Guarujá
14-16
de maio de 1999
Resumos das palestras ocorridas
durante o encontro sobre:
Tratamento Conservador
na IRC- Aplicações Clínicas dos Cetoácidos.
Observações
Sérgio
Draibe
Prof.
Titular UNIFESP-SP
Sob o patrocínio da
empresa Fresenius Kabi, realizou-se de 14 a 16 de maio último no
Guarujá, o Workshop "Tratamento Conservador da IRC. Aplicação
Clínica dos Cetoácidos, que contou com 04 palestras, 01 mesa
redonda, 01 simpósio e 01 fórum. Foram ressaltados, entre
outros, os aspectos epidemiológicos da IRC no Brasil, critérios
mínimos para atribuiçào de etiologia de IRC, fatores
de progressão de lesão renal, fisiopatologia das alterações
clínicas da IRC e propostas para a implantação de
centros de tratamento conservador em nosso meio. O resumo dessas diferentes
palestras e exposições estão sendo paulatinamente
colocadas nessa edição do MedOnLine. Algumas considerações
a respeito:
-
É notória a falta
de uma agência epidemiológica de caráter regional/nacional,
para que se possa verificar em números mais precisos, as incidência
e prevalência das diferentes etiologias que causam IRC e assim poder
atuar prevenindo os casos que chegam à fase terminal da IRC.
-
Os diagnósticos etiológicos
mais difíceis de serem dados ficaram por conta da GNC, Nefrosclerose
Hipertensiva não maligna e Nefropatia Túbulo-Intersticial
Crônica (englobando a Pielonefrite Crônica). Não se
chegou a discutir os critérios mínimos para o estabelecimento
de diagnóstico dessas três entidades. Continuo com a opinião
pessoal que os casos duvidosos devem ficar com o diagnóstico de
Indeterminado, até que surja um consenso sobre os critérios
para as atribuições. Nos países desenvolvidos, cerca
de 50% dos diagnósticos de GNC são feitos através
de biópsia renal, geralmente realizada antes de o paciente estar
em fase avançada de IRC. Os patologistas presentes, entretanto acham
possível distinguir entre GNC e Nefrosclerose Hipertensiva em até
80% das biópsias realizadas em rins contraídos. Vale a pena
tentar fazer esse diagnóstico retrospectivo?
-
A pesquisa sobre fatores de
crescimento que estão envolvidos na progressão da lesão
renal trás a possibilidade futura de intervenção terapêutica.
Merece destaque a importância do TGF-B na progressão da lesão
renal de diferentes etiologias, em particular na nefropatia diabética.
-
Vários grupos de tratamento
conservador se manifestaram, relatando suas atividades e estrutura. Esses
grupos geralmente pertencem a universidades ou hospitais de grande porte
que atendem um grande número de pacientes. Ficamos de implementar
um endereço no site da SBN para cadastramento dos núcleos
interessados no assunto.
-
As possibilidades de intervenção
do nefrologista no curso da IRC se concretizam em duas fases precisas da
evolução da doença renal:
quando o paciente é
portador de doença renal inequivocamente progressiva, mas ainda
com aumentos discretos da creatinina plasmática;
quando o paciente já
se encontra em fase avançada de IRC, com creatinia plasmática
3 a 4 vezes seu valor normal.
No 1o caso trata-se
de evitar a progressão com dietas e tratamento anti-hipertensivo
eficaz; no 2o, evitar o aparecimento do síndrome urêmico,
com medidas semelhantes mas com maior ênfase no tratamento dietético.
Nos dois casos, há necessidade de um acompanhamento nutricional
realizado por nutricionista; ambos necessitam de tratamento efetuado por
equipe médica, principalmente enfermeira, psicóloga, endocrinologista
(Diabete Mélito) e cirurgião vascular. Essas duas atividades
nos pareceu ser atribuições específicas da especialidade
nefrológica, posto que o médico clínico de uma unidade
básica de saúde, embora pratique prevenção
da progressão da lesão renal ao tratar corretamente a hipertensão
arterial de um paciente, não dispõe da tempo e equipe para
as demais atividades acima citadas.
-
Os centros universitários
e grandes hospitais já constituem centros integrados de nefrologia,
praticando tratamento conservador na medida em que os pacientes ali atendidos
já dispõem de todos os especialistas citados. Discutiu-se
a possibilidade de os centros de diálise se transformarem em centros
nefrológicos. Não se chegou a um consenso final mas aventou-se
a hipótese de que o tratamento conservador seja acoplado ao tratamento
dialítico, com remuneração específica, mas
acoplada ao pagamento do procedimento dialítico.
-
Finalmente, discutiu-se informalmente
a possibilidade de realização de um novo encontro nessa área,
tratando agora mais dos aspectos de intervenção: dietas específicas,
suplementações calórico-protéicas, preservação
do estado de hidratação do paciente urêmico, tratamento
anti-hipertensivo, papéis da enfermeira, nutricionista e psicóloga
(o), acesso vascular, exposição ao paciente dos diferentes
métodos dialíticos, transplante renal antes da diálise,
etc..
Próxima
palestra
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