| AUTORES:
Locatelli,F; Pontoriero,G e Di Filippo,S.
ORIGEM
:
Dpt. of Nephrology, Hospital of Lecco, Lecco, Itália.
TIPO:
Artigo de Revisão
REVISTA
: Kidney International, Vol. 53, Suppl. 66, pgs. S-151 a S-155,
Maio de 1998.
RESUMO:
O equilíbrio de eletrólitos durante a insuficiência
renal aguda ( IRA ) tratada com técnicas convectivas contínuas,
tais como hemofiltração artériovenosa contínua
(CAVH) e suas variações, é muito dependente da concentração
plasmática de eletrólitos disponíveis para a ultrafiltração,
do ritmo de ultrafiltração e da composição
da solução de reposição.
Como a concentração
de sódio sanguíneo medida pela potenciometria (Na+P)
e a concentração de sódio total no ultrafiltrado são
muito semelhantes, o Na+P pode ser utilizado como o valor de
sódio ultrafiltrado, para se escolher a correta concentração
de sódio para a solução de substituição.
Na CAVH, o ultrafiltrado
contém cerca de 3 mEq/L de cálcio e 1 mEq/L de magnésio,
que precisam ser repostos, pela solução de reposição,
para impedir a hipocalcemia e a hipomagnesemia. Adicionalmente, se o potássio
plasmático estiver normal, 3 a 4 mEq/L de potássio devem
ser adicionados ao líquido de substituição para evitar
hipocalemia.
Embora convecção
e difusão estejam combinadas na hemodiálise contínua,
o transporte de solutos é feito principalmente por convecção;
a remoção de cálcio e sódio, entretanto, é
influenciada substancialmente por suas concentrações no banho
de diálise, e os riscos de hipomagnesemia e hipocalemia podem ser
atenuados ajustando-se as concentrações de magnésio
e potássio da solução de diálise, para níveis
próximos daqueles do plasma.
Como pacientes em estado
crítico tendem a desenvolver hipofosfatemia, induzida pela diálise,
é necessário monitorizar os níveis de fosfato e, se
necessário, fornecer este elemento.
Como estes procedimento são
contínuos, podem ocorrer graves alterações da homeostase
hidro-eletrolítica, se não houver vigilância e monitorização
cuidadosa da prescrição.
COMENTÁRIOS
: Desde abril de 1992 temos tido a oportunidade de manter
um programa de suporte à insuficiência renal aguda utilizando
métodos contínuos, no Hospital Pró-Cardíaco,
no Rio de Janeiro.
Desde então passamos
por algumas fases que valem ser ressaltadas, pois espelham os comentários
que achamos pertinentes ao artigo em questão.
A primeira delas vai de abril
de 1992 a julho do ano seguinte quando o único método disponível
era CAVH (hemofiltração) de reposição (ou diluição)
pré-hemofiltro (para tentar reduzir o aumento do hematócrito
interno e aumentar a meia-vida do hemofiltro), com grandes dificuldades
operacionais até para o simples cálculo do fluxo de sangue;
desde então utilizamos hemofiltros de PAN 69 e soluções
de reposição de cristalóide modificadas conforme as
concentrações padrões de eletrólitos desejadas.
Além das dificuldades
com a patência de acesso vascular e o fluxo de sangue compatível
com o método, tivemos várias outras, com o próprio
método gravitacional, que à beira-do-leito, apresentava problemas
no controle da anticoagulação com heparina não-fracionada.
Quando as taxas desejadas
de ultrafiltração elevadas que caracterizam a hemofiltração
eram alcançadas, sobravam problemas com anticoagulação
e hipotermia, além de acidose quando o tampão lactato infundido
não era convertido, a nível hepático, na velocidade
necessária. Assim que conseguimos a aquisição de material
adequado (bombas próprias para métodos contínuos),
modificamos a estrutura de treinamento dos médicos- intensivistas
e enfermeiras-intensivistas, de forma a se familiarizarem com o método
extracorpóreo contínuo e alteramos radicalmente nossa orientação
de hemofiltração artério-venosa para hemodiafiltração
veno-venosa, sempre privilegiando o caráter contínuo.
Caracterizaram ainda esta
fase, a manutenção de monitoração hemodinâmica
invasiva em quase a totalidade dos pacientes que apresentavam alto nível
de gravidade admissional, além da substituição da
heparina não-fracionada pela heparina de baixo peso molecular (enoxiparine
20 a 40 mg no set arterial em bolus, seguido por 10 a 20 mg de 6/6 horas),
em que pese o não-acompanhamento laboratorial preciso (apenas grosseiras
alterações de PTT, pois mesmo a monitoração
de atividade anti-Xa não está calibrada para este método
de aplicação do fármaco).
As soluções
de reposição deram lugar ao uso de soluções
industrializadas (Hospal – HEMOSOL) e modulares que permitiam tanto infusão
quanto diálise; mantínhamos QB variando de 80 a 150 ml/min
e QD 15 a 33 mL/min. Assim fomos de 1993 até 1995, quando foi introduzido
um equipamento de permitia controlar precisamente, por peso e fluxo, as
taxas de ultrafiltração, tornando bastante preciso o controle
volêmico. Até hoje mantemos o uso de membrana polimérica
de acrilonitrila com as características operacionais já apresentadas
com grandes facilidades operacionais para o suporte do paciente com falência
renal aguda em contexto de disfunção de múltiplos
órgãos.
Os desvios intracelulares
de fosfato são corrigidos com infusão intravenosa em paralelo,
sendo marcantes nos pacientes com hiperglicemia ou em uso de insulina;
a calemia é compensada por difusão ; a calcemia e a magnesemia,
parcialmente por difusão e reposição venosa . Um profundo
entrosamento com a Nutrologia permite um melhor equílíbrio
entre o tratamento crítico intensivo, o suporte nutricional (muitas
vezes orientado por calorimetria indireta) e o suporte nefrológico
que está inserido no contexto da rotina clínica do Centro
de Tratamento Intensivo.
Assim, o artigo em análise
talvez careça de um ponto de perspectiva que os especialistas de
trabalho em equipe chamam de transdisciplinaridade, em que uma função
perspassa a outra, potencializando o resultado final.
É o caso de reunirmos
intensivistas, nefrologistas, nutrologistas e tantos mais em um grande
somatório de competências. . |
COMENTÁRIOS
Prof.
João Luiz Ferreira Costa, Nefrologista Intensivista e Professor
Auxiliar da UNIRIO. Responsável pela Rotina do CTI do Hospital Pró
Cardíaco, RJ
|