| AUTORES:
Zobel, G.; Rödl, S; Urlesberger, B; Kuttnig-Haim, M e Ring, E.
ORIGEM
: Depts. Of Pediatrics and Neonatology, University of Graz,
Graz, Austria.
TIPO:
Artigo de Revisão
REVISTA
: Kidney International, Vol. 53, Suppl. 66, pgs. S-169 a S-173, Maio de
1998
RESUMO
: Os autores descrevem sua experiência com terapêutica
de substituição renal contínua (CRRT) em crianças
recém-nascidas, em condições graves.
De junho de 1985 a junho
de 1997, 36 crianças e recém-nascidos gravemente doentes,
oligúricos ou anúricos, receberam suporte renal veno-venoso
( N=15 ) ou artério-venos (N= 17). Adicionalmente, quatro recém-nascidos
foram tratados com ultrafiltração contínua (CUF) durante
oxigenação extra-corpórea por membrana (ECMO), por
causa de hipervolemia grave, resistente à diuréticos.
A idade média foi
de 9.8 ± 1.5 dias e o peso corporal médio foi de 3.0 ±
0.1 kg. A área de superfície de membrana dos hemofiltros
variou de 0.015 m2 a 0.2 m2 e o volume de "priming"
variou de 3.7 a 15 ml.
Para a hemofiltração
por bomba, utilizamos uma bomba de rolete, com alarmes de pressão,
cata-bolha, detetor de bolhas e linhas de sangue pequenas. O equilíbrio
hídrico foi ajustado por uma unidade controlada por microprocessador.
O líquido de substituição de ultrafiltração
baseou-se em bicarbonato na maioria dos pacientes, e foi substituído
parcial ou completamente, de acôrdo com a situação
clínica.
A duração média
de suporte renal foi de 97 ± 20 horas, variando de 14 a 720 horas.
Durante a hemofiltração
veno-venosa e artério-venosa, os fluxos sanguíneos médios
foram de 7.0 ±
1.2 ml/min e 23.1 ± 2.4 ml/min (P<0.01)
respectivamente, e a ultrafiltração média foi de 3.3
±
0.4 e 9.5 ± 1.9 ml/min/2 (P<0.01) respectivamente.
Durante a hemodiafiltração
contínua os "clearances" de uréia aumentaram em 300%.
A sobrevida geral foi de
66%. As complicações relacionadas à CRRT incluiram
sangramento local no orifíco de entrada do catéter, trombose
parcial da veia cava superior ou inferior e isquemia transitória
secundária aos catéteres de artérias femurais.
A hemofiltração
contínua, seja no modo artério-venoso ou veno-venoso é
um método muito eficaz para suporte renal de recém-nascidos
gravemente doentes, controlando o equilibrio hídrico e as alterações
metabólicas. O "clearance" de uréia pode ser melhorado, adicionando-se
banho de diálise, em contra-corrente à direção
do fluxo de sangue.
COMENTÁRIOS
: A experiência desses autores é excelente. Uma
sobrevida de 66% realmente é muito acima do obtida em outras séries,
que é em torno de 30%-60%.
Os autores consideram a técnica
muito fácil, mas na nossa realidade a utilização desses
métodos nas UTIs neonatais é bastante difícil (desde
a obtenção e manutenção de acesso vascular
funcionante em RN, até a deficiência de pessoal com qualificação
técnica para cuidar do método nas 24 horas).
Consideramos a CRRT, portanto,
como uma terapêutica de exceção, para ser empregada
quando a diálise peritoneal contínua (utilizando catéter
de Tenckhoff ou dreno de tórax de silicone) não tiver sucesso.
A técnica da diálise
peritoneal contínua consiste na colocação cirúrgica
do catéter com omentectomia. O procedimento é realizado por
um cirurgião pediátrico na própria UTI neonatal.
O volume de líquido
peritoneal é de 20 ml/kg por banho, sendo a concentração
de glicose geralmente de 2,5 g% a 3,5 g% dependendo da necessidade de ultrafiltração(UF).
Se necessário adicionamos potássio. A permanência é
em geral de 10 a 15 min e a UF por banho é em torno de 5-10 ml.
A manutenção do procedimento é muito fácil,
com o sistema de drenagem acoplado a uma bureta.
Mantemos a diálise
continuamente, modificando a permanência e a concentração
de glicose, de acordo com a clínica, até a recuperação
do neonato. Este procedimento é seguro -não ocasionando instabilidade
hemodinâmica- e fácil de ser utilizado em todas as UTIs.
Em alguns pacientes, entretanto,
este método não pode ser realizado, como por exemplo se houver
enterocolite ou outra causa que impeça a colocação
do cateter. Também, nos casos em que houver falência de múltiplos
órgãos , a CRRT passa a ser então o melhor procedimento,
apesar de suas dificuldades técnicas. |
COMENTÁRIOS:
Profa.
Dra. Clotilde Garcia Doutora em Clínica Médica - Mestre em
Nefrologia, Professora Adjunta de Nefrologiada Fundação Faculdade
Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre, Responsável
pelo Serviço de Nefrologia Pediátrica do Complexo Hospitalar
Santa Casa de Porto Alegre
|