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Volume 1- Número 2- Ano I (Abr/Mai/Jun de 1998)

Medicina no próximo milênio
Dr. Horácio Arruda Falcão,
ex-Professor de Nefrologia da UFRJ,
Fellow em Nefrologia pelo
Massachusetts General Hospital,
Fellow do American College of Physicians (FACP)
| Medicina genética | Número de cirurgias | A desospitalização |

| A telemedicina | AIDS | Da cura para a prevenção |
| Novas doenças | A revolução genética | Qualidade de vida
| Médicos perdem status | Retorno do médico de família
 | Sangue artificial |
O grande problema da medicina atual, a ineficiência dos sistemas de atendimento de  saúde, atinge a população na forma de custos ascendentes e de uma perversa alocação de serviços. Mas, este problema deverá estar com os dias contados.  A medicina em 2010, nem de longe lembrará a atual.  A utilização das novas tecnologias que estão sendo disponibilizadas para a saúde permitirá a consolidação da mais importante tendência para o setor: o deslocamento do seu foco tradicional da cura de doenças para o da prevenção.  E desta reformulação as conseqüências serão:  (1) Desenvolvimento de novos tipos de atendimento que dispensam a hospitalização; (2) Maior competição entre os agentes de saúde; (3) Redução do poder dos médicos e elevação da importância das atividades de enfermeiros e paramédicos; (4) Maior consciência dos pacientes sobre o processo preventivo; (5) Maior qualidade de vida e aumento da vida média da população; (6) Drástica redução do número de hospitais.  A seguir apresento sob a forma de tendências, os principais pontos de uma visão da medicina que prevalecerá no mundo de 2010:

A Medicina Genética Elevará Substancialmente A Média De Idade Dos Seres Humanos – a aplicação no campo da saúde dos resultados do Projeto Genoma, um programa de bilhões de dólares previsto para ser completado por volta de 2002, deverá revolucionar a prevenção da saúde dos seres humanos e provocar profundos impactos positivos nos níveis da qualidade de vida da população mundial. Ao realizar todo o mapeamento genético do corpo humano o programa permitirá identificar e corrigir os genes responsáveis por determinadas doenças e por determinados atributos físicos das pessoas.  A terapia genética permitirá uma gama imensa de atuação sobre o(s) gene(s) causador(es) de doença(s) – transformação ou substituição quando ele for defeituoso; inclusão em casos de ausência. Nas doenças hereditárias as novas tecnologias permitirão a aplicação da terapia diretamente no próprio feto.  Ainda que leve de oito a doze anos para se tornar uma prática disseminada e efetiva, estudos recentes mostraram que a terapia genética já vem sendo testada na cura do câncer de seres humanos com resultados bastante otimistas.  À medida que os genes causadores das doenças -hereditárias e os oncogenes - são descobertos a vida média dos indivíduos será progressivamente ampliada; se hoje está por volta de 72 anos, projeções indicam que os seres humanos chegarão,nos países desenvolvidos em 2010, aos 120 anos.  E grande parte da responsabilidade deste resultado caberá à terapia genética.

Número De Cirurgias No Próximo Milênio Se Reduzirá Em Mais De 50% - em 2010, através de um processo de telecirurgia os cirurgiões, mesmo quando localizados em centros distantes de seus pacientes, poderão realizar suas cirurgias por meio de robôs teleguiados e controlados por softwares, monitorando-as num vídeo em terceira dimensão.  As cirurgias de grande precisão - do cérebro, ortopédicas e do coração – serão exemplos da utilização desta nova tecnologia.  Por ser mais precisa e menos agressiva, propiciando uma recuperação mais rápida aos pacientes, a videotelecirurgia se desenvolverá bastante e tenderá a diminuir drasticamente a era das cirurgias invasivas de hoje. Comparando-se o volume atual de cirurgias realizadas anualmente, incluindo-se aqui as não-invasivas videolaparoscopias  prevê-se em 2010 uma redução no número de cirurgias invasivas em mais de 50%.  Se hoje quase já não mais se operam úlceras pépticas, cálculos de rim, vesícula biliares (a não ser com vídeo), próstatas - hormonioterapia e braquiterapia - , no futuro as novas tecnologias e  as terapias genéticas reduzirão bastante as necessidades de cirurgias oncológicas; permanecerão somente aquelas decorrentes de acidentes e emergências.  Na realidade, a tendência será privilegiar uma medicina não invasiva que compreenderá check-ups periódicos, testes sangüíneos preventivos - os chamados marcadores tumorais -  e terapias genéticas. Por outro lado, as doenças cardiovasculares, uma das maiores causas de mortes na atualidade - se não a maior -, utilizarão em sua terapia um conjunto de ações preventivas elementares: alimentação balanceada, exercícios regulares, condionamentos físicos, controle farmacológico da obesidade, ingestão de drogas para controlar o colesterol, a rotina de se fazer check-ups (hábito que começa a ser difundido no Brasil), e as dosagens sanguineas para se detectar precocemente qualquer tipo de doença. Sabemos agora, por exemplo, que o “nosso” futuro próximo reside basicamente na dosagem do PSA, utilizada para avaliação e detecção precoce do câncer de próstata, em estágio precoce e no caso das mulheres a mamografia. Outros testes sangüíneos estão surgindo para ao detectar nos estágios iniciais o Câncer, o tratamento imediato levará a cura de certos tipos. Surgirão também vacinas contra vários tipos de Câncer ( Aids, HPV, ovário, certos tipos de leucemias, melanomas etc...).Enfim a tendência será de diminuir o número de novos casos de Câncer/ano no mundo.

A Desospitalização Promovida Pelo Home Care Reduzirá O Número De Hospitais - dizem que foi Jacqueline Kennedy quem, à beira da morte, difundiu o tratamento pelo Home Care ao pedir para deixar o hospital e morrer em casa.  Percebeu-se que em casa a recuperação dos pacientes era facilitada pelo apoio e conforto proporcionado pela família; evitava-se também a temida infecção hospitalar e todos os elevados  custos da hotelaria hospitalar. Nos casos irrecuperáveis, a ida para casa reduz substancialmente os custos do tratamento - em média, 90% das despesas de atendimento ocorrem no último ano de vida dos indivíduos.  Os resultados práticos de redução de custos são tão favoráveis que os seguros de saúde já começaram a aderir e a incentivar o Home Care. Com isso, acabam jogando mais lenha na tendência de redução do número de hospitais, cujo término alguns prevêem para o próximo século, ao transferir as estruturas hospitalares para dentro da casa dos pacientes.  Este movimento de desospitalização fará surgir grandes oportunidades para os profissionais médicos de família e clínicos gerais,especialistas em nutrição parenteral, paramédicos de atendimento domiciliar que verão ocorrer um boom em suas atividades - fisioterapeutas respiratórios e de reabilitação motora, enfermeiras, auxiliares e atendentes de enfermagem etc, serão profissões com alta demanda no futuro.

A Telemedicina Transformará O Domicílio De Um Paciente Em Seu Hospital Virtual - a prática do Home Care ganhará grandes aliados na tecnologia.  A utilização conjunta das inovações tecnológicas da medicina com as da telemática promoverá o monitoramento à distância dos sinais vitais do paciente "hospitalizado" em sua residência; além disso, médico e paciente poderão se comunicar através de um “chip” incrustado no próprio paciente, ou de um televídeo sempre que necessário. Neste sistema a enfermeira estaria capacitada a tirar o eletrocardiograma de um paciente com dor no peito, transmiti-lo por um sistema telemático ao seu médico, que o medicaria da maneira mais conveniente. Esta prática vai evoluir e crescer de forma intensa nos próximos anos; é mais barata, favorece uma recuperação mais rápida, pode atender locais distantes e com infra-estrutura médica precária - o que no Brasil seria uma maneira de suprir a deficiência e tenderia a  solucionar os problemas provenientes da carência de bons médicos no interior.

A AIDS - A Praga Do Século - Vai Ainda Matar Milhões De Pessoas - cientistas não esperam desenvolver tão cedo uma vacina eficaz contra a AIDS, especialmente pelas mutações que os vírus vão fazendo - vacinas eficazes e sem importantes efeitos colaterais levam às vezes trinta a quarenta anos para serem desenvolvidas (por exemplo, pólio e sarampo).  Tal como um diabetes, tratado com doses diárias de insulina, a AIDS se tornará uma doença crônica controlada à base de freqüentes ingestões de um "coquetelzinho" que no futuro contará com menores quantidades físicas de medicamentos, embora muito mais potentes.  A grande diferença entre a AIDS e outras doenças não curáveis mas controladas à base da ingestão diária de medicamentos, como o diabetes e a hipertensão arteria, é que a AIDS é transmissível,mortal e exige um estado permanente de alerta para evitar sua propagação; como o meio de transmissão principal é pela via sexual corremos o risco de conviver no futuro com milhões de novos seres humanos infectados com a doença.  Além disso, ao contrário do Ebola que, por ser altamente fatal - mata em aproximadamente dez dias - não dá muito tempo para ser transmitido; o tempo de propagação da AIDS (sobrevida do portador) tenderá no futuro a ser cada vez maior - tanto pela eficácia dos medicamentos como pela elevação da idade média da população mundial.  É neste contexto que surge a grande questão a ser resolvida: como fazer para o portador passar a ter consciência de que é ele quem propaga a doença e como tal é sua a responsabilidade de proteger as demais pessoas.  Se não houver um grande esforço educacional que produza esta mudança radical de mentalidade, a população mundial correrá o risco de se dividir em dois grandes grupos: os transmissores, portadores da doença e os neuróticos, amedrontados permanentemente pela existência de um portador invisível.  Por tudo isso é que já se considera a AIDS como a praga do século. Espera-se, contudo, que em 2010 já se tenha vacina para pelo menos algumas das variáveis da doença.

Cada Vez Mais A Ênfase Da Medicina Se Deslocará Da Cura Para A Prevenção De Doenças - a descrição das tendências anteriores já evidencia esta mudança.  Entretanto, a maior parte dos agentes da saúde parece não ter ainda se conscientizado plenamente deste fato: as seguradoras de saúde, por exemplo, continuam direcionando seu foco de atuação para a cura de doenças ao invés de promover a Saúde: governos deveriam desenvolver políticas para incentivar a pesquisa de vacinas contra a AIDS, meningite,malária, hepatites,tuberculose etc e garantir sua distribuição gratuita para todas as doenças; o controle e a erradicação de epidemias virais - cólera, dengue etc -, que dependem fundamentalmente de um aspecto mais financeiro, deveriam merecer ações permanentes de captação de recursos.   Por outro lado, a própria sociedade está começando a privilegiar atitudes que promovem saúde, e a desenvolver valores compatíveis com sua manutenção.  Nesta linha, a rejeição à obesidade atinge níveis de histeria coletiva: todos se acham gordos, querem parecer magros e, realmente, se convencem de que magreza é saúde e obesidade doença.  Mas a luta contra a obesidade também rende frutos positivos: incorpora a realização de exercícios ao cotidiano das pessoas e valoriza as dietas alimentares com carne branca, mais fibras e mais legumes.  No campo da prevenção, a ação de maior impacto em nosso país seria transformar o Ministério da Saúde em Ministério do Saneamento, pois a maioria das doenças brasileiras - e aí se incluem todas as verminoses - vem da utilização de uma água de baixa qualidade.  Por falta de saneamento e coleta de esgoto em níveis superiores ao mínimo adequado, os dejetos se misturam com o que a população bebe e as diarréias infantis se tornam a maior causa de mortalidade infantil em nosso país.  Neste contexto de desassistência oficial, a desnutrição também faz suas vítimas através das pneumonias.  Portanto, água potável de boa qualidade (saneamento), educação, proteína e vacina, formam o quarteto básico da prevenção que falta ao Brasil e que resulta em enormes perdas, humanas e financeiras.

Aparecimento De Novas Doenças - cientistas estão convencidos de que uma nova doença de origem animal, com impactos semelhantes aos da AIDS, tem uma grande probabilidade de surgir até 2010.  Felizmente, para surpresa geral, a vacina contra o vírus das galinhas surgido em Hong Kong foi desenvolvida rapidamente; já identificados estão também o vírus do Ebola e o Hantavírus.A doença da vaca louca se não tivesse sido detectada a tempo poderia ter sido devastadora para a comunidade Européia.  Outros ainda desconhecidos, mas letais ao Homem, existem nos animais sem provocar-lhes danos devido ao seu código genético diferente.  Aumentando nossa interação com os animais - diz-se que a origem da AIDS foi na África, onde é comum certas tribos manterem relações sexuais com macacos - o risco de um eventual contágio certamente crescerá.  Ao perceber o alto nível de risco destas interações os cientistas decidiram alterar o foco de suas pesquisas e sustaram temporariamente os estudos de transplantes de órgãos de animais em seres humanos - os xenotransplantes.  Em 2010, caso não se houvesse percebido que vários vírus inofensivos aos animais serão letais para o homem, vários transplantes com órgãos de animais já teriam sido realizados e uma grande parte da população mundial estaria sofrendo, sob os efeitos de uma epidemia mortal.

A Genética Revolucionará o Mundo e Criará Uma Nova Ética: Uma Advocacia Genética? -  que o assunto é explosivo ninguém duvida.  A divulgada clonagem da ovelha Dolly, ampliada pela repercussão mundial do fato e de seus possíveis desdobramentos sobre o futuro da concepção do Homem, ainda está sendo questionada nos meios acadêmicos.  Primeiro, porque em quatrocentas tentativas - conforme relato do médico escocês a uma junta de cientistas -, inúmeras foram malsucedidas e geraram ovelhas deformadas; também porque a Dolly foi a única tentativa bem sucedida e, mesmo assim, gerada a partir de um óvulo congelado. E, pelo que se sabe, ninguém até agora repetiu com sucesso a clonagem de uma ovelha.  Consequentemente, a reprodução de um ser humano por este processo correrá um alto risco de gerar monstros deformados e consumirá orçamentos financeiros gigantescos.  Se o objetivo fosse a obtenção de órgãos para transplante, muito melhor seria investir em campanhas de doação que, no momento atual, se configura como a menos arriscada das alternativas - ver tendência nº 7 sobre doenças oriundas de animais.  O interessante neste caso é o aparecimento de novas questões éticas cujas polêmicas serão contempladas por uma futura especialidade o do Direito advocaticio da Biogenetica.  Exemplos retirados do cotidiano já antecipam o que virá num futuro próximo: tráfico de órgãos (comum na China), "mulheres cujos ex-maridos congelaram seus espermas antes do divórcio ou do seu falecimento, entram na justiça para conseguir o material congelado e  se auto-fecundar; casal decide gerar um novo filho para transplantar sua medula em uma filha com leucemia ao não encontrar um doador disponível". Qualquer pessoa com um mínimo de criatividade poderá imaginar situações provocadas pela prática da engenharia genética que, à luz do direito e da ética atual, não seriam jamais aceitas.  O fato é que devemos começar a nos preparar e a nossos filhos para uma revolução em nossas concepções.  De prático, ressalto as oportunidades que surgirão no campo do direito biogenético.

A Eliminação De Doenças E Hábitos De Alto Custo Social Contribuirão Para A  Melhoria Da Qualidade De Vida - busca-se intensamente a cura de inúmeras doenças para eliminar os prejuízos financeiros que causam: o tratamento da osteosporose, por exemplo, causadora freqüente de fraturas em pessoas entre mais de sessenta e setenta anos, já está sendo feito com medicamentos que aumentam a fixação do cálcio nos ossos e geram economia de bilhões de dólares; o alcoolismo, um problema social mundial gravíssimo, já é tratado pelo naltrexone, um remédio que inibe a compulsão pela bebida; a adesão permanente de novos agentes à guerra contra o tabagismo, promete criar dificuldades cada vez maiores para a indústria: aeroportos e empresas de transporte aéreo americanos não mais permitem o fumo em suas dependências, a legislação exige a introdução e a divulgação de cigarros com baixos teores de alcatrão, os acordos restritivos que a indústria está fazendo nos Estados Unidos, as restrições em planos de saúde e no emprego - em 2010, o cigarro será certamente um hábito banido pela sociedade.  Por outro lado algumas drogas, de natureza alucinógena, continuarão consumidas como um meio de fugir da realidade.  Neste campo vale mencionar a endorfina, uma substância produzida pelo próprio organismo e capaz de provocar sensações de euforia; por ser gerada pelo corpo humano durante a prática de esportes como corrida, natação tênis,futebol etc, leva seus praticantes a sentir falta destas atividades.   Por isso, no futuro, grandes oportunidades se abrirão aos empreendimentos esportivos - clubes vão proliferar, todo o mundo vai querer praticar esportes, natação, jogging, tenis etc.  Cada vez mais os seres humanos vão ser esportistas.  Claro que com as limitações da idade.  Em 2010, os novos jovens de 80 anos certamente estarão em plena atividade esportiva. Esta tendência em praticar esportes, seguir dietas balanceadas, e se vacinar regularmente eliminará uma variedade enorme de doenças hoje existentes e será muito forte em 2010.

Médicos Tendem A Perder Status Na Sociedade Do Futuro E Serão Relegados À Profissão De Segunda Categoria - o corolário interessante do foco na prevenção é que os médicos vão perder o poder que hoje desfrutam em nossa sociedade.  Muito contribuirá para esta tendência sua dificuldade em atuar no marketing da medicina, um importante campo que virá a todo o vapor a partir do ano 2000: se o médico não disser quem ele é, o que ele faz, se ele é competente, ele não vai sobreviver.  É exatamente por não ter esta capacitação que os médicos cederam um enorme espaço e propiciaram às seguradoras de saúde atuar como verdadeiras donas dos clientes.  Este fato provocou a despersonalização dos médicos - se antes eram conhecidos como Doutores X e Y, agora se tornaram os doutores do livrinho do Plano Z.  Entretanto, a instituição do livrinho tenderá a acabar.  No futuro, os clientes selecionarão o médico desejado e complementarão a parcela de honorários que porventura exceder ao seu plano de saúde. A capacidade de um médico se fazer selecionado neste ambiente de progressiva perda de status, será uma conseqüência do seu domínio de marketing.
Vale ressaltar aqueles que se atualizarem com curso de administração e gestão da Saúde terão um mercado profícuo nos próximos anos.A saúde será vista como um negócio qualquer e não há nada de errado em se ter lucro na saúde se o usuário fica satisfeito com o serviço que lhe foi prestado.

A Tentativa Permanente De Equilibrar Custos E Atendimento De Qualidade Provocará Um Retorno do Médico Da Família (Clínico Geral) - O sistema de atendimento de saúde atual está sendo amplamente criticado por realimentar seus custos ascendentes. Para solucionar este problema os americanos instituíram o Managed Care, um sistema de saúde que vale a pena ser discutido.  É uma espécie de volta ao clínico geral, norteado por princípios que privilegiam a desespecialização da medicina.  O sistema pressupõe o pagamento de uma quantia fixa por paciente e a manutenção da sua saúde fica a critério do internista que pode ter até prejuízo ocosional. O  risco fica portanto compartilhado entre os agentes de saúde e o paciente.  Nos Estados Unidos este sistema já está em funcionamento, muita gente apoiou, uma minoria está contra, mas parece que está dando certo. Outro ponto polêmico para estancar a elevação de custos que é o excesso de exames pedidos por médicos temerosos de serem processados por erro médico é o da bonificção financeira ao médico credenciado que solicitar poucos exames (!).  Uma outra solução de mercado estará brevemente sendo mais divulgado no Brasil, na forma de sistemas de seguro de responsabilidade civil - ou erro médico (malpractice). Algumas seguradoras já oferecem este tipo de seguro para Hospitais, Laboratórios e médicos de especialidades que estariam mais vulneráveis a um erro médico - ortopedistas, obstetras e cirurgiões plásticos, por exemplo.  Na realidade, todo médico deveria pagar uma taxa de imperícia - somos humanos - para se prevenir de um possível erro médico; uma espécie de taxa de responsabilidade civil dos motoristas.

O Sangue Artificial - a necessidade de transfusão de sangue está se desenvolvendo rapidamente na área da veterinária. Animais de estimação encontram muita dificuldade para conseguir doação de sangue quando, por exemplo, são atropelados. Veterinários pesquisadores partiram então à procura do sangue artificial para realizar as transfusões de seus clientes.  Embora em sua fase inicial, já começa a aparecer no mercado americano o sangue artificial para cães.  Em 2010, talvez até mesmo em 2005, espera-se que o sangue humano natural, um agente muito transmissor de doenças - AIDS, hepatite Be C e..., chagas, sífilis etc -, caro, com doação cada vez mais difícil, seja substituído pelo artificial sintético.

Várias Inovações Surgirão Para Aumentar O Prazer De Viver Mais Tempo - é esperada para breve a chegada ao Brasil do medicamento Sindenafil, a chamada "pílula da ereção".  Sua utilização em larga escala provocará alterações na estrutura de relacionamento dos casais. Por não mais precisar se mortificar pela perda da capacidade de ereção, os homens verão sua auto-estima se elevar de forma impactante: tornar-se-ão seres literalmente mais potentes, física e mentalmente, com grandes implicações nas suas relações com o mundo. O número de guerras poderá aumentar. Devido à importância que o sexo representa entre os seres humanos uma pílula deste tipo provocará mudanças semelhantes a da pílula anticoncepcional que, em vinte anos de uso, alterou radicalmente a relação homem/mulher e reduziu de forma substancial a taxa de crescimento da população mundial.  A "pílula da ereção" é apenas uma das inúmeras inovações que estarão disponíveis ao longo dos próximos anos, concebidas para aumentar a qualidade de vida dos seres humanos e tornar prazeroso viver até os 120 anos. O planejamento familiar será uma realidade e só vai ter filho quem quizer.Agora se vai se poder escolher o sexo, a cor dos olhos, a estatura e o QI dos filhos só a Ética mundial dirá.

E O Brasil, Como É Que Fica? - além do conjunto descrito nos itens anteriores e plenamente aplicável ao Brasil de 2010, consideramos sobre outros tópicos que identificamos em nosso país:

Creio que predomina entre os brasileiros uma cultura de baixa auto-estima que nos induz a adotar um comportamento desleixado com relação ao seu próprio tratamento de saúde: as pessoas protelam a ida ao médico trocando diagnóstico e tratamento adequados por toda sorte de substitutos - homeopatias e medicinas alternativas.  Um hábito de “check up periódico” evitariam muitos problemas com custos certamente muito menores.

O problema das seguradoras brasileiras é não explicar claramente qual é a cobertura dos seguros que estão vendendo.  Entretanto, as pessoas deveriam assumir a responsabilidade pela compreensão do que desejam comprar, buscando aconselhamento profissional para selecionar o pacote de seguro mais adequado.

No Brasil de 2010 continuará a existir um sistema duplo de saúde.  De um lado, as pessoas com algum tipo de vínculo de trabalho deverão ter um seguro de saúde privado; de outro, pobres e idosos desassistidos que não podem pagar deverão ter acesso à saúde e hospitais do governo.

Descentralizar o  Ministério da Saúde, criando uma fortíssima pasta de Saneamento; desenvolver e investir em políticas de prevenção mostrando que o conjunto água potável, educação sanitária, proteína, vacinas para todos, exercício regulares, dietas balanceadas e check up periódico é indispensável para uma boa saúde.



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