O
“modelo espanhol” de transplantes
uma idéia
a ser copiada pelos brasileiros?
Dr. Eduardo Rocha é
professor do departamento de Medicina Clínica, setor de Nefrologia,
da Universidade Federal Fluminense e coordenador de transplantes (TPM)
do programa Gaveatransplante, Rio de Janeiro, RJ.
| Introdução
| Os primeiros passos |
| A Organização
Nacional dos Transplantes |
| Os Coordenadores
Autônomos de Transplante | Resultados
|
| Distribuições
dos Órgãos | Conclusões
| Bibliografia | Participe
|
“Everybody
is talking about the bad weather,
but I see noone trying to find
a solution.”
Mark Twain
Durante o recente debate gerado pela polêmica
lei de doação presumida, muito se falou sobre modelos de
organização de transplantes em diversos países.
A Espanha, com seus resultados surpreendentes quanto ao número de
doadores de órgãos sólidos, surge como possível
exemplo a ser seguido para que possamos aumentar o número de transplantes
realizados no Brasil.
No entanto, antes de apresentarmos
um
resumo do que se decidiu entitular “modelo espanhol”, vale a pena que cada
um de nós pare e reflita: modelos de organização (no
caso, programas de transplantes) são realmente copiáveis?
Apesar da opinião pessoal no sentido negativo, justificada pelas
grandes diferenças existentes entre países, pessoas e culturas,
vamos analisar o modelo espanhol abordando os aspectos que potencialmente
serviriam de base para criação de uma futura Organização
Brasileira de Transplantes.
Os
primeiros passos
A história dos transplantes
de órgãos sólidos na Espanha não difere muito
da dos demais países, pelo menos em seus primeiros anos. Transplantes
renais foram realizados na década de 60 com sucesso relativo e predomínio
de doadores vivos aparentados, prática mantida durante os anos 701.
Em 1979, uma Lei de Transplantes (30/79) regulamentada no ano seguinte
por um Decreto Real (426/80), reconheceu o diagnóstico de morte
cerebral permitindo que pacientes com este diagnóstico fossem utilizados
como doadores de órgãos para transplante2. Este decreto,
seguindo a tendência adotada na época por outros países
europeus como a França, determinava que todos os cidadãos
espanhóis fossem doadores exceto manifestação em contrário
(doação presumida) sem, no entanto, estabelecer de que forma
a negativa seria feita. O decreto apenas sugeria aos médicos que
utilizassem de todos os recursos possíveis para identificar um eventual
desejo por parte do falecido de não ser doador, deixando os profissionais
livres para escolher a melhor conduta neste sentido. Optou-se pela consulta
aos familiares dos pacientes, estabelecendo-se na prática uma solicitação
de autorização familiar (por escrito) não prevista
na lei. Esta conduta inicial, mantida até hoje, teve sua adoção
justificada por muitos no respeito aos familiares e também como
forma de evitar conflito que poderia modificar a atitude de uma sociedade
até então amplamente favorável à doação
de órgãos.
Campanhas de educação
pública esclarecendo os conceitos de morte cerebral e estimulando
a doação pós-morte foram desencadeadas e a formação
de profissionais especializados na doação - coordenadores
de transplante - foi estimulada.
A
Organização Nacional de Transplantes
A Organização Nacional
de Transplantes (ONT) da Espanha surgiu posteriormente ao aparecimento
dos primeiros resultados que mostravam aumento da atividade transplantantadora
naquele país. Portanto, não podemos justificar o sucesso
do “modelo Espanhol” apenas pela criação deste organismo,
criado em 1989. O surgimento da ONT ocorreu a partir de uma intervenção
dos pacientes em filas de espera de órgãos para transplante,
em um ano em que o número de transplantes renais no país,
até então crescente, diminui. Sentindo-se ameaçados,
os pacientes recorreram ao Defensor del Pueblo, figura jurídica
estatal que pode ser acionada por qualquer cidadão ou grupo de pessoas
que necessite de ajuda social. Constatada a procedência da solicitação,
não foi difícil chegar-se à constatação
de que inúmeras dúvidas e conflitos relacionados à
prática dos transplantes existiam, e que uma organização
nacional poderia regulamentar a atividade, beneficiando no esclarecimento
dos mesmos e estimulando o crescimento organizado da atividade transplantadora.
Coube ao Dr. Rafael Matesanz, nefrologista
espanhol, a tarefa de planejar a estratégia de ação
e coordenação da ONT em seus anos iniciais (3), sendo este
cargo transmitido em meados do ano passado para a Dra. Blanca Miranda,
atual coordenadora nacional. Em seu décimo ano de vida, a ONT continua
com as mesmas funções de seu início de atividade,
ou seja, coordenar a atividade de transplante de órgãos e
tecidos em todo o território espanhol, participar da elaboração
de normativas e informes técnicos relacionados à mesma área,
desenvolver estudos a partir dos dados gerados pelos centros extratores
e transplantadores e, de máxima importância, informar a sociedade
e difundir as atividades das equipes através de contatos com a mídia
e administração do país. Para a execução
de suas múltiplas funções, a ONT foi estabelecida
em um escritório central, situado junto ao Ministério da
Saúde em Madrid, funcionando 24 horas por dia com uma equipe de
médicos, enfermeiros e auxiliares administrativos (3).
Os
Coordenadores Autônomos de Transplantes (“Transplant Procurement
Managers”)
A intensa atividade transplantadora
observada na Espanha não seria possível sem a figura que
podemos considerar como pilar de todo o sistema: o coordenador intra-hospitalar
autônomo de transplantes (TPM). O perfil deste profissional
da área da saúde, inicialmente um médico ou enfermeiro
originado de diferentes áreas (anestesia, medicina intensiva, nefrologia)
e dedicação parcial de tempo começou a ser tratado
no início dos anos 80, tendo evoluído nos últimos
anos para uma função muito bem estabelecida, para a qual
dedica-se exclusivamente: obter órgãos para transplante (4).
Ou seja, muito antes da criação de qualquer organização
de transplantes, já existiam profissionais trabalhando neste sentido.
Com o objetivo de detectar potenciais
doadores em seu próprio hospital, do qual integra o corpo clínico
permanente (“staff”), o TPM percorre diariamente as áreas onde a
patologia cerebral é mais freqüentemente observada - serviços
de emergência, terapia intensiva ou neurocirurgia - e estabelece
contato com os demais profissionais, promovendo desta forma a comunicação
dos casos de morte encefálica . Quando um doador potencial é
detectado, o coordenador autônomo ou a equipe de coordenação
(nos hospitais com maior número de leitos) passa a acompanhar o
caso juntamente com os outros especialistas. A atuação do
TPM é feita de forma independente das equipes transplantadoras,
que só são acionadas após a doação.
Cabe à equipe de coordenação possibilitar que todos
os procedimentos necessários para confirmação do diagnóstico
de morte cerebral sejam realizados, além de certificar-se
da realização dos - cada vez mais importantes - exames para
detecção de doenças potencialmente transmissíveis
pelo doador. Após a confirmação da morte cerebral,
firmada sempre por 3 profissionais independentes das equipes de transplante
(em geral 1 neurologista ou neurocirurgião, 1 intensivista e 1 radiologista)
e avaliação dos resultados de exames realiza-se a entrevista
familiar e, confirmando-se a doação, iniciam-se os preparativos
para a cirurgia de extração dos órgãos . Diante
da escassez de órgãos, as doações múltiplas
são a regra geral, o que implica na necessidade de coordenar a ação
de múltiplas equipes, freqüentemente proveniente de diferentes
hospitais.
De forma resumida, o TPM viabiliza
a transformação do doador potencial em doador efetivo de
órgãos para transplantes, estando a qualidade destes sob
responsabilidade direta deste profissional. O sucesso da atuação
dos coordenadores de transplante fez com que atualmente a maior parte dos
hospitais espanhóis de grande porte tenham um ou mais profissionais
atuando nesta área. Dados atuais da ONT confirmam a existência
de 133 equipes de coordenação de transplantes, distribuídas
pelas 17 Comunidades Autônomas espanholas (5).
Resultados
Podemos analisar os resultados obtidos
na Espanha através de pelo menos duas abordagens distintas. Comparando
a atividade com os outros países da Europa e do mundo ou analisando
a evolução anual dos transplantes no próprio país.
Ambas as formas de observação convergem para a constatação
de que muito progresso foi obtido a partir da política adotada,
fazendo do “modelo espanhol” um dos motivos de orgulho para administração
sanitária daquele país.
Em seu relatório anual de Janeiro
de 1998, a ONT mostra que, 9 anos após a promulgação
de sua lei de transplantes, a atividade no país continua a aumentar
(6). A análise da atividade relacionada à doação,
indexada por milhão de habitantes (p.m.p.), mostra que atualmente
a Espanha é o país com o maior índice de doadores
no mundo, aproximando-se da espetacular taxa de 30 doadores p.m.p. (Figura
1).
Figura 1.
Doações de órgãos na Espanha - dados da ONT
Internamente observam-se grandes diferenças
entre as 17 comunidades autônomas (CCAA) quanto aos índices
de doação, sendo estes mais elevados na CCAA da Catalunya
(39 p.m.p.), berço dos coordenadores de transplante e onde está
concentrada a maior parte destes profissionais.
Consequentemente à grande oferta
de órgãos, observou-se significativo aumento nos índices
de transplantes dos diferentes órgãos, superando a atividade
dos EUA, por exemplo, nos transplantes renais e hepáticos (Tabela
1).
Tabela
1. Atividade em transplantes de órgãos sólidos nos
diversos países*
| Organização |
doadores
(p.m.p) |
doações múltiplas
(%) |
Tx renais cadav.
(p.m.p) |
Tx hepáticos
(p.m.p.) |
Tx cardíacos
(p.m.p.) |
| Eurotransplant |
15.1 |
63 |
27 |
8.2 |
6.8 |
| E.F.G. (França) |
15.5 |
? |
24 |
11.1 |
7.4 |
| Itália |
10.1 |
84.7 |
18.3 |
7.1 |
6.9 |
| ONT (Espanha) |
27 |
83.4 |
46 |
18.1 |
7.2 |
| Portugal |
20 |
45 |
36.8 |
7 |
0.5 |
| USA (UNOS) |
20.9 |
82 |
33.7 |
15.3 |
9.5 |
*Dados de 1995, Conselho de Europa.
A melhora nos índices
de transplantes cardíacos (atual 20 mundial) é
uma das metas da ONT para o próximo ano. Outra meta nacional é
a redução na taxa de negativas familiares à doação,
atualmente em torno de 25%. Também neste aspecto observam-se melhores
resultados na Catalunya (16% das solicitações), onde observou-se
aumento no número de doadores efetivos em relação
a 1997 (+17%), apesar do pequeno aumento no n0 de doadores potenciais (+1%).
É importante ressaltar que o perfil dos coordenadores nesta região
é diferente das demais do país sendo exercido predominantemente
por médicos com dedicação exclusiva. Estão
cadastrados nesta região 8 hospitais para realização
de transplantes e 26 hospitais para doação (Tabela 2). A
atividade transplantadora nesta região é coordenada pela
Organização Catalã de Transplantes (OCATT), criada
a partir do Programa de Atenção ao Paciente Renal (PAIR)
de 19827.
Tabela
2. Centros de captação e transplante cadastrados na CCAA
Catalunya (dados da OCATT)
Centros de captação
| H. Clinic i Provincial |
Pius H. de Valls |
H. Arnau Vilanova |
| H. Bellvitge |
H. G. Catalunya |
H. Creu Roja B. |
| H. St Pau/Puigvert C.
Quiron |
H. S. Pau S. Tecla |
C. Sagrada Familia |
| H. G. Trias i Pujol |
H. Barcelona |
H. V. de la Cinta |
| H. G. Vall Hebron |
C.H. Parc Tauli |
I. Deixeus |
| H. Traumat. V. Hebron |
H. M. Terrassa |
| H. M. Inf. V. Hebron |
C.H. Manresa |
| H. del Mar |
H. J. Trueta |
| H. S. Joan Deu |
H. J. XXIIIH. S. Joan
de Reus |
Centros
de transplante
| H. Clinic i Provincial Pius H. de
Valls |
H. Bellvitge |
H. St Pau/Puigvert |
| H. G. Trias i Pujol |
H. G. Vall Hebron |
H. Traumat. V. Hebron |
| H. M. Inf. V. Hebron |
H. del Mar |
|
Distribuição
dos órgãos
Tanto a ONT quanto a OCATT adotam basicamente
a mesma política quanto à distribuição dos
órgãos para transplante. A partir de um modelo descentralizado
de ação, cabe a estas organizações interferir
na distribuição dos órgãos apenas nos casos
em que não existe um receptor para o mesmo no hospital que gera
a doação (centro captador) (8). Esta política estimula
que cada hospital realize tantos mais transplantes quanto for sua capacidade
de captar doadores, portanto não existe atividade transpantadora
em hospitais que não têm equipes de captação.
As exceções nas quais um órgão não é
transplantado em seu hospital de origem são: pacientes hiperimunizados,
crianças e os raros casos de urgências médicas para
transplantes renais; retransplantes e urgências “zero” para os demais
órgãos. Os critérios para inclusão de um paciente
nesta última categoria são definidos em conjunto com a ONT
em reuniões regulares com os representantes das equipes de cada
órgão por CCAA.
Não existe portanto uma fila
de espera única para transplantes, e sim um registro nacional da
atividade transplantadora, cabendo à ONT o controle dos critérios
adotados para seleção de cada paciente transplantado, certificando-se
que esta ocorra de acordo com o estabelecido. No caso de dúvidas
nesta prática são acionados os comitês de transparência
e/ou de conflito, formado por representantes das diversas partes interessadas
e da sociedade. Ou seja, cada centro de transplante tem sua lista de espera
e não é permitido a um paciente entrar em mais de uma lista.
As doações efetivas são comunicadas imediatamente
à ONT através das coordenações regionais (uma
por CCAA) visando à possibilidade de existência de alguma
urgência “zero” ou compatibilidade com um hiperimunizado - nestes
casos o centro gerador cede o órgão, mas posteriormente é
ressarcido com outro equivalente pelo centro que realizou o transplante.
A realização de qualquer transplante deve ser comunicada
à ONT no prazo máximo de 24 horas.
A ONT organiza ainda um rodízio
entre os diferentes hospitais para os casos em que não haja receptor
no centro captador dos órgãos. Este consiste em rodízios
regionais e setoriais, cabendo à OCATT a oferta dos órgãos
às outras organizações européias nos casos
em que em toa a Espanha não haja um receptor (situação
cada vez mais rara).
Sendo toda atividade transplantadora
na Espanha realizada em hospitais da rede pública (à exceção
de um centro na CCAA de Navarra), cabe à ONT o gerenciamento de
um orçamento anual de aproximadamente 1 milhão de dólares/ano
(130 milhões de pesetas). Aproximadamente 1/3 deste valor (40 milhões
pcts) é aplicado em programas de educação continuada.
A distribuição dos recursos restantes é variável
de acordo com a atividade de cada hospital transplantador, que recebe uma
parte dos mesmos pré-fixada e outra proporcional ao número
de doadores gerados a cada ano. Procura-se estimular as doações
de múltiplos órgãos remunerando-se este tipo de doação
com valores 50% superiores às doações de apenas um
tipo de órgão.
Conclusões
Os dados apresentados demonstram o
resultado de uma política de transplantes adotada na Espanha há
cerca de 10 anos. No entanto, é importante reconhecer que as decisões
que levaram à construção de uma organização
nacional surgiram a partir de uma atividade profissional intensa, onde
destacou-se a figura do coordenador de transplantes, dando seus primeiros
passos muito antes do seu reconhecimento pelas gerências administrativas
ou, posteriormente, pelas sociedades científicas. Este esforço,
aliado às organizações de pacientes, principais beneficiados
pela drástica transformação ocorrida naquele país,
fez com que o “modelo espanhol” tenha obtido a atenção mundial
no sentido de ser copiado ou adaptado em outros países.
Para que copiássemos o modelo
espanhol com sucesso em nosso país teríamos que transformar
o Brasil em Espanha, com seus problemas, cultura e estrutura política
(vale lembrar que trata-se de uma monarquia parlamentarista) e social.
A experiência espanhola, no
entanto, representa um exemplo de como resultados positivos podem surgir
após um planejamento adequado e execução minuciosa
de um projeto.
Diagnosticando apropriadamente nossos
problemas e planejando nossa política de transplantes de acordo
com o que nos pareça mais adequado (nossas respostas para nossos
problemas) teremos tudo o que precisamos para construir um modelo tão
eficaz - ou até mesmo melhor - do que o espanhol.
Depende de todos nós. Que cada
um faça a sua parte.
Agradecimentos:
o trabalho realizado foi possível graças à atenciosa
colaboração da equipe de coordenação do Hospital
Clinic y Provincial, Universidade de Barcelona (Drs. Marti Manyalich, Catiana
Cabrer, Jacinto Sanchez, Silvia López-Coll, Aurora Navarro e David
Paredes), à Enfa. Carmen Segovia (ONT, Madrid) e às Dras.
M. Jésus Felix Facerias e M. Teresa Aguayo i Alvarez (OCATT,
Barcelona).
REFERENCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
1) Gil-Vernet JM, Talbot-Wright R,
Carretero P, et al. Trasplante renal ortotópico y resultados de
139 casos consecutivos. Cir Esp 3: 310-320, 1989.
2) Real Decreto 426/1980, de 22 de
febrero, que desarrolla la Ley 30/1979 sobre Extracción e Transplante
de Organos.
3) Matesanz R. Organización
Nacional de Trasplantes: La consolidación de una estructura. Rev
Esp Trasp 1: 81-84, 1992.
4) Aranzabal J. La figura del Coordinador
Hospitalario. Rev Esp Trasp 1: 10-15, 1992.
5) Matesanz R, Miranda B, Felipe C,
Naya MT. Organ procurement in Spain: The national organization on transplants.
In: Touraine. Organ shortage: the solutions. Kluwer Academic Publishers.
Dordrecht; pp 167-177, 1995.
6) Informe anual de l’Organització
Nacional de Trasplantaments (ONT). Espanya, 1998.
7) Organizational Transplant Model
in Catalunya: The OCATT. Viedma MA, Aguayo MT, Vicente R, Fernandez E.
Transplant Proc 27: 2399-2403, 1995.
8) Matesanz R, Miranda B, Felipe C,
Fernández M, Naya T. The National Transplant Organization. Donation,
Evolution and Transplant Activity in Spain. In: Matesanz R, Miranda B (Eds).
Organ donation for transplantation. Grupo Aula Médica. Madrid; pp.
19-34, 1996.
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