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Joaquim P. Martins Médico
pela Universidade Federal da Paraíba
Lá pelos idos de 1901,o movimento de navios no porto do Rio de Janeiro foi reduzido quase a zero. Ninguém queria atracar ali, temendo a terrível febre amarela que assolava o pais principalmente no sul, onde grassava à solta, e as vítimas fatais se contavam às centenas. Foi o grande sanitarista Osvaldo Cruz quem começou a estudar a doença,iniciando a campanha para combater os focos do mosquito transmissor. Graças a sua determinação, a epidemia foi controlada. Mas, somente em 1951 foi que surgiu a vacina que conseguiu erradicar a doença em quase todo o mundo. Estamos assistindoboquiabertos a calamidade ressurgir. Os casos pipocando em vários estados,muitosna capital do pais. Será que teremosum replay daquele inicio de século ? Em pleno 2000, cidadãos morrendo vítimas de um revoltantedesprezo do governo para com a saúde pública.O controle das endemias e epidemias está relegado, sendo irresponsavelmente reduzidos os investimentos nestas áreas há
mais de 4 anos.A prioridade é a cessãode nossos bens aos
ricos e poderososde outros países. A alienaçãocontinua
em rítimo frenético. Invocando a globalização
como uma fatalidade, conseguiram convencerFHC e seus subordinados de que
a saúde e o social são coisas secundarias. Houve um recorde
de arrecadação do governo em 1999. As burras do tesouro estão
abarrotadas, menospara a saúde pública que continua rejeitada.
O povo que se vire. Estão aí ressuscitadas a dengue, a cólera, a tuberculose, a lepra e outras doenças que deveriam há muito está sobcontrole, reaparecendo com vigor redobrado face ao descalabro vigente. Vivemos sob a égide de uma política subserviente, onde o cidadão está em último lugar. Onde as multinacionais que pouco a pouco estão tomando conta do Brasil, determinam as prioridades. Onde os preços dos medicamentos sobem às vistas do ministério da saúde, sem nenhum
controle dos departamentos de fiscalização. Onde o ministro
da fazenda vem de público confessar sua total incapacidade de frear
o absurdo ou ao menos dar esperança ao povo de que alguma coisa
o governo vai fazer para evitar mais este insulto a economia popular.
A febre amarela,também chamada de tifo icteróide ou vômito negro, é doença grave principalmente quando atinge uma população carente e desnutrida, a maioria sem infra-estrutura domiciliar.O mosquito Aedes Aegypti, nosso velho e conhecido transmissor da Dengue,é também o encarregado de disseminar a febre. O inseto prolifera rapidamente, e temmais essa missão: espalhar o quanto puder a doença, enquanto um messias
não vem para nos salvar. Nestes tempos de alta tecnologia, precisamos
de um "arcaico" Osvaldo Cruz para ensinar nossos "modernos" tecnocratas
a fazeruma medicina mais racional e humana, voltada para os comezinhos
princípios hipocráticos.
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