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Volume 1- Número 3 - Ano I (Jul/Ago/Set de 1998)

O Executivo, A Saúde e a Empresa


Dr. Horácio Arruda Falcão, ex-Professor de Nefrologia da UFRJ, Fellow em Nefrologia pelo Massachusetts General Hospital, Fellow do American College of Physicians (FACP)


Dentro do que se anuncia, e se prediz, em termos de manutenção do emprego de cada brasileiro no século XXI, cumpre salientar uma tendência que pode resultar em excelente atributo a um potencial candidato a um cargo superior.

Estamos falando daquele executivo  ou gerente  que possuir noções “elementares de Saúde - acidentes de trabalho, medicina preventiva, medicina ocupacional e manutenção da saúde dos  subordinados em geral. Quanto mais um indivíduo aprende sobre saúde preventiva tanto mais útil se torna para a Empresa, para a sociedade, e para si mesmo.

Este predicado visa agregar valores imprescindíveis para uma boa interação num grupo dentro de uma Empresa como um todo ou parte dela. Os conhecimentos isolados são pouco eficazes quando não se leva em consideração compartilhar com seus semelhantes. Um bom estado de saúde física e mental dentro de uma equipe pode levar a um forte desenvolvimento  criativo e de cooperação, desde que se faça levar em  consideração um dos itens principais pela presença do funcionário no ambiente de trabalho que é “ saber manter a saúde, prevenir doenças ocupacionais e evitar os acidentes de trabalho”. Com este novo enfoque para os executivos, diretores, e gerentes abrir-se iam um leque de novos conhecimentos de que ele, além da empresa e dos funcionários se beneficiariam e muito. O alvo seria um ataque preventivo ao “acidente de trabalho” e “absenteísmo”, pragas que toda a Empresa tem que lidar diariamente. E que trazem importantes prejuízo.

Já pensando nisto o Governo vem baixando medidas, leis  e portarias ( Portaria do Ministério do Trabalho n.º 3,124 de 8 de junho de 1978 ) e subseqüentemente dispositivos e normativas visando a implantar e incrementar Sistemas de Segurança e Medicina  de Trabalho nas empresas baseando-se nos Programas de Controle Médico de Saúde Ocupacional  ( PCMSO ) e nos Programas de Prevenção de Risco Ambientais ( PPRA ). Sendo já de caráter obrigatório seria interessante estabelecer uma interface dos executivos e gerentes com o grupo de Médicos que coordenam este serviço dentro de uma Empresa promovendo e solicitando palestras, orientações, sugestões e acima de tudo métodos modernos de prevenção de doenças ocupacionais ou não.

A tendência da Medicina Preventiva será importantíssima no próximo século. E dentro da Empresa caberá ao executivo ou gerente supervisionar os dados estatísticos de performances físicas, faltas ao trabalho ou mesmo de acidentes de trabalho. Por este lado seria interessante que o gerente do futuro poderia também passar por alguma avaliação. Em 1996 foram registrados 34.689 casos de doenças ocupacionais no Brasil segundo estatísticas do INSS, 68,8% a mais que 1995 e 127% a mais que 1994. E a tendência é de aumento destas doenças com conseqüente prejuízo para as Empresas. Entre as enfemidades mais freqüentes estão a lesão por esforço repetitivo (LER) - importantíssima e atualíssima; as doenças pulmonares e a surdez. E todas aquelas catalogadas como Doenças Ocupacionais Relacionadas ao Trabalho - (DORT)

Em alguns países já começam a surgir os “Spas” mentais, onde o estressado vai para descansar - e reativar -  os neurônios. Com várias tecnologias modernas visam a descarregar a tensão diária e a “zipar” os problemas insolúveis e colocar em arquivos ocultos. A meta é dar um “reboot” no sistema nervoso central e dar uma rearrumada nos problemas - classificando-os em diretórios.

Algumas tecnologias advindas da Medicina Preventiva e de Trabalho, chegaram ao ambiente de trabalho. Com o surgimento da “ergonomia”, que se traduz pela ciência que estuda a adaptação do ambiente e de material de trabalho ao ser humano, surgiram várias inovações que precisam ser divulgadas. O ambiente tem que ser bem areado, com boa luminosidade e o nível de ruído suportável. O não cumprimento destes itens podem acarretar várias doenças.

Os filtros de ar condicionado tem que ser lavados periodicamente, pois é um foco de fungos e bactérias. No material de escritório deve-se evitar os alergogênicos aqueles com excesso de tapetes e cortinas de tecido. Tabagismo nem pensar. A luminosidade deve ser adequada para evitar doenças oculares, os móveis e cadeiras devem ser ergonômicos, e as sempre incomodativas dores e lesões nas costas. O uso correto dos equipamentos de proteção industrial - EPI -  é de responsabilidade do empregador Os intervalos de descanso devem ser respeitado bem como evitar o excesso de horas extras. Conta-se que falhas humanas, por excesso de jornada de trabalho e privação do sono causaram a queda da nave espacial Challenger, e o acidente nuclear de Chernorbyll. Mais vale um funcionário descansado e com jornada normal, do que um exaurido especialista em hora extra.

Por fim uma medida nos dias de hoje ainda controversial é o do controle do consumo de drogas no ambiente de trabalho. Várias empresas internacionais vem testando funcionários, quer obrigatoriamente ou aleatoriamente por meio de um simples teste de urina, para detectar se um o empregado é usuário, ou dependente químico de drogas. Caso seja comprovado encaminhá-lo para um programa de reabilitação . Isto sem falar da AIDS que será a praga do século XXI. Mais e mais portadores do vírus do HIV surgirão e embora o risco no ambiente de trabalho seja pequeno, o absenteísmo pode ser grande. Não há orientação de comunidade científica mundial que medida será mais apropriada nestes casos.

Com a falência do Sistema Único de Saúde (SUS)  se faz necessário, dentro das possibilidades de cada empresa  disponibilize algum tipo de seguro complementar de saúde do plano empresarial. Uma boa nutrição, com algum tipo de exercício regular, o pronto atendimento a uma enfermidade, os check-ups periódicos e preventivos de funcionários realizados pelos médicos do trabalho e supervisionado pelos gerentes aliados a uma permanente campanha de vacinação leva a crer que, nesta passagem do século difundir a manutenção  da saúde é melhor que tratar da doença. E bem mais barato.

As Empresas só terão a ganhar se seus gerentes tiverem noção elementar de medicina preventiva no ambiente de trabalho e por que não dizer pessoal também.

É imprescindível defender o papel da Saúde  dos funcionários no desenvolvimento de uma Empresa e tomar todos os cuidados preventivos para que ele esteja fortemente estruturado para que sua eficiência e seu crescimento esteja sustentada em indivíduos com capacidade física e mental sólidas pois a boa saúde é a chave para a luta contra a incapacidade e ineficiência laborativa empresarial.

Dr. Horacio Arruda Falcão - médico
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