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Tratamento
da glomerulonefrite membranosa idiopática
Vitor A. Soares
Livre Docente
Disciplina de Nefrologia
Faculdade de Medicina de
Botucatu
UNESP
TRATAMENTO
Boa parte dos pacientes com
GNM apresenta remissões espontâneas e função
renal estável durante muitos anos. Nesses pacientes o tratamento
específico, poderia trazer mais malefícios, do que benefícios,
uma vez que ele é feito com drogas (corticóides e citostáticos),
que apresentam efeitos colaterais importantes e freqüentes.
Além disso, as características
evolutivas da GNM, fazem com que a avaliação dos possíveis
efeitos de determinado esquema terapêutico seja bastante complexa.
Assim trabalhos, que se propõem a testar o efeito de uma dada droga
ou associação de drogas, devem comparar de maneira prospectiva
a evolução a longo prazo, de um grande número de pacientes
tratados, com a de pacientes controle (tratados com placebo, ou sem tratamento
específico). A escolha do grupo tratado e do grupo controle deve
ser feita ao acaso. Outros fatores que devem ser analisados com cuidado
são a freqüências e a gravidade dos efeitos colaterais.
Infelizmente na literatura são poucos os trabalhos que preenchem
estas características.
Por esses motivos a validade
do tratamento da glomerulonefrite membranosa ainda hoje é bastante
discutível(6).(7;8;10;14;16;17;20;24-29;36;42-44)
Corticoesteróides
Os corticoesteróides
começaram a ser utilizado no tratamento da GNM, de maneira empírica,
a partir da década de 60, sendo que a experiência de vários
grupos com a utilização dessas drogas, passou a ser publicada
a partir da década de 70. A maior parte desses trabalhos são
levantamento retrospectivos, nos quais a decisão de tratar ou não
tratar o paciente, dependiam da opção de um determinado membro
da equipe. Como era de se esperar alguns grupos chegaram a conclusão
de que os corticosteróides apresentavam resultados benéficos
(2;21;32;52;56),enquanto outros, relataram que essas drogas não
alteram a história natural da GNM (19;22;31;40;45;53)
Na literatura existem 4 estudos
prospectivos controlados que avaliaram o efeito dos esteróides (quadro
9). O primeiro analisou número pequeno de pacientes (16), tomando
doses baixas de esteróides, (32 mg/dia durante 3 semanas, seguidos
por 20 mg/dia por pelo menos 6 meses), e não encontrou diferenças
significantes entre os grupos tratados ou não tratados (11)
No estudo colaborativo americano,
foram estudados 72 pacientes; 34 receberam prednisona na dose de 125 mg,
em dias alternados, durante pelo menos 2 meses, e 38 receberam placebo.
A freqüência de remissões, durante os primeiros quatro
meses foi maior no grupo tratado (6/33) do que no grupo recebendo placebo
(0/38). Nas avaliações realizadas aos 6, 12, 24 e 36 meses,
essa diferença desapareceu. Em relação função
renal, nos pacientes tomando placebo, a depuração de creatinina
endógena diminuiu em média 10 % ao ano, enquanto que no grupo
tomando esteróides essa queda foi de 2 %. A maior crítica
existente a esse trabalho, é que a velocidade de queda da função
renal dos pacientes do grupo placebo, foi muito maior do que a observada
nas várias séries que descreveram a história natural
da GNM, sem tratamento (15)
Posteriormente Cattran e
cols (12) publicaram os resultados obtidos no Canadá onde a evolução
da GNM foi comparada entre pacientes que receberam prednisona, (n = 88)
na dose de 45 mg/m2 de superfície corporal, em dias alternados,
durante 6 meses e pacientes que não receberam tratamento específico
(n = 91). Não se observou diferença da freqüência
de remissão da síndrome nefrótica ou da velocidade
de queda da filtração glomerular (grupo tratado = 4,2 ml/min,
grupo controle = 1,2 ml/min; p <0,05) entre ambos os grupos.
Cameron e cols avaliaram
103 pacientes seguidos durante 3 anos, 51 tratados com prednisona (100
a 150 mg/dias alternados, durante 8 semanas) e 52 não tratados;
observaram que ao final do seguimento não houve diferença
quanto a depuração de creatinina endógena ou de excreção
urinária de proteínas entre o grupo tratado e o grupo controle(9).
Quadro 9 - Efeito
dos corticosteróides- Estudos prospectivos
|
Resultados
|
|
Proteinúria
|
Perda de função
renal
|
| Cameron e cols
(11) |
16 |
30 mg/dia durante
3 semanas, seguido por 20 mg/dia por 8 semanas |
Não alterou |
Não alterou |
| Coggins e cols(15) |
72 |
150 mg/dias alternados
durante 2 meses |
Não alterou |
Diminuiu
velocidade |
| Cattran e cols
(12) |
179 |
45mg/m2 superfície
corporal em dias alternados durante 6 meses |
Não alterou |
Não alterou |
| Cameron
e cols (9) |
103 |
100 a 150 mg/dias
alternados |
Não alterou |
Não alterou |
Drogas imunossupressoras
e/ ou citostáticas
Frente aos resultados obtidos
com esteróides, vários autores testaram o efeito de drogas
citostáticas ou imunossupressoras, associadas ou não ao uso
de corticosteróide.
Em 1995, Imperiale e cols
(33) publicaram estudo de meta-analise, onde avaliaram o efeito de drogas
citotóxicas, em trabalhos controlados, sobre a evolução
da síndrome nefrótica e chegaram a conclusão de que
o risco relativo do paciente tratado com drogas citostáticas apresentar
remissão completa ou parcial, quando comparado com o grupo controle
(tratamento sintomático ou tratamento sintomático + corticosteróide
) foi de 2,3 (Intervalo de confiança a 95% (IC 95%) = 1,7 – 3,2)
e que de para se obter uma remissão seria necessário tratar
aproximadamente 3 pacientes (IC 95% = 2,1- 4,4). Quando os autores estudaram
a resposta ao clorambucil ou a ciclofosfamida isoladamente estes dados
não se alteraram de maneira importante. Segundo os autores não
foi possível, devido a escassez de dados, avaliar a influência
dessas drogas, sobre a função renal.
Poucos são os estudos
controlados nos quais se testou o uso de drogas citostáticas associadas
ou não ao corticosteróide (Quadro 10).
Quadro 10 - Efeito
de drogas citostáticas -Estudos prospectivos
|
Resultado
|
|
Proteinúria
|
Perda de Função
Renal
|
| Donadio
e cols (18) |
22 |
Ciclofosfamida
|
Não alterou
|
Não alterou
|
| Murphy
e cols(41) |
40 |
Ciclofosfamida + Dipiridamol
+ Warfarin
|
Diminuição
|
Não alterou
|
| MRCWP
(39) |
14 |
Azatioprina + Corticosteróides
|
Não alterou
|
Não alterou
|
| Ponticelli
e cols (47) |
100 |
Clorambucil + corticosteróide
|
Diminuição
|
Diminuição
|
| Ponticelli
e cols (46) |
87 |
Ciclosfosfamida +corticosteróide
X
Clorambucil + corticóide
|
Diminuição
|
Não alterou
|
Em 1972, Donadio e cols (18)
relataram o resultado de estudo prospectivo com uso de ciclofosfamida isolada
(1,5 a 2,5 mg/kg/dia) durante um ano, no qual não houve diferenças
significantes entre o grupo tratado e o grupo controle tanto na proteinúria
como na evolução da função renal. O pequeno
número de pacientes seguidos neste estudo (11 tratados e 11 não
tratados), no entanto, dificulta a sua interpretação.
A evolução
de 19 pacientes tratados com ciclofosfamida (1,5 mg/kg/dia), durante 6
meses, associada a warfarin e dipiridamol (200 a 400 mg/dia), durante 24
meses, foi comparada com a evolução de 21 pacientes recebendo
apenas tratamento sintomático. Ao final de 2 anos observou-se diminuição
da proteinúria, no grupo tratado, porém não houve
diferença significante entre a média da creatinina dos grupos
tratados e controle (41)
Lagrue e cols compararam
o efeito da azatioprina (3mg/kg/dia durante 6 meses) ao efeito do clorambucil
(0,2 mg/kg/dia durante os primeiros 6 meses e 0,1 mg/kg/dia nos 6 meses
seguintes) com pacientes sem medicação específica.
O grupo tratado com clorambucil apresentou diminuição da
proteinúria, enquanto que o tratado com azatioprina não diferiu
do grupo controle. Os pacientes tratados com clorambucil, apresentaram
efeitos colaterais importantes e freqüentes (35).
No trabalho do Medical Research
Council Working Party (39)}, onde foi testada a ação da azatioprina
(2,5 mg/kg/dia) associada ao uso de corticosteroide (20mg/dia) durante
8 semanas, não se observou diferenças entre os grupos tratados
e não tratados. Também neste trabalho, o pequeno número
de pacientes estudados (14) dificulta se chegar a alguma conclusão.
Ponticelli e cols(311) propuseram
um esquema terapêutico no qual o paciente inicialmente recebe metilprednisolona
iv 1g, durante 3 dias, seguido de prednisona 0,5 mg/ kg, por via oral durante
vinte e sete dias. Após esse período o paciente é
medicado com clorambucil 0,2 mg/kg/dia durante um mês. Esses ciclos
são repetidos por 3 vezes. Após 10 anos de seguimento, dos
51 pacientes tratados inicialmente 9 perderam o seguimento. Dentre os 42
restantes, 17 (40%) estavam em remissão completa e 9 (22%) em remissão
parcial Dentre os 49 não tratados, 10 perderam o seguimento, 2 (5%)
estavam em remissão completa e 11 (28%) em remissão parcial.
A função renal piorou em 6 pacientes tratados (em 4 a creatinina
sérica aumentou mais que 50% e 2 apresentaram insuficiência
renal terminal) e em 17 não tratados (houve aumento de creatinina
sérica maior que 50% em 8 e progressão para insuficiência
renal crônica em 9)(49)
O mesmo grupo comparou a
evolução de pacientes recebendo clorambucil e corticóide
(n = 45) com aqueles recebendo apenas corticosteróide (n = 47) e
chegaram a conclusão que os pacientes tratados com clorambucil e
corticosteróides apresentaram durante os primeiros 3 anos de seguimento
maior freqüência de remissão da síndrome nefrótica
(10 ano = 58%, 20 ano = 54%, 30 ano =
56) do que os tratados apenas com corticosteróides (10 ano
= 26%, 20 ano = 32%, 30 ano = 40%; p < 0,05),
porém no quarto ano de seguimento essa diferença não
foi mais observada (grupo tratado com clorambucil + corticosteróide
= 62%; grupo tratado somente com corticosteróide = 42%; p >0,05).
Quanto a evolução da função renal não
houve diferença significativa entre os 2 grupos(48).
Outra variação
desse esquema, onde o clorambucil foi substituído por ciclofosfamida
na dose de 2,5 mg/kg, por via oral, foi também testado pelo grupo
italiano. Neste estudo observou-se, nos pacientes seguidos por pelo menos
1 ano, que aqueles tratados com ciclofosfamida apresentaram maior freqüência
de remissão da síndrome nefrótica (40 em 43; 93%)
do que aqueles tratados com clorambucil (36 em 44; 82%; p < 0,05). Quanto
a filtração glomerular não se observou diferença
entre ambos os grupos (46).
A cicloporina, também
tem sido utilizada no tratamento da GNM. Guasch e cols (30) trataram 14
pacientes durante 12 semanas, com ciclosporina ( 4 a 6/ mg/kg) obtendo
remissão parcial em 10. Ambalavan e cols,(1) observaram que o uso
de ciclosporina em pacientes com GNM, reduziu a intensidade da proteinuria
em aproximadamente 50% do seu valor anterior, porém após
a suspensão do tratamento essa redução se manteve
em menos de ¼ dos pacientes. A falta de grupo controle e o curto
período de seguimento, no entanto, tornam difícil analisar
a validade desse esquema terapêutico.
Tratamento de pacientes
com insuficiência renal
Outro enfoque que tem sido
usado mais recentemente é o de acompanhar o paciente de perto e
tratar apenas aqueles nos quais ocorra a diminuição da filtração
glomerular. Trabalhos avaliando o tratamento de pacientes que apresentam
queda de função renal geralmente estudam pequeno número
de pacientes e de maneira geral não têm grupo controle, o
que torna a análise crítica bastante difícil (Quadro
11).
Quadro 11 - Efeito
do tratamento sobre a função renal, em pacientes com diminuição
da filtração glomerular.
|
Autor
|
N
|
Droga utilizada, via
|
Evolução
da função renal
|
|
Short e cols(51)
|
15
|
Metilprednisona, iv
|
Melhora transitória
|
|
Jindall e cols(34)
|
9
17
|
Ciclofosfamida, vo
X
"Controle"
|
Diminuição
da velocidade de queda da filtração glomerular
|
|
Bruns e cols (5)
|
11
|
Ciclofosfamida, vo
|
Melhora
|
|
Williams e Bone (55)
|
10
|
Ciclofosfamida, vo
ou Azatioprina, vo
|
Melhora
|
|
Falk e cols(23)
|
18
18
|
Metilprednisolona, iv
X
Ciclofosfamida, iv
|
Nào houve diferença
|
|
Mathieson e cols (37)
|
8
|
Clorambucil, vo+
corticóide
|
Melhora
|
|
Brunkhorst e cols(4)
|
9
|
Clorambucil, vo
+ corticóide
|
Melhora
|
|
Bransten e cols (3)
|
17
15
|
Clorambucil vo +
corticóide
X
Ciclofosfamida vo
|
Não alterou
Melhora
|
|
Cattran e cols(13)
|
9
8
|
Ciclosporina, vo
X
Controle
|
Diminuição
da velocidade de queda da filtração glomerular
|
Short e cols (51) trataram
15 pacientes que apresentavam queda progressiva de função
renal com metilprednisolona, iv, durante 5 dias seguido de prednisona por
via oral e relataram que houve diminuição da proteinúria
e melhora de função renal na maioria de seus pacientes, porém
essa resposta foi de curta duração.
Outra droga que tem sido
utilizada nessas situações é a ciclofosfamida West
e cols (54) trataram 9 pacientes com creatinina sérica maior que
1,5mg/dL com ciclofosfamida (1,5 mg/kg/dia) por período médio
de 23 meses. O grupo controle foi composto por 17 pacientes. Após
50 meses de seguimento, 8 pacientes do grupo controle apresentavam insuficiência
renal grave (creatinina sérica > 4,5 mg/dL) sendo que 2 estavam
em diálise, enquanto nenhum dos pacientes tratados apresentava insuficiência
renal grave. Em 1992, Jindall e cols (34) apresentaram os resultados do
seguimento desses mesmos pacientes, por um período de 5 anos e relataram
que do grupo tratado, 1 tinha evoluído para insuficiência
renal crônica terminal, 1 tinha morrido e 4 mantinham-se com creatinina
plasmática abaixo de 2 mg/dL. Enquanto que no grupo controle 10
pacientes (57%) estavam em tratamento dialítico.
Bruns e cols (5) utilizaram
ciclofosfamida associada (n = 10) ou não a corticosteróides
(n = 1) em 11 pacientes que vinham apresentando elevação
da creatinina sérica (de 1,6 mg/dL para 2,2 mg/dL) antes do tratamento.
Após 6 meses de seguimento houve diminuição da creatinina
sérica em 10. Destes 8 foram seguidos por período que variou
entre 24 e 54 meses, sendo que em 7 a função renal se manteve
estável.
A resposta ao uso de ciclofosfamida,
em bolo, iv, 1 vez por mês associada a corticosteróides foi
comparada ao uso de pulso de metilprednisolona, 1 vez por mês seguido
por esteróides orais. A duração do tratamento foi
de 6 meses, tendo sido tratados 13 pacientes em cada grupo, todos eles
com perda progressiva de função renal. Após seguimento
médio de 29,2 ± 17,1 meses não foi observada diferença
significante entre ambos os grupos (23)
Mathieson e cols (38) relataram
que de 8 pacientes tratados com o esquema descrito por Ponticelli e cols
(clorambucil + corticosteróide) todos apresentaram diminuição
da proteinúria, em 6 houve aumento da depuração da
creatinina endógena, em 2 a velocidade de progressão para
insuficiência renal diminuiu. Embora os resultados tenham sido animadores
a freqüência de efeitos colaterais (náuseas e vômitos
em 4 e mielotoxicidade em 4), torna a utilização deste esquema
bastante questionavel.
Devido a alta freqüência
de mielotoxicidade, Brunkhorst e cols (4) utilizaram o esquema italiano
modificado (clorambucil na dose de 0,12 mg/kg/dia, metilprednisolona iv
na dose de 500mg/ 3 dias /mês), em 17 pacientes com GNM, 9 com queda
de função renal. Desses 9 pacientes, 7 apresentaram diminuição
da creatinina sérica depois do tratamento (creatinina sérica
pré tratamento ~ 2,56 ± 0,4 mg/dL, pós tratamento
~ 1,98 ± 0,3 mg/dL). Dentre os 17 pacientes, apenas 1 apresentou
leucopenia.
Recentemente foram publicados
dois trabalhos comparando e a eficácia do esquema descrito por Ponticelli
e cols (clorambucil associado a corticosteróide)(47) com o uso de
ciclofosfamida. Em ambos os trabalhos (50), a dose de clorambucil utilizada
foi de 0,15 mg/kg/dia ao invés de 0,2 mg/kg/dia como proposto. Em
um deles (50) a ciclofosfamida foi aplicada por via intravenosa (750mg/m2
de superfície corporal, uma vez por mês, durante seis meses),
associado ao uso de corticosteróide e no outro (3) a ciclofosfamida
foi administrada, por via oral, na dose de 1,5 a 2,0 mg/kg/dia durante
seis meses. Os resultados do trabalho (50) que utilizou ciclofosfamida
injetável, mostraram que 6 meses depois do início do tratamento,
os pacientes que receberam ciclofosfamida apresentavam aumento da creatinina
sérica (creatinina sérica no início do tratamento
~2,5 ± 0,9 mg/dL; no final ~ 3,4 ± 1,6 mg/dL), enquanto que
os pacientes tratados com clorambucil + corticóide apresentaram
queda da creatinina sérica (valor inicial ~ 2,9 ± 1,3; final
~ 2,1 ± 1,2mg/dL).
No trabalho (3) onde a ciclofosfamida
foi utilizada por via oral, observou-se que a média da creatinina
sérica caiu de ~ 3,1 mg/dL para 1,84 mg/dL no final do tratamento,
nos pacientes tratados com essa droga (n = 17), enquanto a do grupo tratado
com clorambucil a creatinina sérica (n = 15) se manteve em torno
de 2,4 mg/dL. Após seguimento que variou entre 8 e 71 meses (mediana
= 38 meses), 4 (23%) pacientes tratados com clorambucil necessitaram tratamento
dialitico, enquanto que no grupo que recebeu ciclofosfamida, após
seguimento entre 5 e 68 meses (mediana 26 meses), apenas 1 evolui para
insuficiência renal crônica terminal.
Williams e Bone (55) utilizando
doses menores de azatioprina (50mg/dia, em 9 pacientes) ou ciclofosfamida
(50mg/dia, em 1 paciente) associadas a corticosteróide observaram
aumento de depuração de creatinina endógena de 29
±.6 ml/min para 48 ± 18 ml/min depois de 12 meses de seguimento.
Outra droga testada foi a
ciclosporina. Em estudo controlado, prospectivo e randomizado, Cattran
e cols (13) observaram que a velocidade de queda da filtração
glomerular em 9 pacientes tomando ciclosporina (3,5 mg/kg/dia) foi de,
0,7 ± 1,0 ml/min/mês e que nos pacientes tratados com placebo
(n = 8) foi de 2,1 ± 1,6 ml/min/mês. (p <0,05). Dentre
os pacientes tratados 1 necessitou tratamento dialítico após
14 meses, e dentre os que receberam placebo, 4 estavam em diálise
depois de 10 meses de seguimento.
Conclusão
A análise dos trabalhos
que utilizaram corticosteróides nos leva a sugerir que essas substâncias,
quando usadas isoladamente não alteram a história natural
da GNM, não devendo portanto serem utilizadas no seu tratamento.
Dentre os vários esquemas
que utilizaram a associação de corticosteróides e
citostáticos, para tratar a glomerulonefrite membranosa, sem queda
de função renal, o melhor estudado e que apresenta resultados
mais animadores é o que utiliza corticosteróide e clorambucil.
Outro esquema promissor é de corticosteróide associado a
ciclofosfamida, este porém, ainda, com pouco tempo de seguimento.
Achamos importante frisar, que mesmo os autores que defendem o tratamento
precoce da GNM, atualmente, concordam que ele deve ser feita por curto
espaço de tempo, não se justificando manter o paciente em
tratamento, por longos períodos de tempo.
Como comentado anteriormente,
em torno de 40 a 50% dos pacientes apresentam remissão espontânea
da síndrome nefrótica enquanto que em torno de 50 a 60% deles
não evoluem para insuficiência renal terminal. Caso se opte
por tratar todos os pacientes, este tipo de paciente, será submetido
à drogas que podem provocar vários efeitos colaterais importantes
tais como neoplasias, infecções, diabete melito, hipertensão
arterial, catarata, etc, sem benefício algum.
Ao se analisar os trabalhos
que avaliam o efeito do tratamento em pacientes que apresentam diminuição
da filtração glomerular, observa-se que vários autores
relatam que a medicação utilizada associou-se com melhora
da filtração glomerular, o que é um dado importante,
uma vez que melhora espontânea dessa variável não têm
sido relatado.
A nossa conduta, atualmente,
é acompanhar o paciente e só tratar aqueles que apresentam
diminuição da filtração glomerular. A escolha
do esquema terapêutico é difícil devido a escassez
de dados na literatura Atualmente optamos pelo uso de ciclosporina, uma
vez que esta é a única droga que foi testada de modo randomizado,
prospectivo, apesar do pequeno número de pacientes estudados. Outra
opção que nos parece passível de ser usada é
a ciclofosfamida, por via oral durante um período de tempo variando
entre 6 meses e 1 ano.
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