Glomerulosclerose segmentar
e focal em pacientes adultos
Dr. Márcio
Dantas
Professor Doutor, Divisão de
Nefrologia, Departamento de Clínica Médica
Faculdade de Medicina de Ribeirão
Preto, USP
| Introdução
| Etiopatogênese | Histopatologia
| Quadro Clínico |
| Tratamento
| Corticosteroides | Agentes
alquilantes |
| Ciclosporina
A | Outras terapias | GEFS e
Tx | Conclusões | Bibliografia
|
Introdução
A glomerulosclerose segmentar e focal
(GESF) primária é uma entidade clínico-patológica
que com frequência manifesta-se clinicamente como síndrome
nefrótica e que apresenta grande potencial para evoluir para insuficiência
renal crônica terminal. A denominação da doença
reflete o achado histopatológico encontrado nas fases iniciais,
caracterizado por lesão glomerular com colapso vascular e esclerose
mesangial comprometendo apenas segmentos de alguns glomérulos.
A investigação sistemática
dessa patologia teve início a partir do relato de Rich(1) em 1957
que identificou essa lesão em autópsias de pacientes com
síndrome
nefrótica, cujos óbitos haviam sido decorrentes principalmente
de infecção ou uremia. Foi observado que naqueles pacientes
com óbito ocorrido poucos meses após a manifestação
da síndrome nefrótica, os glomérulos afetados predominavam
na região justamedular mas, naqueles pacientes com doença
avançada e uremia, praticamente todos os glomérulos estavam
comprometidos, de maneira global. O termo glomerulosclerose segmentar e
focal é atualmente o mais utilizado, porém outras denominações
também são aceitas tais como hialinose segmentar e focal
e glomerulosclerose focal, entre outros. Como existe relação
causal entre a lesão de esclerose glomerular segmentar e focal com
uma série de doenças ou condições clínicas,
nessas circunstâncias a GESF é classificada como secundária.
Por outro lado, é classificada como primária quando as causas
secundárias são excluídas. A GESF primária
tem etiologia desconhecida e é responsável por síndrome
nefrótica em pacientes de qualquer faixa etária, embora atinja
predominantemente crianças e pacientes adultos na faixa dos 25 a
35 anos de idade.
Pretende-se aqui revisar os aspectos
clínicos e terapêuticos da GESF primária no paciente
adulto.
Etiopatogênese
Na Tabela 1 estão listadas as
principais doenças associadas com a GESF secundária. A GESF
primária corresponde a aproximadamente 95% dos diagnósticos
de GESF, enquanto que a secundária corresponde a cerca de 5%(2).
A manifestação histopatológica
da GESF provavelmente é a consequência final de uma variedade
de estímulos ainda mal compreendidos.(3) Assim, a interação
de modificações na hemodinâmica glomerular, filtração
aumentada de macromoléculas, massa renal reduzida, mecanismos esses
que podem levar à hiperfiltração, estimulam a hipertrofia
e proliferação de células nativas do glomérulo,
bem como a produção de uma série de mediadores que
resultará na glomerulosclerose.
Vários trabalhos sugerem a existência
da associação de antígenos do sistema HLA com a GESF
primária, refletindo predisposição genética,
mas o desenvolvimento da doença é multifatorial e a herança
genética não se associa com nenhum locus em particular.(4)
Associado a isso, também foi demonstrado incidência familiar.(5)
A GESF primária, ou idiopática,
aparentemente apresenta traços em comum com a glomerulonefrite de
lesões mínimas porém com pior evolução.
Biópsias sequenciais realizadas em pacientes com glomerulonefrite
de lesões mínimas mostraram progressão para GESF.
Aparentemente, a lesão da célula do epitelio visceral glomerular
é o evento inicial porém através de mecanismo desconhecido.(6)
Recentemente alguns trabalhos demonstraram a existência de um fator
circulante no plasma de pacientes com GESF primária que aumenta
a permeabilidade do capilar glomerular a proteínas e que possivelmente
é o mediador envolvido na lesão da célula do epitélio
visceral glomerular.(7, 8, 9) Entretanto, a natureza, propriedades e mecanismo
de ação desse fator ainda são desconhecidos.
Tabela
1: Doenças associadas com
glomerulosclerose
segmentar e focal (3)
-
Glomerulosclerose segmentar e focal primária
(idiopática)
-
Glomerulosclerose segmentar e focal secundária
-
drogas
-
nefropatia obstrutiva ou de refluxo
-
hiperfiltração renal/perda
de massa renal
-
agenesia renal unilateral
-
oligomeganefronia
-
hipoplasia segmentar
-
preeclâmpsia
-
HIV
-
diabetes mellitus
-
anemia falciforme
-
envelhecimento
-
doenças neoplásicas
-
transplante renal
-
miscelânea
nefropatia por radiação
esquistossomose
tuberculose
-
glomerulopatias
Púrpura de Schönlein-Henoch
Doença de Berger
outras nefropatias IgA secundárias
Síndrome de Alport
glomerulonefrite pós-estreptocócica
glomerulonefrite membranosa
outras doenças renais
progressivas
(3) com modificações. |
Histopatologia
Várias alterações
estão presentes nos glomérulos dos pacientes com GESF nas
fases iniciais da doença. Resumidamente, na microscopia óptica
a alteração característica consiste em esclerose mesangial
segmentar (compromete apenas parte do glomérulo) com colapso das
alças capilares (Figuras 1, 2 e 3), com distribuição
focal, ou seja, compromete até 70% dos glomérulos enquanto
os glomérulos restantes apresentam aspecto morfológico nos
padrões da normalidade (Figura 1). Na microscopia de imunofluorescência
pode-se observar deposição de IgM acompanhado de C3 na lesão
segmentar (Figura 4).
Quadro
Clínico
A GESF primária é causa
de síndrome nefrótica em 7% a 15% das crianças e em
15% a 20% dos adultos.(13) Em aproximadamente 65% a 80% dos pacientes a
doença se manifesta clinicamente como síndrome nefrótica
enquanto um percentual menor apresentará proteinúria não
nefrótica.(2) Homens são mais afetados que mulheres e pacientes
negros são mais susceptíveis ao desenvolvimento da doença.
Nos adultos, a faixa etária com maior incidência está
entre os 25 e 35 anos de idade. Alguns autores verificaram que a incidência
de insuficiência renal, hipertensão arterial, intensidade
da proteinúria e ritmo de progressão da doença renal
é maior em adultos do que em crianças, assim como pacientes
adultos têm menor chance de remissão com o tratamento específico.(14)
Entretanto, esses achados não foram confirmados em outros estudos.(15,
16)
É comum encontrar déficit
de função renal, manifestado por clearance de creatinina
reduzido ou creatinina sérica elevada, já na ocasião
da apresentação clínica, tanto em pacientes nefróticos
como naqueles com proteinúria não nefrótica.(2, 3.
4) Todavia deve ser ressaltado que nos pacientes com síndrome nefrótica
grave a redução da função renal pode ser consequência
de insuficiência renal aguda isquêmica. Nos pacientes nefróticos
a proteinúria, caracterizada como não seletiva, geralmente
é variável em intensidade podendo atingir níveis superiores
a 20 g/dia, o que acarreta síndrome nefrótica grave e que
atuará como fator de pior prognóstico. Presença de
hipertensão arterial é comum e hematúria microscópica
é verificada em cerca de 40% dos pacientes. Os níveis séricos
dos componentes do sistema complemento encontram-se normais e os de IgG
podem estar reduzidos. Entretanto, apenas pela biópsia renal é
possível diagnosticar a GESF. Nenhum outro parâmetro diagnóstico,
clínico ou laboratorial, permite diferenciar a GESF primária
das outras causas de síndrome nefrótica idiopática.

Figura 1: Microscopia óptica mostrando
esclerose segmentar com colapso de alças capilares em 2 glomérulos
(setas) e 1 glomérulo com aspecto normal. (tricrômico de Masson;
X 110)

Figura 2: Microscopia óptica mostrando
glomérulo com esclerose segmentar e colapso de alças capilares
(seta). (Tricrômico de Masson; X750)

Figura 3: Microscopia óptica mostrando
glomérulo com esclerose segmentar e colapso de alças capilares
(seta), sinequiada à cápsula parietal de Bowman. (Tricrômico
de Masson; X 300)

Figura 4: Microscopia de imunofluorescência
mostrando deposição de soro anti-IgM em 2 segmentos acometidos
de um glomérulo. (X 300)
A presença de proteinúria
intensa (superior a 14 g/dia), taxa de filtração glomerular
reduzida, hipertensão arterial e presença de fibrose intersticial
em grau moderado a avançado na biópsia renal se associam
com pior prognóstico e menor chance de resposta terapêutica.(10,
11, 12) Nos pacientes cuja doença se manifesta com proteinúria
não nefrótica, o prognóstico é sensivelmente
melhor. Naqueles com síndrome nefrótica a sobrevida em 10
anos foi de 45,2%, enquanto que nos não nefróticos, foi de
91%. Além disso, apenas 25% dos pacientes com síndrome nefrótica
apresentavam boa função renal após 10 anos, diferindo
da taxa de 85% daqueles com proteinúria não nefrótica
no mesmo período.
Tratamento
Na presença de proteinúria
não nefrótica não deve ser introduzido nenhum tratamento
específico como corticosteróide ou imunossupressor. Está
indicado apenas o controle das manifestações sistêmicas
que possam contribuir para a progressão da doença renal.
Também é recomendado o uso de inibidor da enzima de conversão
de angiotensina que pode retardar a evolução para insuficiência
renal crônica.(17, 18)
A primeira opção terapêutica
específica baseia-se no uso de corticosteróides. A segunda
opção pode ser um agente alquilante/citotóxico (ciclofosfamida
ou clorambucil) ou a ciclosporina A. No Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto utilizamos como segunda
opção a ciclofosfamida. Entre os pacientes que não
apresentam remissão da síndrome nefrótica com o tratamento
específico, o prognóstico é de evolução
para insuficiência renal crônica terminal num período
variável, geralmente entre 5 e 10 anos. Quando os pacientes entram
em remissão, a chance de progressão para insuficiência
renal crônica terminal é sensivelmente reduzida.
Em todos os pacientes a serem tratados
com corticosteróides ou imunossupressor, realizamos previamente
esquema com mebendazol, tiabendazol e metronidazol para erradicação
de doenças parasitárias.
Os esquemas recomendados para adultos
e crianças apresentam semelhanças. Entretanto, na presente
revisão será abordado apenas o tratamento aplicado à
população adulta.
Em nosso meio a prednisona é
o corticoesteróide mais frequentemente utilizado podendo também
ser utilizado a prednisolona.
Tradicionalmente, o tratamento da GESF
primária resultava em pequena taxa de remissão completa (cerca
de 20%), o que classificava essa doença como córtico-resistente
na grande maioria dos casos.(2, 14, 15, 16, 19, 20, 21, 22) Mais recentemente
foi sugerido que o tempo de tratamento até então preconizado
era pequeno, caracterizando subtratamento. (16) Nos últimos anos
vem sendo demonstrado que quando o tratamento é mantido por um período
mínimo de 4 meses com dose elevada, a taxa de remissão pode
atingir até 60% dos pacientes e, quando a remissão é
atingida, passam a ser mínimas as chances da doença progredir
para insuficiência renal terminal.(2, 3, 4, 10, 16, 22, 23, 24, 25).
Assim, a denominação de córtico-resistência
só deve ser aplicada aos pacientes que foram tratados com corticosteróides
em dose alta por um período mínimo de 4 meses.
O esquema atualmente recomendado, para
pacientes adultos, consiste em prednisona na dose de 1 mg/kg/dia (dose
máxima de 80 mg/dia) ou 2 mg/kg em dias alternados (dose máxima
de 150 mg em dias alternados), no período matinal, pelo período
mínimo de 4 meses quando inicia-se a redução gradual
da dose no ritmo de 10 mg/semana até atingir 30 mg/dia. A seguir
a dose é reduzida em 5 mg a cada 2 semanas ou ainda mais lentamente.
Caso a remissão completa ocorra precocemente, o corticosteróide
deve ser mantido ainda por mais 2 a 4 semanas para só então
iniciar a redução da dose.
Os pacientes submetidos a esse esquema
devem ser avaliados clinicamente com intervalos de 1 a 2 semanas no primeiro
mês e de 2 a 4 semanas a partir de então. Os efeitos colaterais
dos corticosteróides devem ser cuidadosamente investigados assim
como a proteinúria, a creatinina sérica, a albuminemia, lipidograma,
glicemia e hemograma. a cada 2 semanas e outros parâmetros tais como
lipidograma, glicemia e hemograma, mensalmente. Pode ser realizado profilaxia
com antagonistas H2 para proteção gástrica.
Os pacientes que desenvolvem córtico-dependência
devem ser mantidos com a menor dose de corticosteróide suficiente
para mantê-lo em remissão, durante período prolongado
(1 a 2 anos). Na presença de córtico-resistência ou
de córtico-dependência com efeitos colaterais dos corticosteróides
que indiquem a interrupção do tratamento podem ser tentados
esquemas alternativos com imunossupressores tais como agentes alquilantes/citotóxicos
(ciclofosfamida ou clorambucil) ou ciclosporina A.
-
Agentes
alquilantes/citotóxicos
A introdução de um
agente alquilante deve ser feita de maneira cuidadosa devido aos seus graves
efeitos colaterais. Pode ser indicado nos pacientes com córtico-resistência
ou córtico-dependência com efeitos colaterais aos corticosteróides
que justifiquem a sua interrupção.(2, 3, 4) Na opção
de um agente alquilante, a ciclofosfamida ou o clorambucil são utilizados
com maior frequência. Não existem evidências de que
o clorambucil seja mais eficiente que a ciclofosfamida para o tratamento
da síndrome nefrótica de pacientes com GESF primária.
Por outro lado, o clorambucil pode apresentar um maior potencial oncogênico
e, no nosso meio, é comercializada com preço superior ao
da ciclofosfamida.
No esquema com ciclofosfamida recomenda-se
dose de 2 a 3 mg/kg/dia por via oral, por até 12 semanas, ou até
atingir a dose máxima acumulada de 200 mg/kg.(2, 3, 4) Com essa
dose a chance do desenvolvimento de doenças neoplásicas e
do aparecimento de esterilidade definitiva é pequena.(26, 27) Essa
dose deve ser reduzida ou interrompida na presença de leucopenia
(leucócitos sanguíneos inferior a 3.000/mm3), infecções
e cistite hemorrágica, entre outros. Recomenda-se a associação
com prednisona em dose baixa (10 a 15 mg/dia ou 0,2 mg/kg/dia). Nas primeiras
semanas o hemograma deve ser avaliado a cada 7 dias e, posteriormente,
a cada 2 semanas assim como os parâmetros relacionados à doença
renal. Não existem evidências de que o uso da ciclofosfamida
por via intravenosa tenha vantagens em relação à via
oral no tratamento da GESF primária.
A dose recomendada do clorambucil é
de 0,1 a 0,2 mg/kg/dia e a dose total acumulada não deve ultrapassar
750 mg.(2, 3, 4) Os cuidados relacionados ao seguimento do paciente são
os mesmos que com o uso da ciclofosfamida.
A azatioprina vem apresentando pequena
eficácia no tratamento dos pacientes com GESF primária. Entretanto,
essa droga não foi analisada em estudos bem controlados e com número
apropriado de pacientes.
A ciclosporina A (CsA) está
indicada nos pacientes com GESF primária na presença de córtico-resistência
ou córtico-dependência com efeitos colaterais que justifiquem
a interrupção do corticosteróide.(28, 29, 30, 31)
Opção entre CsA e ciclofosfamida varia para cada serviço.
No Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão
Preto a CsA geralmente é indicada após a tentativa com ciclofosfamida.
O uso de CsA em pacientes adultos vem
se associando com pequena eficácia e um risco mais elevado de desenvolvimento
de nefrotoxicidade em relação às crianças.
Assim, a utilização da CsA envolve uma série de cuidados.
(28,29, 31) A dose recomendada é de 4 a 5 mg/kg/dia, preferencialmente
associado a corticosteróide em dose baixa (10 a 15mg/dia de prednisona).
É fundamental que na biópsia renal não exista lesão
túbulo-intersticial ou então, se presente, que seja discreta.
É recomendável também que o nível sérico
de creatinina seja normal ou esteja próximo dos valores normais
e que seja posteriormente avaliado com regularidade. A dose de CsA deve
ser reduzida se a creatinina sérica aumentar para valores superiores
a 30% dos valores basais e não deve ser superior a 6 mg/kg/dia.
A dose de CsA deve ser a menor possível para manter o paciente em
remissão e o seu nível sérico deve ser monitorizado.
As remissões deverão ocorrer até o prazo máximo
de 6 meses e assim a CsA deve ser interrompida se nesse período
ela não tiver sido verificada. Por outro lado, nos pacientes em
remissão, a CsA deve ser mantida por no mínimo 12 meses quando
então deve ser iniciada a retirada gradual.(31) Foi demonstrado
que a taxa de remissão pode chegar a 50%.(30) Cerca de 20% dos pacientes
apresentarão remissão completa e outros 20% remissão
parcial. Entretanto, a chance de recidiva com a interrupção
da droga é frequente.(2)
-
Outras
possibilidades terapêuticas
A FK-506 foi usada em poucos pacientes
com síndrome nefrótica córtico-resistente com redução
da proteinúria em alguns casos. Entretanto os efeitos dessa droga
ainda foram pouco investigados.
A partir de evidências da existência
de um fator circulante no sangue de pacientes com GESF primária,
fator esse que aumenta a permeabilidade do capilar glomerular a proteínas,
alguns autores realizaram plasmaferese em pacientes transplantados renais
que desenvolveram recidiva de GESF o que resultou em redução
da proteinúria.(8, 9) Entretanto, não foi relatada a evolução
crônica desses pacientes.
GESF
e transplante renal
Recidiva de GESF primária ocorre
em cerca de 30% a 40% dos pacientes transplantados renais, mesmo em uso
de imunossupressão.(9) A recidiva pode se manifestar apenas por
proteinúria não nefrótica mas também como síndrome
nefrótica grave que evolui para insuficiência renal crônica
terminal.(9) A proteinúria maciça pode estar presente já
nos primeiros dias ou semanas após o transplante, o que sugere a
presença de um fator circulante que aumente a permeabilidade do
capilar glomerular a proteínas.(8, 9) Plasmaferese tem reduzido
agudamente a proteinúria nesses pacientes.(8, 9)
A associação de recorrência
de GESF no transplante renal com a apresentação clínica
grave da doença sugere que a forma de evolução rápida
represente uma doença causada por um fator sistêmico circulante,
enquanto aquelas com curso indolente pode ser uma entidade distinta resultando
de lesão induzida por proteinúria prolongada. Pacientes que
perderam um primeiro transplante por recidiva de GESF apresentam risco
maior de nova recorrência num segundo transplante.(9)
Conclusões
A GESF primária é causa
importante de síndrome nefrótica tanto em crianças
quanto em adultos e apresenta um risco elevado de evolução
para insuficiência renal crônica terminal. Sua etiologia é
desconhecida mas envolve lesão da célula do epitélio
visceral glomerular, provavelmente induzida por um fator circulante ainda
não identificado. O tratamento inicial dos pacientes nefróticos
deve ser realizado com corticosteróides em dose elevada por até
4 semanas após a remissão ou então mantido por no
mínimo 4 meses quando então nicia-se a redução
gradativa da dose. Com esse esquema é relatado que até 60%
dos pacientes apresentam remissão parcial ou completa. No caso de
córtico-resistência ou córtico-dependência, pode
ser tentado esquemas com agentes alquilantes (ciclofosfamida ou clorambucil)
ou com ciclosporina A. A presença de proteinúria intensa,
déficit funcional renal, hipertensão arterial e fibrose intersticial
na biópsia renal reduz a chance de resposta ao tratamento. A GESF
primária recidiva em cerca de 30% dos pacientes submetidos a transplante
renal.
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