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Volume 1- Número 8- Ano I (Outl/Nov/Dez de 2000)
Um Minuto fora da Medicina

Carlos Alberto Jorge
Advogado e Professor de Linguagem 
Forense (Curso Dominus). Graduado em Letras Neolatinas 
Universidade Federal de Uberlândia, MG. Brasil 

 
Capitu namora Bentinho ou namora com Bentinho?

Ainda que informalmente pouco usada, a forma correta é: Capitu namora Bentinho, sem a preposição com.
O verbo namorar é Transitivo Direto (TD). É o que determina a norma culta...

Outros Exemplos:
Lúcia namora Pedro.
Rui namora a Lua.

E você namora quem?
Nunca com quem tá?

 

Em "Drama: luz da noite", Bethânia declama Arap:

"-Eu quero ser sempre aquilo com quem eu simpatizo. E eu me simpatizo com tudo..."

Clarice Linspector costumava dizer que existem frases que contêm mais beleza que verdade. Será o caso?
Bem, exclusivamente do ponto de vista gramatical, sim.
O danadinho do verbo simpatizar, diferentemente do verbo namorar, admite a preposição com.

Sócrates não namorava com Xantipa. Mas simpatizava com ela.

Assim: Sócrates namora Xantipa
             Sócrates simpatiza com Xantipa 

Uai! Então, qual o problema da Bethânia recitando o Arap? Este: simpatizar, se aceita com (preposição), não aceita me ( pronome ).

Este verbo não é pronominal. Assim, não podemos dizer que Bethânia se simpatiza com tudo, que eu me simpatizo com Einstein nem você se simpatiza com Pasteur....

O médico pediu para os pais oferecerem ou oferecer bastante líquido ao filho?

Há controvérsias. O uso do infinitivo é extremamente delicado. Mas, a orientação gramatical majoritária é oferecerem, no plural.

Por quê? Porque o verbo oferecer possui sujeito próprio (os pais), diverso do sujeito do verbo da oração principal ( o médico).

Outros Exemplos: "A engenheira disse para os operários erguerem as paredes".
                                "Esses senhores supunham sermos idiotas".

Atenção: Empregado vagamente, sem nenhuma referência a um sujeito determinado, o infinitivo deve ser empregado sem flexão.

Exemplos: Automedicar-se é prejudicial à saúde.
                   É proibido fumar.

Obs: Oportunamente, voltaremos ao assunto, ok?

Sapatos e meias brancos ou brancas?

À vontade!
Mesmo? Mesmo!

Você deve estar lembrando do seu professor de cursinho: "Atenção, pessoal:-no português, a mulher não tem vez!"

Ou seja: gêneros diferentes, predomínio masculino.
De fato, é a regra geral. Mas, há casos especiais. Como o acima.

Regra: substantivos de gêneros diferentes (sapatos = masculino; meias = feminino), o adjetivo (branco) pode ir para o masculino plural (brancos) ou concordar com o substantivo mais próximo (meias brancas).

Outros exemplos: Meninos e meninas estudiosos/as.
                                   Livro e revistas ilustrados/as.
 

"A cerveja que desce redondo ou redonda"

Redondo. Com o, masculino.
Espantado?
Bom, a razão não é complicada. Como você pode observar, a cerveja não é redonda. Não é a cerveja redonda ou quadrada que desce. Qualificá-la assim seria, no mínimo, estranho não? Redondo não é adjetivo, não é qualidade da cerveja. É advérbio. Modifica o verbo. Indica uma circunstância de descer.
Melhor dizendo: indica o modo pelo qual a cerveja desce. Ela desce redondo, isto é, de modo legal, de forma agradável.

Outros exemplos: O pássaro voa alto.
                                  A ave voa alto (não alta!).
                                  A loja que vende barato
                                  (e não barata, evidentemente).



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