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Prof. Jean-Pierre Guignard
Doutora em Neurologia pela Universidade de Paris Professora do Dep Cirurgia da Univ. Federal de Uberlândia, MG Se
acreditarmos no papiro Ebers, antigo de 3500 anos, a enurese já
preocupava os antigos egípcios. Provavelmente tão antiga
quanto o Homo Sapiens, a enurese está presente em todas as civilizações.
Encontra-se em todos os continentes, atinge todas as classes sociais, as
menos favorecidas mais que as outras; tem geralmente incidência familiar.
Em todos os tempos, a enurese surpreendeu as imaginações
dando lugar a interpretações variadas e originando tratamentos
por vezes bárbaros. A diversidade desses tratamentos diz muito sobre
a riqueza das hipóteses patogênicas propostas no decorrer
dos séculos. De modo geral, essas hipóteses são concentradas
em: a) o psiquismo da criança,
1-A
enurese ao alvorecer da civilização O
próprio Ebers, datando da XVIIa dinastia, constitui um
dos primeiros documentos sobre a enurese. Descoberto em Luxor e colocado
atualmente no museu de Leipzig, este papiro alinha 20 metros de folhas,
110 colunas e 2289 linhas, textos médicos do mais alto interesse.
Numerosas afecções aí estão enumeradas, assim
como seus tratamentos. Um medicamento proposto contra a enurese era na
base de medula de cana que se administrava à criança e à
sua ama de leite. Talvez esta prática de tratar a ama de leite refletia
o caráter familiar da afecção, a ama de leite representando
o ambiente familiar mais do que o laço sanguíneo. Trinta
e cinco séculos mais tarde, a incidência familiar da enurese
voltará a ser evocada, por Guyon principalmente (ef.p. 8). Certos
medicamentos propostos no papiro tinham uma base mineral, mas seus constituintes
não puderam ser identificados com segurança. 2-A
época greco-romana Ainda
que Hipócrates (460-377 A.C.), em razão de suas numerosas
referências ao sistema urinário, seja por vezes considerado
como o pai da nefrologia clínica [1], é a Aristóteles
(384-322 A.C.), o discípulo de Platão, que se deve a primeira
reflexão sobre as causas da enurese noturna. É assim que
ele se pergunta, em Problemas: “Por que razão os jovens molham mais
cama que os velhos? Pois é verdadeiro que quando as crianças
estão dormindo, a urina escapa sem que elas saibam, antes mesmo
que acordem. Na verdade, os jovens urinam geralmente no sono mais profundo”.
Ainda que não confirmado por estudos científicos, a opinião
de Aristóteles é muitas vezes partilhada por numerosos pais
de crianças enuréticas. Alguns séculos mais tarde,
Plínio, o Velho (23-79 D.C.) faz alusão ao benefício
que poderiam tirar os enuréticos de algumas das 900 plantas medicinais
meticulosamente descritas na sua obra monumental Naturalis Histórica.
Ninguém sabe se ele teve tempo de verificar esses resultados. Almirante
da frota de Misena quando se produziu a erupção do Vesúvio,
ele morreu ao socorrer os habitantes de sua cidade natal de Stabies. 3-A
civilização bizantina Cirurgião
célebre do Império Bizantino,Paul
de Egine (620-680 D.C.) consagrou algumas linhas à enurese na sua
coleção de notas reunidas em sete livros. Pode-se ler aí,
no assunto dos enuréticos, que o “o relachamento dos músculos
do colo vesical provoca esta afecção e atinge mais frequentemente
as crianças. Nosso tratamento consiste mais especialmente na administração
de tônicos tais como vinho quente e óleo e a abstenção
de bebidas refrigerantes”. Esta hipótese de uma fraqueza do colo
da bexiga e o conselho de administrar os tônicos sobreviveram até
o século XX. Philarete
Philoteus (Theófilo) viveu provavelmente no século VII D.C.
Sua obra princeps De Urunis descreve a natureza da urina, sua origem e
seus aspectos, mas não diz nada de preciso sobre a enurese. É
o mesmo para Isaac Judaeus (880-940 D.C.), cuja obra, igualmente intitulada
De Urinis, foi muito popular no mundo árabe antes de ser traduzida
para o latim por Constantino, o Africano. A urina é aí descrita
em todos os seus aspectos; a urina noturna sendo objeto de um capítulo
particular. Mas é a composição da urina que está
no centro das discussões, mais do que as emissões noturnas. 4
– A Idade Média Este
período, por muito tempo considerado como um período de trevas
no qual reinava a ignorância e a crueldade, foi o tempo das súplicas
e das orações. Na Transilvânia, Santa Catarina de Alexandria,
virgem cristã martirizada no 4o século após
a luta vitoriosa contra os filósofos pagãos, era reconhecida
por sua ajuda aos enuréticos. O 25 de novembro, seu aniversário,
era a ocasião de pedidos particulares. Na Alemanha, é São
Vito (São Guido) que vinha em socorro aos enuréticos. Ele
era igualmente o patrono dos doentes sofrendo de constipação
e da dança de São Guido*.
As grandes escolas de medicina, inspiradas em Hipócrates e em Galeno
(131-201 D.C.), foram infelizmente virtualmente dizimadas durante a Idade
Média, somente alguns monges mantinham vivos os conhecimentos adquiridos.
O que os monges pensavam da enurese noturna não chegou até
nós. 5-
A Renascença O
início da Renascença no Ocidente é habitualmente ligado
a dois acontecimentos quase concomitantes: a queda do Império Romano
do Oriente em 1453 e a publicação da Bíblia de Gutemberg
em Mayence em 1454. Numerosos livros médicos viram logo o dia. Desde
o fim do século XV, tratados de medicina infantil apareceram. O
primeiro em data (1472) foi a obra de Paulus Bagellardus, professor de
medicina em Pádua, cidade então no apogeu de seu poder. Trata-se
de uma compilação dos escritos dos antigos, junto com experiências
pessoais. No capítulo 20 de sua obra, intitulada Libellus de Egritudinibus
Infantum, aprende-se que “os pais ficam especialmente zangados quando seu
filho ou sua filha molham constantemente o leito, isto não somente
um ou dois dias, mas continuamente, toda noite e não somente até
a idade de 5 ou 6 anos, mas por vezes até a puberdade...”. A hipótese
patogênica aventada por Bagellardus era a de uma fraqueza do colo
da bexiga. Em
1544, Thomas Phaer, considerado o pai da pediatria inglesa, publicava a
1a edição de seu Boke of Children. Um parágrafo
intitulado “Of pyssing in the bedde” recomenda muitos medicamentos para
“levar a cabo da enurese, sem precisar o fundamentado: “Tomai a traquéia
de um galo, secai-a e reduzi-a a pó e adminstrai-a duas a três
vezes por dia. Idem para a mandíbula de uma cabra, administrada
sob forma de pó líquido ou consumida com uma sopa”. A
terapia de órgãos sob forma de bexiga de animal pulverizada,
de intestinos de ratos ou de miolos será retomada nos séculos
seguintes. 6-
Os tempos modernos Desde
o século XVII, os trabalhos especificamente pediátricos se
tornam mais numerosos. O espírito anatômico influencia a prática
médica inclusive no que se refere à enurese. As técnicas
propostas para curar a enurese, que se denomina ainda incontinência
noturna, são cuidadosamente detalhadas. A
terapia de órgãos, colocada em valor no curso dos séculos
precedentes, será desenvolvida por Nicolaens Fontanus d’Amsterdam
(1642), que num texto intitulado”A propósito da incontinência
urinária”, dá as seguintes recomendações: “a
bexiga dos animais, por exemplo a bexiga de um cabrito ou a de um cordeiro,
reduzida a pó, é o melhor tratamento da incontinência.
Do mesmo modo que se dá a um asmático ou a um doente que
tosse o pó do pulmão da raposa: assim como o pó de
um cérebro humano aos epilépticos... Do mesmo modo, a bexiga
de um cordeiro ou de um cabrito ou de outros animais, uma vez reduzida
em pó, revigora a bexiga, que, agora reforçada torna-se capaz
de reter a urina. Mas de todas essas bexigas, a mais fortemente recomendada
é a dos porquinhos, porque se o extrato da bexiga é útil
emrazão de sua simpatia, de sua semelhança e de sua afinidade
à bexiga humana, então a bexiga de porco será bem
mais útil, uma vez que os porcos são semelhantes ao homem
sob todos os aspectos.” Para
a administração prática doremédio, Nicolaens
Fontanus recomenda que o pó seja dado com vinho adstringente, “uma
maneira fácilmente aceita pelas crianças.” Outros
autores da mesma época sugerem também os benefícios
da
terapia de órgãos. Daniel Sennert, em sua obra Practica Medicinae
(1632), declara que “a incontinência é uma perversão
fria e úmida dos humores. Para conseguir isto, adstringentes devem
ser espalhados sobre a região supra pubiana;e
um pó vede ser administrado: Rx bexiga de um porco, de um varrão
ou de um carneiro assado – 3 ss”. Tratando
do mesmo assunto em seu livro intitulado Partes Duae De Morbis Puerorum
(1659), James Primorose é de opinião que um rato assado pode
ser de grande valor. Mais, pensa ele, “porque é assado e que tem
como consequência um poder vesicatório, pois provem de um
rato. Pode-se tentar o cérebro de uma lebre, encerrado e dentro
de uma bexiga de porco, assada depois”. No que diz respeito às fugas
urinárias da criança, ele admite a influência do Diabo,
mas tem algumas dúvidas quanto à influência das feiticeiras
“se bem que as pessoas acreditam nisto profundamente. O
século XVIII verá aparecer novas técnicas. Thomas
Dickson [2] é o primeiro a relatar, em 1762, a eficácia das
ventosas aplicadas no sacro das crianças enuréticas: “Como
a maioria dos nervos para a bexiga passam através do foramem do
sacro, parece provável que isto possa ser útil.” Esta técnica
materá uma grande popularidade até o fim do século
XIX. 7-
O século XIX Desde
o século XIX, os conhecimentos da fisiologia e da patologia infantis
evoluem graças à observação clínica.
A leitura dos trabalhos e dos artigos publicados nessa época, assim
como os tratamentos propostos, nos mostram quais eram as teorias etiopatogênicas
em voga. Estas teorias não evoluiram no curso do século nem
no curso da primeira metade do século seguinte. Elas se reencontram
idênticas, tanto na literatura anglo-saxônica quanto na francofônica.
O Dictionnaire des Sciences Medicales, publicado em Paris e regularmente
atualizado, trata longamente da enurese. Gnersent, nas edições
de 1815 e de 1818 [3, 4], nos dá um vivo resumo do problema neste
início de século. No curso dos anos seguintes, Lagnean [5],
depois Deeeevergie [7] e Guyon [6] se inspiraram enormemente nos escritos
de Gnersent em suas publicações e seus cursos aos estudantes. Os
diferentes aspectos da enurese, tais como discutidos nesses textos, se
referem: a) às características da enurese noturna, b) às
particularidades das crianças que sofrem desta doença, c)
às consequências físicas e psíquicas da afecção
e d) aos tratamentos propostos em funções de hipóteses
patogênicas. 7.1.
Características da enurese noturna da criança: Gnersent,
professor no Hospital das Crianças em Paris, teve ocasião
de seguir um grande número de crianças enuréticas.
Ele caracterizava assim o problema: “A incontinência essencial própria
às crianças se compara, em alguns aspectos, à incontinência
senil. Ela depende, num e noutro caso, de uma debilidade dos órgãos
destinados a resistir à dejeção da urina e à
defecação e muitas vezes também ao defeito da influência
da vida animal sobre estas funções. Os meninos são
mais sujeitos a isto que as meninas; passado o tempo da puberdade, encontramo-la
mais frequentemente nos moços que nas moças, o que depende
talvez de que os prazeres sendo em geral mais precoces entre os rapazes
que entre as senhoritas, a excitação dos órgãos
genitais se comunica aos órgãos destinados à dejecção
da urina [7]. Devergie
[7] confirma no essencial essas características e insiste na frequência
elevada da incontinência, que lhe parece depender da situação
geográfica das populações: “Há províncias
onde ela é muito comum, a Bretanha e a Normandia por exemplo.” Em
1883, J.C. Félix Guyon, professor na Faculdade de Medicina de Paris,
cirurgião do Hospital Necker, trata da enurese nas suas Leçons
cliniques pur les maladies des voies urinaires [6]. Ele insiste em uma
característica da enurese que ele mais pressente ou objetiva: “Talvez
convenha pensar num certo papel da hereditariedade; muitas vezes, com efeito,
vemos todas as crianças de uma mesma família atingidas pela
incontinência. Entretanto, devemos acrescentar que não se
trata de hereditariedade direta, mas antes, como salienta Tronsseau, de
alguma coisa análoga a essas alternâncias patológicas
assinaladas tantas vezes no curso das neuroses. Uma neurose neste caso
caracterizada pela irritabilidade excessiva e a tonicidade exageradas das
fibras musculares da bexiga” [6]. 7.2.
Quais são as particularidades das crianças enuréticas? Ao
ler as descrições de Gnersent, imagina-se que são
sobretudo as crianças das classes desfavorecidas que sofrem de incontinência
urinária: “As crianças afetadas desta doença são
em geral dotadas de um temperamento linfático; têm comumente
o tecido celular carregado de gordura, cabelos loiros, tez colorida, iris
dilatada. Encontram-se entre eles muitos escrofulosos, raquíticos,
tinhosos; são em geral predispostos às doenças do
sistema linfático, quando são além disso mal nutridos
e mal vestidos.” Na
edição de 1837 do Dictionnaire de Médecine ou Repertoire
Général des Sciences Médicales considerées
sous les rapports théoriques et pratiques [5], Lagneau, um discípulo
de Gnersent, faz alusão à classificação das
crianças que têm o defeito de urinar na cama: “Pode-se classificar
essas crianças em dorminhocos, que a sensação desta
necessidade não pode acordar, em sonhadores, que acreditam urinar
no vaso ou num poste, e em preguiçosos, que não querem se
levantar aos primeiros sinais que sentem.” O
tratamento, em cada um desses casos será certamente diferente. Devergie
nota, entre os maus hábitos conduzindo à incontinência,
a masturbação e, mais tarde, o abuso dos prazeres do amor:
“A masturbação em excesso, até produzir o relachamento
da bexiga e de seu esfincter, é ainda um fenômeno mórbido
grave; pois quando as alterações são grandes nestes
órgãos, onde a vida é enfraquecida moderadamente e
muitas vezes em uma idade em que a energia vital começava apenas
a se desenvolver, e era qual ela é morta quase ao seu nascimento:
reparar tais desordens é uma tarefa muitas vezes difícil”
[7]. Mais longe, ele continua: Ӄ o abuso dos prazeres do amor que
produz a incontinência, a impotência, a espermatorréia
ou perdas seminais pela fraqueza de todos os órgãos” [7]. 7.3.
As consequências da enurese. Para
Gnersent, a incontinência essencial não oferece por ela mesma
nenhuma consequência grave. Mas ela pode ter consequências
físicas locais graves: “Eu observei muitas vezes”, diz ele, “que
nas crianças afetadas de incontinência urinária, a
erupção da varíola e do sarampo se manifestava emprimeiro
lugar em torno das partes constantemente embebidas de urina; e que o escroto,
o pênis ou os grandes lábios eram cobertos de pústulas
e botões/bolhas, antes que se possa percebê-los em outras
partes do corpo.” A
incontinência noturna pode também afetar gravemente o moral
e o psiquismo dos indivíduos atingidos e mais ainda o das crianças
apresentando uma enurese diurna e noturna: “Mas se esta enfermidade é
suficiente para tornar tristes e morosos aqueles que inundam seus leitos,
pode-se julgar a influência que deve ter sobre o moral a dupla infelicidade
de molhar constantemente suas roupas e de espalhar um odor repugnante.
Também os indivíduos atingidos por esta dupla enfermidade,
trazem no seu rosto, a marca da tristeza, muitas vezes da vergonha, e não
é raro de ver suas inteligências e suas faculdades morais
sem energia (enfraquecidas).” [4]. 7.4.
As causas da enurese noturna e seus alcances terapêuticos Pode-se
sistematicamente classificar as teorias etiopatogênicas da enurese
noturna em 4 grupos segundo a bexiga, a urina, o temperamento do indivíduo
ou a profundidade do sono sejam responsáveis pelo mal. Esta classificação
decorre sobretudo da observação dos tratamentos, aplicados
muitas vezes de modo empírico. 7.4.1.
A bexiga é responsável pela enurese... No
século XIX, a bexiga é, como no decorrer dos séculos
precedentes, o principal suspeito. A bexiga é alternadamente acusada
de ser muito fraca, muito sensível ou muito irritável. Suas
fibras musculares são pouco tônicas, seu colo incompetente,
sem volume é muito pequeno. Os tratamentos terão pois por
objetivo acalmar essa bexiga ou estimulá-la, torná-la mais
ou menos sensível. Duas escolas vão pois se afrontar: aqueles
que pensam que é necessário estimular a bexiga e aqueles
que querem acalmá-la. 7.4.2.
A bexiga atônica a)Estimulação
por droga Devergie,
como Lagneau e Gnersent antes dele, pensa que é preciso estimular
a bexiga atômica dos incontinentes para melhorar sua função:
“O ponto importante é superexcitar suficientemente a bexiga, até
determinar a dor quando da emissão da urina; de inflamar, se necessário,
este órgão para mudar seus modos de vitalidade pervertida
ou de seu esfincter e de retorná-los ao seu estado normal.” [7]. Devergie
torna-se um ardente defensor da injeção intravesical: injeções
cantáridas, injeções balsâmicas, simples ou
compostas, injeções venosas adstringentes. Um método
que ele descreve em detalhe em sua obra Incontinence d’urine – son traitement
rationnel par la méthode des injections [7]: “Uma simples onda de
prata, de estanho, de borracha, de espessura média é introduzida
na bexiga para esvaziá-la e aí introduzir em seguida a injeção.
Nos casos comuns, injeto na primeira vez 48 gramas (uma polegada e meia
ou 3 colheres) de água de cevada, na qual acrescento 5 gotas de
álcool de cantáridas .... Desta maneira, obtenho cura radical
da incontinência urinária em crianças de 13 a 14 anos,
algumas vezes em 10 ou 12 sessões e cuja enfermidade tinha somente
o sono profundo como causa." Uma
revisão da literatura do século XIX nos revela que em outros
produtos foram preconizados para estimular a bexiga, demonstrando “quanto
esta doença é difícil de desenraizar e de curar” [7].
A lista dos meios empregados “prova até com evidência a solicitude
dos médicos para desembaraçar a espécie humana desta
cruel enfermidade” [7]. Mencionemos, entre outros, as cantáridas
em pó, as cantáridas unidas ao rhus toxidendron, a injeção
de água de cal, injeções frias, injeções
de água vegeto-mineral, injeções de copaíba,
citrato de potássio, o líquor patassú e o bicarbonato
de potássio. Se
a aplicação intravesical de excitantes parecia remediar muitas
vezes a preguiça vesical, certos autores propuseram administrar
estes tônicos por via oral: “Entre os tônicos, o vinho, a genciana
amarela, a quina e o óxido de ferro negro, me pareceram preferíveis
a todos os outros”, dirá Gnersent [4]. Depois conclui: “De todos
os remédios excitando a sensibilidade animal, aquele que será
sem dúvida preferível é o mais enérgico para
despertar a sensação da necessidade de urinar nas crianças
seria verdadeiramente a noz vômica, seja em extrato seja em pó”. Para
excitar esta sensibilidade animal, outros, como Lagneau, preferiam as duchas
frias: “As duchas frias, dirigidas sobre o púbis, as virilhas e
o períneo, são também de grande eficácia contra
esta espécie de incontinência. Os banhos de mar ou os banhos
aromáticos serão igualmente muito vantajosos contra esta
afecção” [5]. b)Estimulação
pela eletricidade A
descoberta da corrente elétrica e da corrente de indução
oferecem uma arma nova para combater a incontinência. Para estimular
uma bexiga atômica, nada como, pensavam os terapêutas da incontinência,
a terapia galvânica: “Eu empreguei nas crianças escrofulosas
afetadas de incontinência urinária, a eletricidade galvânica,
estabelecendo uma comunicação entre o escroto e o pubis,
por meio de fios metálicos movidos a pilha. Este meio suficientemente
doloroso e ao qual as crianças se prestavam dificilmente, quando
empregado muitos dias em seguida, a quantidade de urina diminui de maneira
considerável, como durante o uso do vinho de absinto e de outros
tônicos, mas ele não escitou a sensibilidade da bexiga. Sem
dúvida, a aplicação direta da comoção
elétrica na própria bexiga, com a ajuda de uma sonda de metal
introduzida neste órgão, teria sido muito mais eficaz; mas
nos foi impossível de determinar as crianças a se submeterem
a esta operação ... [7]. Desde
o fim do século XIX, as estimulações galvânicas
ou farádicas foram generosamente distribuídas sobre a região
genital dos pobres enuréticos. Os relatos a respeito destas técnicas
afluíram do mundo inteiro: alguns colocavam seus eletrodos sobre
o pubis ou o sacro, outros sobre o períneo ou ainda o ânus
ou a uretra: “O método mais simples consiste em introduzir uma vela
metálica na bexiga e em fazer passar uma corrente forádica
até o limite de tolerância do paciente”, dirá Hernamann
– Johnson no início do século XX [8]. 7.4.3.
A bexiga irritável. Outra
escola à qual pertence Trousseau [9], pensava que a incontinência
urinária era devida a uma irritabilidade excessiva da bexiga. Trouseau,
nos diz Guyon, “foi levado a esta opinião pela própria natureza
do tratamento que ele prescrevia e que consistia, quase unicamente, no
emprego da beladona tomada em doses progressivas. A eficácia da
beladona parecendo evidente contra a incontinência, era lógico
concluir a uma superatividade do músculo vesical, em virtude do
velho adágio: Naturam morborum ostendunt curationes.” [6]. A beladona
permanecerá por longo tempo muito popular e seus derivados ainda
hoje o são quando da enurese diúrna. Pouco
diagnóstico aparentemente, Trousseau não excluía a
atomia do colo vesical como causa da incontinência, mas ele reservava
esta explicação para aqueles casos inteiramente particulares,
incontinências diúrnas e noturnas, para as quais “ele prescrevia
o xarope de estricnina, dosado de maneira a tomar, nos primeiros dias,
um miligrama do princípio ativo; aumentando-se a dose segundo as
necessidades” [6]. 7.4.4.
Nem atômica, nem irritável, a bexiga era mesmo assim responsável... Ao
lado destas duas possibilidades, bexiga atômica ou bexiga superexcitada,
restavam outras hipóteses vésico-uretrais para explicar a
afecção: bexiga muito pequena, colo incompetente, trígono
defeituoso, meato uretral muito pouco sensível. Os tratamentos evoluiram
consequentemente. É assim que H. Marion Sims, suspeitando de uma
diminuição da capacidade vesical, recomendava “distender
a bexiga com água, progressivamente, até que ela possa conter
uma pinta” (pinta = medida de capacidade para líquidos. N.T.). Para
aliviar as meninas com incontinência, Slade [10] propõe “introduzir
anéis na vagina, atrás do hímem, e os insuflar de
ar”. Isto afim de comprimir o colo da uretra insensível, ele podia
ser “cauterizado pelo nitrato de prata para torná-lo mais sensível
à passagem da urina” [11]. Para
prevenir a queda do trígono vesical, que devia certamente favorecer
a incontinência, alguns proibiam a posição deitada.
Diversos instrumentos foram propostos para impedir a criança de
dormir de costas [12]. Alguns, como Yeo [13], recomendavam manter durante
o sono um ângulo de 45o entre o corpo e a bacia para impedir
a urina de entrar na uretra posterior. 7.4.5.
Uma poliúria relativa é responsável pela incontinência. Gnersent
foi sem dúvida o primeiro a suspeitar que um estado de poliúria
relativa era, em certas crianças, responsável pela enurese.
Escutemô-lo: “A desproporção das quantidades de urina
excretada durante o dia e durante a noite é mesmo algumas vezes
considerável: eu vi crianças de 6 a 8 anos, que restituíram
apenas 8 a 16 onças de urina durante o dia, fornecer 30 ou 40 durante
a noite” [7]. A
hipótese da poliúria noturna da criança incontinente
será retomada por Devergie, que afirma que “a quantidade de urina
é, em muitas crianças afetadas de incontinência, mais
considerável à noite que de dia; a desproporção
é algumas vezes tão grande, que a diferença é
dupla ou tripla”. Notando que esta urina é pouco salina, Devergie
conclui: “que ela estimula apenas fracamente a necessidade de urinar”.
[7] A
origem “poliúrica” da incontinência não foi retida
pelos sucessores de Gnersent e Devergie. Será necessário
esperar uma centena de anos para que a hipótese seja retomada por
Poulton e Hinden [14] que sugeriram a presença de uma poliúria
noturna em certos pacientes enuréticos. Esta observação
não suscitará interesse até que Puri [15] demonstre,
em 1980, que os pacientes enuréticos, contrariamente aos indivíduos
normais, excretavam menos hormônio antidiurético à
noite que de dia. É verdadeiramente deste trabalho que nasceu a
hipótese dócrina (ou endodocriniana) da enurese. 7.5.
Tratamentos não específicos 7.5.1.
É preciso impressionar a criança incontinente... Para
a maior parte (12) dos autores do século XIX, as crianças
enuréticas são muitas vezes linfáticas, escrofulosas
ou raquíticas. É necessário pois, à evidência,
reforçá-las antes de empreender qualquer outro tratamento.
“É essencial”, nos diz Gnersent, “submeter as crianças ao
regime que convém aqueles que são fracos; assim, serão
alimentados unicamente com carnes assadas ou cozidas; beberão vinho
e evitar-se-a sobretudo de lher dar caldos, sopas ou outros alimentos líquidos,
quentes, particularmente na última refeição da noite”
[4]. Uma
vez sua constituição reforçada por estas medidas dietéticas,
pode-se experimentar agir sobre o psiquismo dessas crianças incontinentes
para tentar liberá-los de sua desvantagem: “quando a doença
é leve, ela cede muitas vezes a uma impressão viva e forte
sobre a imaginação. É assim que venos o temor dos
castigos, o pavor e a impressão dos objetos mais asquerosos produzir
algumas vezes efeito salutar. Então o temor agita a criança
durante seu sono e o tem, por assim dizer, perto do despertar” [4]. Pode-se
também “para curá-los deste degradante hábito, agir
sobre o moral impressionável das crianças; basta impor-lhes
privações e fazer-lhes reprimendas vivas em presença
de pessoas estranhas, enfim atingir seu amor-próprio” [4]. 7.5.2.
Os castigos deveriam ser reservados aos simuladores... A
maior parte dos autores do século XIX concordam em reservar os açoitamentos
aos simuladores, que se encontrem as vezes entre as crianças preguiçosas
e mais vezes nos jovens militares, que pensam assim poderem ser retirados
do serviço. Desmascarar esses simuladores não parecia muito
difícil a Devergie: “A maneira mais simples para jamais ser enganado
por esses indivíduos consiste em surpreendê-los à noite,
durante seu primeiro sono e lhes passar uma sonda na bexiga. Se se encontra
urina estagnada é que a incontinência é fingida (falsa);
no caso em que, ao contrário, ela não sai, após várias
tentativas, pode-se acreditar na realidade da doença” [7]. Mas
fora dos simuladores seria injustiça infligir o menor castigo às
crianças incontinentes, que não podem ser responsáveis
por um acidente que lhes atinge sem que eles tenham consciência disto.
Estes castigos não seriam somente injustos, mas eles fariam às
crianças maltratadas correr um risco injustificável: “Não
se saberia na realidade recomendar circunspecção em demasia
no emprego, preconisado por diferentes autores, de medidas próprias
a atingir intensamente a imaginação da criança, ocasionando-lhe
um grande pavor, como o que ela experimenta quando se lhe faz esmagar um
rato vivo na sua mão, quando ela escuta inopinadamente uma violenta
detonação ou quando se lhe força a assistir aos últimos
instantes de um moribundo. Poderia resultar disto, em numerosos casos,
epilepsias, coréias ou qualquer outra afecção convulsiva
mais ou menos difícil de curar” [7]. Se
os médicos pareciam conscientes da injustiça e dos riscos
que havia en castigar as crianças incontinentes, “acontecia mesmo
assim de bestas brutas, semi selvagens, semi ferozes, desprovidos totalmente
de raciocínio, de julgamentos e de humanidade, torturar de modo
mais indigno as pobres crianças, puní-las de um mal mantido
somente pelo sono profundo.” [7]. Estes fatos não são raros,
nos diz Devergie: “O Tribunal de Justiça do Departamento do Sena,
em sua sessão de 19 de julho de 1839, acaba de dar um novo exemplo
e de condenar a 6 meses de prisão o denominado Morizetti, limpador
de chaminés, por ter torturado o jovem Dellermano, de 14 anos de
idade, portador de uma incontinência urinária, lhe ter queimado
com palha as partes genitais, depois tê-las feito lavar com vinagre
e tê-lo condenado por várias vezes a ser açoitado com
cordas por seus amigos!!! Semelhantes barbárias deveriam ainda existir
em nosso século?” [7]. 7.5.3.
Tratamento pelo condicionamento psicológico. O
tratamento pelo condicionamento, muito em moda atualmente, foi descrito
de modo magistral pelo casal Mowrer em 1938 [16]. Mas é provavelmente
a Nye [17] que se deve atribuir a idéia original do pipi-stop: “Fixar
um dos polos de uma bateria elétrica a uma esponja úmida
ou a uma placa metálica colocada entre os ombros do paciente e o
outro polo a uma esponja seca colocada sobre o meato urinário. Enquanto
isto é feito, é feito de forma que o paciente não
seja incomodado, colocai-o na cama. Quando a esponja está seca,
nenhuma eletricidade passa e o paciente dorme. Pelo contrário, quanto
este começa a urinar, a esponja é molhada e torna-se condutora.
O circuito é então completado no corpo do paciente. O som
de uma campainha acordará o paciente. A repetição
de tal experiência em um número suficiente de vezes permite
curar o paciente”. A
primeira descrição do pipi-stop na sua forma atual data de
1904, quando um médico alemão imaginou um leito equipado
por um coldrão indicador para assinalar às enfermeiras que
a criança acabava de molhar a cama: “Meine Herren! Ich zeige ihnen
eine von mir schon zwei Jahren konstruierte und damals na meiner Klink
in Gebrauch gesetzte Vorrichtung, die urspunglich nur den Zweck haben sollte
verhindern zu helfen, dass Kinder durch längere Zeit nass legen” [18]. Pfaundler
observou que após um mês, este método tinha às
vezes consequências terapêuticas nas crianças enuréticas.
A idéia foi retomada cerca de trinta anos mais tarde. Se o despertar
da criança por uma campainha é um método ainda utilizado
em nossos dias, outras técnicas de condicionamento foram igualmente
propostas. Assim Smith [19] imaginou o recurso da liberação
de um pequeno jato de água fria gerado por tablettes se dissolvendo
ao contato da urina. 7.6.
Tratamentos paliatinos. Para
um certo número de práticos do século XIX, que permaneciam
provavelmente céticos face aos resultados obtidos pelos tratamentos
medicamentosos ou elétricos da incontinência, o recurso a
meios paliativos era uma necessidade. Daí a idéia de construir
aparelhos destinados a se opor à saída da urina seja pela
compressão mecânica da uretra. Wilks [20] recomendava, para
conter a urina: “um tubo de ferro, mas para o uso recoberto de veludo.
Ele possui uma junta/juntura em uma de suas extremidades e é seguro
por anéis. Ele deve ser adaptado ao tamanho do pênis e poder
ser retirado quando o paciente desejar urinar”. Um
outro meio imaginado foi a compressão da uretra. Segundo Devergie
[7], os primeiros compressores da uretra foram, parece, imaginados por
um certo Niick. Seu instrumento consistia em: “duas placas de aço.
Móveis, guarnecidas de pele, mantidas juntas em uma extremidade
por uma dobradiça, e da outra, aproximadas ou afastadas à
vontade, por um parafuso de cremalheira que as mantem. O pênis era
colocado entre as duas placas e comprimido o suficiente para interceptar
o curso da urina”[7]. Este
compressor foi, segundo Devergie, melhorado por Labat: “M. Labat, ex-médico
do vice-rei do Egito e professor das doenças das vias urinárias,
acaba de trazer modificações felizes a este útil instrumento:
O compressor de Labat tem uma vantagem real, a de comprimir o pênis
senão de baixo pra cima, deixando a circulação livre
nos corpos cavernosos e podendo ser afrouxado no mesmo instante, no caso
em que uma ereção superveniente tornaria sua compressão
incômoda ou dolorosa”. [7]. 8.
O século XX Três
acontecimentos principais marcaram a história da enurese no decorrer
do século XX: o tratamento pelo condicionamento, utilizando no início
o colchão indicador, depois um protetor de cueca cujo princípio
é descrito mais adiante. Depois será o uso da imipramina,um
antidepressivo tricíclico, que é o primeiro medicamento a
se distinguir significativamente de um placebo. Seu modo de ação
é infelizmente ainda desconhecido. Enfim a introdução
da desmopressina, cuja utilização racional repousa sobre
a teoria endócrina da enurese; teoria segundo a qual a enurese seria
devida, num certo número de casos, a uma poliúria noturna
relativa, ela mesma secundária a uma perturbação do
ritmo nictemeral da secreção do hormônio antidiurético. 9.
Antropologia Certos
etnógrafos se interessaram igualmente à enurese e alguns
textos que se referem a isto nos provam que a enurese constitui igualmente
um problema nas sociedades ditas “primitivas”, confirmando assim a impressão
que a enurese não é um “mal” ligado à civilização
moderna. As
sociedades primitivas parecem mais pacientes face à enurese. O controle
da micção aí é com efeito esperado muito mais
tarde que nas sociedades desenvolvidas. Kidds [21] conta que os pais das
crianças do Kafir não esperam que elas sejam asseadas antes
do aparecimento dos segundos dentes. Os contatos muitas vezes mais estreitos
entre a mãe e seu filho, este último dormindo nu contra sua
mãe, favoreceu provavelmente a aquisição do asseio.
Nos Arapesh, o contato entre a mãe e a criança é também
estreito, mas “quando a criança urina ou defeca, a mãe o
joga rapidamente do lado, para evitar ser manchada / sugada / molhada”
[22]. Repetida, a manobra deve bem acabar por despertar a atenção
da criança sobre suas micções e suas defecações. O
tratamento da enurese na maior parte das sociedades primitivas estudadas,
repousa sobre o condicionamento pelo vexame ou pelo medo. No país
Ashanti, no Gana [23], as crianças não são introduzidas
ao asseio antes do momento do desmame, que intervem habitualmente por volta
de 3 a 4 anos. É então o papel do pai de empreender esta
educação. A criança enurética não é
castigada, mas, quando ela molha sua cama, o pai chama meninas e meninos
da mesma idade numa dansa chamada “nonsua bono”. A criança é
amarrada sobre seu leito e, enquanto as outras jogam água sobre
ele, ele deve cantar “eu molho minha cama à noite, eu molho minhas
roupas à noite”. Essas
práticas vexatórias se reencontram no Dahomey [24]. Os enuréticos
refratários são conduzidos na rua onde todas as crianças
da cidade os acompanham dando-lhes palmadas aos gritos de “Adidi za za
za za – urina por toda parte”. No
Lesoto, pra impressionar a criança enurética, fá-lo
urinar em cima de um profundo precipício. Enquanto que nos Bantus,
exarifica-se a pele dos jovens enuréticos a fim de eliminar o sangue
mau [25]. Nos
índios Navajo [26], quando uma criança molha sua cama após
4 ou 5 anos de idade, um rito mágico é instituído.
Mantém-se à criança enurética acima de um ninho
de pássaro ardente “o que deve lhe ajudar, pois os pássaros
não urinam nos seus ninhos”. Em caso de fracasso, a via do vexame
e das ameaças é então escolhida: “Se você não
consegue, seu irmão ou outra pessoa vai morrer, pois são
os mortos que perdem água todo o tempo”. Na parte ocidental da Nigéria, um método de condicionamento próximo daquele de Nye, Pfaundler e do casal Mowrer é utilizado. Num primeiro tempo, a criança enurética é imergida várias vezes numa lagoa. Se isto não é suficiente, amarra-se então um sapo no pênis da criança. Quando esta molha sua cama, o sapo começa a croaxar, acordando a criança [27]. Esta técnica não lembra estranhamente o nosso colchão indicador ocidental? Como
vemos, a enurese parece estar presente em toda parte. Os alcances terapêuticos
das sociedades primitivas podem fazer sorrir ou chocar. Mas nossa sociedade
“civilizada” tem sido ela muito mais racional? A leitura da imprensa
cotidiana pode nos fazer duvidar disto: Correio
da Tribuna de Genebra, 6a feira 23.10.92 “Mudar
a cama ao invés de molhá-la! ...
Muitas vezes, tendo tudo tentado, as mães de crianças enuréticas
aprendiam a existência de meu gabinete de geobiologia. E lá,
frequentemente (mas não sempre), eu descobria a presença
do que se chama (daquilo que chamamos) um nó / laço tetúrico
na cama da criança, no lugar exato onde se encontra a bexiga. Nesses
casos, eu faço mudar/ mudo a cama de lugar e desde a noite seguinte,
nada de enurese, definitivamente. Não pensais vós que antes
de administrar drogas e medicamentos com receita a uma criança,
não seria mais simples verificar simplesmente se sua cama não
está colocada num lugar errado?” X.P. Commugny. *
Dança de São Guido = atual Coréia de Sydenhann (N.T.)
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