Medicina
no próximo milênio
Dr. Horácio
Arruda Falcão,
ex-Professor de Nefrologia
da UFRJ,
Fellow em Nefrologia pelo
Massachusetts General Hospital,
Fellow do American College
of Physicians (FACP)
| Medicina genética
| Número de cirurgias | A
desospitalização |
| A
telemedicina | AIDS | Da cura para
a prevenção |
| Novas
doenças | A revolução genética
| Qualidade de vida |
| Médicos
perdem status | Retorno do médico de família
|
| Sangue
artificial |
O grande problema da medicina
atual, a ineficiência dos sistemas de atendimento de saúde,
atinge a população na forma de custos ascendentes e de uma
perversa alocação de serviços. Mas, este problema
deverá estar com os dias contados. A medicina em 2010, nem
de longe lembrará a atual. A utilização das
novas tecnologias que estão sendo disponibilizadas para a saúde
permitirá a consolidação da mais importante tendência
para o setor: o deslocamento do seu foco tradicional da cura de doenças
para o da prevenção. E desta reformulação
as conseqüências serão: (1) Desenvolvimento de
novos tipos de atendimento que dispensam a hospitalização;
(2) Maior competição entre os agentes de saúde; (3)
Redução do poder dos médicos e elevação
da importância das atividades de enfermeiros e paramédicos;
(4) Maior consciência dos pacientes sobre o processo preventivo;
(5) Maior qualidade de vida e aumento da vida média da população;
(6) Drástica redução do número de hospitais.
A seguir apresento sob a forma de tendências, os principais pontos
de uma visão da medicina que prevalecerá no mundo de 2010:
A
Medicina Genética Elevará Substancialmente A Média
De Idade Dos Seres Humanos – a aplicação no campo
da saúde dos resultados do Projeto Genoma, um programa de bilhões
de dólares previsto para ser completado por volta de 2002, deverá
revolucionar a prevenção da saúde dos seres humanos
e provocar profundos impactos positivos nos níveis da qualidade
de vida da população mundial. Ao realizar todo o mapeamento
genético do corpo humano o programa permitirá identificar
e corrigir os genes responsáveis por determinadas doenças
e por determinados atributos físicos das pessoas. A terapia
genética permitirá uma gama imensa de atuação
sobre o(s) gene(s) causador(es) de doença(s) – transformação
ou substituição quando ele for defeituoso; inclusão
em casos de ausência. Nas doenças hereditárias as novas
tecnologias permitirão a aplicação da terapia diretamente
no próprio feto. Ainda que leve de oito a doze anos para se
tornar uma prática disseminada e efetiva, estudos recentes mostraram
que a terapia genética já vem sendo testada na cura do câncer
de seres humanos com resultados bastante otimistas. À medida
que os genes causadores das doenças -hereditárias e os oncogenes
- são descobertos a vida média dos indivíduos será
progressivamente ampliada; se hoje está por volta de 72 anos, projeções
indicam que os seres humanos chegarão,nos países desenvolvidos
em 2010, aos 120 anos. E grande parte da responsabilidade deste resultado
caberá à terapia genética.
Número
De Cirurgias No Próximo Milênio Se Reduzirá Em Mais
De 50% - em 2010, através de um processo de telecirurgia
os cirurgiões, mesmo quando localizados em centros distantes de
seus pacientes, poderão realizar suas cirurgias por meio de robôs
teleguiados e controlados por softwares, monitorando-as num vídeo
em terceira dimensão. As cirurgias de grande precisão
- do cérebro, ortopédicas e do coração – serão
exemplos da utilização desta nova tecnologia. Por ser
mais precisa e menos agressiva, propiciando uma recuperação
mais rápida aos pacientes, a videotelecirurgia se desenvolverá
bastante e tenderá a diminuir drasticamente a era das cirurgias
invasivas de hoje. Comparando-se o volume atual de cirurgias realizadas
anualmente, incluindo-se aqui as não-invasivas videolaparoscopias
prevê-se em 2010 uma redução no número de cirurgias
invasivas em mais de 50%. Se hoje quase já não mais
se operam úlceras pépticas, cálculos de rim, vesícula
biliares (a não ser com vídeo), próstatas - hormonioterapia
e braquiterapia - , no futuro as novas tecnologias e as terapias
genéticas reduzirão bastante as necessidades de cirurgias
oncológicas; permanecerão somente aquelas decorrentes de
acidentes e emergências. Na realidade, a tendência será
privilegiar uma medicina não invasiva que compreenderá check-ups
periódicos, testes sangüíneos preventivos - os chamados
marcadores tumorais - e terapias genéticas. Por outro lado,
as doenças cardiovasculares, uma das maiores causas de mortes na
atualidade - se não a maior -, utilizarão em sua terapia
um conjunto de ações preventivas elementares: alimentação
balanceada, exercícios regulares, condionamentos físicos,
controle farmacológico da obesidade, ingestão de drogas para
controlar o colesterol, a rotina de se fazer check-ups (hábito que
começa a ser difundido no Brasil), e as dosagens sanguineas para
se detectar precocemente qualquer tipo de doença. Sabemos agora,
por exemplo, que o “nosso” futuro próximo reside basicamente na
dosagem do PSA, utilizada para avaliação e detecção
precoce do câncer de próstata, em estágio precoce e
no caso das mulheres a mamografia. Outros testes sangüíneos
estão surgindo para ao detectar nos estágios iniciais o Câncer,
o tratamento imediato levará a cura de certos tipos. Surgirão
também vacinas contra vários tipos de Câncer ( Aids,
HPV, ovário, certos tipos de leucemias, melanomas etc...).Enfim
a tendência será de diminuir o número de novos casos
de Câncer/ano no mundo.
A
Desospitalização Promovida Pelo Home Care Reduzirá
O Número De Hospitais -
dizem que foi Jacqueline Kennedy quem, à beira da morte, difundiu
o tratamento pelo Home Care ao pedir para deixar o hospital e morrer em
casa. Percebeu-se que em casa a recuperação dos pacientes
era facilitada pelo apoio e conforto proporcionado pela família;
evitava-se também a temida infecção hospitalar e todos
os elevados custos da hotelaria hospitalar. Nos casos irrecuperáveis,
a ida para casa reduz substancialmente os custos do tratamento - em média,
90% das despesas de atendimento ocorrem no último ano de vida dos
indivíduos. Os resultados práticos de redução
de custos são tão favoráveis que os seguros de saúde
já começaram a aderir e a incentivar o Home Care. Com isso,
acabam jogando mais lenha na tendência de redução do
número de hospitais, cujo término alguns prevêem para
o próximo século, ao transferir as estruturas hospitalares
para dentro da casa dos pacientes. Este movimento de desospitalização
fará surgir grandes oportunidades para os profissionais médicos
de família e clínicos gerais,especialistas em nutrição
parenteral, paramédicos de atendimento domiciliar que verão
ocorrer um boom em suas atividades - fisioterapeutas respiratórios
e de reabilitação motora, enfermeiras, auxiliares e atendentes
de enfermagem etc, serão profissões com alta demanda no futuro.
A
Telemedicina Transformará O Domicílio De Um Paciente Em Seu
Hospital Virtual - a prática do Home Care ganhará
grandes aliados na tecnologia. A utilização conjunta
das inovações tecnológicas da medicina com as da telemática
promoverá o monitoramento à distância dos sinais vitais
do paciente "hospitalizado" em sua residência; além disso,
médico e paciente poderão se comunicar através de
um “chip” incrustado no próprio paciente, ou de um televídeo
sempre que necessário. Neste sistema a enfermeira estaria capacitada
a tirar o eletrocardiograma de um paciente com dor no peito, transmiti-lo
por um sistema telemático ao seu médico, que o medicaria
da maneira mais conveniente. Esta prática vai evoluir e crescer
de forma intensa nos próximos anos; é mais barata, favorece
uma recuperação mais rápida, pode atender locais distantes
e com infra-estrutura médica precária - o que no Brasil seria
uma maneira de suprir a deficiência e tenderia a solucionar
os problemas provenientes da carência de bons médicos no interior.
A
AIDS - A Praga Do Século - Vai Ainda Matar Milhões De Pessoas
- cientistas não esperam desenvolver tão cedo uma vacina
eficaz contra a AIDS, especialmente pelas mutações que os
vírus vão fazendo - vacinas eficazes e sem importantes efeitos
colaterais levam às vezes trinta a quarenta anos para serem desenvolvidas
(por exemplo, pólio e sarampo). Tal como um diabetes, tratado
com doses diárias de insulina, a AIDS se tornará uma doença
crônica controlada à base de freqüentes ingestões
de um "coquetelzinho" que no futuro contará com menores quantidades
físicas de medicamentos, embora muito mais potentes. A grande
diferença entre a AIDS e outras doenças não curáveis
mas controladas à base da ingestão diária de medicamentos,
como o diabetes e a hipertensão arteria, é que a AIDS é
transmissível,mortal e exige um estado permanente de alerta para
evitar sua propagação; como o meio de transmissão
principal é pela via sexual corremos o risco de conviver no futuro
com milhões de novos seres humanos infectados com a doença.
Além disso, ao contrário do Ebola que, por ser altamente
fatal - mata em aproximadamente dez dias - não dá muito tempo
para ser transmitido; o tempo de propagação da AIDS (sobrevida
do portador) tenderá no futuro a ser cada vez maior - tanto pela
eficácia dos medicamentos como pela elevação da idade
média da população mundial. É neste contexto
que surge a grande questão a ser resolvida: como fazer para o portador
passar a ter consciência de que é ele quem propaga a doença
e como tal é sua a responsabilidade de proteger as demais pessoas.
Se não houver um grande esforço educacional que produza esta
mudança radical de mentalidade, a população mundial
correrá o risco de se dividir em dois grandes grupos: os transmissores,
portadores da doença e os neuróticos, amedrontados permanentemente
pela existência de um portador invisível. Por tudo isso
é que já se considera a AIDS como a praga do século.
Espera-se, contudo, que em 2010 já se tenha vacina para pelo menos
algumas das variáveis da doença.
Cada
Vez Mais A Ênfase Da Medicina Se Deslocará Da Cura Para A
Prevenção De Doenças - a descrição
das tendências anteriores já evidencia esta mudança.
Entretanto, a maior parte dos agentes da saúde parece não
ter ainda se conscientizado plenamente deste fato: as seguradoras de saúde,
por exemplo, continuam direcionando seu foco de atuação para
a cura de doenças ao invés de promover a Saúde: governos
deveriam desenvolver políticas para incentivar a pesquisa de vacinas
contra a AIDS, meningite,malária, hepatites,tuberculose etc e garantir
sua distribuição gratuita para todas as doenças; o
controle e a erradicação de epidemias virais - cólera,
dengue etc -, que dependem fundamentalmente de um aspecto mais financeiro,
deveriam merecer ações permanentes de captação
de recursos. Por outro lado, a própria sociedade está
começando a privilegiar atitudes que promovem saúde, e a
desenvolver valores compatíveis com sua manutenção.
Nesta linha, a rejeição à obesidade atinge níveis
de histeria coletiva: todos se acham gordos, querem parecer magros e, realmente,
se convencem de que magreza é saúde e obesidade doença.
Mas a luta contra a obesidade também rende frutos positivos: incorpora
a realização de exercícios ao cotidiano das pessoas
e valoriza as dietas alimentares com carne branca, mais fibras e mais legumes.
No campo da prevenção, a ação de maior impacto
em nosso país seria transformar o Ministério da Saúde
em Ministério do Saneamento, pois a maioria das doenças brasileiras
- e aí se incluem todas as verminoses - vem da utilização
de uma água de baixa qualidade. Por falta de saneamento e
coleta de esgoto em níveis superiores ao mínimo adequado,
os dejetos se misturam com o que a população bebe e as diarréias
infantis se tornam a maior causa de mortalidade infantil em nosso país.
Neste contexto de desassistência oficial, a desnutrição
também faz suas vítimas através das pneumonias.
Portanto, água potável de boa qualidade (saneamento), educação,
proteína e vacina, formam o quarteto básico da prevenção
que falta ao Brasil e que resulta em enormes perdas, humanas e financeiras.
Aparecimento
De Novas Doenças - cientistas estão convencidos
de que uma nova doença de origem animal, com impactos semelhantes
aos da AIDS, tem uma grande probabilidade de surgir até 2010.
Felizmente, para surpresa geral, a vacina contra o vírus das galinhas
surgido em Hong Kong foi desenvolvida rapidamente; já identificados
estão também o vírus do Ebola e o Hantavírus.A
doença da vaca louca se não tivesse sido detectada a tempo
poderia ter sido devastadora para a comunidade Européia. Outros
ainda desconhecidos, mas letais ao Homem, existem nos animais sem provocar-lhes
danos devido ao seu código genético diferente. Aumentando
nossa interação com os animais - diz-se que a origem da AIDS
foi na África, onde é comum certas tribos manterem relações
sexuais com macacos - o risco de um eventual contágio certamente
crescerá. Ao perceber o alto nível de risco destas
interações os cientistas decidiram alterar o foco de suas
pesquisas e sustaram temporariamente os estudos de transplantes de órgãos
de animais em seres humanos - os xenotransplantes. Em 2010, caso
não se houvesse percebido que vários vírus inofensivos
aos animais serão letais para o homem, vários transplantes
com órgãos de animais já teriam sido realizados e
uma grande parte da população mundial estaria sofrendo, sob
os efeitos de uma epidemia mortal.
A
Genética Revolucionará o Mundo e Criará Uma Nova Ética:
Uma Advocacia Genética? - que o assunto é
explosivo ninguém duvida. A divulgada clonagem da ovelha Dolly,
ampliada pela repercussão mundial do fato e de seus possíveis
desdobramentos sobre o futuro da concepção do Homem, ainda
está sendo questionada nos meios acadêmicos. Primeiro,
porque em quatrocentas tentativas - conforme relato do médico escocês
a uma junta de cientistas -, inúmeras foram malsucedidas e geraram
ovelhas deformadas; também porque a Dolly foi a única tentativa
bem sucedida e, mesmo assim, gerada a partir de um óvulo congelado.
E, pelo que se sabe, ninguém até agora repetiu com sucesso
a clonagem de uma ovelha. Consequentemente, a reprodução
de um ser humano por este processo correrá um alto risco de gerar
monstros deformados e consumirá orçamentos financeiros gigantescos.
Se o objetivo fosse a obtenção de órgãos para
transplante, muito melhor seria investir em campanhas de doação
que, no momento atual, se configura como a menos arriscada das alternativas
- ver tendência nº 7 sobre doenças oriundas de animais.
O interessante neste caso é o aparecimento de novas questões
éticas cujas polêmicas serão contempladas por uma futura
especialidade o do Direito advocaticio da Biogenetica. Exemplos retirados
do cotidiano já antecipam o que virá num futuro próximo:
tráfico de órgãos (comum na China), "mulheres cujos
ex-maridos congelaram seus espermas antes do divórcio ou do seu
falecimento, entram na justiça para conseguir o material congelado
e se auto-fecundar; casal decide gerar um novo filho para transplantar
sua medula em uma filha com leucemia ao não encontrar um doador
disponível". Qualquer pessoa com um mínimo de criatividade
poderá imaginar situações provocadas pela prática
da engenharia genética que, à luz do direito e da ética
atual, não seriam jamais aceitas. O fato é que devemos
começar a nos preparar e a nossos filhos para uma revolução
em nossas concepções. De prático, ressalto as
oportunidades que surgirão no campo do direito biogenético.
A
Eliminação De Doenças E Hábitos De Alto Custo
Social Contribuirão Para A Melhoria Da Qualidade De Vida
- busca-se intensamente a cura de inúmeras doenças para eliminar
os prejuízos financeiros que causam: o tratamento da osteosporose,
por exemplo, causadora freqüente de fraturas em pessoas entre mais
de sessenta e setenta anos, já está sendo feito com medicamentos
que aumentam a fixação do cálcio nos ossos e geram
economia de bilhões de dólares; o alcoolismo, um problema
social mundial gravíssimo, já é tratado pelo naltrexone,
um remédio que inibe a compulsão pela bebida; a adesão
permanente de novos agentes à guerra contra o tabagismo, promete
criar dificuldades cada vez maiores para a indústria: aeroportos
e empresas de transporte aéreo americanos não mais permitem
o fumo em suas dependências, a legislação exige a introdução
e a divulgação de cigarros com baixos teores de alcatrão,
os acordos restritivos que a indústria está fazendo nos Estados
Unidos, as restrições em planos de saúde e no emprego
- em 2010, o cigarro será certamente um hábito banido pela
sociedade. Por outro lado algumas drogas, de natureza alucinógena,
continuarão consumidas como um meio de fugir da realidade.
Neste campo vale mencionar a endorfina, uma substância produzida
pelo próprio organismo e capaz de provocar sensações
de euforia; por ser gerada pelo corpo humano durante a prática de
esportes como corrida, natação tênis,futebol etc, leva
seus praticantes a sentir falta destas atividades. Por isso,
no futuro, grandes oportunidades se abrirão aos empreendimentos
esportivos - clubes vão proliferar, todo o mundo vai querer praticar
esportes, natação, jogging, tenis etc. Cada vez mais
os seres humanos vão ser esportistas. Claro que com as limitações
da idade. Em 2010, os novos jovens de 80 anos certamente estarão
em plena atividade esportiva. Esta tendência em praticar esportes,
seguir dietas balanceadas, e se vacinar regularmente eliminará uma
variedade enorme de doenças hoje existentes e será muito
forte em 2010.
Médicos
Tendem A Perder Status Na Sociedade Do Futuro E Serão Relegados
À Profissão De Segunda Categoria - o corolário
interessante do foco na prevenção é que os médicos
vão perder o poder que hoje desfrutam em nossa sociedade.
Muito contribuirá para esta tendência sua dificuldade em atuar
no marketing da medicina, um importante campo que virá a todo o
vapor a partir do ano 2000: se o médico não disser quem ele
é, o que ele faz, se ele é competente, ele não vai
sobreviver. É exatamente por não ter esta capacitação
que os médicos cederam um enorme espaço e propiciaram às
seguradoras de saúde atuar como verdadeiras donas dos clientes.
Este fato provocou a despersonalização dos médicos
- se antes eram conhecidos como Doutores X e Y, agora se tornaram os doutores
do livrinho do Plano Z. Entretanto, a instituição do
livrinho tenderá a acabar. No futuro, os clientes selecionarão
o médico desejado e complementarão a parcela de honorários
que porventura exceder ao seu plano de saúde. A capacidade de um
médico se fazer selecionado neste ambiente de progressiva perda
de status, será uma conseqüência do seu domínio
de marketing.
Vale ressaltar aqueles que
se atualizarem com curso de administração e gestão
da Saúde terão um mercado profícuo nos próximos
anos.A saúde será vista como um negócio qualquer e
não há nada de errado em se ter lucro na saúde se
o usuário fica satisfeito com o serviço que lhe foi prestado.
A
Tentativa Permanente De Equilibrar Custos E Atendimento De Qualidade Provocará
Um Retorno do Médico Da Família (Clínico Geral)
- O sistema de atendimento de saúde atual está sendo amplamente
criticado por realimentar seus custos ascendentes. Para solucionar este
problema os americanos instituíram o Managed Care, um sistema de
saúde que vale a pena ser discutido. É uma espécie
de volta ao clínico geral, norteado por princípios que privilegiam
a desespecialização da medicina. O sistema pressupõe
o pagamento de uma quantia fixa por paciente e a manutenção
da sua saúde fica a critério do internista que pode ter até
prejuízo ocosional. O risco fica portanto compartilhado entre
os agentes de saúde e o paciente. Nos Estados Unidos este
sistema já está em funcionamento, muita gente apoiou, uma
minoria está contra, mas parece que está dando certo. Outro
ponto polêmico para estancar a elevação de custos que
é o excesso de exames pedidos por médicos temerosos de serem
processados por erro médico é o da bonificção
financeira ao médico credenciado que solicitar poucos exames (!).
Uma outra solução de mercado estará brevemente sendo
mais divulgado no Brasil, na forma de sistemas de seguro de responsabilidade
civil - ou erro médico (malpractice). Algumas seguradoras já
oferecem este tipo de seguro para Hospitais, Laboratórios e médicos
de especialidades que estariam mais vulneráveis a um erro médico
- ortopedistas, obstetras e cirurgiões plásticos, por exemplo.
Na realidade, todo médico deveria pagar uma taxa de imperícia
- somos humanos - para se prevenir de um possível erro médico;
uma espécie de taxa de responsabilidade civil dos motoristas.
O
Sangue Artificial -
a necessidade de transfusão de sangue está se desenvolvendo
rapidamente na área da veterinária. Animais de estimação
encontram muita dificuldade para conseguir doação de sangue
quando, por exemplo, são atropelados. Veterinários pesquisadores
partiram então à procura do sangue artificial para realizar
as transfusões de seus clientes. Embora em sua fase inicial,
já começa a aparecer no mercado americano o sangue artificial
para cães. Em 2010, talvez até mesmo em 2005, espera-se
que o sangue humano natural, um agente muito transmissor de doenças
- AIDS, hepatite Be C e..., chagas, sífilis etc -, caro, com doação
cada vez mais difícil, seja substituído pelo artificial sintético.
Várias
Inovações Surgirão Para Aumentar O Prazer De Viver
Mais Tempo - é esperada para breve a chegada ao Brasil
do medicamento Sindenafil, a chamada "pílula da ereção".
Sua utilização em larga escala provocará alterações
na estrutura de relacionamento dos casais. Por não mais precisar
se mortificar pela perda da capacidade de ereção, os homens
verão sua auto-estima se elevar de forma impactante: tornar-se-ão
seres literalmente mais potentes, física e mentalmente, com grandes
implicações nas suas relações com o mundo.
O número de guerras poderá aumentar. Devido à importância
que o sexo representa entre os seres humanos uma pílula deste tipo
provocará mudanças semelhantes a da pílula anticoncepcional
que, em vinte anos de uso, alterou radicalmente a relação
homem/mulher e reduziu de forma substancial a taxa de crescimento da população
mundial. A "pílula da ereção" é apenas
uma das inúmeras inovações que estarão disponíveis
ao longo dos próximos anos, concebidas para aumentar a qualidade
de vida dos seres humanos e tornar prazeroso viver até os 120 anos.
O planejamento familiar será uma realidade e só vai ter filho
quem quizer.Agora se vai se poder escolher o sexo, a cor dos olhos, a estatura
e o QI dos filhos só a Ética mundial dirá.
E
O Brasil, Como É Que Fica? - além do conjunto
descrito nos itens anteriores e plenamente aplicável ao Brasil de
2010, consideramos sobre outros tópicos que identificamos em nosso
país:
Creio que predomina entre
os brasileiros uma cultura de baixa auto-estima que nos induz a adotar
um comportamento desleixado com relação ao seu próprio
tratamento de saúde: as pessoas protelam a ida ao médico
trocando diagnóstico e tratamento adequados por toda sorte de substitutos
- homeopatias e medicinas alternativas. Um hábito de “check
up periódico” evitariam muitos problemas com custos certamente muito
menores.
O problema das seguradoras
brasileiras é não explicar claramente qual é a cobertura
dos seguros que estão vendendo. Entretanto, as pessoas deveriam
assumir a responsabilidade pela compreensão do que desejam comprar,
buscando aconselhamento profissional para selecionar o pacote de seguro
mais adequado.
No Brasil de 2010 continuará
a existir um sistema duplo de saúde. De um lado, as pessoas
com algum tipo de vínculo de trabalho deverão ter um seguro
de saúde privado; de outro, pobres e idosos desassistidos que não
podem pagar deverão ter acesso à saúde e hospitais
do governo.
Descentralizar o Ministério
da Saúde, criando uma fortíssima pasta de Saneamento; desenvolver
e investir em políticas de prevenção mostrando que
o conjunto água potável, educação sanitária,
proteína, vacinas para todos, exercício regulares, dietas
balanceadas e check up periódico é indispensável para
uma boa saúde.
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