Um
Minuto
Fora
da Medicina
Prof. Carlos Alberto Jorge
Advogado e Professor
de Linguagem
Forense (Curso Dominus).
Graduado em Letras Neolatinas
Universidade Federal
de Uberlândia, MG. Brasil
A
falta de pagamento no dia certo
implica
multa ou implica em multa?
IMPLICA MULTA
, sem a preposição EM .
O verbo implicar, no sentido
usual de “acarretar”, “trazer como consequência”, é transitivo
direto (TD).
EXEMPLO:
A seca prolongada implicou a perda da lavoura.
Também é transitivo
direto (TD) quando significa “encerrar”.
EXEMPLO: A história
de vida de Sócrates implica grande honestidade.
Entretanto, quando pronominal,
tem o sentido de “envolver-se” e constrói-se como transitivo
indireto (TI).
EXEMPLO: Por que os
torcedores implicam-se em tantas confusões?
Finalmente , quando transitivo
direto e indireto (TDI) , significa “comprometer”.
EXEMPLO: Acabaram
implicando
o ex-governador (OD) em improbidade administrativa
(OI).
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Custei
entender
a questão ou custei a entender a questão?
Nenhuma das duas! O quê?
Pois é isso mesmo,
nenhuma das duas formas. O certo, segundo a norma culta (hum....),
é:
Custou-me entender
( ou aentender , tanto faz) a questão.
Espantado?
Não é para
menos, uma vez que, regularmente, assim se fala.
E se escreve!
Vamos lá. Como você
nota, custar, aqui, não está empregado significando
preço, valor, como em:
O livro custou R$10,00 (verbo
intransitivo- I).
O sentido é outro.
Significa “ser difícil", "penoso”.
Olhe de novo: Custa-me
/ entender a questão.
Duas observações:
1) Custar é transitivo indireto ( TI ). Logo, me, a pessoa
para quem entender é difícil , funciona como objeto indireto
(OI).
2) A primeira é a
principal; a segunda, com o verbo no infinitivo, funciona como sujeito
dela. Então, fica assim:
O que é que
me custa? Entender a questão!
Outros Exemplos:
Custa ao cidadão/
constatar a trágica distribuição de renda do País.
Custou-nos/ tomar
o remédio amargo.
Custava-lhe/ entender
os dramas da adolescência.
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Haja
vista ou haja visto?
Haja vista!
Por quê? Escute: o
que significa haja vista?
Significa: “olhe!”, "veja",
“tenha a vista para”.
Ok? Assim, não faz
sentido dizer: “tenha o visto para”. Certo?
Observe: a palavra
vista,
nessa tão usada expressão, dever ser mantida invariável.
Mas existem construções paralelas igualmente válidas,
ainda que pouco utilizadas.
Veja:
-
Haja vista o aumento
da pobreza no mundo (1,5 bilhão de pessoas, segundo recente relatório
do BIRD)
-
Haja vista
ao aumento
da pobreza
no mundo.
-
Hajam vista os últimos
relatórios
das Nações Unidas.
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Sou
eu quem
pago ou sou eu quem paga?
À vontade.
Que e
quem
são pronomes muito comuns nos caminhos da Língua Portuguesa.
Por isso, vamos recordar
os bons tempos de cursinho, tá?
Que. Sou eu
que pago.
És tu que
pagas.
Fácil, não?
É só fazer
o verbo concordar com o sujeito anterior
ao que ( eu pago,
tu pagas).
Quem. Graficamente,
possui uma letra a mais. A letra “m”, não é? Então,
um segredinho para você: uma letra a mais e uma possibilidade de
concordância a mais! Além de permitir ao verbo concordar com
o sujeito anterior, permite também que ele, o verbo, fique na terceira
do singular.
Assim , tanto faz dizermos:
- Sou eu quem
pago (concordando com o sujeito anterior)
- Sou eu quem
paga (concordando com o quem)
OUTRO EXEMPLO: “Não
fomos nós quem apontamos/apontou as unhas da República”
(Ruy)
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Pí-lu-las.
a) “ Melhor
morrer de vodca que de tédio”. (Maiakoviski)
b) “O estudo é
o melhor passaporte para a liberdade”. (Fernando Capez )
c) “ O povo que lê
conhece melhor seus caminhos”. (Ana Luíza )
d) “Os limites do
meu mundo são os limites da minha linguagem”. (Wittegeinstein)
e) “Sexo é
para amador. Bom mesmo é o poder”. (Nizan Guanaes)
f) “Nas grandes coisas,
os homens se mostram como lhes convém; nas pequenas, mostram-se
como são”. (Sébastien Chamfort)
g) “Está achando
a cultura cara? Experimente a ignorância”. (Ruy)
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