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Volume 1- Número 5 - Ano II (Out/ Nov/ Dez 1998)

Editorial da Coluna
José Roberto Coelho da Rocha
José Roberto Coelho da Rocha, Ex-Professor Assistente da 
Universidade Federal do Rio de Janeiro-RJ Professor de Nefrologia, 
Instituto de Pos-Graduação Médica Carlos Chagas e Chefe do Servico de 
Nefrologia, Hospital da Beneficência Portuguesa, RJ. 
Com a concordância do Editor do Medonline, pretendemos apresentar aqui uma série de resumos de artigos sobre a Critical Care Nephrology (CCN), que podemos traduzir livremente por Nefrologia Intensiva
( NI). 

As unidades de tratamento intensivo (UTI) foram introduzidas na Medicina americana na década de 60, como as Intensive Care Units (ICU) ou Critical Care Units, com a intenção de juntar, em um mesmo ambiente, os pacientes em estado mais grave, facilitando assim a supervisão e o tratamento destes pacientes críticos.

Com os avanços da Medicina clínica, permitindo melhor compreensão de mecanismos fisiopatológicos envolvidos nestas patologias graves e o aparecimento de diversas tecnologias apropriadas para o monitoramento e a terapêutica de pacientes críticos, estas unidades cresceram em complexidade e importância dentro do sistema hospitalar. 

As primeiras unidades frequentemente eram chefiadas por grupos ligados à anestesiologia, uma demonstração clara da importância dos problemas respiratórios e das dificuldades de lidar com os complicados aparelhos de respiração artificial da época. Com o passar dos anos, a atividade dos médicos ligados à estas unidades foi reconhecida como uma sub-especialidade, a dos intensivistas, já com formação específica e não mais ligada à origem anestesiológica.

Deve-se notar que o têrmo inicialmente utilizado pela Medicina americana foi "Intensive Care Unit", diferentemente do Brasil, emfatizando não o tratamento em sí, mas os cuidados (care) aos quais pacientes desta gravidade devem ser submetidos. Estes cuidados podem ser definidos, em síntese, como aqueles que visam sempre:
antecipar os problemas clínicos, atuar para evitá-los, reconhecer precocemente as patologias intervenientes e agir de imediato, sempre que necessário. Assim, numa ICU, a enfermagem e o pessoal para-médico são tão ou mais importantes do que o médico, sendo treinados especificamente para atingir os objetivos acima. Por este conceito, de modo geral, uma UTI é tanto melhor quanto mais competente for a enfermagem e o pessoal para-médico que ali trabalha.

Por outro lado, as modernas UTIs apresentam uma grande gama de aparelhagem , variando de simples monitores cardíacos, a respiradores microprocessados de grande complexidade tecnológica. Clinicamente, com a introdução dos programas APACHE passou-se a contar com uma metodologia para classificar os pacientes, segundo estado clínico e prognóstico, procurando estratifica-los de maneira universal.

Nas UTIs, problemas ligados ao exercício da Nefrologia são bastante comuns. Além da típica Insuficiência Renal Aguda, que pode atingir até 20% destes pacientes, distúrbios de volume e eletrolíticos são frequentes. Pacientes oriundos da Nefrologia também costumam frequentar, em alta percentagem, as UTIs: seja pelos distúrbios acima, seja por hipertensão grave, por várias doenças sistêmicas - como o Lupus, a Síndrome de Goodpasture, as arterites - , por convulsões ou simplesmente por vigilância após cirurgias de grande porte.

Vê-se, pelas razões acima, que o nefrologista de atuação hospitalar passa a ser um frequentador assíduo da UTI, havendo necessidade de interação – embora isto nem sempre aconteça - com os intensivistas de maneira positiva e eficiente, para o bem-estar dos pacientes ali internados.

Entre as inúmeras possibilidades, acima citadas, de atuação do nefrologista dentro da UTI, sem dúvida a mais nobre é a utilização das técnicas de depuração intra e extra-corpóreas. Regra geral, nenhum outro médico tem o treinamento e a experiência de um bom nefrologista, fatores fundamentais para a aplicação correta destas técnicas de substituição renal.

Inicialmente utilizando a diálise peritoneal intermitente, a Nefrologia desenvolveu variadas técnicas e diferentes aparelhagens, no correr dos anos, cada uma com aplicação específica, dependendo da situação clínica de cada paciente. Além da diálise peritoneal intermitente, hoje automatizada, pode-se utilizar a hemodiálise intermitente, a hemodiálise contínua, a hemofiltração contínua, a hemodiafiltração intermitente ou contínua, a plasmaferese, a hemoperfusão e combinações destes procedimentos. 

Do empirismo e amadorismo dos anos 60-80, quando alguns destes procedimentos eram realizados com grande esforço e risco, evoluiu-se para maquinário complexo, de alta precisão, que veio simplificar as complicadas operações daquela época.

Por outro lado, como era de se esperar, os custos envolvidos no tratamento destes pacientes subiu bastante, criando dilemas para o profissional, muitas vezes impossibilitado de utilizar técnicas mais modernas, seja por falta de maquinário apropriado, seja por restrições da fonte pagadora.

É nossa impressão, no entanto, que a maioria das UTIs brasileiras ainda utiliza, básicamente a hemodiálise ou a diálise peritoneal intermitente no tratamento de pacientes graves, deixando de aproveitar os grandes avanços acima referidos. Além do mais, os novos conceitos do tratmento do choque- causa importantíssima de mortalidade - hoje também chamado de Síndrome da Reação Inflamatória Sistêmica já começa a exigir, entre outras medidas novas, a utilização de técnicas de depuração extra-renal, embora ainda experimentalmente.

Assim, nada mais natural que utilizar o Medonline, este excelente veículo de comunicação, para procurar rever, junto aos nefrologistas, intensivistas e médicos em geral, alguns destes novos conceitos de Nefrologia Intensiva, que seguramente terão papel importante na Medicina do próximo milênio..

 

Treatment of severe nephrotic syndrome
Rui Toledo Barros

Use of diuretics in the acute care setting
Jorge Arnaldo Valente

Acute renal failure: Definition and pathogenesis
Luis Yu 

Role of growth factors in acute renal failure
Nestor Schor

Electrolyte disorders and substitution fluid in continuous renal replacement therapy
João Luiz Ferreira Costa

Continuous renal replacement therapy in critically ill neonates
Clotilde Garcia

The treatment of severe hyponatremia
José Roberto Coelho da Rocha

Prophilaxis and treatment of acute renal failure by vasoactive agents : the fact and the myths
José Roberto Coelho da Rocha