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Volume 2 - Número 6 - Ano II (Abr/Mai/Jun de 1999)

IV Congresso Mineiro de Nefrologia

Juíz de Fora, MG
3 a 6 junho de 1999

Terapia Renal Substitutiva na Insuficiência Renal Aguda

Dr. João Milton Martins de Oliveira Penido
Instituição: Hospital Semper S/A
Belo Horizonte


A experiência com o trauma agudo e a progressiva evolução técnico-científica dos cuidados para a prevenção da Insuficiência Renal Aguda (IRA) é projetada historicamente com os estudos iniciais de Bywaters e Bell, através do reconhecimento do fenômeno "IRA e o Trauma Agudo," durante a Segunda Guerra Mundial. Já nos anos cinqüenta, havia indícios de que a IRA era uma condição auto-limitada, quando Swan e Merril alcançaram uma melhora da sobrevida de seus pacientes utilizando o rim artificial. 

De uma maneira geral, diante de pacientes com IRA instalada, as taxas de mortalidade permanecem significativamente elevadas apesar do avanço técnico e científico voltado para o suporte a doentes no CTI. Medidas de proteção renal devem merecer atenção especial em todos os pacientes com riscos potenciais para o desenvolvimento da IRA. Estas medidas, visam a otimização de parâmetros fisiológicos fundamentais para pacientes críticos, quando oportunamente adotadas, parecendo ser mais eficazes do que o tratamento. 

No CTI, onde os pacientes estão fisiologicamente instáveis, com heterogenicidade diagnóstica, com diferentes faixas etárias e condições outras de comorbidade, torna-se necessário o desenvolvimento de uma atividade conjunta entre intensivistas e nefrologistas para o estabelecimento de parâmetros de proteção renal e indicação do tratamento dialítico, em momento oportuno. Usualmente, indica-se a hemodiálise convencional para pacientes com IRA não complicada. Os métodos dialíticos contínuos (métodos de equilíbrio) estão indicados para pacientes com instabilidade hemodinâmica, dependentes de respiração mecânica e permitem maior flexibilidade na administração de nutrição parenteral, em oligoanúricos. Assim sendo, a otimização da volemia de pacientes críticos pode ser precisamente regulada com a terapia dialítica contínua. Na prática, prescreve-se a hemodiálise lenta venovenosa contínua, a hemofiltração venovenosa contínua e a hemodiafiltração venovenosa contínua. A diálise peritoneal contínua é também um método de equilíbrio mas não é a rotina do serviço. É importante ressaltar que os procedimentos dialíticos contínuos no CTI exigem a permanência de enfermagem habilitada à beira do leito do paciente.

Cabe ao nefrologista indicar o método dialítico mais apropriado para cada ocasião, prescrevendo e monitorando o procedimento e a evolução clínica do paciente, adotando medidas preventivas do agravamento da instabilidade pré existente. A via de acesso utilizada é o catéter venoso de dupla luz sendo as membranas dialisadoras biocompatíveis. A heparinização deve ser otimizada.. Os procedimentos com hemofiltros, essenciais na maioria das situações, são onerosos dificultando sua prática corrente em nosso meio. As soluções de diálise devem ser individualizadas, entretanto, na maioria dos casos utiliza-se a soluções a 1,5% infundida no dialisador a velocidade de 1litro/hora. A velocidade da bomba de sangue situa-se entre 100-150ml/minuto. O uso de dialisadores no programa de ultrafiltração requer aumento da pressão transmembrana criando-se resistência venosa ao fluxo de sangue ou aumentando-se a altura da coluna do dialisador em relação ao coletor do ultrafiltrado. Diante da hemofiltração, o melhor parâmetro para aferição do sistema é observar a velocidade de ultrafiltração sendo que valores maiores que 10ml/min indicam boa eficácia do método. A vida útil do filtro pode ser prolongada lavando-se o sistema com salina a 0,9%.

Quanto à adequação em terapia dialítica contínua, não existe ainda um consenso em relação ao método mais apropriado para o cálculo da dose ideal de diálise nos pacientes com IRA. Sabidamente, o KT/V e URR são métodos amplamente utilizados na IRC, mas muitas variáveis, presentes no curso evolutivo da IRA, podem influenciar o resultado. O índice de redução de solutos (SRI) é considerado padrão ouro de aferição da dose de diálise. O SRI mede a quantidade de uréia removida durante o tratamento, enquanto o KT/V e URR medem a mudança fracional da concentração de uréia no sangue. O SRI não é influenciado pela distribuição intercompartimental, modo de terapia (HD convencional ou de alto fluxo), ou o tipo de cinética adotado. Estudos têm demonstrado que para solutos de baixo peso molecular a hemodiálise contínua alcança um clearance acima de 16ml/minuto. A adequação para outras categorias de solutos (diferenças no peso molecular) irá depender da espessura da membrana utilizada, da interação soluto membrana e do mecanismo proposto para a depuração (convecção, difusão, adsorção). Deve-se também otimizar a prescrição de drogas para todos os pacientes com IRA em terapia dialítica seja convencional ou contínua.

Concluindo: os métodos contínuos têm como meta a remoção de solutos de baixo peso molecular, moléculas médias e proteínas de baixo peso molecular, incluindo os mediadores de inflamação.

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