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Volume 2 - Número 7 - Ano II (Jul/Ago/Set de 1999)

Por que os nefrologistas exercem a liderança em Educação Médica?

Pedro Gordan – Diretor do Centro de Ciências da Saúde – Universidade Estadual de Londrina (UEL) 

O que têm em comum Oswaldo Ramos , Heonir Rocha, Jaime Landmann, Aloisio Amâncio, Harmen Tiddens, Jerome Kassirer, Thomas Maack, Esmatt Ezzat e Maurício Zanolli? Aparentemente não muito. Moram em países diferentes, possivelmente não se conheceram pessoalmente, são de gerações diferentes e até discordariam em suas convicções políticas e ideológicas. Contudo, estes e muitos outros são ou foram nefrologistas com destacada atuação em Ensino Médico. Por que? Mera coincidência? 

A Nefrologia, a despeito do seu atual e justificável foco no tratamento ao renal crônico, tem entre os seus membros os melhores clínicos da profissão médica. Certo?

Os nefrologistas são originários de grandes escolas de clinica médica e se envolveram primordialmente com distúrbios hidroeletrolíticos, fisiologia renal e hipertensão arterial. Daí para a investigação foi um pulo...

Qual nefrologista não participou como elo de ligação entre as diversas especialidades e mesmo profissões , no atendimento a pacientes muito graves atendidos nos hospitais? Quem foram os primeiros a cuidar de pacientes em choque, com alguma base fisiopatológica? Quais foram os pioneiros das unidades de terapia intensiva ? Quem foram os primeiros a reconhecer a necessidade de trabalhar em equipe multiprofissional, principalmente com a enfermagem?

A quem os médicos recorrem para atender seus pais?

Georges Bordage*, educador do Departamento de Educação Médica da University of Illinois at Chicago, em um trabalho de investigação sobre caractísticas de liderança em Educação Médica, a ser publicado proximamente, destaca, em primeiro lugar, a importância de ser competente no seu campo de atuação.

Associando a atuaçao interdisciplinar e multiprofissional do nefrologista à competência clínica, podemos entender porque o campo da Educação Médica atrai tantos nefrologistas: não é possivel aceitar a compartimentalização do Ensino, a especialização precoce e desenfreada, a centralização do processo ensino-aprendizagem no professor e a falta de compromisso social do médico.

Cabe à Academia, à Sociedade Brasileira de Nefrologia e a cada um de nós manter as características da especialidade, mesmo entendendo que - e justamente por isso - a subsistência da grande maioria depende da assistência ao renal crônico. Melhor que ela seja competente, interdisciplinar, multiprofissional, baseada em evidências e socialmente justa.

* Bordage,G. ; Foley, R; and Goldyn S . : Skills and attributes of directors of educational programmes. Medical Education , 1999 (in press) 



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