|
Prof. Horácio Ajzen
No dia 29 de novembro de 2000, numa das salas do Hospital do Rim e Hipertensão, em São Paulo, encontramos com o Prof. Horácio Ajzen para um bate papo nada convencional. Falando sobre sua vida e a construção da influente disciplina de Nefrologia da UNIFESP ( Escola Paulista de Medicina ), o Prof. Horácio contou detalhes interessantes e desconhecidos por muitas pessoas. Se, a vida científica do Professor, é facil ser encontrada em qualquer banco de dados, devido às inúmeras publicações, a sua trajetória humana é agora desvendada pela Med On Line. Participaram, desse encontro, os Professores Doutores: Sérgio Draibe, Ita Pfeferman Heilberg, Oscar Pavão e Arcelino Miranda. À todos, nossos agradecimentos. O Editor Sebastião: Prof. Horácio é um prazer bater um papo com o senhor e eu gostaria de iniciar a entrevista perguntando o básico: onde nasceu e qual a razão de ter partido para o caminho da medicina? Prof. Horácio: Então muito obrigado Sebastião, eu estou bastante honrado com essa entrevista e é realmente um prazer conversar com você e com outros elementos da disciplina. Eu sou um imigrante, nasci na Polônia e vim para o Brasil em 1937 com 7 anos de idade. Naquela época as coisas na Europa estavam muito difíceis...era uma época de pré-guerra. Meu pai veio dois anos antes e começou a vida como todos imigrantes começam: como mascate, vendendo gravata pelo interior de São Paulo e pelo interior do Paraná. Dois anos depois vieram minha mãe, minha irmã e eu, ela mais velha do que eu em torno de 9 anos Sebastião: Isso foi em que ano? Prof. Horácio: Isso foi em 1937, a guerra estourou em39. Meu pai veio prá cá em 34 devido a perseguição aos judeus na Europa. Ele era empregado, era contador da estrada de ferro, que era uma coisa boa para época. Eu tinha uma família bastante lúcida,um tio que era advogado, uma tia que era pianista mas que começaram a perder os empregos,como resultado viemos ao Brasil estabelecendo-se em Santa Cruz do Rio Pardo cidade da alta Sorocabana perto de Ourinhos. A imigração naquela época não era uma imigração facilitada, havia a chamada “carta de chamada”, com um número limitado de imigrantesque eram chamados por parentes ou por amigos que já residiam no Brasil (por isso é que se denominava carta de chamada), Desta época lembro de uma coisa curiosa, .na Europa, banana era uma coisa muito, muito cara eu nunca tinha comido banana pois o preçopor uma banana era coisa incrível. Quando eu desci no Porto de Santoso meu pai estava nos esperando; desembarquei com minha irmã e minha mãe e aí eu vi um carrinho vendendo banana perguntei ao meu pai se eu podiacomer uma banana. Como resposta recebicoma quantas você quiser! (risos). Bom aquilo me deu uma idéia que meu pai era muito rico (risos)!Devo ter comido não sei quantas bananas e depois fui pra Santa Cruz do Rio Pardo e vi que uma dúzia de banana custava um tostão naquela época não sei o que representa hoje. Sebastião:Como se chamavam? Prof. Horácio: Meu pai chamava-se Aron, minha mãe Elka e minha irmã Balbina. Nasci em abril de 29, portanto estou com 71 anos de idade. Eu não sei direito o que me levou a ser médico. Lembro que quis ser médico já morando em Londrina no Paraná. Nesta época minha mãe teve uma doença qualquer e o médico foi examiná-la, eu devia ter uns 10 anos de idade e pensei:"puxa acho que eu vou ser médico!" Quando terminei o ginásio, Ginásio Londrinense, vim estudar aqui em São Paulo no Anglo-latino e meus pais tinham certeza que eu iria serengenheiro e falavam sobre isso e eu ficava quieto. Quando vim paraSão Paulo para estudar nocolégio Anglo-latino falei em estudar medicina. Foi um auê na minha casa: "onde é que já se viu ser médico!...engenheiro é melhor!" mas acabei sendo médico e estou muito feliz por ter escolhido a medicina, acho que é uma profissão boa. Sebastião:Ainda a respeito desse núcleo familiar...seu pai já estava estabelecido em Londrina e que tipo de negócio tocava nessa época? Prof. Horácio:EmSanta Cruz do Rio Pardo fiz o primário e aquela foi uma época de muita dificuldade pois tinha que aprender a língua português a...eu só falava polonês. Minha irmã casou e foi morar em Rolândia, uma cidade além de Londrina Paraná, onde meu cunhado tinha uma loja. O meu pai vendeu a loja em Santa Cruz do Rio Pardo e foi para Londrina onde comprou outra loja. Londrina, naquela época, tinha uma única rua com luz, e as ruas era um barro só. A gente andava de bota por causa disso A loja de armarinhos e era uma loja muito boa, uma loja grande. Em londrina eu fiz o ginásio. Aliás uma turma fundadora do ginásio (Ginásio Londrinense). Quando terminei o ginásio vim para São Paulo e fiz o Anglo-latino por indicaçãodo Dr. Abowski. Era um pediatra famoso em São Paulo cujo pai era muito amigo do meu. Sebastião: E aqui, em São Paulo, o senhor morou sozinho? Prof. Horácio: Nessa época morei num hotel. Vim para São Paulo com 16 anos de idade e morei num hotel na Av. Brigadeiro Luiz Antônio, chamado Hotel Avenida, rigorosamente familiar! (risos gerais...ninguem acreditou!). Na placa estava escrito assim:"rigorosamente familiar"e os donos do hotel era um casal: ele era dentista e ela era uma senhora fantástica... Dona Nina. E era rigorosamente familiar até meia-noite.(risos..confusão...bagunça geral...todo mundo interessado). Depois da meia noite era uma coisa fantástica, pois era uma pensão onde tinha muita gente e funcionário público que morava lá por mês, moças, rapazes, etc... e nessa época eu também tive muita sorte porque o quarto onde ficava era grande com 5 camas e com 5 colegas. Tive muita sorte porque um estudava engenharia, outro estudava direito, outro fazia arquitetura e tinha um colega que estudava comigo no Anglo-latino e outro que eu não me lembro, mas eram 5, cada um tinha a sua cama, cada um tinha a sua mesa para estudar; foi uma influência muito boa porque todos eles estudavam, todos estavam na universidade. Era realmente um exemplo. Sebastião: O senhor tinha algum apelido? Prof. Horácio: Não, na Polônia eu era chamado de Eça Sebastião: Eça? Prof. Horácio: Eça. O meu nome Horácio é traduzido.Não existe na língua polonesa o nome Horácio, existe Horacio clássico. Sérgio Draibe: O senhor se referiu a perseguição dos judeus durante a 2aguerra e eu queria saber quais são suas memórias daquela época. O senhor se lembra pessoalmente de restrições referentes a etnia das pessoas, às minorias... ? Prof. Horácio:É...é uma pergunta que as vezes dói um pouco falar sobre isso... e eu me lembro bastante bem. Como eu me referia anteriormente, tinha meu pai que era contador e trabalhava na estrada de ferro, tinha um tio advogado, tia pianista e, para aquela época, judeu atingir estas posições era muito difícil pois a maior parte dos judeus trabalhava em comércio num nível mais baixo. Por sinal o meu avô era tintureiro, tinha uma tinturaria e eu morava numa vila num predinho com toda a família. O prédio era da família com 3 ou 4 andares. De manhã era café, era chá com leite e pãobatata que a gente colocava no forno, essa batata assada. Almoço e jantar comum. No entanto os dois últimos anos antes da imigração ficou mais difícil o dia a dia. Sérgio Draibe: Mas e as restrições como se manifestaram? Prof. Horácio:Começou exatamente com meu tio que era advogado e perdeu o emprego. Não podia mais trabalhar na profissãomeu pai demitido da estrada de ferro... então as opções de trabalho foram ficando muito pequenas apesar de morar em Lucks, hoje Lods,uma das principais cidades da Polônia, onde a colônia judaica era muito grande. Eu não senti, pessoalmente nada. É muito difícil sentir porque eu tinha aquele grupo de pessoas ao meu redor, era muito criança...eu ia para a escola primária onde uma tia era professora, voltava e ficava brincando em casa comum ou dois amigos que nem eram judeus. Mas, pessoalmente, não senti nadatalvez a idade cooperavapara não sentir o anti-semitismo ao contrário de toda a família. Sérgio Draibe: E aqui no Brasil professor? Prof. Horácio: Eu nunca tive aqui no Brasil nenhuma restrição pelofato de ser judeu. Quando vim de Londrina para estudar aqui em São Paulo,todos os meus amigos eram não judeus. Amigos que estudavam na faculdade de direito e que me deram carteirinha da faculdade. Com esse entrosamento, eu participava das pinduras, jogava baralho e ia ao Jockey Clube. Não tinha muita restrição de dinheiro naquela época. Meu pai deu ordens ao dono do hotel: "se ele precisar de dinheiro você pode emprestar" Foi assim durante todo o tempo até depois que meus pais morreram e o meu cunhado assumiu o papel de pai. Meu cunhado,,realmente, era um cara que me tratava igual aos próprios filhos. Era um grande sujeito. Sérgio Draibe:De onde surgiu essa verve musical, o piano que o senhor toca e não conta pra ninguém?( espanto geral...) Prof. Horácio:Isso é uma coisa da cultura judaica. Os filhos tem que aprender alguma coisa de música. Eu queria tocar piano e o meu pai dizia não, você tem que tocar violino a sua irmã tem que tocar piano!(risos). O fato é que eu aprendi a tocar violino. Naquela época, tinha um professor que ia 2 ou 3 vezes por semana na minha casa e eu tocava... aliás o violino eu tenho até hoje. Sérgio Draibe: Violino inicialmente? Prof. Horácio: Só violino. Piano eu nunca toquei porque o meu pai dizia que a minha irmã que tinha que tocar piano e eu tinha que tocar violino.(risos gerais) Sebastião:Essa determinação dele era aqui no Brasil ou ainda na Polônia? Prof. Horácio: Isso aqui já em Londrina. Aí comecei a aprender violino e toquei vários anos violino e, quando eu vim para São Paulo, fui ao conservatório na Av. São João onde acabei freqüentando unsmeses,depois disso nunca mais, larguei o violino e nunca mais toquei no violino, SérgioDraibe: Piano então é só uma foto que o senhor tem? Prof. Horácio:Piano é só umafoto.Eu gostaria de tocar piano... porque realmente eu gosto de música popular no piano...Você tá chateado por qualquer coisa... vai no piano e toca...relaxa...esquece. Mas no negócio do violino, tem uma coisa interessante... Sebastião:Que marca que é esse violino? Prof.Horácio: Esse é o problema. Estava escrito lá no fundo Stradivarius1924!( espanto geral ).Há poucos anos tive um cliente que é um cara conhecidíssimo no mundo dos violinos . Mostrei o meu para que ele avaliasse. Ele pegou... abriu a caixa... olhou o violino de um lado para outro e aí se fixou no arco.... e eu olhando para ele, o cara não via o violino só estava olhando o arco. Passou uma meia hora, meia hora juro, e foi categórico:"seu violino não vale nada, agora o arco vale 2 mil dólares" (risos). Sebastião: Qual a explicação?( meio inconformado ) Prof. Horácio: Pois é...a explicação é que a madeira do arco era uma madeira toda especial e a parte que você segura o arco era de madre-pérola, mas foi assim:"o violino não vale nada, agora isto aqui vale 2 mil dólares, quer 2 mil dólares?"Falei não! Não quero, o violino esta lá até hoje. Sebastião:Mas não é um Stradivarius? Prof.Horácio: Não , não é um Stradivarius, não vale nada. Aí ele me deu a história do violino. Esse violino foi feito na Itália, foi feito assim em série e não tem valor nenhum, e o Stradivarius estava lá porque o fabricante resolveu por nome de Stradivarius, mas não vale nada mesmo, agora o arco vale 2 mil dólares! Um violino comprado lá em Londrina. Sebastião: Nada de pais repressores então? A convivência era boa...e quando e como eles se foram? Prof.Horácio: Eu tive uma convivência boa. O meu pai eramuito rígido mas muito compreensivo. Em casa as grandes festas judaicas eram celebradas em conjunto. Cresci assim, com esse sentimento. Por outro lado, meu pai era muito rígido, minha mãe nem tanto....ela era mais sossegada e,realmente, eles eram bons intelectualmente. Falavam 5 línguas e eu vi minha atender 3 ou 4 indivíduos na loja, cada um falando numa língua diferente assim corriqueiramente. Liam e escreviam em 5 línguas. Meu pai era um cara muito liberal mas enérgico e, naquela época, lá em Londrina o passa-tempo da minha idade era jogar snooker e até eu jogava bem...o pessoal ficava em volta da mesa e apostava no meu taco... Eu me lembro uma vez que ele tinha proibido que eu jogasse snooker e um dia estava lá numa mesa jogando snooker e os caras apostando quando ele chegou. Dito e feito, me pegou pela orelha e me arrastou uns 4 quarteirões até à minha casa...foi puxando pela orelha a rua inteira até chegar na minha casa. Lá chegando disse:"vai para o quarto, tira as calças, vira de bunda pra cima que eu vou lá daqui há pouco". Levei uma surra rapaz!!!! (risos gerais...todos dando a maior força pro pai). Depois disso continuei a jogar snooker (risos).Mas ele era compreensivo, eu me dava muito bem e eles falavam em Yiddish comigo e, entre eles, de vez em quando, falavam alemão,russo, polonês mas comigo eles falavam Yiddish e eu respondia em português. Quando vim para São Paulo, meu pai que era meio reservado parao negócio de sexo, procurou um médico aqui que se chamava Antônio Pasqua Neto ( que era um clínico fantástico na Barão de Itapetininga (a minha mãe já se tratava ele),e aí quandofui levá-lo na Sorocabana, a única coisa que ele falou foi:"olha já falei como Dr. Antônio Pasqua Neto se você tiver alguma doença venérea, você vai lá direto e nem precisa falar pra mim"(gargalhadas gerais) SérgioDraibe: Mas já tinha antibiótico nessa época professor? Prof.Horácio: Tinha e por sinal era aquela penicilina aquosa, de 4 em 4 horas, era terrível (risos) Sérgio Draibe: Quer dizer que o senhor conhece o antibiótico? Prof.Horácio: Conheço muito bem esse antibiótico.( bagunça geral com as revelações!) Ita: (cortando a gandaia geral ) Não vim pra moralizar, mas eu queria saber como é que esse paulista foi encontrar uma carioca linda como a Dona Lea? Prof.Horácio: É, essa é até uma pergunta que me agrada! (sorrindo aliviado)e dá até pra fazer uma média com ela. Quando nós estávamos na escola, ali pelo 3oou 4oano, eu tinha um colega que chamava Bernardo Akerman nós resolvemos fazer o chamado Grupo Universitário Judaico, composto por estudantes judeus e depois de organizá-lo aqui, fomos fazer o mesmo no Rio. O interessante que quando eu fui pro Rio eu estava namorando uma outra moça, do Rio também e, tinha vindo a São Paulo várias vezes etc. começamos a namorar e quando eu fui para o Rio então... Sebastião:( preocupado com as próximas palavras do Professor) Essa história o senhor está autorizado a contar? Prof.Horácio: Essa eu estou.(risos gerais). Aí eu fui para Rio namorando essa moça e o Grupo Universitário de lá deu uma festa num restaurante no Morro da Urca, onde tinha uma festa dançante. Eu estava sentado com essa minha namorada e a Léa do lado. Aí eu a minha namorada: para dançar?. A resposta dela foi:"eu não quero dançar", me virei para Léa e falei:"você quer dançar comigo?"Ela falou:"eu quero sim!", Saímos dançando e, deixei a namorada lá plantada e levei a Léa para casa(risos). Namoramos durante 1 ano em que, a maior parte das vezes, ela vinha pois trabalhava num grande laboratório, era secretária, ela vinha geralmente na sexta-feira de ônibus Cometa e passava sexta, sábado e no domingo de noite voltava para o Rio. Sebastião:O curso de medicina do senhor foi aonde? Prof.Horácio: O curso de medicina foi aqui na Paulista. Eu entrei em 50 e formei em55, então foi assim que a Da. Léa entrou na minha vida e estamos bem até hoje. Sebastião: Quantos filhos? Prof.Horácio: Eu tenho 3 filhos. Tenho 2 homens e 1 menina. O mais velho é médicoo outro, do meio, é administrador hospitalar e a minha filha é psicóloga SérgioDraibe: Qual dos 3 está melhor? Prof.Horácio: Eu não sei (risada)...não sei te dizer...acho que cada um deles está levando a vida dentro da possibilidade e lutando, evidentemente. Ita: Quando o Sérgio Ajzen quis fazer medicina qual foi a sua idéia? Apoiar? O senhor teve alguma influência na escolha da especialidade do seu filho? Prof.Horácio: É, eu fiquei satisfeito e estou mais satisfeito agora que o meu neto com 17 anos também está fazendo vestibular para medicina. Acho que a medicina é, embora esteja socialmente com muita dificuldade, ainda é uma profissão que permite que você sobreviva. Com o Sérgio eu fiquei muito satisfeito. Ele entrou em Campinas, no vestibular na UNICAMP, se formou e veio fazer residência aqui na EPM. Foi nessa hora, por exemplo, que ele me perguntou: e agora? o que eu faço?. Durante o curso, o Sérgio gostava muito de fotografia, tanto assim que, um dos quartos do meu apartamento ele montou um estúdio, laboratório de fotografia. Tirava fotografia, aumentava,diminuía, tinha realmente uma propensão para isso Pensei:"puxa! é capaz dessecara ser radiologista, gosta de foto, tem o olho bom,tem uma imagem". Quando foi para escolher ele disse:"mas você não acha que eu devo ser nefrologista?"Respondi:"eu não sei Sérgio, essas coisas são muito difíceis, para mim é muito mais fácil se você não fosse nefrologista".O fato é que ele fez concurso na Escola Paulista, na Faculdade, na UNICAMP, em Ribeirão e, em 3 destas, fez o concurso para radiologista direto e na UNICAMP ele fez para nefrologia. Resultado: entrou nos 4 lugares. O dilema continuou:"e agora o que é que faço?"Foi aí que tivemos uma conversa longa e ele definiu pela radiologia.Acho que ele escolheu muito bem. Todo mundo lá em casa fala:"pô, mas você está estimulando os netos para fazer medicina!". Eu estimulo mesmo, desde o menor até o maior. O maior estava em dúvida... se ia para veterinária ou para medicina... acabou escolhendo medicina. Pavão: Quanto a Escola Paulista dos anos 50, como era o curso,os amigos? Prof.Horácio: É. A coisa, você precisa também ter sorte nisto e você escolher bem os amigos... e eu tinha um grande amigo que era o Cassiano. Cassiano, Íris, Anízio Gamia, Elker de Azevedo que eram colegas de turma e formávamos um grupinho que estudava bastante.Anatomia, por exemplo, era um curso de terror. E 60% da turma de anatomia ficou em 2achamada, 2aépoca e depois dependência pois tinha dependência naquela ocasião. Mas essa turma de amigos, realmente estudava muito e, na realidade, eu comecei a estudar mais por causa dessa influência. Tínhamos umas moças que até hoje a gente se dá bem, que moravam aqui num apartamento chamado de inferninho... e era um inferninho mesmo!...pois era muito bom!...ficava aqui na esquina, em cima do restaurante... era uma turma que estudava mas também fazia farra! A relação professor-aluno era de uma distância fantástica, você tinha que vir de gravata,você tinha que não ter barba, não podia vir de tênis... se você olhar as fotografias do 1o, 2oe 3oanosvai ver todo mundo de gravata, todo mundo de paletó, todo mundo de avental. Mesmo o 3oano, já na enfermaria do Jairo, era assim,você tinha que estar arrumado, você tinha que estar direitinho porque se nãoera capaz de levar uma chamada. Você vê que hoje em dia mudou tudo, eu não sei e a relação hoje é melhor, não acho que seja não,Acho que está faltando um pouco de respeito. Naquela época, você tinha medo do professor, mas era um medo sadio não era um medo de pavor entendeu? Acho que eraum medo sadio que fazia você estudar e era uma coisa boa. SérgioDraibe: E a escola era boa? Prof. Horácio: A Escola era muito boa. Eu não prestei concurso em nenhum outro lugar. Eu prestei concurso direto aqui na Escola e os três primeiros anos eram pagos, depois é que em 53 é que foi federalizada e deixou de ser paga. Mas era boa, já tinha o Hospital São Paulo?, funcionando bem e era um hospital de ponta naquela ocasião.
|