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Número 10 - Ano III (Abril/Dez de 2000)
Título:Transplante Renal: Fatores Clínicos Associados à Piora Tardia da Função do Enxerto: Experiencia de 10 anos na Faculdade de Medicina de Botucatu(*)

Autora: Maria Fernanda Cordeiro de Carvalho

Ano da Defesa: 2000

Tipo: Tese de Doutorado, apresentada ao Curso de Pós Graduação "Fisiopatolofia em Clínica Médica". Área de concentração em Nefrologia. Faculdade de Medicina de Botucatu, UNESP

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Resumo: Com o objetivo de avaliar as características e os resultados dos primeiros transplantes renais, realizados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP, e analisar criticamente os possíveis fatores de risco imunológicos e não imunológicos para a deterioração da função renal e perda do enxerto foram estudados 108 pacientes submetidos a transplante renal entre Junho de 1987 a Agosto de 1997, analisados de forma prospectiva, através de protocolos preenchidos durante todo o período de observação.
 

Para a avaliação a longo prazo foram avaliados 80 pacientes com seguimento > ou = a 1 ano. Para a realização das curvas de sobrevida utilizou-se o método de Kaplan-Meier e estas foram comparadas utilizando o Longrank teste, também conhecido como Cox-Mandel. Análise multivariada, foi realizada pela análise de regressão multivariada de Cox [33]. Para o cálculo da sobrevida atuarial do enxerto considerou-se perda de seguimento como censura e óbito com rim funcionante, perda do enxerto como evento. 
Para o cálculo da sobrevida funcional do enxerto considerou-se a perda do seguimento ou óbito com rim funcionante como censura e perda do enxerto como evento. A associação entre as diferentes variáveis foi avaliada pelo teste do ?2 A presente amostra foi representada, em sua maioria, por pacientes jovens, homens, caucasianos, com glomerulonefrite ou nefrosclerose como doença de base, submetidos a transplante renal com doador vivo relacionado. As principais causas de perda do enxerto foram imunológicas seguidas por óbito com rim funcionante. Infecção e doença cárdio-vascular foram similarmente importantes como causa de óbito.
 
 

A sobrevida atuarial dos pacientes e funcional do enxerto para receptores de rim provenientes de doadores vivos relacionados após 5 anos foram de respectivamente de 82,5% e 74,7%, inferiores àquelas observadas em receptores de rins de cadavéricos, 77,8% e 47,1% respectivamente. Avaliando-se apenas os pacientes com seguimento =1 ano, não se observou diferença entre as curvas atuariais de sobrevida do enxerto entre receptores de rins de doadores vivos relacionados e cadavéricos.
 
 

No presente estudo, a maioria dos episódios de rejeição aguda ocorreu no decorrer das 4 primeiras semanas após o Tx (78,8% dos casos), foram únicos (75% dos pacientes) e responderam ao tratamento com metilprednisolona (78,6% dos episódios). Não foi observado associação entre a presença ou ausência desta variável quanto à maior probabilidade de dobrar a creatinina sérica durante o seguimento e/ou à pior sobrevida do enxerto.
 
 

A presença de retardo do início da função do enxerto, embora tenha se associado a maior probabilidade de dobrar a creatinina sérica e menor sobrevida do enxerto, não foi estatisticamente significante, provavelmente devido ao pequeno número de receptores de rins cadavéricos aqui analisados. A presença de hipertensão arterial sistêmica e hipercolesterolemia não se associaram a pior prognóstico do enxerto. De forma semelhante, pacientes com creatinina de estabilização > 1,6 md/dl não apresentaram impacto negativo no enxerto; porém, pacientes com creatinina > 2 md/dl apresentaram maior probabilidade de dobrar a creatinina durante o seguimento.
 
 

Hipertrigliceridemia demonstrou ser fator de risco independente quando avaliado a probabilidade de dobrar a creatinina sérica 5 anos após o Tx (Grupo triglicérides normal = 8,5% e Grupo triglicérides aumentado = 47,9%, p=0,013), porém, não se associou a pior sobrevida do enxerto (Grupo triglicérides normal = 91,1% e Grupo triglicérides aumentado = 67,5%) .
 
 

A presença de síndrome nefrótica e nefropatia crônica do enxerto, diagnosticada por biópsia, associaram-se a piora da função renal e da sobrevida do enxerto; porém, houve associação destas 2 variáveis, o que impossibilita a determinação do impacto negativo individual de cada um destes parâmetros.

(*): Participaram da Banca: 
Dr Marcello Fabiano de Franco -Prof Titular-UNIFESP; 
Dr Agenor Spallini Ferraz- Prof Livre Docente - FM Ribeirão Preto-USP
Dr Emil Sabbaga-Livre Docente USP-São paulo
Dr José Osmar Medinas Pestana-prof Adjunto-UNIFESP
Dr Gentil Alves Filho-Prof Dr. UNICAMP
Nota: Aprovada com distinção
Principal achado: A hipertrigliceridemia foi fator de risco independente para perda de função do enxerto a longo prazo.


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