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Dia
5 de janeiro de 2000, no labirinto do Hospital das Clinicas da Universidade
de São Paulo, encontrei o Professor Eduardo Krieger, para uma entrevista
marcada com semanas de antecedência. Tomava um lanche rápido
e, cercado de colegas e alunos, avisou-me que estava pronto para o bate-papo.
Nesse encontro, o Professor Krieger descreve sua trajetória do Rio
Grande do Sul até São Paulo e demonstra, com seu próprio
exemplo, ser possível combinar ciência com cidadania e ser
respeitado aqui e em outros países. Agradeço a importante
participação do Professor César Timo-Iaria ( Prof.
Titular de Neurofisiologia da FMUSP).
Prof. Sebastião: Professor Krieger é gaúcho? Prof. Krieger: Isso. Prof. César: Era gaúcho, agora paulista corintiano. (risos) Prof. Krieger: Bom, eu nasci em 27 de junho de 1928 no então Serro Azul, depois virou Cerro Largo, que era município de São Luiz Gonzaga, um dos Sete Povos das Missões. Sou das regiões missioneiras do Rio Grande do Sul, fronteira com a Argentina. Lá eu nasci. Era uma localidade pequena, no meio de uma influência muito gaúcha, com um núcleo de colonização alemã formado inicialmente por um padre jesuíta. Tinha uma forte influência religiosa. Os jesuítas comandaram a fundação da localidade. Tinha uma seminário menor, jesuíta, tinha colégio de Irmãos Lassalistas, tinha um colégio de freira como você pode notar, era uma localidade pequena mas com profunda influência religiosa. Meu pai era um comerciante, digamos, era um grande comerciante de uma localidade pequenininha... Prof. César: Seu pai era filho ou neto de alemães? Prof. Krieger: Era bisneto de alemães. Os alemães vieram pra cá em 1820-1830, vieram com a princesa Amélia que por sua vez, veio casar com Dom Pedro II. Vieram os irmãos Krieger que foram lá pra zona das missões no Rio Grande do Sul. Uns ficaram nas missões brasileiras e outros foram pras missões argentinas, de maneira que tem muito Krieger tanto do lado argentino como do lado brasileiro. Eu fiz o curso primário muito bom na minha terra no colégio de irmãos Lassalistas mas lá não tinha ginásio, assim eu fui fazer o ginásio em Cruz Alta, que era uma cidade já mais adiantada, e lá eu fiz o colégio nos irmãos Maristas. Cruz Alta é conhecida por ser a terra do Érico Veríssimo e eu conheci a casa onde ele nasceu. Fiz o ginásio em Cruz Alta, depois fui pra Porto Alegre fazer o colegial no Rosário que era também colégio Marista. Em 48 entrei na Faculdade de Medicina de Porto Alegre, em 53 me formei. Prof. Sebastião: O pai do senhor era um comerciante e a sua mãe? Prof. Krieger: A mãe era de lá, de origem rural. O meu avô materno morava em São Nicolau que era um dos outros Sete Povos, ele tinha um pequeno campo, etc., fazia pecuária, era de origem portuguesa - os Resende de Moura. Já minha avó era Machado. Prof. Sebastião: a avó materna também de linha portuguesa? Prof. Krieger: De linha portuguesa. Da parte de pai é que o avô era alemão mas também a avó já era de ascendência portuguesa, era Oliveira. Prof. Sebastião: e as lembranças dessa fase persistem fortes? Prof. Krieger: Claro... tenho memória completa da minha infância. Tive uma infância muito agradável, muito boa que foi interrompida aos 11 anos porque fui pro colégio interno... Prof. Sebastião: Em Cruz Alta? Prof. Krieger: Em Cruz Alta. Eu saí daquela facilidade do lar, minha família era muito grande... Nós éramos 9 irmãos, dois homens e 7 mulheres e eu era dos mais jovens. Como você pode notar tinham muitas mulheres em casa, digamos que essa espécie eu conheci muito bem dentro de casa (gargalhadas gerais). Foi uma infância normal no interior do Rio Grande com todas estripulias possíveis e imagináveis. (olhando por cima dos óculos) Prof. Sebastião: E esse colégio era fechado? Era regime ditatorial? Prof. Krieger: O colégio em Cruz Alta era um colégio Marista internato e externato, era um colégio muito bom!. Cruz Alta, naquela época, já era uma das cidades mais desenvolvidas da região, mais que Cruz Alta só tinha Santa Maria, depois Porto Alegre. Os internos eram minoria, talvez 1/3 do colégio, 2/3 era de gente ali da cidade mesmo. Os internos eram provenientes das várias regiões do estado que não tinham colégios e na época a única forma era você ir fazer um ginásio longe. Prof. Sebastião: Esse colégio, obviamente, era muito religioso? Prof. Krieger: Era de irmãos Maristas, tinham uma orientação religiosa grande, nós tínhamos que ir a missa todos os dias, começava acordando lá às 5:30 da manhã. Prof. Sebastião: E qual era a rotina? Prof. Krieger: Era uma disciplina espartana... os colégios naquela época tinham disciplina espartana e com aquele frio do Rio Grande, o horário de levantar era sempre o mesmo, acho que às 5 e meia, depois meia a uma hora de estudo, estudo em silêncio. Você não podia falar, você levantava, arrumava a sua cama, entrava em fila, mudava a roupa e ia pro estudo. Lá você ficava estudando e aí vinha o sinal e ia pra missa. Depois da missa, o café e aí já era horário de começar o turno da manhã, chegavam os alunos de fora mas até aí nós já tínhamos quase 2 horas acordados e fazendo tarefas. Prof. Sebastião: E a que horas ia dormir? Prof. Krieger: Ia dormir cedo. Nós jantávamos às sete, sete e meia e depois tinha um recreio de meia hora, 40 minutos. Mais estudos de 1 hora, e às 21 horas estávamos na cama. Das 9 às 5:45 era dormir, inverno, verão, naquele frio do Rio Grande... Prof. Sebastião: E ficava quanto tempo nesse regime por ano? Prof. Krieger: Nós entrávamos em março e íamos até junho, tinham as férias de junho, 15-20 dias, depois voltávamos em julho e íamos até o fim do ano. Assim eu fiquei 4 anos em Cruz alta, fiz o ginásio que naquela época eram 4 anos. Prof. Sebastião: O senhor saiu com 15 anos? Prof. Krieger: Depois fui pra Porto Alegre, lá ainda nos dois primeiros anos fiquei interno no Rosário, que era uma tradição, o pessoal ia e ficava interno, os pais não deixavam a gente sair. Eu só saí do internato no 3o ano do colégio porque aí já tava me preparando pra entrar na faculdade. Fui então morar em pensão nas repúblicas de estudante lá em Porto Alegre. Prof. Sebastião: Professor, o senhor disse que o regime era espartano. Prof. Krieger: Ah era!. Prof. Sebastião: E chegava a ter castigo físico essa coisa assim? (inspirado nos filmes que assistiu) Prof. Krieger: Não, não, não!!! Já não existia mais o castigo físico no sentido de palmatória não, existia o castigo de você ficar na parede, isso era muito comum, qualquer coisa você ia pra parede... Prof. Sebastião: De frente pra parede? Prof. Krieger: De frente pra parede e ficava lá enquanto os outros estavam no recreio. Parede eu fiz muito, fui muito pra parede. Declamar poesia era outro castigo, tinha que decorar umas poesias mas parede era o maior castigo que tinha... Prof. Sebastião: E declamar poesia era uma forma de castigo também? Prof. Krieger: Davam 2 ou 3 poesias pra você. Disso eu até gostava de fazer porque eu decorava com facilidade. Mas castigo físico não... já tinha passado, já tinha passado o tempo. Prof. Sebastião: Então o senhor saiu aos 15 anos de lá? Prof. Krieger: De Cruz Alta, dos 11 aos 15. No Rosário que também era o colégio Nossa Senhora do Rosário, que deu origem a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, ( que é uma beleza hoje ) e ainda tem o colégio Rosário que é ali bem central.Era o maior colégio que rivalizava com Júlio de Castilho, o colégio oficial do Estado. Tinham o Rosário e o Júlio de Castilho. Fui fazer o colegial no Rosário e fui o primeiro aluno. No vestibular eu tirei o 3o lugar porque os 2 do Júlio de Castilho me ganharam... afinal o colégio deles era melhor, entenderam ? (balançamos a cabeça concordando) Prof. Sebastião: E aí o senhor fez o ... Prof. Krieger: Aí eu fiz o vestibular para a Faculdade em 48. A minha turma entrou quando estavam comemorando os 50 anos de fundação da Faculdade de Medicina de Porto Alegre, então a minha turma se chamou Turma Cinqüentenária. Uma turma que realmente fez miséria na Faculdade. Era uma turma muito ativa! Nós entramos em 48, agora em 98 comemoraram o centenário da Faculdade. Eu fui lá, fui convidado, fiz palestra e de maneira que, mais alguns anos, eu vou fazer 50 anos de formado! Formei em 53, de maneira que em 2003, (fazendo as contas) tá certo?, completo 50 anos de formado. Prof. Sebastião: Pelo jeito, o senhor saiu aos 11 anos de casa e nunca mais voltou? Prof. Krieger: Voltava nas férias..., mas eu era muito ligado na cidade, evidentemente que nascendo lá eu me imaginava indo clinicar lá, até a entrada na faculdade eu ainda imaginava voltar pra minha terra de origem, meus pais moravam lá, tinham influência e eles gostariam de ver o filho médico lá. Prof. Sebastião: Quantos habitantes nessa época? Prof. Krieger: Não sei... era pequena... era uma cidade pequena de menos de 5 mil habitantes, no máximo né... mas com uma profunda influência religiosa. Tinha uma bela duma igreja, um seminário menor, colégios, etc., tá certo?. Prof. Sebastião: Tinham médicos lá? Prof. Krieger: Tinha um médico... e um médico muito famoso... que tinha um hospital que atraía o pessoal da região. Isso foi uma das influências talvez pra eu fazer medicina foi o Dr. Frantz. Eugênio Frantz! Este homem era um gênio. Ele nem formado oficialmente era. Ele sempre lutou contra essa história que ele não tinha diploma oficial de médico. O fato é que era genial entendeu? Ele tinha um hospital que centralizava toda medicina lá daquela região das missões, até o comércio vivia muito em função dos clientes do hospital. Isso seguramente foi um dos fatores que influenciou meu pai pra dizer que ao filho para ser médico. Prof. Sebastião: E o senhor mesmo queria ser o que? Prof. Krieger: Não, eu na realidade, nasci e me criei com essa idéia de que seria bom ser médico etc, porque lá não havia outras profissões. Não havia profissionais liberais na localidade....para se ter advogados, tínhamos que ir em São Luiz... então o grande atrativo era a parte religiosa ou a parte hospitalar. Eram as duas grandes influências da minha infância, ou pelo menos eram as mais chamativas. Prof. Sebastião: ....a igreja perdeu um padre pesquisador! (risos gerais). Mas, dos irmãos , só o senhor médico? Prof. Krieger: Só eu. Só eu... Meu irmão não quis estudar, era mais velho do que eu, também saiu e fez o ginásio fora mas não quis continuar. Ficou por lá no comércio etc. As irmãs também, algumas terminaram o curso de professora primária. Então, eu fui o escolhido, era o homem mais jovem pra continuar e me formar. O meu pai faleceu quando eu estava no 3o ano da faculdade. Eu tenho que chamar a atenção sobre isto porque não sei a influência que ele poderia ter exercido pra que eu realmente voltasse à Cerro Largo. É interessante lembrar porque do 3o ano em diante eu comecei a ter muito gosto pela Universidade, me aproximei dos professores que eram bons, o Eduardo Faraco, que fazia cardiologia e terapêutica, o Rubens Maciel com quem fui trabalhar na enfermaria que era cardiologista... então a partir do 3o, 4o ano que fui pro hospital, já tinha perdido meu pai, então o ponto de referência que era ele, lá no interior, já tinha desaparecido. Na realidade, quando estava terminando a Faculdade já tinha decidido a ficar em Porto Alegre fazendo clínica e cardiologia, essa era a minha idéia né.... Prof. Sebastião: Ligado à Faculdade. Prof. Krieger: Ligado à Faculdade. Tinha decidido não voltar mais pro interior e ficar lá. E foi através dessa ligação com o Rubens Maciel e com essa idéia de fazer cardiologia universitária que encontrei o grupo do Houssay e Braun Menendez que foram a Porto Alegre formar um grupo de fisiologistas. Tudo feito através do Rubens Maciel que estava na CAPES se dava muito bem com Eduardo Braun Menendez. O grupo do Houssay já estava quase 10 anos fora da Universidade (expulsos pelo Peron) estava na Argentina -mas não queria sair da Argentina, nunca aceitou o convite pra ir trabalhar em Universidade Americana, mas aceitou um convênio pra ir a Porto Alegre. Era perto de Buenos Aires, naquela época 2 horas. E aí coincidiu que eu tinha terminado o curso e estava começando a fazer um treinamento aqui em São Paulo. Ia começar a trabalhar com Decour, quando o grupo argentino foi a Porto Alegre e o Rubens Maciel me convenceu que devia fazer um ano de fisiologia. Havia poucos alunos pra trabalhar com os argentinos. Sugeriu que fizesse um ano de fisiologia etc...... e foi aí a minha perdição... (sorrindo) Prof. Sebastião: Aí o senhor fez essa fisiologia? Prof. Krieger: Aí eu fiz a fisiologia, lá em Porto Alegre. Comecei e fui logo a Buenos Aires e fizemos um projeto, que o Braun Menendez e o Rubens me ofereceram, que incluia uma formação em fisiologia e em cardiologia. Eles me assegurariam três anos, porque a Fundação Rockfeller é que estava patrocinando esse programa lá em Porto Alegre. Eu tinha o compromisso de terminado esse projeto (que incluiria Buenos Aires e depois Estados Unidos) de voltar e fazer meio tempo de fisiologia e meio tempo no hospital. Quer dizer, que eu auxiliaria a desenvolver a fisiologia lá em Porto Alegre. Eu, evidentemente, aquela altura estava entusiasmado já com os argentinos e, mais ainda, com a idéia de voltar pra Porto Alegre e fazer as duas coisas. Prof. Sebastião: Voltando a fisiologia, não titubeou nem um pouquinho nessa escolha profissional? Prof. Krieger: Foi boa a pergunta porque acho que isso aí precisa ser explorado um pouco mais. Eu não conhecia a fisiologia científica, claro que tinha tido no meu curso médico uma fisiologia daquela época, dada por pessoas que não eram profissionais em fisiologia. Agora, eu tinha uma idéia que não era das mais entusiasmadas sobre o pessoal de área básica pois os grandes nomes da Faculdade de Medicina de Porto Alegre eram os clínicos. Todos os inteligentes estavam na área clínica. Eu queria ser um deles, né? Mas sempre quis fazer Universidade e a partir do 3o-4o ano, não tinha dúvida nenhuma que queria fazer Universidade, uma carreira acadêmica. O meu chefe, o Rubens Maciel, cardiologista, foi quem praticamente me forçou, entre aspas, a suspender o estágio em São Paulo pra fazer a fisiologia com os argentinos. Eu fui e pensei: "é um ano que eu vou tirar da minha vida, quem sabe lá se o Rubens tem razão e eu vou aprender alguma coisa". Eu logo tive um deslumbramento, primeiro porque eram gente muitíssimo inteligente e o Braun Menendez já tinha descoberto angiotensina, o Houssay já era um prêmio Nobel, quer dizer, era outra coisa..... Prof. Sebastião: Esse grupo inicial de fisiologia era composto por muitos alunos? Prof. Krieger: Era o Núcleo de Formação da CAPES, tinha gente do norte, nordeste, tinha uns cinco bolsistas da CAPES, gente de fora. Eu era um dos bolsistas da CAPES, então tinha o programa de seminário de ciências....era realmente um entusiasmo danado porque cada um deles realmente procurava fazer o melhor. Nós todos assistíamos os cursos de todas as áreas, mas já sabíamos quem ia trabalhar em cada área. Eu era pra trabalhar em cardiovascular com o Braun Menendez. Quando ele chegou começamos a trabalhar em hipertensão experimental, aí foi amor a primeira vista. Braun Menendez era uma personalidade cativante. Quando fui a Buenos Aires trabalhei o tempo todo no Instituto do Houssay com o Braun Menendez desenvolvendo projetos de hipertensão experimental no rato e fazia as dosagem de renina, com o pessoal do Leiloar, futuro prêmio Nobel de Bioquímica, com o Paladine. Mas de acordo com o projeto, eu tinha de fazer clínica e ia duas vezes por semana no Instituto de Cardiologia que era do Taquini. Alberto Taquini era o catedrático de cardiologia da Universidade de Buenos Aires, era médico da Evita Peron, o que o tornava um homem de grande prestígio. Ele tinha um Instituto de Cardiologia onde faziam hemodinâmica e, como eu tinha interesse em fazer hemodinâmica, ia 2 vezes por semana lá pra ver cateterismo. Agora, imagina, eu passava a semana toda, de manhã, de tarde, muitas vezes de noite num ambiente de ciência espetacular em que eu fazia as coisas e depois ia 2 vezes por semana ver o pessoal fazer cateterismos. Evidentemente, fui me interessando muito mais pela parte experimental. No Instituto do Houssay, toda semana tinha uma conferência internacional de alguém que passava por lá. Aquilo era uma beleza , era empolgante! Então quando voltei pra Porto Alegre não tive condições de desenvolver hemodinâmica na Santa Casa pois não tinha aparelho, etc,.... então eu fiquei um ano só na fisiologia, me preparando para ir para os Estados Unidos. Prof. Sebastião: Porto Alegre-Buenos Aires- EUA... Prof. Krieger: Fui a Buenos Aires, voltei pra Porto Alegre, trabalhei já contratado pela Faculdade e quando fui para os Estados Unidos a idéia era essa, fazer um primeiro estágio em fisiologia na Georgia William Hamilton, que na época era seguramente um dos melhores fisiologistas cardiovasculares, pois tinha substituindo o Wiggens, que era outro grande nome da fisiologia cardiovascular. A idéia era eu ficar lá na Georgia e depois fazer um treinamento de hemodinâmica pra voltar pra Porto Alegre.... mas aí aconteceram essas coisas do destino. Em Porto Alegre, a pessoa que estava comandando fisiologia, por uma série de razões, achou que eu não poderia continuar fazendo o projeto na minha volta envolvendo a fisiologia. O grupo da Argentina, Houssay e o Braun Menendez foram a Porto Alegre tentar demovê-lo. Tem toda essa série de cartas tentando dissuadir essa pessoa.... mas o final é que ele não quis, não voltou atrás, mesmo com ameaças dos argentinos de que não continuariam o apoiando, se ele não apoiasse os jovens e que eu era um dos primeiros que tinham sido encaminhados pelo grupo de Porto Alegre....nada adiantou. Nessa época, o Miguel Covian, que era da turma do Houssay, estava em Ribeirão Preto porque tinha sido convidado pra dirigir o departamento de fisiologia de Ribeirão. O Braun Menendes me manda uma carta dizendo: "olha, Porto Alegre parece que realmente está muito difícil, agora o Covian tá em Ribeirão Preto, falamos com ele e ele disse que tem um lugar pra você". Aí, me deu um drama danado porque eu nos Estados Unidos, recém-casado, tive que tomar uma decisão! Prof. Sebastião: Teria que voltar... Prof. Krieger: É, até então eu jogava com um pé na clínica e outro pé na fisiologia. Era minha idéia voltar pra Porto Alegre e fazer as duas coisas e aí tive que decidir: ou volta pra Porto Alegre só pra fazer clínica, mesmo fazendo cardiologia e um pouco de hemodinâmica ou ir pra Ribeirão Preto e no caso ir só pra fisiologia porque Ribeirão tinha toda área clínica estruturada, quer dizer, eu seria um homem da fisiologia. Então foi essa a decisão que eu tive que tomar lá nos Estados Unidos, não conhecendo Ribeirão Preto. Prof. Sebastião: Depois de quanto tempo nos Estados Unidos chegou esse convite? Prof. Krieger: Isto aí foi logo no início. Quando eu cheguei lá, dois meses depois recebi a carta e aí foi todo o drama. Aí continuei o programa nos Estados Unidos mas não fiz a parte clínica que estava prevista. Para ser comunicado das novas
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