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EXERCÍCIOS
DIAGNÓSTICOS & DILEMAS TERAPÊUTICOS
Istênio Fernandes
Pascoal
EVOLUÇÃO
CLÍNICO-LABORATORIAL (Set 95-Mar 97)
Em Janeiro de 1995, em uma
avaliação laboratorial rotineira o exame sumário de
urina mostrou Densidade 1016; pH 6,0; ausência de proteína,
hemoglobina ou glicose; leucocitúria 10 p/c e hemácias ausentes.Devido
à leucocitúria, uma urocultura foi realizada e o resultado
foi negativo.
Em
Setembro de 1995, um novo exame de urina foi realizado na vigência
de infecção de vias aéreas por Streptococcus viridans
e mostrou Densidade 1018, pH 6,0, proteína (+); hemoglobina (+++);
leucócitos 2 p/c, hemácias 20 p/c; urocultura negativa.Após
um curso de antibioticoterapia com resolução do quadro infeccioso,
o exame de urina foi repetido: Densidade 1010, pH 6,0, proteína
(+), hemoglobina (++), leucócitos 25 p/c, hemácias 30 p/c.
A persistência das alterações urinárias não
foi valorizada pelo clínico.
Prosseguiu
assintomática até Abril de 1996, quando reapresentou quadro
febril prolongado, associado a discreta mialgia e poliartralgia. Uma avaliação
laboratorial inicial foi realizada: EAS - Densidade 1025, pH 5,0, proteína
(++), hemoglobina (++), leucócitos 15 p/c, hemácias 30 p/c,
cilindros granulosos; urocultura negativa; hematócrito 34,8%; hemoglobina
12,1 g/l, leucócitos 7.230, plaquetas 331.000; VHS 54 mm/1ª
hora;
mucoproteínas 4,8 mg/dl; proteína c reativa 104 U/l; ASLO
97 U Todd; uréia 19 mg/dl, creatinina 0,8 mg/dl, ácido úrico
2,5 mg/dl, glicose 80 mg/dl; colesterol total 190 mg/dl, triglicérides
127 mg/dl; cultura de orofaringe: inúmeras colônias de S.
viridans. Como as manifestações clinicas não desapareceram
com antibioticoterapia convencional, novos exames foram solicitados: bilirrubina
total 0,3 mg/dl; TGO 12 U/l; TGP 8 U/l; coombs negativo; pesquisa de Célula
LE negativa; FAN positivo (1:40) - salpicado; C3 92 mg/dl; C4 47 mg/dl;
CH50 210 mg/dl; anti-DNA negativo; PPD não reator; perfil sorológico
para Hepatite (A, B e C): negativo; anti-HIV não reagente; sorologia
para CMV, rubéola, toxoplasmose, mononucleose e brucelose negativas;
testes luéticos (FTA-ABSe
VDRL) não reagente; Widal (TO, TH, PA, PB) negativo; IgG 1.713;
IgA 462; IgM 176 mg/dl; radiografia de tórax normal; ultrassonografia
de abdome total mostrou pequena esplenomegalia, com ecotextura homogênea;
rins normais (Rim E: 120x50 mm; Rim D: 122x42 mm), bexiga anatômica;
ecocardiograma: válvula mitral com prolapso e espessamento brando
do folheto anterior, sem disfunção valvar.Em
uso apenas de sintomáticos, o quadro clínico remitiu após
~25 dias.
Um
mês depois, novos exames foram realizados: EAS - Densidade 1010,
pH 6,0; proteína: vestígios, hemoglobina (+++), leucócitos
5 p/c, hemácias 10 p/c, proteinúria 759 mg/24h; eletroforese
de proteínas plasmáticas: proteínas totais 7,1 g/dl;
albumina 3,8 g/dl; alfa1: 0,4 g/dl; alfa2: 0,6 g/dl; beta: 1,1 g/dl; gama:
1,1 g/dl; fator reumatóide abaixo de 10 UI/ml; FAN: negativo; anti-Scl70:
negativo; anti-RO: negativo; anti-LA: negativo; anti-RNP: negativo; anti-SM:
negativo;Com esses resultados, a
paciente foi encaminhado ao nefrologista, que repetiu alguns exames e programou
uma biopsia renal: EAS - Densidade 1025; pH 5,0; proteína (+++),
hemoglobina (+++), leucócitos 30 p/c, hemácias numerosa,
urocultura negativa; coagulograma normal, uréia 21 mg/dl; creatinina
0,9 mg/dl; cálcio 9,9 mg/dl, fosfato 4,8 mg/dl; TGO: 15 U/l; TGP:
13 U/l. A tentativa de biópsia renal não obteve fragmento
de rim e a paciente abandonou o acompanhamento nefrológico.
Em
seguida procurou um reumatologista, que repetiu alguns exames e solicitou
outros: FAN negativo; anti-Scl70: negativo; anti-RO: negativo; anti-LA:
negativo; anti-RNP: negativo; anti-SM negativo; anti-JO1 negativo; anti-DNA:
negativo; C3 80 mg/dl; C4: 45 mg/dl; CH50 202 mg/dl; anticorpos anti-tiroideanos
(anti-TG; anti-microssomal) abaixos de 1/100.; T3 139 ng/dl; T4 12,4 ug/dl;
T4 livre: 9,7; TSH 1,0 uU/ml; anticorpos anti-cardiolipina IgG e IgM: inferior
a 10 U GPL; anticoagulante lúpico: a) TTPA: 50,9" (29,8") - RPC:
1,71; TTPA após adição de plasma normal: 49,8; b)
dRVVT: 35.1"(30,1") - RPC: 1,17; dRVVT após adição
do plasma normal: 33,9; c) PNP: 52,4"(55,4") d) Conclusão: ausência
de anticoagulante lúpico; pANCA não reagente; cANCA não
reagente; hematócrito 38,2%; hemoglobina 12,8 g/l; leucócitos
6.300, plaquetas 354.000; VHS: 60 mm; proteinúria 1.700 mg/24h.
Como a paciente estava assintomática, nenhuma medicação
foi prescrita.
Seis
meses depois, nova avaliação laboratorial mostrou: EAS -
Densidade 1019; pH 5,0; proteína (+++), hemoglobina (+++), leucócitos
32 p/c; hemácias numerosas, cilindros leucocitários e hemáticos,
proteinúria 1.620 mg/24h; hematócrito 36,3%, hemoglobina
11,9, leucócitos 7.800, plaquetas 269.000; uréia 32 mg/dl;
creatinina 1,0 mg/dl; depuração de creatinina 76 ml/min;
ácido úrico 3,8 mg/dl; VHS: 25 mm. Com a persistência
da hematúria e da proteinúria, a paciente me foi encaminhada
para nova apreciação nefrológica.
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