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Anti-Glomerular
Basement Membrane Nephritis after Extracorporeal Shock Wave Lithotripsy.
José
Roberto Coelho da Rocha
Ex-Professor Assistente
da
Universidade Federal
do
Rio de Janeiro-RJ
Professor de Nefrologia,
Instituto de Pos-Graduação
Médica Carlos
Chagas e
Chefe do Servico de Nefrologia,
Hospital da Beneficência
Portuguesa, RJ
AUTORES: Iwamoto, I et
al.
ORIGEM: Third Department
of Internal Medicine And Department of Urology, Kinki University School
of Medicine, Osaka, Japão.
TIPO: Relato de Caso
REVISTA: American
Journal of Nephrology, Vol. 18, pgs, 534-537, Dezembro de 1998.
RESUMO: Observamos
uma Glomerulonefrite Rapidamente Progressiva em uma mulher de 37 anos de
idade, após a administração de Litotripsia Extracorpórea
por Onda de Choque ( LECO ) para um cáculo único em rim direito.
A biópsia renal mostrou
crescentes celulares difusamente em todos os glomérulos, com depósitos
lineares de IgG e C3 ao longo da Membrana Basal Glomerular (
GBM ). Anticorpos anti-GBM circulantes foram detectados poe ELISA, e portanto
a paciente recebeu o diagnóstico de Nefrite Anti-GBM.
Sugerimos que a LECO produziu
alterações da GBM, levando à produção
de anticorpos anti-GBM.
COMENTÁRIOS:
Este é o segundo caso de Nefrite Anti-GBM após LECO, tendo
sido, o primeiro, publicado por Guerin et al., no Lancet, em 1990....
A utilização
da LECO se popularizou nos últimos anos, pela sua eficiência
e baixa morbi/mortalidade, no tratamento da Litíase renal. Após
a introdução da LECO, o número de cirurgias para remoção
de cálculos reduziu-se significativamente, sendo hoje, o tratamento
cirúrgico, considerado exceção e reservado para situações
especiais.
O tratamento extracorpóreo,
no entanto, não é isento de riscos, como se poderia esperar.
Hemorragia renal, Necrose Tubular Aguda, rutura do rim e sepsis, por exemplo,
são riscos pequenos, mas já bem definidos desta terapêutica,
e ocorrem a cada determinado número de casos.
Já o desenvolvimento
de Nefrite anti-GBM tem se mostrado raro, com apenas dois casos relatados
até agora. Esta complicação, entretanto, faz muito
sentido:
A LECO, em animais, é
capaz de induzir hemorragia parenquimatosa, rutura de vasos, trombose venosa
e fibrose.
Deste modo, é natural
que tamanho insulto traumático contra o rim, leve à liberação
de substâncias antigênicas naturais - a partir dos nefrons
lesados - que entrarão na circulação sistêmica,
muitas vezes em grande quantidade. Em rins de porcos, por exemplo, pode
ocorrer proliferação de células mesangiais associada
com depósitos de C3, 48 horas após a LECO, demostrando
que algum mecanismo de origem imunológica foi iniciado pelo tratamento.
Assim, dadas as condições
ideais – um substrato genético adequado, DR2. Em rins de porcos,
pode ocorrer proliferação de células mesangiais associada
com depósitos de C3, 48 horas após a LECO.
Não é de surpreender
que o antígeno responsável por esta Glomerulonefrite, geralmente
situado na parte mais interna da lâmina densa glomerular, no colágeno
tipo IV, venha a ser liberado, provocando a geração de anticorpos
patológicos circulantes, capazes de lesar a membrana basal.
No caso em questão,
a paciente apresentou nefrite severa cerca de 3 meses depois da LECO, aparentando
realmente uma relação causa-efeito e os autores terminam
sugerindo que em pacientes com insuficiência renal pós-LECO,
seja verificada a presença de anticorpos anti-GBM. |