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Volume 2 - Número 6 - Ano II (Abr/Mai/Jun de 1999)

Tratamento da glomerulonefrite membranosa idiopática

Vitor A. Soares

Livre Docente
Disciplina de Nefrologia
Faculdade de Medicina de Botucatu
UNESP


TRATAMENTO 

Boa parte dos pacientes com GNM apresenta remissões espontâneas e função renal estável durante muitos anos. Nesses pacientes o tratamento específico, poderia trazer mais malefícios, do que benefícios, uma vez que ele é feito com drogas (corticóides e citostáticos), que apresentam efeitos colaterais importantes e freqüentes. 

Além disso, as características evolutivas da GNM, fazem com que a avaliação dos possíveis efeitos de determinado esquema terapêutico seja bastante complexa. Assim trabalhos, que se propõem a testar o efeito de uma dada droga ou associação de drogas, devem comparar de maneira prospectiva a evolução a longo prazo, de um grande número de pacientes tratados, com a de pacientes controle (tratados com placebo, ou sem tratamento específico). A escolha do grupo tratado e do grupo controle deve ser feita ao acaso. Outros fatores que devem ser analisados com cuidado são a freqüências e a gravidade dos efeitos colaterais. Infelizmente na literatura são poucos os trabalhos que preenchem estas características. 

Por esses motivos a validade do tratamento da glomerulonefrite membranosa ainda hoje é bastante discutível(6).(7;8;10;14;16;17;20;24-29;36;42-44)

Corticoesteróides 

Os corticoesteróides começaram a ser utilizado no tratamento da GNM, de maneira empírica, a partir da década de 60, sendo que a experiência de vários grupos com a utilização dessas drogas, passou a ser publicada a partir da década de 70. A maior parte desses trabalhos são levantamento retrospectivos, nos quais a decisão de tratar ou não tratar o paciente, dependiam da opção de um determinado membro da equipe. Como era de se esperar alguns grupos chegaram a conclusão de que os corticosteróides apresentavam resultados benéficos (2;21;32;52;56),enquanto outros, relataram que essas drogas não alteram a história natural da GNM (19;22;31;40;45;53)

Na literatura existem 4 estudos prospectivos controlados que avaliaram o efeito dos esteróides (quadro 9). O primeiro analisou número pequeno de pacientes (16), tomando doses baixas de esteróides, (32 mg/dia durante 3 semanas, seguidos por 20 mg/dia por pelo menos 6 meses), e não encontrou diferenças significantes entre os grupos tratados ou não tratados (11)

No estudo colaborativo americano, foram estudados 72 pacientes; 34 receberam prednisona na dose de 125 mg, em dias alternados, durante pelo menos 2 meses, e 38 receberam placebo. A freqüência de remissões, durante os primeiros quatro meses foi maior no grupo tratado (6/33) do que no grupo recebendo placebo (0/38). Nas avaliações realizadas aos 6, 12, 24 e 36 meses, essa diferença desapareceu. Em relação função renal, nos pacientes tomando placebo, a depuração de creatinina endógena diminuiu em média 10 % ao ano, enquanto que no grupo tomando esteróides essa queda foi de 2 %. A maior crítica existente a esse trabalho, é que a velocidade de queda da função renal dos pacientes do grupo placebo, foi muito maior do que a observada nas várias séries que descreveram a história natural da GNM, sem tratamento (15)

Posteriormente Cattran e cols (12) publicaram os resultados obtidos no Canadá onde a evolução da GNM foi comparada entre pacientes que receberam prednisona, (n = 88) na dose de 45 mg/m2 de superfície corporal, em dias alternados, durante 6 meses e pacientes que não receberam tratamento específico (n = 91). Não se observou diferença da freqüência de remissão da síndrome nefrótica ou da velocidade de queda da filtração glomerular (grupo tratado = 4,2 ml/min, grupo controle = 1,2 ml/min; p <0,05) entre ambos os grupos. 

Cameron e cols avaliaram 103 pacientes seguidos durante 3 anos, 51 tratados com prednisona (100 a 150 mg/dias alternados, durante 8 semanas) e 52 não tratados; observaram que ao final do seguimento não houve diferença quanto a depuração de creatinina endógena ou de excreção urinária de proteínas entre o grupo tratado e o grupo controle(9).

Quadro 9 - Efeito dos corticosteróides- Estudos prospectivos
Resultados
Proteinúria
Perda de função renal
Cameron e cols (11) 16 30 mg/dia durante 3 semanas, seguido por 20 mg/dia por 8 semanas Não alterou Não alterou
Coggins e cols(15) 72 150 mg/dias alternados durante 2 meses Não alterou Diminuiu
velocidade
Cattran e cols (12) 179 45mg/m2 superfície corporal em dias alternados durante 6 meses Não alterou Não alterou
Cameron e cols (9)  103 100 a 150 mg/dias alternados Não alterou Não alterou

Drogas imunossupressoras e/ ou citostáticas

Frente aos resultados obtidos com esteróides, vários autores testaram o efeito de drogas citostáticas ou imunossupressoras, associadas ou não ao uso de corticosteróide. 

Em 1995, Imperiale e cols (33) publicaram estudo de meta-analise, onde avaliaram o efeito de drogas citotóxicas, em trabalhos controlados, sobre a evolução da síndrome nefrótica e chegaram a conclusão de que o risco relativo do paciente tratado com drogas citostáticas apresentar remissão completa ou parcial, quando comparado com o grupo controle (tratamento sintomático ou tratamento sintomático + corticosteróide ) foi de 2,3 (Intervalo de confiança a 95% (IC 95%) = 1,7 – 3,2) e que de para se obter uma remissão seria necessário tratar aproximadamente 3 pacientes (IC 95% = 2,1- 4,4). Quando os autores estudaram a resposta ao clorambucil ou a ciclofosfamida isoladamente estes dados não se alteraram de maneira importante. Segundo os autores não foi possível, devido a escassez de dados, avaliar a influência dessas drogas, sobre a função renal. 

Poucos são os estudos controlados nos quais se testou o uso de drogas citostáticas associadas ou não ao corticosteróide (Quadro 10).

Quadro 10 - Efeito de drogas citostáticas -Estudos prospectivos
 

Resultado
Proteinúria
Perda de Função Renal
Donadio e cols (18) 22
Ciclofosfamida
Não alterou
Não alterou
Murphy e cols(41) 40
Ciclofosfamida + Dipiridamol + Warfarin
Diminuição
Não alterou
MRCWP (39) 14
Azatioprina + Corticosteróides
Não alterou
Não alterou
Ponticelli e cols (47) 100
Clorambucil + corticosteróide
Diminuição
Diminuição
Ponticelli e cols (46) 87
Ciclosfosfamida +corticosteróide

X

Clorambucil + corticóide

Diminuição
Não alterou

Em 1972, Donadio e cols (18) relataram o resultado de estudo prospectivo com uso de ciclofosfamida isolada (1,5 a 2,5 mg/kg/dia) durante um ano, no qual não houve diferenças significantes entre o grupo tratado e o grupo controle tanto na proteinúria como na evolução da função renal. O pequeno número de pacientes seguidos neste estudo (11 tratados e 11 não tratados), no entanto, dificulta a sua interpretação.

A evolução de 19 pacientes tratados com ciclofosfamida (1,5 mg/kg/dia), durante 6 meses, associada a warfarin e dipiridamol (200 a 400 mg/dia), durante 24 meses, foi comparada com a evolução de 21 pacientes recebendo apenas tratamento sintomático. Ao final de 2 anos observou-se diminuição da proteinúria, no grupo tratado, porém não houve diferença significante entre a média da creatinina dos grupos tratados e controle (41)

Lagrue e cols compararam o efeito da azatioprina (3mg/kg/dia durante 6 meses) ao efeito do clorambucil (0,2 mg/kg/dia durante os primeiros 6 meses e 0,1 mg/kg/dia nos 6 meses seguintes) com pacientes sem medicação específica. O grupo tratado com clorambucil apresentou diminuição da proteinúria, enquanto que o tratado com azatioprina não diferiu do grupo controle. Os pacientes tratados com clorambucil, apresentaram efeitos colaterais importantes e freqüentes (35).

No trabalho do Medical Research Council Working Party (39)}, onde foi testada a ação da azatioprina (2,5 mg/kg/dia) associada ao uso de corticosteroide (20mg/dia) durante 8 semanas, não se observou diferenças entre os grupos tratados e não tratados. Também neste trabalho, o pequeno número de pacientes estudados (14) dificulta se chegar a alguma conclusão. 

Ponticelli e cols(311) propuseram um esquema terapêutico no qual o paciente inicialmente recebe metilprednisolona iv 1g, durante 3 dias, seguido de prednisona 0,5 mg/ kg, por via oral durante vinte e sete dias. Após esse período o paciente é medicado com clorambucil 0,2 mg/kg/dia durante um mês. Esses ciclos são repetidos por 3 vezes. Após 10 anos de seguimento, dos 51 pacientes tratados inicialmente 9 perderam o seguimento. Dentre os 42 restantes, 17 (40%) estavam em remissão completa e 9 (22%) em remissão parcial Dentre os 49 não tratados, 10 perderam o seguimento, 2 (5%) estavam em remissão completa e 11 (28%) em remissão parcial. A função renal piorou em 6 pacientes tratados (em 4 a creatinina sérica aumentou mais que 50% e 2 apresentaram insuficiência renal terminal) e em 17 não tratados (houve aumento de creatinina sérica maior que 50% em 8 e progressão para insuficiência renal crônica em 9)(49)

O mesmo grupo comparou a evolução de pacientes recebendo clorambucil e corticóide (n = 45) com aqueles recebendo apenas corticosteróide (n = 47) e chegaram a conclusão que os pacientes tratados com clorambucil e corticosteróides apresentaram durante os primeiros 3 anos de seguimento maior freqüência de remissão da síndrome nefrótica (10 ano = 58%, 20 ano = 54%, 30 ano = 56) do que os tratados apenas com corticosteróides (10 ano = 26%, 20 ano = 32%, 30 ano = 40%; p < 0,05), porém no quarto ano de seguimento essa diferença não foi mais observada (grupo tratado com clorambucil + corticosteróide = 62%; grupo tratado somente com corticosteróide = 42%; p >0,05). Quanto a evolução da função renal não houve diferença significativa entre os 2 grupos(48).

Outra variação desse esquema, onde o clorambucil foi substituído por ciclofosfamida na dose de 2,5 mg/kg, por via oral, foi também testado pelo grupo italiano. Neste estudo observou-se, nos pacientes seguidos por pelo menos 1 ano, que aqueles tratados com ciclofosfamida apresentaram maior freqüência de remissão da síndrome nefrótica (40 em 43; 93%) do que aqueles tratados com clorambucil (36 em 44; 82%; p < 0,05). Quanto a filtração glomerular não se observou diferença entre ambos os grupos (46).

A cicloporina, também tem sido utilizada no tratamento da GNM. Guasch e cols (30) trataram 14 pacientes durante 12 semanas, com ciclosporina ( 4 a 6/ mg/kg) obtendo remissão parcial em 10. Ambalavan e cols,(1) observaram que o uso de ciclosporina em pacientes com GNM, reduziu a intensidade da proteinuria em aproximadamente 50% do seu valor anterior, porém após a suspensão do tratamento essa redução se manteve em menos de ¼ dos pacientes. A falta de grupo controle e o curto período de seguimento, no entanto, tornam difícil analisar a validade desse esquema terapêutico. 

Tratamento de pacientes com insuficiência renal

Outro enfoque que tem sido usado mais recentemente é o de acompanhar o paciente de perto e tratar apenas aqueles nos quais ocorra a diminuição da filtração glomerular. Trabalhos avaliando o tratamento de pacientes que apresentam queda de função renal geralmente estudam pequeno número de pacientes e de maneira geral não têm grupo controle, o que torna a análise crítica bastante difícil (Quadro 11). 

Quadro 11 - Efeito do tratamento sobre a função renal, em pacientes com diminuição da filtração glomerular.
 

Autor
N
Droga utilizada, via
Evolução da função renal
Short e cols(51)
15
Metilprednisona, iv
Melhora transitória
Jindall e cols(34)
9

17

Ciclofosfamida, vo

X

"Controle"

Diminuição da velocidade de queda da filtração glomerular
Bruns e cols (5)
11
Ciclofosfamida, vo
Melhora
Williams e Bone (55)
10
Ciclofosfamida, vo ou Azatioprina, vo
Melhora
Falk e cols(23)
18

18

Metilprednisolona, iv

X

Ciclofosfamida, iv

Nào houve diferença
Mathieson e cols (37)
8
Clorambucil, vo+ corticóide
Melhora
Brunkhorst e cols(4)
9
Clorambucil, vo + corticóide
Melhora
Bransten e cols (3)
17

15

Clorambucil vo + corticóide

X

Ciclofosfamida vo

Não alterou

Melhora

Cattran e cols(13)
9

8

Ciclosporina, vo

X

Controle

Diminuição da velocidade de queda da filtração glomerular

Short e cols (51) trataram 15 pacientes que apresentavam queda progressiva de função renal com metilprednisolona, iv, durante 5 dias seguido de prednisona por via oral e relataram que houve diminuição da proteinúria e melhora de função renal na maioria de seus pacientes, porém essa resposta foi de curta duração. 

Outra droga que tem sido utilizada nessas situações é a ciclofosfamida West e cols (54) trataram 9 pacientes com creatinina sérica maior que 1,5mg/dL com ciclofosfamida (1,5 mg/kg/dia) por período médio de 23 meses. O grupo controle foi composto por 17 pacientes. Após 50 meses de seguimento, 8 pacientes do grupo controle apresentavam insuficiência renal grave (creatinina sérica > 4,5 mg/dL) sendo que 2 estavam em diálise, enquanto nenhum dos pacientes tratados apresentava insuficiência renal grave. Em 1992, Jindall e cols (34) apresentaram os resultados do seguimento desses mesmos pacientes, por um período de 5 anos e relataram que do grupo tratado, 1 tinha evoluído para insuficiência renal crônica terminal, 1 tinha morrido e 4 mantinham-se com creatinina plasmática abaixo de 2 mg/dL. Enquanto que no grupo controle 10 pacientes (57%) estavam em tratamento dialítico. 

Bruns e cols (5) utilizaram ciclofosfamida associada (n = 10) ou não a corticosteróides (n = 1) em 11 pacientes que vinham apresentando elevação da creatinina sérica (de 1,6 mg/dL para 2,2 mg/dL) antes do tratamento. Após 6 meses de seguimento houve diminuição da creatinina sérica em 10. Destes 8 foram seguidos por período que variou entre 24 e 54 meses, sendo que em 7 a função renal se manteve estável.

A resposta ao uso de ciclofosfamida, em bolo, iv, 1 vez por mês associada a corticosteróides foi comparada ao uso de pulso de metilprednisolona, 1 vez por mês seguido por esteróides orais. A duração do tratamento foi de 6 meses, tendo sido tratados 13 pacientes em cada grupo, todos eles com perda progressiva de função renal. Após seguimento médio de 29,2 ± 17,1 meses não foi observada diferença significante entre ambos os grupos (23)

Mathieson e cols (38) relataram que de 8 pacientes tratados com o esquema descrito por Ponticelli e cols (clorambucil + corticosteróide) todos apresentaram diminuição da proteinúria, em 6 houve aumento da depuração da creatinina endógena, em 2 a velocidade de progressão para insuficiência renal diminuiu. Embora os resultados tenham sido animadores a freqüência de efeitos colaterais (náuseas e vômitos em 4 e mielotoxicidade em 4), torna a utilização deste esquema bastante questionavel. 

Devido a alta freqüência de mielotoxicidade, Brunkhorst e cols (4) utilizaram o esquema italiano modificado (clorambucil na dose de 0,12 mg/kg/dia, metilprednisolona iv na dose de 500mg/ 3 dias /mês), em 17 pacientes com GNM, 9 com queda de função renal. Desses 9 pacientes, 7 apresentaram diminuição da creatinina sérica depois do tratamento (creatinina sérica pré tratamento ~ 2,56 ± 0,4 mg/dL, pós tratamento ~ 1,98 ± 0,3 mg/dL). Dentre os 17 pacientes, apenas 1 apresentou leucopenia. 

Recentemente foram publicados dois trabalhos comparando e a eficácia do esquema descrito por Ponticelli e cols (clorambucil associado a corticosteróide)(47) com o uso de ciclofosfamida. Em ambos os trabalhos (50), a dose de clorambucil utilizada foi de 0,15 mg/kg/dia ao invés de 0,2 mg/kg/dia como proposto. Em um deles (50) a ciclofosfamida foi aplicada por via intravenosa (750mg/m2 de superfície corporal, uma vez por mês, durante seis meses), associado ao uso de corticosteróide e no outro (3) a ciclofosfamida foi administrada, por via oral, na dose de 1,5 a 2,0 mg/kg/dia durante seis meses. Os resultados do trabalho (50) que utilizou ciclofosfamida injetável, mostraram que 6 meses depois do início do tratamento, os pacientes que receberam ciclofosfamida apresentavam aumento da creatinina sérica (creatinina sérica no início do tratamento ~2,5 ± 0,9 mg/dL; no final ~ 3,4 ± 1,6 mg/dL), enquanto que os pacientes tratados com clorambucil + corticóide apresentaram queda da creatinina sérica (valor inicial ~ 2,9 ± 1,3; final ~ 2,1 ± 1,2mg/dL). 

No trabalho (3) onde a ciclofosfamida foi utilizada por via oral, observou-se que a média da creatinina sérica caiu de ~ 3,1 mg/dL para 1,84 mg/dL no final do tratamento, nos pacientes tratados com essa droga (n = 17), enquanto a do grupo tratado com clorambucil a creatinina sérica (n = 15) se manteve em torno de 2,4 mg/dL. Após seguimento que variou entre 8 e 71 meses (mediana = 38 meses), 4 (23%) pacientes tratados com clorambucil necessitaram tratamento dialitico, enquanto que no grupo que recebeu ciclofosfamida, após seguimento entre 5 e 68 meses (mediana 26 meses), apenas 1 evolui para insuficiência renal crônica terminal.

Williams e Bone (55) utilizando doses menores de azatioprina (50mg/dia, em 9 pacientes) ou ciclofosfamida (50mg/dia, em 1 paciente) associadas a corticosteróide observaram aumento de depuração de creatinina endógena de 29 ±.6 ml/min para 48 ± 18 ml/min depois de 12 meses de seguimento.

Outra droga testada foi a ciclosporina. Em estudo controlado, prospectivo e randomizado, Cattran e cols (13) observaram que a velocidade de queda da filtração glomerular em 9 pacientes tomando ciclosporina (3,5 mg/kg/dia) foi de, 0,7 ± 1,0 ml/min/mês e que nos pacientes tratados com placebo (n = 8) foi de 2,1 ± 1,6 ml/min/mês. (p <0,05). Dentre os pacientes tratados 1 necessitou tratamento dialítico após 14 meses, e dentre os que receberam placebo, 4 estavam em diálise depois de 10 meses de seguimento.

Conclusão

A análise dos trabalhos que utilizaram corticosteróides nos leva a sugerir que essas substâncias, quando usadas isoladamente não alteram a história natural da GNM, não devendo portanto serem utilizadas no seu tratamento.

Dentre os vários esquemas que utilizaram a associação de corticosteróides e citostáticos, para tratar a glomerulonefrite membranosa, sem queda de função renal, o melhor estudado e que apresenta resultados mais animadores é o que utiliza corticosteróide e clorambucil. Outro esquema promissor é de corticosteróide associado a ciclofosfamida, este porém, ainda, com pouco tempo de seguimento. Achamos importante frisar, que mesmo os autores que defendem o tratamento precoce da GNM, atualmente, concordam que ele deve ser feita por curto espaço de tempo, não se justificando manter o paciente em tratamento, por longos períodos de tempo. 

Como comentado anteriormente, em torno de 40 a 50% dos pacientes apresentam remissão espontânea da síndrome nefrótica enquanto que em torno de 50 a 60% deles não evoluem para insuficiência renal terminal. Caso se opte por tratar todos os pacientes, este tipo de paciente, será submetido à drogas que podem provocar vários efeitos colaterais importantes tais como neoplasias, infecções, diabete melito, hipertensão arterial, catarata, etc, sem benefício algum. 

Ao se analisar os trabalhos que avaliam o efeito do tratamento em pacientes que apresentam diminuição da filtração glomerular, observa-se que vários autores relatam que a medicação utilizada associou-se com melhora da filtração glomerular, o que é um dado importante, uma vez que melhora espontânea dessa variável não têm sido relatado.

A nossa conduta, atualmente, é acompanhar o paciente e só tratar aqueles que apresentam diminuição da filtração glomerular. A escolha do esquema terapêutico é difícil devido a escassez de dados na literatura Atualmente optamos pelo uso de ciclosporina, uma vez que esta é a única droga que foi testada de modo randomizado, prospectivo, apesar do pequeno número de pacientes estudados. Outra opção que nos parece passível de ser usada é a ciclofosfamida, por via oral durante um período de tempo variando entre 6 meses e 1 ano.



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