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Volume 1- Número 6- Ano I (Outl/Nov/Dez de 2000)
Febre verde-amarela

Joaquim P. Martins

Médico pela Universidade Federal da Paraíba
Nefrologista - Sociedade Brasileira de Nefrologia
Ex-prof adjunto de Nefrologia de Universidade Federal da Paraiba
Conselheiro do Conselho Regional da Paraíba
Sócio da Associação Paraibana de Imprensa

Lá pelos idos de 1901,o movimento de navios no porto do Rio de Janeiro foi reduzido quase a zero. Ninguém queria atracar ali, temendo a terrível febre amarela que assolava o pais principalmente no sul, onde grassava à solta, e as vítimas fatais se contavam às centenas. Foi o grande sanitarista Osvaldo Cruz quem começou a estudar a doença,iniciando a campanha para combater os focos do mosquito transmissor. Graças a sua determinação, a epidemia foi controlada. Mas, somente em 1951 foi que surgiu a vacina que conseguiu erradicar a doença em quase todo o mundo. 

Estamos assistindoboquiabertos a calamidade ressurgir. Os casos pipocando em vários estados,muitosna capital do pais. Será que teremosum replay daquele inicio de século ? Em pleno 2000, cidadãos morrendo vítimas de um revoltantedesprezo do governo para com a saúde pública.O controle das endemias e epidemias está relegado, sendo irresponsavelmente reduzidos os investimentos nestas áreas

há mais de 4 anos.A prioridade é a cessãode nossos bens aos ricos e poderososde outros países. A alienaçãocontinua em rítimo frenético. Invocando a globalização como uma fatalidade, conseguiram convencerFHC e seus subordinados de que a saúde e o social são coisas secundarias. Houve um recorde de arrecadação do governo em 1999. As burras do tesouro estão abarrotadas, menospara a saúde pública que continua rejeitada. 

O povo que se vire. Estão aí ressuscitadas a dengue, a cólera, a tuberculose, a lepra e outras doenças que deveriam há muito está sobcontrole, reaparecendo com vigor redobrado face ao descalabro vigente. Vivemos sob a égide de uma política subserviente, onde o cidadão está em último lugar. Onde as multinacionais que pouco a pouco estão tomando conta do Brasil, determinam as prioridades. Onde os preços dos medicamentos sobem às vistas do ministério da saúde, sem

nenhum controle dos departamentos de fiscalização. Onde o ministro da fazenda vem de público confessar sua total incapacidade de frear o absurdo ou ao menos dar esperança ao povo de que alguma coisa o governo vai fazer para evitar mais este insulto a economia popular. 

A febre amarela,também chamada de tifo icteróide ou vômito negro, é doença grave principalmente quando atinge uma população carente e desnutrida, a maioria sem infra-estrutura domiciliar.O mosquito Aedes Aegypti, nosso velho e conhecido transmissor da Dengue,é também o encarregado de disseminar a febre. O inseto prolifera rapidamente, e temmais essa missão: espalhar o quanto puder a doença, enquanto um

messias não vem para nos salvar. Nestes tempos de alta tecnologia, precisamos de um "arcaico" Osvaldo Cruz para ensinar nossos "modernos" tecnocratas a fazeruma medicina mais racional e humana, voltada para os comezinhos princípios hipocráticos. 



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