Com
a concordância do Editor do Medonline, pretendemos apresentar aqui
uma série de resumos de artigos sobre a Critical Care Nephrology
(CCN), que podemos traduzir livremente por Nefrologia Intensiva
( NI).
As unidades de tratamento
intensivo (UTI) foram introduzidas na Medicina americana na década
de 60, como as Intensive Care Units (ICU) ou Critical Care Units, com a
intenção de juntar, em um mesmo ambiente, os pacientes em
estado mais grave, facilitando assim a supervisão e o tratamento
destes pacientes críticos.
Com os avanços da
Medicina clínica, permitindo melhor compreensão de mecanismos
fisiopatológicos envolvidos nestas patologias graves e o aparecimento
de diversas tecnologias apropriadas para o monitoramento e a terapêutica
de pacientes críticos, estas unidades cresceram em complexidade
e importância dentro do sistema hospitalar.
As primeiras unidades frequentemente
eram chefiadas por grupos ligados à anestesiologia, uma demonstração
clara da importância dos problemas respiratórios e das dificuldades
de lidar com os complicados aparelhos de respiração artificial
da época. Com o passar dos anos, a atividade dos médicos
ligados à estas unidades foi reconhecida como uma sub-especialidade,
a dos intensivistas, já com formação específica
e não mais ligada à origem anestesiológica.
Deve-se notar que o têrmo
inicialmente utilizado pela Medicina americana foi "Intensive Care Unit",
diferentemente do Brasil, emfatizando não o tratamento em sí,
mas os cuidados (care) aos quais pacientes desta gravidade devem
ser submetidos. Estes cuidados podem ser definidos, em síntese,
como aqueles que visam sempre:
antecipar os problemas clínicos,
atuar para evitá-los, reconhecer precocemente as patologias intervenientes
e agir de imediato, sempre que necessário. Assim, numa ICU, a enfermagem
e o pessoal para-médico são tão ou mais importantes
do que o médico, sendo treinados especificamente para atingir os
objetivos acima. Por este conceito, de modo geral, uma UTI é tanto
melhor quanto mais competente for a enfermagem e o pessoal para-médico
que ali trabalha.
Por outro lado, as modernas
UTIs apresentam uma grande gama de aparelhagem , variando de simples monitores
cardíacos, a respiradores microprocessados de grande complexidade
tecnológica. Clinicamente, com a introdução dos programas
APACHE passou-se a contar com uma metodologia para classificar os pacientes,
segundo estado clínico e prognóstico, procurando estratifica-los
de maneira universal.
Nas UTIs, problemas ligados
ao exercício da Nefrologia são bastante comuns. Além
da típica Insuficiência Renal Aguda, que pode atingir até
20% destes pacientes, distúrbios de volume e eletrolíticos
são frequentes. Pacientes oriundos da Nefrologia também costumam
frequentar, em alta percentagem, as UTIs: seja pelos distúrbios
acima, seja por hipertensão grave, por várias doenças
sistêmicas - como o Lupus, a Síndrome de Goodpasture, as arterites
- , por convulsões ou simplesmente por vigilância após
cirurgias de grande porte.
Vê-se, pelas razões
acima, que o nefrologista de atuação hospitalar passa a ser
um frequentador assíduo da UTI, havendo necessidade de interação
– embora isto nem sempre aconteça - com os intensivistas de maneira
positiva e eficiente, para o bem-estar dos pacientes ali internados.
Entre as inúmeras
possibilidades, acima citadas, de atuação do nefrologista
dentro da UTI, sem dúvida a mais nobre é a utilização
das técnicas de depuração intra e extra-corpóreas.
Regra geral, nenhum outro médico tem o treinamento e a experiência
de um bom nefrologista, fatores fundamentais para a aplicação
correta destas técnicas de substituição renal.
Inicialmente utilizando a
diálise peritoneal intermitente, a Nefrologia desenvolveu variadas
técnicas e diferentes aparelhagens, no correr dos anos, cada uma
com aplicação específica, dependendo da situação
clínica de cada paciente. Além da diálise peritoneal
intermitente, hoje automatizada, pode-se utilizar a hemodiálise
intermitente, a hemodiálise contínua, a hemofiltração
contínua, a hemodiafiltração intermitente ou contínua,
a plasmaferese, a hemoperfusão e combinações destes
procedimentos.
Do empirismo e amadorismo
dos anos 60-80, quando alguns destes procedimentos eram realizados com
grande esforço e risco, evoluiu-se para maquinário complexo,
de alta precisão, que veio simplificar as complicadas operações
daquela época.
Por outro lado, como era
de se esperar, os custos envolvidos no tratamento destes pacientes subiu
bastante, criando dilemas para o profissional, muitas vezes impossibilitado
de utilizar técnicas mais modernas, seja por falta de maquinário
apropriado, seja por restrições da fonte pagadora.
É nossa impressão,
no entanto, que a maioria das UTIs brasileiras ainda utiliza, básicamente
a hemodiálise ou a diálise peritoneal intermitente no tratamento
de pacientes graves, deixando de aproveitar os grandes avanços acima
referidos. Além do mais, os novos conceitos do tratmento do choque-
causa importantíssima de mortalidade - hoje também chamado
de Síndrome da Reação Inflamatória Sistêmica
já começa a exigir, entre outras medidas novas, a utilização
de técnicas de depuração extra-renal, embora ainda
experimentalmente.
Assim, nada mais natural
que utilizar o Medonline, este excelente veículo de comunicação,
para procurar rever, junto aos nefrologistas, intensivistas e médicos
em geral, alguns destes novos conceitos de Nefrologia Intensiva, que seguramente
terão papel importante na Medicina do próximo milênio..
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Treatment
of severe nephrotic syndrome
Rui
Toledo Barros
Use
of diuretics in the acute care setting
Jorge
Arnaldo Valente
Acute
renal failure: Definition and pathogenesis
Luis
Yu
Role
of growth factors in acute renal failure
Nestor
Schor
Electrolyte
disorders and substitution fluid in continuous renal replacement therapy
João
Luiz Ferreira Costa
Continuous
renal replacement therapy in critically ill neonates
Clotilde
Garcia
The
treatment of severe hyponatremia
José
Roberto Coelho da Rocha
Prophilaxis
and treatment of acute renal failure by vasoactive agents : the fact and
the myths
José
Roberto Coelho da Rocha
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