Mais
de um paciente COMPARECEU ou COMPARECERAM ao consultório?
COMPARECEU!
Cada ramo do saber tem suas
manhas, suas particularidades. A lógica matemática gritaria:
mais
de um paciente não são dois, três, mil? Então
plural, certo? Errado! A lógica gramatical é outra. É
convencional. E estabelece: sujeito introduzido por "mais de", o verbo
concorda com o termo seguinte.
Mais de uma
crinça recebeu vacina.
Mais de cinco
crianças receberam vacina.
Atenção! Havendo
reciprocidade, plural obrigatório:
Mais de um amigo se cumprimentaram.
Mais de um senador se insultaram.
José
Luiz de SOUSA ou SOUZA?
AMBAS AS FORMAS ESTÃO
CORRETAS.
O quê? Sim, por serem
nomes próprios. E a grafia dos nomes próprios (até
certo ponto) é livre: Cleusa/Cleuza, Neusa/Neuza. Fato raro: a norma
gramatical costuma não dar moleza. É vertical, imperativa,
nada democrática. Mas a Gramática (Ortografia ) não
se omite. E dá suas ordens aos nomes comuns: depois de ditongo,
não tem apelo, é S!
Assim: pausa,
coisa, paisagem, lousa.
Por isso, a preferência
é por SOUSA, com S.
E LUIZ/LUÍS? Por
coerência, tanto faz. Só que, desta vez, a preferência
ortográfica é pelo primeiro LUIZ, com Z e sem
acento.
A etiologia, digo, a etimologia
(origem das palavras) explica...
Os
abaixo-assinados VIMOS ou VIEMOS solicitar?
AS DUAS FORMAS SÃO
PROCEDENTES.
Mas há uma diferença
substancial entre elas: a primeira reflete uma ação atual;
a segunda, uma ação passada.
Assim: os abaixo-assinados
vimos
(hoje, tempo presente)
os abaixo-assinados viemos (ontem, tempo pretérito)
E "os abaixo-assinados vêm
ou vieram"?
Do mesmo modo, ambas estão
corretas.
A primeira, no tempo presente,
a segunda no pretérito. Só que, desta vez, estamos fazendo
a concordância diretamente com o sujeito explícito ("os abaixo-assinados")
e não indiretamente, com o termo oculto ("nós"), quando se
configura Silepse (concordância com a idéia e não com
a forma gramatical).
Exemplos de silepse: Os
mineiros somos hospitaleiros.
Campos (cidade) é linda.
AVIA-SE
receitas ou AVIAM-SE receitas?
A ÚLTIMA FORMA:
AVIAM-SE RECEITAS.
O verbo é transitivo
direto. Não tem preposição. A frase está na
voz passiva. Logo, o seu sujeito é paciente da ação
verbal. Receitas não agem, não aviam (preparar o medicamento
prescrito). Receitas são aviadas (por alguém, termo ativo).
E, como o verbo acompanha
o sujeito, se este for plural ("receitas"), o verbo deverá também
ser plural ("aviam").
Outros: Aplicam-se injeções.
Alugam-se apartamentos.
Colhem-se flores.
Mas atenção!
Nada de "precisam-se de operários"; "assistem-se
a
filmes".
Como se vê, tais verbos
estão preposicionados. São Transitivos Indiretos. E aí
a conversa é outra...
Pí-lu-las
"O nacionalismo é uma
doença infantil. É o sarampo da humanidade"
(Einstein)
"Pus toda a minha genialidade
a serviço de minha vida; de minha arte, apenas o talento"
(Oscar Wilde - o filme homônimo,
baseado no romance "Retratos de Dorian Gray", está chegando ao Brasil)
"Não há mágicas.
O sucesso se baseia numa boa equipe. Gente faz a diferença"
(Zaremba)
"Sucesso: conseguir o que se
quer. Felicidade: querer o que se conseguiu"
(Lair Ribeiro)
"Uma idéia é verdadeira
até que alguém a imponha"
(Ionesco - um dos pais do
Teatro do Absurdo)