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Volume 2 - Número 6 - Ano II (Abr/Mai/Jun de 1999)

Anti-Glomerular Basement Membrane Nephritis after Extracorporeal Shock Wave Lithotripsy. 
José Roberto Coelho da Rocha
Ex-Professor Assistente da 
Universidade Federal do 
Rio de Janeiro-RJ 
Professor de Nefrologia, 
Instituto de Pos-Graduação
Médica Carlos Chagas e 
Chefe do Servico de Nefrologia, 
Hospital da Beneficência Portuguesa, RJ
AUTORES: Iwamoto, I et al.

ORIGEM: Third Department of Internal Medicine And Department of Urology, Kinki University School of Medicine, Osaka, Japão.

TIPO: Relato de Caso

REVISTA: American Journal of Nephrology, Vol. 18, pgs, 534-537, Dezembro de 1998.

RESUMO: Observamos uma Glomerulonefrite Rapidamente Progressiva em uma mulher de 37 anos de idade, após a administração de Litotripsia Extracorpórea por Onda de Choque ( LECO ) para um cáculo único em rim direito.

A biópsia renal mostrou crescentes celulares difusamente em todos os glomérulos, com depósitos lineares de IgG e C3 ao longo da Membrana Basal Glomerular ( GBM ). Anticorpos anti-GBM circulantes foram detectados poe ELISA, e portanto a paciente recebeu o diagnóstico de Nefrite Anti-GBM.

Sugerimos que a LECO produziu alterações da GBM, levando à produção de anticorpos anti-GBM. 

COMENTÁRIOS: Este é o segundo caso de Nefrite Anti-GBM após LECO, tendo sido, o primeiro, publicado por Guerin et al., no Lancet, em 1990....

A utilização da LECO se popularizou nos últimos anos, pela sua eficiência e baixa morbi/mortalidade, no tratamento da Litíase renal. Após a introdução da LECO, o número de cirurgias para remoção de cálculos reduziu-se significativamente, sendo hoje, o tratamento cirúrgico, considerado exceção e reservado para situações especiais.

O tratamento extracorpóreo, no entanto, não é isento de riscos, como se poderia esperar. Hemorragia renal, Necrose Tubular Aguda, rutura do rim e sepsis, por exemplo, são riscos pequenos, mas já bem definidos desta terapêutica, e ocorrem a cada determinado número de casos.

Já o desenvolvimento de Nefrite anti-GBM tem se mostrado raro, com apenas dois casos relatados até agora. Esta complicação, entretanto, faz muito sentido:

A LECO, em animais, é capaz de induzir hemorragia parenquimatosa, rutura de vasos, trombose venosa e fibrose.

Deste modo, é natural que tamanho insulto traumático contra o rim, leve à liberação de substâncias antigênicas naturais - a partir dos nefrons lesados - que entrarão na circulação sistêmica, muitas vezes em grande quantidade. Em rins de porcos, por exemplo, pode ocorrer proliferação de células mesangiais associada com depósitos de C3, 48 horas após a LECO, demostrando que algum mecanismo de origem imunológica foi iniciado pelo tratamento.

Assim, dadas as condições ideais – um substrato genético adequado, DR2. Em rins de porcos, pode ocorrer proliferação de células mesangiais associada com depósitos de C3, 48 horas após a LECO.

Não é de surpreender que o antígeno responsável por esta Glomerulonefrite, geralmente situado na parte mais interna da lâmina densa glomerular, no colágeno tipo IV, venha a ser liberado, provocando a geração de anticorpos patológicos circulantes, capazes de lesar a membrana basal.

No caso em questão, a paciente apresentou nefrite severa cerca de 3 meses depois da LECO, aparentando realmente uma relação causa-efeito e os autores terminam sugerindo que em pacientes com insuficiência renal pós-LECO, seja verificada a presença de anticorpos anti-GBM.