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José Knoplich,
62, médico reumatologista, é doutor em saúde
A educação à distância foi regulamentada por decreto, em fevereiro passado. Nos debates da reunião da SBPC em Natal, em julho, os professores solicitaram cautela para introduzir essa nova tecnologia nos cursos de graduação e pós das universidades brasileiras, que ainda não dominam a tecnologia do ensino tradicional, como tem demonstrado o "provão". Num país tão imenso, a educação à distância é um imperativo que, sem dúvida, atropelará essa acomodação da universidade. Outra área na qual esses cursos à distância podem começar a florescer é a atualização (ou reciclagem) de conhecimentos de profissionais que não precisam de diplomas nem de títulos, mas vivem longe de bibliotecas e locais de ensino. Tudo começou há exatos 30 anos, na Inglaterra (Mais!, 24/5/98), quando a Universidade Aberta foi criada para inovar o ensino superior tradicional, dando instrução de alta qualidade, prática e a custos baixos, pelo rádio, por correspondência, depois pela TV e agora pela Internet, com 13 locais de controle por todo o país. Essa universidade, patrocinada pelo governo, tem 150 mil alunos e 2.000 funcionários. Democraticamente, aceita qualquer pessoa, de qualquer idade. Elas se formam conforme a sua capacidade, num período entre quatro e dez anos, nas matérias que desejarem. O reitor da Oxford, o respeitável filósofo inglês Alan Lyan, afirmou que a Universidade Aberta é um sucesso inequívoco dentre as experiências educacionais deste século. Na Austrália e na Nova Zelândia, países com falta de profissionais na saúde, a maioria das enfermeiras é formada à distância, disse na SBPC o professor Alexander Ramiszowski, da Universidade de Syracuse (EUA), que trabalha na Universidade Aberta inglesa. No Brasil, sabe-se da concentração de profissionais de melhor nível nas grandes metrópoles. No mínimo, melhoraria o nível de médicos, enfermeiras, dentistas, psicólogos e administradores hospitalares, com cursos de educação continuada à distância, a baixos custos (veja no Universo Online http://www.uol.com.br/intramed). Os agentes comunitários de saúde, que são leigos, e os médicos de família a ser recriados pelo Ministério da Saúde em grande escala- teriam uma forma de se atualizar com essa metodologia nova pela Internet, sem sair de suas casas e sem deixar suas atividades. Até os pacientes poderiam, sem sair de suas cidades, solicitar uma segunda opinião médica sobre o diagnóstico de suas doenças para centros mais adiantados e desenvolvidos tecnologicamente. Nos EUA (e parece que vai acontecer no Brasil), essa tarefa está sendo realizada pela iniciativa privada. |