| AUTORES:
Kühn K, Haas-Wörle A, Lutz-Vorderbrügge A e Felten H.
ORIGEM
:
I. Medizinishe Klinik, Klinikum Karlsruhe, Kalsruhe, Alemanha
TIPO:
Artigo de Revisão
REVISTA
: Kidney International, Vo. 53, Suppl. 64, pgs. S50 – S53, 1998.
RESUMO
:
As modalidades terapêuticas nas síndromes nefróticas
precisam considerar (a) as doenças glomerulares subjacentes como
tambem (b) as complicações extrarenais.
Ocasionalmente, uma insuficiência
renal aguda pode ocorrer com base numa síndrome nefrótica
desconhecida; se uma doença glomerular primária for demonstrada
à biópsia, a terapia imunosupressora é a opção.
No diabetes tipo I e tipo
II, o desenvolvimento de síndrome nefrótica grave é
geralmente irreversível. Para evitar a rápida deterioração
da função renal, a terapêutica antihipertensiva é
o tratamento de escolha neste estádio da doença.
O tratamento das doenças
glomerulares com síndrome nefrótica grave inclui frequentemente
a Doença de Lesão Mínima recurrente, que pode ser
tratada com prednisona 1 mg/kg/dia, até que a ocorra remissão.
Para prolongamento da remissão, o uso de ciclofosfamida 2 mg/kg/dia
por oito semanas ou, alternativamente, ciclosporina A, 3 a 5 mg/kg por
seis meses.
Nas Glomeruloescleroses Focais
esteróide-resistentes, o tratamento com ciclofosfamida 2.5 mg/kg/dia
por oito semanas ou o uso de ciclosporina A 3 a 5 mg/kg/dia por seis meses,
podem induzir remissões completas em até 20% dos pacientes.
Nas Glomerulopatias Membranosas
com síndrome nefrótica grave, o uso de prednisona por 1 mês,
seguido por clorambucil por outro mês ( ao todo 6 meses ), melhora
o resultado renal final, se comparado com controles.
Alternativamente, pode-se
usar ciclofosfamida 2 mg/kg/dia associado a 30 mg/dia de prednisona, por
uns dois meses.
As complicações
extrarenais da síndrome nefrótica grave são : edema,
tromboembolismo e anormalidades lipídicas. Se os pacientes nefróticos
forem resistentes a diuréticos de alça administrados por
via oral, este podem ser utilizados na veia, combinando-se com tiazídicos
por via oral.
Finalmente, pacientes nefróticos
com níveis de albumina sérica menores do que 20 g/L ( 2.0
g% ) devem ser anticoagulados rotineiramente e a hiperlipemia tratada com
inibidores de HMG-CoA redutase.
COMENTÁRIOS
:
Os autores abordam um importante problema da prática nefrológica
que é a conduta frente ao quadro de síndrome nefrótica
severa, frequentemente associada a complicações renais ou
extra-renais.
O estado de anasarca por
hipoalbuminemia abaixo de 2g/dl pode ser bastante refratário à
terapêutica diurética convencional e por via oral; nesta situação,
a absorção pela via digestiva pode estar muito comprometida
pelo edema da mucosa e por outros fatores locais. A administração
de furosemide intravenoso em altas doses e de modo intermitente deve ser
recomendada, com o devido controle dos desequilíbrios eletrolíticos.
Albumina humana intravenosa
, plasma e outros expansores similares devem estar estritamente indicados
nas raras situações de hipovolemia efetiva com hipotensão
arterial , ou sinais de hipoperfusão tecidual, que podem ocorrer
na crise nefrótica em crianças. O uso de albumina endovenosa
com intuito de aumentar a natriurese está desaconselhado por ser
pouco eficiente e de alto custo, além de propiciar maior proteinúria
.
Em situações
extremas de edema nefrótico severo associado à disfunção
renal , está indicada a ultrafiltração, procedimento
de baixo risco e bem tolerado, mesmo com a retirada de grandes volumes.
Na população de nefróticos idosos pode ocorrer uma
complicação temida, que é a necrose tubular aguda,
possivelmente decorrente de distúrbios hemodinâmicos, aqui
se incluindo o uso excessivo de diuréticos de alça.
Complicações
troemboembólicas na síndrome nefrótica felizmente
não são frequentes a ponto de se justificar a anticoagulação
profilática. O uso de anticoagulantes orais costuma ser problemático
em pacientes nefróticos, devido aos distúrbios da farmacocinética
desencadeados pela hipoalbuminemia. Em nosso Serviço, temos dado
preferência à heparina de baixo peso molecular por via subcutânea,
quando existir a indicação de anticoagulação
a longo prazo, após o evento trombótico. Da mesma forma,
não temos adotado o emprego rotineiro de estatinas para o controle
da hiperlipidemia, a não ser em pacientes de elevado risco para
a ocorrência de doença cardiovascular.
Finalmente, o tratamento
das doenças glomerulares subjacentes continua sendo um formidável
desafio para os nefrologistas. Com exceção da nefropatia
por lesões mínimas, que responde bem aos esquemas descritos
no artigo, as demais glomerulopatias frequentemente são refratárias
aos imunossupressores.
Citando-se o exemplo da glomerulonefrite
membranosa, sabe-se que é elevado o percentual de remissões
espontâneas ao longo dos anos, não existindo realmente nenhum
consenso na literatura mundial sobre a eficácia dos esquemas propostos
para seu tratamento.
Uma importante tarefa a este
respeito, será a de identificar o grupo de pacientes mais suscetíveis
para a progressão da doença e colocá-lo em estudos
controlados e de longo seguimento. |