| AUTORES:
Schena, FP.
ORIGEM
: Institute of Nephrology, University of Bari, Policlinico, Bari, Italia.
TIPO:
Artigo
de Revisão
REVISTA
: Kidney International, Vol. 53, Suppl. 66, pgs. S-11 a S-15,
Maio de 1998
RESUMO
:
A recuperação da insuficiência renal aguda ( IRA )
isquêmica ou nefrotóxica necessita a substituição
das células tubulares danificadas por outras novas, para restaurar
o epitélio renal.
O processo de reparo envolve
um grande número de fatores de crescimento, produzidos no tecido
renal que participam como reguladores autócrinos ou parácrinos
deste processo. Os objetivos desta revisão são três:
-
focalizar o papel de fatores
de crescimento locais, tais como EGF, TGF-alfa, IGF-1, HGF e TGF-beta
na regeneração renal, imediatamente após um insulto
agudo. Recptores para estes fatores de crescimento tem sido encontrados
nas células epiteliais, nas células intersticiais medulares
e nos glomérulos. Estes mediadores tem uma atuação
importante no reparo renal, promovendo proliferação de células
tubulares.
-
Apresentar uma revisão
dos dados que suportam a administração destes fatores de
crescimento em modelos animais de IRA e a possibilidade de usar estes mediadores
em humanos, com a intenção de acelerar o processo de recuperação
renal, de diminuir a morbidade e mortalidade e de reduzir os custos do
tratamento multidisciplinar.
-
Finalmente, são discutidas
as possibilidades de introduzir terapêuticas de suporte destinadas
a alvos específico, tais como peptídeos RGD para reduzir
a obstrução intratubular, o fator atrial natriurético
para melhorar as alterações da hemodinâmica glomerular,
e a terapêutica celular, como o túbulo renal bioartificial,
em associação com a diálise.
COMENTÁRIOS
:
O artigo de Schena obriga-me
a fazer analogia com a excelente conferência realizada por Judah
Folkman do Children de Boston, em outubro/98, durante o congresso da American
Society of Nephrology.
Ao apresentar a conferência
sobre fatores angiogênicos relacionados com os tumores afirmou: "Se
você for um rato nos saberemos tratá-lo, impedindo e reduzindo
o crescimento do seu tumor..."(sic!). O mesmo está acontecendo quanto
ao tratamento da IRA: "Se você é um rato em IRA, isquêmica
ou nefrotóxica, teremos varias manobras terapêuticas para
evitar, minimizar e mesmo curar a sua IRA..." . Em outras palavras, várias
manobras terapêuticas tem sido utilizadas em modelos experimentais
sem que seja possível transportá-las para o arsenal terapêutico
humano no tratamento da IRA.
O trabalho "Anaride in acute
tubular necrosis" de Allgren e cols. (NEJM 336:828,97) já é
um clássico exemplo mostrando que o ANF ou ANP não reduz
a mortalidade da IRA em humanos, sendo que a sobrevida comparado com o
placebo é semelhante (43 vs. 47%). Talvez nos oligúricos
houvesse indicação destas substâncias, com maior sucesso,
pois seu uso aumentaria a sobrevida de 8% (placebo) para 27% (ANF).
O mesmo diz respeito fatores
de crescimento de uma maneira geral e ao TGF-Beta. Os "trials" iniciais
mostram que os resultados são, no mínimo, medíocres
(MKSAP: Nephrol and Hypertension, p. 241,98 - aliás excelente literatura
para up-to-date - e no livro IRA de Schor, Boim e Santos/97).
Isto não invalida
nem mesmo deve reduzir a libido na busca de melhores alternativas do tratamento
da IRA.
Neste mesmo congresso da
ASN, na Philadelphia, David Humes, de Ann Harbor, mostrou seu modelo de
rim artificial onde utiliza filtros (hollow fibers) semeados com células
tubulares como proposta de melhor diálise para os pacientes com
IRA.
Assim, vamos andando !!!
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COMENTÁRIOS:
Prof.
Dr. Nestor Schor, Professor Titular de Medicina-Nefrologia da UNIFESP/EPM,
Chefe do Departamento de Medicina UNIFESP/EPM
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