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5 Dr. José Roberto Coelho da Rocha, Ex-Professor Assistente da Universidade Federal do Rio de Janeiro-RJ Professor de Nefrologia, Instituto de Pos-Graduação Médica Carlos Chagas e Chefe do Servico de Nefrologia, Hospital da Beneficência Portuguesa, RJ. ARTIGO:. Effects of androgen administration in men with the AIDS wasting syndrome AUTOR(ES) :. Grinspoon, S e outros 11 autores. ORIGEM : Massachussets General Hospital, Harvard Medical School, Boston Veterans Affairs Medical Center and Boston University Medical Center, Boston, USA. TIPO : Artigo Original REVISTA : Annals of Internal Medicine, Vol. 129: 18 – 26, Julho de 1998. RESUMO : Os autores, em um estudo duplo-cego, randômico e controlado por placebo, investigaram os efeitos da administração de testosterona na composição corporal, capacidade funcional de exercício e qualidade de vida, em homens com deficiência de andrógenos e com a síndrome de consumo da AIDS ( wasting syndrome ). Foram estudados 51 homens com esta síndrome e nível de testosterona livre menores do que 42 pmol/L ( normal de 42 a 121 pmol/L ou 12.0 a 35.0 pg/mL ). Os pacientes foram designados randomicamente para receberem enantanato de testosterona, 300 mg, ou placebo, por via intramuscular a cada 3 semanas por 6 meses. O objetivo principal foi alteração na massa corporal livre de gordura. Objetivos secundários foram peso, massa muscular, capacidade funcional de exercício e mudanças na qualidade de vida. A carga viral e a contagem de CD4 serviram como marcadores virológicos. Em comparação com os que receberam placebo, os pacientes que usaram testosterona ganharam massa corporal sem gordura, e massa muscular. As alterações no peso, na massa de gordura, água corporal total e capacidade funcional de exercício não diferiram significativamente entre os dois grupos. Os pacientes que receberam testosterona relataram outros benefícios com o tratamento, sentindo-se melhores, com melhoria da qualidade de vida e da aparência física. A testosterona foi bem tolerada em todos os pacientes. Os autores concluem que a administração fisiológica da testosterona aumenta a massa corporal sem gordura e melhora a qualidade de vida em homens com deficiência de andrógenos e com a síndrome de consumo da AIDS. COMENTÁRIOS : A “AIDS wasting syndrome” é uma impressionante demonstração do poder de uma doença para destruir a biologia de um indivíduo. Homens e mulheres afetados, mesmo que jovens, rapidamente perdem peso corporal, atrofiam músculos, demonstram grande falta de energia, envelhecem fisicamente e apresentam incapacidade funcional grave, às vezes total. O quadro, em geral, é de um profundo catabolismo, cuja explicação ainda não é satisfatória. Por outro lado, há muito se sabe que pacientes com hipogonadismo isolado demonstram anabolismo importante quando recebem testosterona. Baseado no fato que mais de metade dos homens com AIDS avançada apresentam hipogonadismo ( testosterona baixa ), os autores fizeram um trabalho extenso, minucioso e aparentemente muito bem controlado da aplicação deste hormônio, em doses comparáveis àquelas utilizadas, fisologicamente, em outros pacientes com hipogonadismo isolado. O resultado, como vimos acima, foi muito bom, criando uma alternativa terapêutica para esta síndrome devastadora. A ausência de alterações significativas do tratamento na massa de gordura e na água corporal total sugere que a testosterona exerce efeitos primariamente anabólicos. O mecanismo envolvido nesta população é desconhecido, mas em homens com hipogonadismo isolado a administração do hormônio afeta diretamente a síntese de proteínas musculares. É interessante notar que, segundo os autores, por conta da conhecida variabilidade dos níveis de testosterona e do efeito da “regressão para média” ( regression toward the mean ), muitos pacientes apresentavam níveis de testosterona, quando re-testados, normais, sugerindo que apresentavam, na verdade, hipogonadismo relativo. Mulheres não foram incluídas neste estudo, embora existam fortes evidências de redução dos níveis de testosterona nestas pacientes e, pelo menos um estudo já tenha sido realizado, utilizando-se testosterona transdérmica, em pacientes femininas. Finalmente, quem sabe podemos extrapolar estes estudos na AIDS para os pacientes renais crônicos, que muitas vezes apresentam uma síndrome catabólica evidente, já que todos os procedimentos dialíticos induzem um grande catabolismo. Atrofia muscular, queixas de fraqueza, falta de energia, deficiência de capacidade funcional, etc, são queixas comuns entre estes pacientes, mesmo entre aqueles considerados “bem dialisados”. Além do mais, o hipogonadismo masculino/ feminino é quase universal nestes pacientes. Fica aqui a lembrança, pois melhorar a qualidade de vida dos pacientes renais é um antigo sonho da Nefrologia e pode ser que o uso de hormônios sexuais venha a ser rotineiro no futuro. |