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Volume 2 - Número 6 - Ano II (Abr/Mai/Jun de 1999)

IV Congresso Mineiro de Nefrologia

Juíz de Fora, MG
3 a 6 junho de 1999

Perda Crônica da Função Renal Pós-Transplante Renal

Dr. Roberto C. Manfro
Hospital de Clínicas de Porto Alegre
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Porto Alegre, RS.


A sobrevida a curto prazo dos transplantes renais tem aumentado progressivamente desde a instituição desta modalidade terapêutica. No entanto, a partir do primeiro ano pós-transplante, as perdas de enxerto permaneceram estáveis e apenas aproximadamente 30% dos transplantes com rins de doador cadáver estão funcionantes após 10 anos. A rejeição crônica, ou nefropatia crônica do enxerto, é a responsável pela maior parte destas perdas e ela parece originar-se de dois tipos de mecanismos. Os primeiros são os mecanismos dependentes dos aloantígenos tais como a rejeição aguda não completamente curada ou a subclínica e a imunossupressão inadequada. Os mecanismos não dependentes de alonatígenos, podem ser resultantes dos primeiros, por perda de massa renal, ou de outros tipos de injúria ao aloenxerto. Entre estes, os mais importantes são: (a) qualidade do órgão implantado, injúria decorrente da isquemia/reperfusão com a indução de mecanismos pró-fibróticos e inflamatórios e disfunção inicial do enxerto; (b) os efeitos da massa de néfrons diminuída; (c) desordens do metabolismo lipídico, com dano endotelial e aumento a adesão plaquetária e acúmulo de lípides; (d) influência das drogas imunosupressoras em particular ciclosporina, tacrolimus e prednisona e (e) os efeitos da infecção por citomegalovírus pela indução de expressão de antígenos HLA classes I e II e citocinas produzindo dano endotelial e alterações vasculares. A existência destes mecanismos é suportada por uma série de achados experimentais e clínicos tais como a ocorrência de lesões de "rejeição" crônica em isoenxertos e em transplantes entre gêmeos univitelinos. Assim, os estágios precoces da nefropatia crônica do enxerto parecem ser os dependentes dos aloantígenos e são potencialmente reversíveis, já na fases mais tardias operam os mecanismos independentes dos aloantígenos em geral considerados irreversíveis e progressivos. No entanto, intervenções que minimizem os fatores de risco imunológicos ou não-imunológicos podem retardar a progressão da disfunção crônica e melhorar o prognóstico renal a longo prazo.

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