| AUTORES:
Nissensson,A. R.
ORIGEM
: Dept. of Medicine, Division of Nephrology, UCLA School of Medicine, Los
Angeles, California, EUA.
TIPO:
Artigo
de Revisão
REVISTA
: Kidney International, Vol. 53, Suppl. 66, pgs. S-7 a S-10,
Maio de 1998
RESUMO
:
Insuficiência renal aguda ( IRA ) na UTI é definida como a
queda abrupta da filtração glomerular, resultante de isquemia
ou de injúria tóxica aos rins. A IRA, frequentemente, é
apenas uma das várias falências de órgãos presente
nesta população de pacientes.
Evidências recentes
sugerem que existem quatro grandes fatores responsáveis pela iniciação
e pela manutenção da IRA. Estes seriam : queda da permeabilidade
capilar glomerular, retrodifusão do filtrado glomerular, obstrução
tubular e vasoconstrição intrarenal. Tanto a injúria
celular letal como a sub-letal tem sido encontradas na IRA, sendo a primeira
relacionada à necrose ou apoptose.
A vasoconstrição
intrarenal, relacionada à uma alteração do equilíbrio
entre a endotelina e o óxido nítrico derivado do endotélio,
tem recebido atenção considerável como sendo um dos
mais importantes mecanismos contribuintes para a patogênese da IRA,
com manobras terapêuticas destinadas a recuperar o equilíbrio
habitual e assim aliviar a vasoconstrição intrarenal.
Se esta conduta mostrar-se
eficaz, o prognóstico final, para estes pacientes em graves condições,
pode melhorar substancialmente.
COMENTÁRIOS
: A procura por novas medidas de prevenção e terapêutica
da IRA, baseada nos novos conhecimentos sobre as alterações
hemodinâmicas e tubulares desta síndrome são absolutamente
justificáveis, considerando-se a alta prevalência e morbi-mortalidade
da IRA nos dias atuais.
Diversas modalidades terapêuticas
já foram tentadas buscando-se a melhora das alterações
hemodinâmicas, tais como o uso de vasodilatadores (bloqueadores de
canais de cálcio, IECA, aminofilina, dopamina e fator atrial natriurético),
substâncias inibidoras de potentes vasoconstritores (inibidores da
endotelina e da angiotensina) e estimulantes da síntese de NO (L-arginina).
Todas estas substâncias funcionaram a nível experimental,
porém, alguns ensaios clínicos não foram bem sucedidos.
Por outro lado, outros medicamentos
foram utilizados, objetivando-se melhorar ou atenuar as alterações
tubulares e celulares. Destacam-se o furosemide e manitol, na tentativa
de desobstruir túbulos renais obstruídos por debris celulares
e proteínas. Embora em alguns casos, possa se obter aumento do volume
urinário, estes diuréticos não modificam a evolução
natural da IRA.
Outras substâncias
foram utilizadas, tentando-se acelerar a recuperação das
células tubulares. Neste grupo, ressaltam-se os fatores de crescimento,
principalmente, o IGF-1 (Insulin growth factor-1). Este hormônio
e outros como, o EGF (epidermal growth factor) e HGF (Hepatocyte growth
factor) foram capazes de acelerar a recuperação da IRA isquêmica
experimental, entretanto, recentes ensaios clínicos com o IGF-1
falharam em demonstrar efeitos benéficos na IRA humana.
Estudos genéticos
e de biologia molecular, tem procurado elucidar os mecanismos celulares
da expressão de genes e proteínas envolvidas nos processos
isquêmicos e tóxicos. Talvez, estes novos conhecimentos possam
permitir o desenvolvimento de medidas efetivas de prevenção
e tratamento da IRA, medidas estas que, infelizmente, ainda não
dispomos.
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COMENTÁRIOS:
Luis
Yu
Prof.
Livre Docente de Nefrologia da FMUSP
Coordenador
do Grupo de IRA / UTI do Serviço de Nefrologia do HCFMUSP
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