Copyright  © 2000 Medicina On line - Revista Virtual de Medicina
Volume 2 - Número 6 - Ano II (Abr/Mai/Jun de 1999)

IV Congresso Mineiro de Nefrologia

Juíz de Fora, MG
3 a 6 junho de 1999

Mapa na Infância

VERA KOCH
Mestre e Doutora em Medicina pela USP 

Chefe da Unidade de Nefrologia Pediátrica - Instituto da Criança - HCFMUSP
 A experiência pediátrica com a avaliação da pressão arterial pela técnica da MAPA iniciou-se nos anos 80, é ainda restrita e não definitivamente normatizada. A MAPA na criança é reprodutível, em estudos consecutivos. Para obtenção de registros mais fidedignos na criança, deve-se optar por equipamentos mais leves, do tipo oscilométrico, favorecendo assim a utilização do método em crianças menores, cujo padrão intenso de atividade impossibilita registros eficientes, em equipamentos do tipo exclusivamente auscultatório. 

Recomenda-se que a instalação do equipamento na criança, se faça no braço não dominante, em dia representativo de seu cotidiano. As medidas podem ser repetidas a intervalos de 10-30 minutos, durante a vigília e de 20-60 minutos, durante o sono. Recomenda-se que a deflação do manguito seja programada para decaimentos de 8 mmHg, possibilitando que o tempo de medida seja mais curto e mais bem tolerado pela criança (8). Durante o tempo de registro da pressão arterial é obrigatório que a criança, quando possível, ou seu responsável, preencha um relatório detalhado de atividades. A análise dos registros obtidos deve ser feita à luz deste relatório pois, sabe-se, que na faixa pediátrica, até 60% dos valores das medidas de pressão arterial, gravados durante períodos de intensa atividade física ou mental, podem estar acima dos do limite superior estabelecido para pressão arterial casual, segundo sexo e idade. 

A análise da MAPA na criança, deve incluir rotineiramente, a média dos valores sistólicos e diastólicos de 24 horas, a média dos valores sistólicos e diastólicos na vigília e no sono, a carga pressórica e o descenso pressórico sistólico e diastólico no sono. 

Dados de MAPA em crianças têm demonstrado boa correlação com idade cronológica, altura, peso e freqüência cardíaca. Em crianças normotensas, pressões mais elevadas correspondem a períodos de maior atividade física ou mental. O descenso pressórico no sono parece variar entre 8-10% para a pressão sistólica e 15-23% para a pressão diastólica. HARSHFIELD e colaboradores, estudando adolescentes normotensos brancos e negros, demonstraram aumento progressivo das médias pressóricas noturnas sistólica e diastólica, ao longo da adolescência, em indivíduos de cor negra, com predominância do sexo masculino, o mesmo não ocorrendo nos adolescentes brancos. As médias sistólicas na vigília, quando comparadas à pressão sistólica casual, têm demonstrado valores mais elevados, sendo o mesmo fenômeno observado para as médias diastólicas na vigília. A avaliação de crianças hipertensas pela MAPA, têm demonstrado que as horas passadas na escola mostram a maior diferença de pressão média entre crianças normais e hipertensas. Dados semelhantes foram obtidos, comparando-se registros de horas escolares de crianças normotensas, filhas de pais hipertensos e normotensos. Sugere-se que a monitorização contínua de pressão arterial, durante as horas escolares, seja útil na classificação da tendência pressórica na criança. 


Próximo Resumo