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Volume 2 - Número 6 - Ano II (Abr/Mai/Jun de 1999)

IV Congresso Mineiro de Nefrologia

Juíz de Fora, MG
3 a 6 junho de 1999
Insuficiência Renal Aguda Secundária a Doenças Infecciosas
Mauricio Younes
Prof Adjunto Nefrologia FCM-UERJ
Pesquisador Associado CNPq- 2B
Coordenador Adjunto do Curso de Mestrado em Nefrologia - UERJ


As doenças infecto-contagiosas são causas frequentes de IRA, sobretudo nos países tropicais onde a precariedade sanitária associada às condições climáticas e ambientais favorecem a proliferação e a sobrevida de diferentes vetores, responsáveis pela transmissão de inúmeros agentes infecciosos. Mais recentemente, segundo os especialistas da OMS (Organização Mundial da Saúde), modificações do clima mundial decorrentes do efeito estufa poderão ocasionar consequências ambientais irreversíveis causando um grande aumento na morbidade e na mortalidade da população mundial devido às doenças infecciosas. Como apontam os modelos matemáticos, uma elevação média de 1° a 2°C na temperatura do globo permitirá aos vetores, sobretudo os insetos e roedores, uma expansão das zonas geográficas de suas atividades, provocando epidemias variadas, inclusive em países industrializados. No Brasil, doenças infecciosas como dengue, febre amarela, malária, tétano, leptospirose, cólera, hantavirus e demais viroses emergentes, entre outras, são potencialmente causadoras de IRA.

Paralelamente, a eclosão mundial da SIDA, das hepatites infecciosas e das bactérias multiresistentes integram um cenário variado de infecções ameaçadoras à função renal e à vida. Para muitas destas infecções não se dispõe ainda de prevenção através de vacinas e o arsenal terapêutico atual nem sempre é eficaz no combate aos agentes infecciosos.

A origem do desenvolvimento da IRA no curso das doenças infecciosas pode ser didaticamente dividida em: Pré-renal, devido a existência de um estado de hipovolemia e/ou septicemia; Renal, em consequência a um acometimento glomerular ou tubulo-intersticial, com presença frequente de necrose tubular aguda, associada a nefrotoxinas, anóxia ou isquemia prolongada; Pós-Renal, por obstrução resultante da precipitação intra-tubular, seja de metabólitos orgânicos, seja de cristais decorrentes do uso de antimicrobianos.

Analisaremos aqui alguns aspectos clínico-laboratorias peculiares de certas IRAs, com destaque para o padrão sérico de ácidos graxos livres apresentado pelos pacientes com IRA por leptospirose e suas correlações com a hipocalemia, a icterícia e os níveis de creatinina sérica.

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