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Um
Minuto fora da Medicina
Carlos Alberto Jorge
Advogado e Professor de
Linguagem
Forense (Curso Dominus).
Graduado em Letras Neolatinas
Universidade Federal de
Uberlândia, MG. Brasil
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Capitu
namora Bentinho ou namora com Bentinho?
Ainda que informalmente pouco
usada, a forma correta é: Capitu namora Bentinho, sem a preposição
com.
O verbo namorar é
Transitivo Direto (TD). É o que determina a norma culta...
Outros Exemplos:
Lúcia namora Pedro.
Rui namora a Lua.
E você namora quem?
Nunca com
quem tá?
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Em
"Drama: luz da noite", Bethânia declama Arap:
"-Eu quero ser sempre aquilo
com quem eu simpatizo. E eu me simpatizo com tudo..."
Clarice Linspector costumava
dizer que existem frases que contêm mais beleza que verdade. Será
o caso?
Bem, exclusivamente do ponto
de vista gramatical, sim.
O danadinho do verbo simpatizar,
diferentemente do verbo namorar, admite a preposição
com.
Sócrates não
namorava com Xantipa. Mas simpatizava com
ela.
Assim: Sócrates namora
Xantipa
Sócrates simpatiza com Xantipa
Uai! Então, qual o
problema da Bethânia recitando o Arap? Este: simpatizar, se aceita
com
(preposição), não aceita
me (
pronome ).
Este verbo não é
pronominal. Assim, não podemos dizer que Bethânia se
simpatiza com tudo, que eu me simpatizo com Einstein
nem você se simpatiza com Pasteur.... |
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O
médico pediu para os pais oferecerem ou oferecer bastante líquido
ao filho?
Há controvérsias.
O uso do infinitivo é extremamente delicado. Mas, a orientação
gramatical majoritária é oferecerem,
no plural.
Por quê? Porque o verbo
oferecer possui sujeito próprio (os pais), diverso do sujeito do
verbo da oração principal ( o médico).
Outros Exemplos: "A engenheira
disse para os operários erguerem
as paredes".
"Esses senhores supunham sermos idiotas".
Atenção:
Empregado vagamente, sem nenhuma referência a um sujeito determinado,
o infinitivo deve ser empregado sem flexão.
Exemplos: Automedicar-se
é
prejudicial à saúde.
É proibido fumar.
Obs: Oportunamente, voltaremos
ao assunto, ok? |
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Sapatos
e meias brancos ou brancas?
À vontade!
Mesmo? Mesmo!
Você deve estar lembrando
do seu professor de cursinho: "Atenção, pessoal:-no português,
a mulher não tem vez!"
Ou seja: gêneros
diferentes, predomínio masculino.
De fato, é a regra
geral. Mas, há casos especiais. Como o acima.
Regra: substantivos
de gêneros diferentes (sapatos = masculino; meias = feminino), o
adjetivo (branco) pode ir para o masculino plural (brancos)
ou concordar com o substantivo mais próximo (meias
brancas).
Outros exemplos: Meninos
e meninas estudiosos/as.
Livro e revistas ilustrados/as.
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"A
cerveja que desce redondo ou redonda"
Redondo.
Com o, masculino.
Espantado?
Bom, a razão não
é complicada. Como você pode observar, a cerveja não
é redonda. Não é a cerveja redonda ou quadrada que
desce. Qualificá-la assim seria, no mínimo, estranho não?
Redondo não é adjetivo, não é
qualidade da cerveja. É advérbio. Modifica o verbo. Indica
uma circunstância de descer.
Melhor dizendo: indica o
modo pelo qual a cerveja desce. Ela desce redondo, isto é,
de modo legal, de forma agradável.
Outros exemplos: O
pássaro voa alto.
A ave voa alto (não alta!).
A loja que vende barato
(e não barata, evidentemente). |
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