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Professora Dinah
Profa Dinah: Nesse aspecto, eu gostaria de dizer o quanto vocês foram importantes. Fiz a minha formação de clínica geral e aí fui pra Araçatuba. Fui clinicar, mas quando eu saí de lá, a Inah, que está aqui, falou: "olha, tem uma bolsa pra França e você pode escolher o que fazer". Falei: "bom eu vou fazer nefrologia" e pedimos a bolsa. De repente a bolsa saiu e foi uma coisa meio súbita entendeu? A bolsa que eu tinha pedido no término da minha residência saiu pra mim e saiu pra ela. Ela (Profa Inah) não sei o porquê desistiu e eu fui. Primeiro fui para Hospital Broussais, com o Professor Paul Milliez, pessoal que até trabalhava com hipertensão, mas o estágio lá não foi bom. O estágiario lá ficava como um expectador, é um tipo de estágio que não funciona em medicina. O estágio como expectador pra médico não funciona, todo mundo sabe. Então, quando terminou meu primeiro estágio, fui fazer um curso oficial, que naquele tempo se chamava Atualidades Nefrológicas, no Hospital Necker com Hamburger. Era um dos melhores cursos de atualização nefrológica. Fiz um curso muito bom e naquela ocasião pedi mais uma prorrogação de bolsa mas o Hamburger não tinha condição, então eu fui pro Hospital Hotel Deieu com o Professor Legrain que trabalhava com diálise. Ele era um cara mais animado e no fundo o estágio foi um pouco melhor. Pascoal: Isso era em que ano? Profa Dinah: Isso foi em setembro de 62. Bom, naquela época, os hospitais na França eram muito diferentes. O Hospital Hotel Dieu era um hospital feito em 1100, gótico e era todo improvisado com cortinas como a gente tinha antigamente nas nossas Santa-Casas, certo, e os exames físicos dos pacientes eram feitos na frente de todo mundo, muito devassada, uma coisa incrível. Fazia toque retal, toque vaginal, tudo na frente de todo mundo, você entendeu? Era um hospital lindo, você olhava de fora, coisa maravilhosa; era um hospital que tinha uma unidade de diálise. O Legrain era um indivíduo que, naquela época, era de ponta na diálise. Era uma unidade com muita diálise peritoneal e pouco de hemodiálise. Com relação à hemodiálise, eu gostaria de dizer que vi nascer a hemodiálise no Brasil. Quando era residente, eu via o Tito carregar as panelas, porque ele fazia hemodiálise em panela, pelos corredores. Via o Tito, que foi um professor com relacionamento ético primoroso, uma pessoa maravilhosa dando os primeiros passos na implantação da hemodiálise. Sebastião: Quanto tempo a senhora ficou na França? Profa. Dinah: Eu fiquei 1 ano lá. Naquela ápoca a nefrologia estava nascendo e não existia residência de nefrologia na USP. Só veio a existir vários anos depois. Acho que na Escola Paulista também não tinha residência em nefrologia. Então, a maior parte dos primeiros nefrologistas, eram clínicos que foram aprender nefrologia fora do país. Sebastião: Nesse início não tem uma participação do Paraná? Profa.Dinah: Também, com o Molinare. Foram eles que começaram e, em São Paulo, o Emil e o Marcelo Marcondes. Quando eu fiz residência só tinha de clínica geral na USP. Marcelo fez residência de clínica geral, depois foi fazer doutorado em nefrologia. Não sei se o Oswaldo foi a mesma coisa... Eles eram clínicos e se trasnformaram em nefrologistas, geralmente a partir de um estágio fora. Inah: Nós somos companheira das mais antigas! Eu conheci a Dinah como lutadora sempre, em diferentes frentes na faculdade e fora dela. Nos separamos um pouco quando fomos fazer residência de segundo ano pois eu fui pra segunda médica, que era do Decourt, e ela foi pro Cintra, que era a primeira clínica médica. Eu me entusiasmei muito pela nefro porque eu tinha o Dr. Magaldi que foi considerado um pai da nefrologia brasileira. Ele conseguia mostrar a Nefrologia não só como uma especialidade, mas uma clínica de visão futura. Foi através desse convívio com o Dr. Magaldi e depois também com o Emil que veio de fora, que me entusiasmei pela Nefrologia e foi quando falei pra Dinah pra nós irmos pro Necker. A minha bolsa foi a primeira que saiu naquele ano, mas infelizmente ou felizmente não sei dizer aí, eu já estava casada e meu marido não quis ir. Ou eu ia sozinha ou eu desistia da bolsa. Até hoje uma das coisas que eu sinto, e muito, é que eu devia ter ido sozinha. Mas não fui. Sebastião: Nenhum homem merece esse sacrifício! (protestando e iniciando um debate paralelo) Inah: Eu a acompanhei muito nesses tempos todos pois sou uma admiradora enorme da Dinah. Vocês são de muito menos tempo que eu e tem algumas coisas da Dinah que eu não entendi mesmo. Para Botucatu ela trouxe todo aquele cabedal de sentimento humano, que é enorme e que mais pontos conta na vida da Dinah. Ela é uma pessoa fabulosa do ponto de vista de amigo, de família e um ser humano fantástico. Mas a Dinah também é muito idealista e, dentro deste ideal, se envolveu e talvez ficou muito dentro dele. De repente, o que mais me intriga na Dinah foi ela ter se aposentado! Jamais me conformei com isso, já perguntei inúmeras vezes pra ela e nunca a Dinah conseguiu me convencer das razoes apontadas. Este negócio de dizer que precisa abrir, dar novas oportunidades...num departamento cujo espírito era tão democrático...Mas eu tenho duas perguntas assim objetivas: primeiro, se ela acha que atualmente a faculdade tem o mesmo pique que tinha anteriormente e segundo, se ela vê hoje houvesse necessidade de abertura de uma nova faculdade, se seria possível encontrar gente, como houve na época, que foi criado Botucatu, pra fazer esta nova faculdade surgir com as mesmas condições de Botucatu? Profa Dinah: As coisas se modificam. O tempo modifica muito. Eu acho que as circunstâncias são diferentes, mas eu acredito que os seres humanos conservam em si mesmos essas potencialidades. O ser humano tem uma enorme potencialidade. Várias vezes, aqui na faculdade, quando eu era diretora ouvi dizer que o aluno não é mais a mesma coisa. Aluno tem que ter visto em outro contexto hoje, assim como o docente. Eu ouvia o pessoal dizendo: esses Centros Acadêmicos só fazem festinha. Mas bastou ter uma crise na Universidade e, de repente, o Conselho Universitário estava cercado de alunos de Botucatu, aqueles mesmos alunos que todo mundo dizia estarem só fazendo festinhas. Na verdade, o momento é muito complicado, e estamos inseridos numa cultura de individualismo, de procura de realização pessoal... mas, a essência está lá,a essência está aí, ela não deixou de existir. As pessoas que estão dentro da Faculdade estão lutando, tenho certeza que estão lutando. Talvez um pouco mais individualistas, transitoriamente, mas têm condições de voltar a serem coletivas, de terem um projeto coletivo. Acho, por exemplo, que é escandaloso o BNDES dar um bilhão e trezentos reais para Ford se implantar! Isso é um escândalo! Quantas das nossas bibliotecas não recebem nenhum dinheiro para poderem subsistir? Só adquiriram qualidade depois de muito esforço das instituições. Inah: O que você está falando é o privilégio de poucos em detrimento de muitos. Será que existiria uma Operação Andarilho por conta disso? Alguma escola hoje faria uma Operação Andarilho por conta da situação das suas bibliotecas ou de outras coisas necessárias? Profa Dinah: Olha, eu acho que faria! A história não para e não para porque o homem não para! Temos uma percepção equivocada, a medida que envelhecemos, de que o jovem não tem os mesmos ideais. Mas ele tem lá dentro do seu interior. Acho que a geração que está aí precisa segurar a peteca para não ir para trás. Agora, só tentando segurar a peteca não vai, a juventude tem que avançar também. Tem que observar o princípio de que isso aqui eu não largo, isso aqui que eu já conquistei ou o que a geração anterior conquistou, não posso perder porque depois eu não recupero. Sebastião: Professora eu queria voltar na senhora. Quantos irmãos? Profa Dinah: Cinco, nós somos seis. Sebastião: Quantos médicos? Profa Dinah: Nenhum, só eu. Sebastião: Os pais da senhora... Profa. Dinah: Meu pai era fazendeiro, minha mãe era professora mas nunca exerceu a atividade de professora, só dona de casa. Sebastião: A senhora quis ser médica desde criança? Profa. Dinah: Desde. Nasci numa cidade muito pequenininha de Goiás, Buriti Alegre. Sebastião: A senhora é goiana?(espantado) Profa. Dinah: Sou goiana. Fica perto.... Sebastião: ....Perto de Uberlândia! Profa. Dinah: Fica perto de Uberlândia. Nasci em Buriti Alegre e tinha um primo que era médico da cidade, A cidade tinha dois médicos um meio afastado e meu primo um médico novinho. Ele tinha chegado na cidade e eu perambulava com ele, me levava com ele. Eu tinha 8, 9, 10 anos ele me levava. Ele foi a primeira pessoa que me falou em Claude Bernard, imagina, menina de 10 anos alguém falando nisso!. Ele era um absoluto apaixonado pela medicina, uma paixão absoluta. Acabei ficando encantada com a profissão e quis fazer isso. Vi tudo, desde parto até dar choque pra tratar depressão... naquele tempo faziam isso! Sebastião: E a família incentivava? Profa Dinah: A minha família sempre me deu o maior apoio. Eu sempre estudei fora de casa. Quando a minha família mudou pra Araçatuba, meu pai que era fazendeiro, praticamente fez o ciclo dos fazendeiros que chegaram até o noroeste do estado. Eles passaram por Barretos e depois se instalaram em Araçatuba. Na passagem ele já me deixou num colégio interno em São Paulo, porque não tinha escola em Araçatuba. Terminei minha formação do segundo grau no Colégio Sion, em São Paulo, e aí eu fiquei a vida inteira em São Paulo, praticamente.
Sebastião: A senhora ainda acredita que é possível um professor viver dignamente com dedicação exclusiva e tempo integral numa faculdade? Profa. Dinah: Olha essa questão é muito importante. Acontece o seguinte: é dificil, principalmente, para quem tem família. Hoje eu me ponho na situação das pessoas que tem família e, se não tiver nenhum complemento, fica muito difícil a sobrevivência. Se a gente pega unicamente o valor do salário de um professor federal ou de um professor estadual é meio complicado. Agora, o tempo integral para a Universidade é fundamental pois crescem o rendimento, o envolvimento e tudo isso é muito bom. E se voce estiver somente dedicando à Universidade você também poderá ter uma visão da realidade extra-muros se tiver um serviço bem implantado e conectado à comunidade. O tempo integral é muito importante! Aqui, na faculdade, foram encontradas alternativas. O tempo integral é suplementado com uma parcela do SUS pois ele está exercendo uma atividade médica, ele está prestando serviço. O excesso de atendimento que ele faz não pode ser contabilizado somente como atividade docente. Sebastião: É sempre muito complicado explicar isso para as outras áreas da Universidade... Profa. Dinah: É preciso que eles entendam...O nosso regimento da universidade permite que os professores de outras áreas dem aulas em outras Faculdades, agrônomo dê assessoria e ganhe por ela... A Universidade ainda não percebeu como ela pode multiplicar a sua capacidade em várias áreas. Sei disso porque fui do Conselho Universitário. Tem condições de multiplicar a eficácia em vários setores. Excetuando essa questão de vender serviço pro público isso eu sou totalmente contrária. Sebastião: Como? Eu não entendi... Profa Dinah: Eu sou totalmente contrária, por exemplo, colocar doentes particulares dentro do hospital público, eu acho que disvirtua o Hospital! Sebastião: Mas o Hospital das Clínicas em São Paulo tem uma experiência dessa há anos! Profa. Dinah: Os procuradores do estado estão muito certos de brecar isto. A gente sabe como é a questão da apropriação do público pelas camadas mais privilegiadas da sociedade. Acontece fatalmente! O hospital público é pra todos. Do Antônio Ermínio de Moraes até ao bóia fria. Se o Antônio Hermínio de Moraes quiser ficar ele terá que se submeter as mesmas condições que o outro. Sei por experiência dessa Faculdade e por experiência pessoal que, mesmo sendo dificil é perfeitamente possível dar um atendimento médico de qualidade e dígno para todos num hospital público Universitário. Sebastião: Eu estou vendo ali na estante Mafalda, do Quino, o que a senhora lê fora da medicina? Profa. Dinah: A Mafalda é da Cecília, Príncipe Valente também é dela. Olha eu sou uma desorganizada com leitura. Leio tudo que passa na minha frente, até bula de remédio! Gosto muito de história, adoro história e gosto muito de sociologia. Leio muito... Sebastião: Costuma ler a história da versão oficial ou a investigativa? Profa. Dinah: Leio tudo! O que vier... eu leio muito a história universal. Gostaria que Hobsbaum tivesse produzido 1000 livros porque eu nunca ia acabar de ler o Hobsbaum. Leio um pouquinho de teoria econômica, um pouco de história do Brasil, história contemporânea e literatura... Sebastião: Estou vendo ali muitos discos de vinil, a senhora já aderiu ao CD? Profa. Dinah: Aderi. Os CDs estão dentro dessas gavetinhas. (rindo) Sebastião: Correto, mas a senhora ouve o que? Profa. Dinah: Eu ouço muito música popular brasileira em geral, instrumental e música clássica também. Gosto muito dos barrocos. Sebastião: Uma moda de viola nem pensar? Profa. Dinah: Ah.... eu gosto do Renato Teixeira, viu? Gosto muito e acho ele ótimo. Tem também o Almir Sater Sebastião: Sertanojo não? ( NR: A palavra Sertanojo foi soprada pela Profa Cecília, ao lado) Profa. Dinah: Não! (rindo) Sebastião: Lá em Minas Gerais a gente adora essas coisas Profa. Dinah: Almir Sater e Renato Teixeira eu gosto muito, eu acho lindas as músicas do Renato Teixeira. É uma riqueza! Fernanda: Várias vezes a senhora foi homenageada pelo alunos como patrona, paraninfa... Por outro lado a senhora montou pela primeira vez no Brasil um modelo de glomeronefrite nefrotóxica em animais experimentais. Eu queria saber, em termos de retorno emocional, qual foi mais importante pra senhora: a pesquisa ou o ensino? Profa. Dinah: A gente está inserida numa Faculdade que pressupõe transmissão e a geração de conhecimento, são as duas coisas fundamentais! São altamente imbricadas, não se excluem e são altamente relacionadas. Quando um aluno te encosta na parede é maravilhoso, maravilhoso! O aluno é como criança... é sempre surpreendente! Ele vê aspectos que você não enxergou, te estimula e te provoca. O aluno é essência da atividade da gente, altamente compensador! A pesquisa também foi compensadora porque é muito bonita, se inserindo em tudo, procurando o motivo, as razões.... Aprendi a fazer soro lá em Ribeirão e lá, eles não estudavam glomeronefrite, e sim a lesão pulmona. Devo dizer para você que fui a primeira pessoa a fazer o conjugado para estudar imunofluorescência nas minhas glomeronefrites... pra poder aprender, tive que fazer isso. Achava, naquela época, que grandes partes das glomeronefrites eram auto imunes e teriamos que procurar essa auto imunidade nas várias glomeronefrites. Existiam trabalhos interessantíssimos e aí eu fui pra Ribeirão Preto. Aprendi um pouco do método, vim pra cá e aqui tinha uma estrutura de anatomia patológica consistente. Dava para tentar iniciar. Conseguimos montar, Marcelo Fabiano de Franco e eu um método pra pesquisar anti-corpo anti-membrana basal glomerular e fui estudar a glomeronefrite que esse anti-corpo provocava. Nesta época não conseguia que os benditos dos serralheiros de Botucatu fizessem uma gaiola metabólica. Aí veio o Akioshi,aluno com tempo suficiente para ir no serralheiro todo dia! Os primeiros experimentos foram construidos graças a uma partilha impressionante. Atualmente nós temos uma estrutura muito melhor, talvez a gente tenha em termos de Brasil, uma das estruturas melhores de pesquisa, mas até hoje ainda enfrentamos problemas. Gostaria de lembrar, Fernanda, que procurávamos aproveitar todo tipo de oportunidade que o ambiente da Faculdade propiciava. Estava muito claro que, durante algum tempo, não teríamos condições de fazer pesquisa clínica com profundidade mas havia necessidade de implantá-la para que o método científico fosse sendo incorporado. Mas, mesmo no início, conseguimos fazer propostas até certo ponto inovadoras, como a dieta de Giovanetti modificada, a "dieta de Botucatu" Como eu já disse, a opção de investir na pesquisa experimental foi imediata pela sua fundamental importância e também porque era a única que, usando os recursos dos laboratórios já existentes do departamento, da biofísica, da imunologia e da anatomia patológica, poderia ser realizada com rigor científico e se aproximar do que era realizada nos laboratórios de ponta e por fim, a motivação não faltava. O estudo das glomerulonefrites era e continua sendo um grande desafio intelectual e científico. Deu certo, já os dois primeiros trabalhos sobre o método montado e sobre nefrite nefrotóxica foram publicados e o segundo premiado nos congressos nacional e latinoamericano e pela Academia Nacional de Medicina. As características da cidade e a cooperação da Medicina Preventiva levaram-nos a realizar pesquisas epidemiológicas na área de hipertensão, sendo os trabalhos de campo realizados por alunos coordenados por um deles, o Renato e supervisionados pelo Chico, e os exames clínicos realizados por toda a disciplina. E todos vocês, Fernanda, paulatinamente, foram ampliando, aprofundando, descobrindo suas linhas preferenciais, montando métodos, criando áreas e refinando a pesquisa. É isso aí! Fernanda: Quantas vezes a senhora foi homenageada, quantas vezes a senhora foi patrona e paraninfa? Profa. Dinah: Entre patrono e paraninfa eu acho que fui umas dez vezes e homenageada umas.... Todos completam na hora: Cem!!!! Sebastião: Eu estou aqui do lado da senhora e toda vez que se refere à Faculdade, sinto um entusiasmo e seus olhos enchem de lágrimas... essa emoção acompanha a senhora em tudo? Profa. Dinah: Eu acho que a Faculdade é a expressão de um país que cresce, que tem ideal, de um país que é muito bom mas que é desmerecido... A Facukdade é um pedacinho desse país... (emocionada) Sebastião: Apesar de todos os problemas... Profa. Dinah: É, com todos os problemas e com essa gente maravilhosa que faz as coisas acontecerem, apesar das dificuldades. Cecília: A Dinah agora faz parte da ação da cidadania de Botucatu. Eu sou Cecília, companheira, colega e moro com ela há quase trinta anos. (NR: se identificando, após solicitação) Agora, como ela está aposentada, se inseriu na ação da cidadania de Botucatu e tem algumas coisas que ela gosta de fazer nesta atividade. A Dinah é a intelectual da ação da cidadania. Mas tem certas atividades que ela não gosta de fazer, por exemplo: vender bingo, vender cartela para arrecadar fundos! (Todos riem) Sebastião: Tudo menos isso!!! Cecília. É. Agora ela gosta de opinar, e sempre dá opiniões interessantes, tem uma queda para ser tesoureira nos eventos...ela é caixa e fica vendendo nos eventos. Nos dias 25 e 26, na festa junina da Associação dos Servidores da UNESP, ela vendeu as cartelas das pizzas que nós estávamos fazendo, (gargalhadas gerais) Ela se solidariza muito, acompanha tudo o que ação da cidadania faz, embora ela se considere não muito atuante, mas eu acho que ela dá um bruto respaldo de criatividades, de idéias muito interessantes.... é isso que eu queria falar! Sebastião: Nós precisamos encerrar, a entrevista já está longa e eu vou precisar editar bastante.... Franco: Eu gostaria de prestar um depoimento do porquê escolhemos fazer Nefrologia. Eu, como aluno e depois como residente, escolhi fazer Nefrologia, fazer carreira docente, por causa realmente da Dinah e pela oportunidade que ela dá às pessoas que estão ao seu redor, de crescer e de ter a liberdade de crescer! Fui muito mais seduzido pela pessoa da Dinah do que propriamente pela disciplina ou pela especialidade em si.
Jaqueline: Eu queria que você falasse de uma saudade que você tem ao longo de sua vida e de seus planos para o ano 2000. Profa. Dinah: Você queria que eu falasse de uma saudade pessoal ou de uma saudade institucional? Saudade pessoal eu tenho uma enorme dos meus pais. Só quem perdeu os pais é que sabe, pois fica uma coisa que não cicatriza nunca.... E saudade institucional eu tenho do tempo em que eu vivia 24 horas com vocês. Essa também é uma saudade também dificílima de cicatrizar viu? Quer dizer, a gente tenta, põe uns bandaids mas não cura. Sebastião: Professora, vou fazer uma pergunta e fotografa-la ao mesmo tempo. Na resposta a senhora tem que dar um sorriso! É bom ser fazendeira? Profa Dinah: Quebrada é péssimo!. Quebrada é horroroso!! (gargalhadas gerais) Haberman: É por tudo isso que a disciplina se sente muito honrada. Todos nós temos o maior respeito por toda essa luta que você fez, formando, fundando esta disciplina de nefrologia, belíssima disciplina, que hoje o Sebastião, aqui conosco, possibilitou mais uma vez permitir ouvir o seu coração de uma maneira tão bela. Acho que foi a principal reunião da disciplina de nefrologia de toda a sua história, desde 1970. Profa Dinah: Obrigada. (muito emocionada) NR: Um magnífico almoço espera por nós...delicioso. Os leitores estão servidos? :))) |