
a teologia moral cristã condenava o planejamento familiar, pois
imaginava, erroneamente, que era uma intromissão no desígnio
divino de colocar vidas no mundo. Hoje, todas as igrejas entendem que Deus
colocou à responsabilidade do ser humano o começo da vida.
Também o fim da vida foi entregue à sua responsabilidade
(não à sua arbitrariedade).
Não
cabe ao estado assumir a função de decidir quando uma vida
dever prolongada ou não. O eugenismo nazista nos alerta contra essa
tentação. Cabe ao próprio ser humano, mortalmente
doente, decidir de forma qualificada sobre o prolongamento ou não
de seu estado irreversível. Na sua impossibilidade ocupam o seu
lugar os familiares e os médicos. Issoimplica:
-O
médico fará tudo para curar o paciente.Não significa
que use todos os métodos, meios artificiais e técnicos para
prostergar a morte.
-Uma
terapia só tem sentido quado se ordena à reabilitação
e à restituição das funções essenciais
e vitais e não simplesmente garantir uma vida vegetativa.
-O
cuidado pelo doente não deve ser apenas coisa dos médicos
e enfermeiros, mas também dos familiares, dos conselheiros espirituais
(sacerdotes, pastores, rabinos, pais de santo etc), dos amigos próximos.
-Devem
ser tomadas em consideração as crenças religiosas
e espirituais do paciente com referência ao sentido da vida e da
morte. Caso contrário lhe fazemos violência, sempre, entretanto,
no pressuposto de que a vida é o bem supremo em nome do qual nenhuma
visão, ideologia ou convicção religiosa contrária,
possa prevalecer. Para o cristianismo - a religião das maiorias
de nosso povo - a morte não é um fim puro e simples, mas
um peregrinar para a Fonte originária de toda vida. Morrendo, acabamos
de nascer. Não vivemos para morrer, mas morremos para ressuscitar
e para viver mais e melhor. Destarte a morte perde seu caráter de
brutal interrupção do ciclo da vida para se transfigurar
numa passagem benaventurada para a plenitude da vida.
-Morrer
é fazer uma despedida da vida, de forma agradecida, por aquilo que
ela nos propiciou. Morrer é então fechar os olhos para ver
melhor o sentido do universo e do Mistério que o circunda e perpassa.
-
Tais visões ajudam a humanizar a morte e a desdramatizar os casos
terminais, pois a vida e a morte são assimiladas num horizonte maior
e transcendente.
Muito
obrigado
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