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Volume 1- Número 6- Ano I (Outl/Nov/Dez de 2000)

IV Congresso Mineiro de Nefrologia

Juíz de Fora, MG
3 a 6 junho de 1999

Microhematúrias na Infância

Dra. Maria Goretti M.G. Penido
Unidade de Nefrologia Pediátrica - Hospital das Clínicas - Faculdade de Medicina - UFMG


As hematúrias isoladas, ditas monossintomáticas, configuram alterações do trato urinário e merecem especial atenção pela frequência cada vez maior entre os diagnósticos nefrológicos pediátricos.

É definida como a eliminação de um número considerado anormal de hemácias na urina, apresentando-se de forma permanente ou recorrente. O limite de normalidade para a microhematúria depende da técnica utilizada e deve ser definida quantitativamente. Alguns autores consideram esse limite como a presença de 5 ou mais hemácias por campo de grande aumento, após centrifugação. Outros consideram um número superior a 10 hemácias por campo. À microscopia com contraste de fase a quantificação da hematúria é feita por ml de urina e o número limite continua discutido (8000hemácias/ml de urina).

O mecanismo intrínseco das hematúrias permanece obscuro, entretanto, sabe-se que podem ter origem glomerular ou não glomerular. Identificar uma e outra origem é necessário e apropriado para que os exames complementares sejam bem direcionados. Para tal, são fundamentais uma boa história e exame clínicos dando ênfase a: característica clínica da hematúria, associação com outros sinais e sintomas clínicos, história familiar positiva e o uso ou não de medicamentos anticoagulantes.

O exame da urina concentrada récem emitida é método simples e não invasivo, através do qual confirma-se o diagnóstico e estuda-se a morfologia das hemácias. O padrão morfológico das hemácias analisado à microscopia de contraste de fase e o número de linhagens diferentes encontrado, aliados a presença de proteinúria, microalbuminúria e cilindrúria hemática delinearão o caminho a seguir na propedêutica, culminando ou não na biópsia renal.

Até há algum tempo o diagnóstico de hematúria na infância estava diretamente ligado às anormalidades anatômicas do trato urinário, infecções urinárias e às desordens tubulointesticiais e glomerulares renais. As alterações metabólicas não figuravam como causa de hematúria. Hoje a hipercalciúria e a hiperuricosúria idiopáticas são responsabilizadas por hematúria macro e microscópica, ainda que não associada à doença litiásica renal. Assim sendo, durante a abordagem da hematúria na infância deve-se sempre ter em mente a possibilidade dessas alterações metabólicas.

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