Lilian Cuppari(*)
Tese Doutorado/1998
Local: Escola
Paulista de Medicina (UNIFESP)
Título: SUPLEMENTAÇÃO
DE FÓSFORO EM PACIENTES COM INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA LEVE E MODERADA COM
DIAGNÓSTICO SUGESTIVO OU COMPROVADO DE DOENÇA ÓSSEA ADINÂMICA
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Esse estudo teve como objetivo avaliar o efeito da suplementação de fósforo
sobre o perfil bioquímico e hormonal de pacientes com insuficiência renal crônica
leve e moderada, com doença óssea adinâmica ou com perfil bioquímico dessa
doença. Foram incluídos no estudo pacientes com níveis séricos de paratormônio
(PTH) menores ou iguais a 40 pg/mL, fósforo sérico menor ou igual a 4,5 mg/dL e clearance
de creatinina menor ou igual a 50 mL/min/1,73 m2. Incluíram-se ainda
pacientes que já apresentavam diagnóstico de doença óssea adinâmica
comprovada por biópsia óssea, independente de seu perfil bioquímico e
hormonal. Dezoito pacientes completaram o estudo. Previamente à introdução da
suplementação, foram medidos parâmetros antropométricos de avaliação
nutricional, ingestão alimentar
através de registro alimentar de 4 dias, taxa de catabolismo protéico (PCR),
densitometria óssea e dosagens bioquímicas e hormonais. Após a introdução
do suplemento de fósforo, as medidas antropométricas foram realizadas
novamente no final do estudo. O PCR e as dosagens bioquímicas e hormonais foram
repetidos a cada 30 dias, durante 2 meses. Em 14 pacientes foi possível a
manutenção da suplementação por mais 30 dias, momento em que foram repetidos
somente as medidas bioquímicos e hormonais.
Um “Complexo de Fosfatos Neutros “ foi utilizado como suplemento de fósforo.
Os pacientes foram orientados a ingerir 2 comprimidos por dia (0,5 g de fósforo),
durante 1 mês e 4 comprimidos por dia (1,0 g de fósforo),
por mais um mês.
A densitometria óssea mostrou medianas negativas do z-score das regiões L2L4
da coluna lombar (-1,14) e do colo do fêmur (-1,81).
A análise dos parâmetros antropométricos mostrou que a maioria dos
pacientes se apresentava eutrófica ou até mesmo com algum grau de sobrepeso [Índice
de Massa Corporal (IMC)=26,2 kg/m2 e % de gordura corporal = 30,9%
(valores medianos)]. Essas medidas não se modificaram com a suplementação. A
ingestão calórica e protéica estimada foi respectivamente de 23,2 kcal/kg/dia
e de 0,79 g/kg/dia. O PCR foi de
1,03 g/kg/dia e não se modificou com a suplementação. A ingestão de cálcio
foi de 371 mg/dia e a de fósforo, 594mg/dia.
Com a suplementação de 1,0 g de fósforo, observamos elevação significante
dos níveis de PTH (de 58,5 para 83,0 pg/mL), da excreção urinária de fósforo
(de 487 para 1062mg/24h ) e de sua fração de excreção (de 26,2 para 51,4%).
Já os níveis de cálcio sérico ionizado
e de calcitriol (de 1,26 para 1,19 mmol/L e de 34,5 para 24,9 pg/mL) se
reduziram de maneira significante. O fósforo sérico não se modificou (de 3,3
para 3,6 mg/dl). Com 0,5 g de fósforo, essas modificações não ocorreram, com
exceção da fosfatúria que aumentou significantemente (de 487 para 774
mg/24h). Não foram observadas modificações significantes no clearance e na
creatinina sérica (de 2,05 para 2,1 mg/dL; de 39,0 para 42,0 mL/min/1,73 m2
respectivamente). Encontramos uma correlação inversa e significante entre os níveis
de PTH pré-suplementação e a sua variação percentual com a suplementação
de 1g de fósforo (r=-0,62; p<0,01).
O prolongamento da suplementação com 1,0 g de fósforo por mais 1 mês
não promoveu aumentos adicionais nos níveis de PTH.
Esses resultados sugerem que pacientes com doença óssea adinâmica
comprovada, ou com perfil bioquímico sugestivo dessa doença, são capazes de
aumentar a secreção de PTH em resposta a uma sobregarga oral de fósforo. Não
foi possível estabelecer, entretanto, se essa elevação foi decorrente de uma
ação direta do fósforo ou da redução do cálcio e calcitriol.
(*):
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