|
|
4 Dr. José Roberto Coelho da Rocha, Ex-Professor Assistente da Universidade Federal do Rio de Janeiro-RJ Professor de Nefrologia, Instituto de Pos-Graduação Médica Carlos Chagas e Chefe do Servico de Nefrologia, Hospital da Beneficência Portuguesa, RJ. ARTIGO:. Thrombotic thrombocytopenic purpura associated with ticlopidine AUTOR(ES) :. Bennett, CL e outros 5 autores. ORIGEM : Northwestern University and Chicago Veterans Affairs HealthCare System-Lakeside Division, Chicago, Illinois, EUA. TIPO : Revisão de 60 casos. REVISTA : Annals of Internal Medicine, Vol. 128, No. 7, pgs. 541-544, Abril de 1998. RESUMO : Os autores fizeram uma revisão de 60 casos de Púrpura Trombocitopênica Trombótica ( PTT ) associada à ticlopidina, utilizando prontuários médicos, casos publicados e casos enviados ao FDA americano. A ticlopidina havia sido prescrita por menos de 1 mês em 80% dos pacientes, e a contagem de plaquetas era normal 2 semanas antes do início da PTT, na maioria dos pacientes. A mortalidade foi maior entre pacientes que não foram submetidos à plasmaferese do que entre aqueles que receberam este tratamento ( 50% comparado com 24%; P< 0.05 ) Os autores concluem que a ticlopidina pode estar associada ao desenvolvimento de PTT, geralmente no primeiro mês da terapia. O início da PTT associada à ticlopidina é difícil de ser prevista, mesmo com acompanhamento da contagem das plaquetas. COMENTÁRIOS : Alguns medicamentos possuem um índice de efeitos colaterais baixo, mas por serem utilizados em grande escala, acabam por provocar lesões ou doenças em um grande número de pessoas. A ticlopidina pode estar incluída entre estes. A ticlopidina é uma thienopiridina, que altera a função plaquetária pela inibição da ligação do adenosino 5’difosfato ao seu receptor de adenilciclase., diminuindo assim a adesividade plaquetária. Seu efeito colateral mais comum é a neutropenia com aplasia medular, com uma incidência de 2.4% nos ensaios clínicos.Outros efeitos menos comuns são a colestase hepática e a trombocitopenia. Neste artigo os autores chamam a atenção para esta complicação do uso da ticlopidina, a PTT, uma doença sabidamente sutil, de tratamento complicado e de alta mortalidade. O uso da ticlopidina é
generalizado, como agente anti-trombótico. Tem sido utilizada nas
doenças vasculares periféricas, na doença carotídea,
nos AVC’s trombóticos, na prevenção da trombose coronária
No estudo, a maioria dos pacientes apresentou PTT nas primeiras 4 semanas do uso do medicamento. Muitas vezes, as manifestações clínicas iniciais eram traiçoeiras, como a presença de alterações mentais, letargia ou coma em pacientes idosos com doença vascular cerebral prévia, confundindo o médico-assistente e retardando o diagnóstico correto. O mecanismo da doença não é conhecido, e os autores consideram “paradoxal” tal efeito de trombose plaquetária, em um agente inibidor da agregação das plaquetas. Mas o fato é que a grande maioria dos pacientes apresentou uma forma de PTT completa, com trombocitopenia, anemia, lesões renais e neurológicas, necessitando tratamento intensivo, com o uso de corticóides, transfusão de plasma fresco ou plasmaférese, além da suspensão da ticlopidina. Um comentário final se impõe: muitos autores sugerem o uso da ticlopidina como agente coadjuvante no tratamento de outras formas de PTT ( vêr abaixo ). Na nossa opinião, após este relato de Bennett et al., a utilização deste fármaco na PTT deve ser evitada, preferindo-se outros agentes antitrombóticos, como a aspirina, pois fica difícil utilizar um agente farmacológico para tratar uma doença, se este mesmo agente é capaz de provocá-la. Para complementar sua atualização
neste assunto leia também:
|