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Volume 1- Número 5 - Ano II (Jan/Fev/Mar 1999)

Um Minuto Fora da Medicina
Carlos Alberto Jorge (*)

(*) Advogado e Professor de Linguagem 
Forense (Curso Dominus). Graduado em Letras Neolatinas 
Universidade Federal de Uberlândia, MG. Brasil 

 
  • Mais de um paciente COMPARECEU ou COMPARECERAM ao consultório?

  • COMPARECEU!

    Cada ramo do saber tem suas manhas, suas particularidades. A lógica matemática gritaria: mais de um paciente não são dois, três, mil? Então plural, certo? Errado! A lógica gramatical é outra. É convencional. E estabelece: sujeito introduzido por "mais de", o verbo concorda com o termo seguinte.
    Mais de uma crinça recebeu vacina.
    Mais de cinco crianças receberam vacina.

    Atenção! Havendo reciprocidade, plural obrigatório:
    Mais de um amigo se cumprimentaram.
    Mais de um senador se insultaram.

  • José Luiz de SOUSA ou SOUZA?

  • AMBAS AS FORMAS ESTÃO CORRETAS.

    O quê? Sim, por serem nomes próprios. E a grafia dos nomes próprios (até certo ponto) é livre: Cleusa/Cleuza, Neusa/Neuza. Fato raro: a norma gramatical costuma não dar moleza. É vertical, imperativa, nada democrática. Mas a Gramática (Ortografia ) não se omite. E dá suas ordens aos nomes comuns: depois de ditongo, não tem apelo, é S!
    Assim: pausa, coisa, paisagem, lousa.
    Por isso, a preferência é por SOUSA, com S.
    E LUIZ/LUÍS? Por coerência, tanto faz. Só que, desta vez, a preferência ortográfica é pelo primeiro LUIZ, com Z e sem acento.
    A etiologia, digo, a etimologia (origem das palavras) explica...
     

  • Os abaixo-assinados VIMOS ou VIEMOS solicitar?

  • AS DUAS FORMAS SÃO PROCEDENTES. 

    Mas há uma diferença substancial entre elas: a primeira reflete uma ação atual; a segunda, uma ação passada.
    Assim: os abaixo-assinados vimos (hoje, tempo presente)
               os abaixo-assinados viemos (ontem, tempo pretérito)

    E "os abaixo-assinados vêm ou vieram"?
    Do mesmo modo, ambas estão corretas. 
    A primeira, no tempo presente, a segunda no pretérito. Só que, desta vez, estamos fazendo a concordância diretamente com o sujeito explícito ("os abaixo-assinados") e não indiretamente, com o termo oculto ("nós"), quando se configura Silepse (concordância com a idéia e não com a forma gramatical).
    Exemplos de silepse: Os mineiros somos hospitaleiros.
                                            Campos (cidade) é linda.
     

  • AVIA-SE receitas ou AVIAM-SE receitas?

  • A ÚLTIMA FORMA: AVIAM-SE RECEITAS.

    O verbo é transitivo direto. Não tem preposição. A frase está na voz passiva. Logo, o seu sujeito é paciente da ação verbal. Receitas não agem, não aviam (preparar o medicamento prescrito). Receitas são aviadas (por alguém, termo ativo).
    E, como o verbo acompanha o sujeito, se este for plural ("receitas"), o verbo deverá também ser plural ("aviam").
    Outros: Aplicam-se injeções.
                  Alugam-se apartamentos.
                  Colhem-se flores.
    Mas atenção! Nada de "precisam-se de operários";   "assistem-se a filmes".
    Como se vê, tais verbos estão preposicionados. São Transitivos Indiretos. E aí a conversa é outra...
     

  • Pí-lu-las
  • "O nacionalismo é uma doença infantil. É o sarampo da humanidade"

  • (Einstein)
  • "Pus toda a minha genialidade a serviço de minha vida; de minha arte, apenas o talento"

  • (Oscar Wilde - o filme homônimo, baseado no romance "Retratos de Dorian Gray", está chegando ao Brasil)
  • "Não há mágicas. O sucesso se baseia numa boa equipe. Gente faz a diferença"

  • (Zaremba)
  • "Sucesso: conseguir o que se quer. Felicidade: querer o que se conseguiu"

  • (Lair Ribeiro)
  • "Uma idéia é verdadeira até que alguém a imponha"

  • (Ionesco - um dos pais do Teatro do Absurdo)