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3 Dr. José Roberto Coelho da Rocha, Ex-Professor Assistente da Universidade Federal do Rio de Janeiro-RJ Professor de Nefrologia, Instituto de Pos-Graduação Médica Carlos Chagas e Chefe do Servico de Nefrologia, Hospital da Beneficência Portuguesa, RJ. ARTIGO:. Biópsia hepática transjugular em pacientes em hemodiálise : Avaliação preliminar. AUTOR(ES) : Bruno, RM, Losekann A, Messias AA e Maciel AC. ORIGEM : Complexo Hospitalar Santa Casa da Misericórdia, RGS, Brasil. TIPO : Artigo Original. REVISTA : Jornal Brasileiro de Nefrologia, Vol. 20 : 18 – 21, 1988. RESUMO : A hepatopatia crônica é prevalente em pacientes em diálise e uma adequada avaliação pré-transplante inclui a biópsia de fígado. Por serem frequentes os problemas hemorrágicos nestes pacientes, nosso estudo introduziu no nosso meio, a biópsia hepática transjugular ( BHTJ ), procedimento indicado em pacientes com maior risco de complicações. Apresentamos uma série de 11 casos em 10 pacientes que realizavam hemodiálise há 27 ?????meses. A idade média foi de 35 ??12 anos. O número médio de punções venosas foi de 1 ? 0.5, o número médio de espaços-porta obtidos foi de 4 ? 3.8 e o tamanho médio do fragmento foi de 0.8 ? 0.4 cm. As complicações foram leves, sendo a mais importante um hematoma no local da punção cervical. Quarenta e cinco por cento dos casos não apresentou complicação e o material obtido foi suficiente para o diagnóstico em 90% dos casos ( um caso material insuficiente ). Concluimos com base nestes dados preliminares que a BHTJ é adequada e segura, e é nossa intenção utilizá-la na nossa rotina de biópsias hepáticas em pacientes urêmicos. COMENTÁRIOS : O JBN vem melhorando ano a ano, modernizando-se e seguindo as técnicas editoriais dos grandes periódicos médicos. Neste número, por exemplo, publica o artigo acima, que prima pela originalidade em nosso meio, seguido de um curto editorial, pela Dra. Clarina Takahashi, uma estudiosa de hepatite em pacientes renais. Os autores afirmam que a BHTJ é uma técnica simples e segura, onde as complicações são leves e de fácil controle. Existem alguns defeitos no trabalho, que não desmerecem, no entanto sua publicação : o número de casos ainda é pequeno, não permitindo conclusões definitivas e os autores não descrevem adequadamente o material utilizado (carcterísticas da agulha, comprimento e tipo de catéter, nomes comerciais, etc.), como é de costume nos trabalhos médicos, o que facilitaria o emprêgo deste procedimento por outros grupos interessados. Apesar disto, o trabalho é interessante e inovador. Transplantar pacientes com vírus de hepatite B ou C é um assunto controverso, longe de estar resolvido. Alguns grupos acham que o fator determinante possa ser a histologia hepática, onde a presença de inflamação agressiva seria uma contraindicação absoluta. No editorial a Dra. Clarina lembra, com muita felicidade, que complicações hepáticas graves no renal crônico costumam aparecer somente após o transplante, seja por reativação das infecções seja por ação tóxica dos imunosupressores. Biopsiar o fígado de pacientes em hemodiálise pode ser muito problemático. A técnica original de Menghini, biópsia por aspiração percutânea, é definitivamente perigosa nestes pacientes, com risco de sangramento volumoso, pois necessariamente será seguida por hemodiálise com heparinização. Em nosso Serviço, sempre utilizamos a biópsia por vídeolaparoscopia, que permite maior segurança e visualização direta do ponto a ser biopsiado, evitando-se assim os nódulos regenerativos que levam a resultados falso-negativos. A vídeo, no entanto, peca por ser muito mais cara e trabalhosa, exigindo a internação por pelo menos um dia, o uso do centro cirúrgico, cirurgiões e anestesista, etc. A BHTJ tem a vantagem de ser bem mais barata e mais simples nestes dias de Medicina econômica e ágil, como exigida por todas as fontes pagadoras, devendo vir a ser uma alternativa prática para o estudo, pré-transplante, das alterações do tecido hepático.. |