Copyright  © 2000 Medicina On line - Revista Virtual de Medicina
Volume 1- Número 5 - Ano II (Out/ Nov/ Dez 1998)
Acute renal failure: Definition and pathogenesis
AUTORES: Nissensson,A. R.

ORIGEM : Dept. of Medicine, Division of Nephrology, UCLA School of Medicine, Los Angeles, California, EUA.

TIPO: Artigo de Revisão

REVISTA : Kidney International, Vol. 53, Suppl. 66, pgs. S-7 a S-10, Maio de 1998

RESUMO : Insuficiência renal aguda ( IRA ) na UTI é definida como a queda abrupta da filtração glomerular, resultante de isquemia ou de injúria tóxica aos rins. A IRA, frequentemente, é apenas uma das várias falências de órgãos presente nesta população de pacientes. 

Evidências recentes sugerem que existem quatro grandes fatores responsáveis pela iniciação e pela manutenção da IRA. Estes seriam : queda da permeabilidade capilar glomerular, retrodifusão do filtrado glomerular, obstrução tubular e vasoconstrição intrarenal. Tanto a injúria celular letal como a sub-letal tem sido encontradas na IRA, sendo a primeira relacionada à necrose ou apoptose.

A vasoconstrição intrarenal, relacionada à uma alteração do equilíbrio entre a endotelina e o óxido nítrico derivado do endotélio, tem recebido atenção considerável como sendo um dos mais importantes mecanismos contribuintes para a patogênese da IRA, com manobras terapêuticas destinadas a recuperar o equilíbrio habitual e assim aliviar a vasoconstrição intrarenal.

Se esta conduta mostrar-se eficaz, o prognóstico final, para estes pacientes em graves condições, pode melhorar substancialmente.

COMENTÁRIOS : A procura por novas medidas de prevenção e terapêutica da IRA, baseada nos novos conhecimentos sobre as alterações hemodinâmicas e tubulares desta síndrome são absolutamente justificáveis, considerando-se a alta prevalência e morbi-mortalidade da IRA nos dias atuais. 

Diversas modalidades terapêuticas já foram tentadas buscando-se a melhora das alterações hemodinâmicas, tais como o uso de vasodilatadores (bloqueadores de canais de cálcio, IECA, aminofilina, dopamina e fator atrial natriurético), substâncias inibidoras de potentes vasoconstritores (inibidores da endotelina e da angiotensina) e estimulantes da síntese de NO (L-arginina). Todas estas substâncias funcionaram a nível experimental, porém, alguns ensaios clínicos não foram bem sucedidos. 

Por outro lado, outros medicamentos foram utilizados, objetivando-se melhorar ou atenuar as alterações tubulares e celulares. Destacam-se o furosemide e manitol, na tentativa de desobstruir túbulos renais obstruídos por debris celulares e proteínas. Embora em alguns casos, possa se obter aumento do volume urinário, estes diuréticos não modificam a evolução natural da IRA. 

Outras substâncias foram utilizadas, tentando-se acelerar a recuperação das células tubulares. Neste grupo, ressaltam-se os fatores de crescimento, principalmente, o IGF-1 (Insulin growth factor-1). Este hormônio e outros como, o EGF (epidermal growth factor) e HGF (Hepatocyte growth factor) foram capazes de acelerar a recuperação da IRA isquêmica experimental, entretanto, recentes ensaios clínicos com o IGF-1 falharam em demonstrar efeitos benéficos na IRA humana. 

Estudos genéticos e de biologia molecular, tem procurado elucidar os mecanismos celulares da expressão de genes e proteínas envolvidas nos processos isquêmicos e tóxicos. Talvez, estes novos conhecimentos possam permitir o desenvolvimento de medidas efetivas de prevenção e tratamento da IRA, medidas estas que, infelizmente, ainda não dispomos. 

 

COMENTÁRIOS:
Luis Yu
Prof. Livre Docente de Nefrologia da FMUSP
Coordenador do Grupo de IRA / UTI do Serviço de Nefrologia do HCFMUSP