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e participe ao final de cada artigo
Medicina baseada em evidências: na hora da
prática médica
Prof.
Dr. Abrahão Salomão
Prof. Titular da Universidade
Federal de
Minas Gerais, UFMG, Belo
Horizonte
O
que é medicina embasada em evidências?
Convivendo com enormes avanços
tecnológicos, envolvidos com a criação de tantas
drogas, quantas mudanças ocorreram no exercício da medicina
nas últimas décadas! Será que tais mudanças
tornaram esta medicina mais científica também mais efetiva?
Fica claro, antes de mais nada, que só há sentido na Medicina
Embasada em Evidência, se relacionar adequadamente a metodologia
da pesquisa clínica e a da epidemiológica: surge a Epidemiologia
Clínica, fascinante área das Ciências Biológicas.
Ela, por exemplo, define a precisão dos critérios metodológicos
utilizados na pesquisa, só então permitindo avaliar corretamente
o impacto do trabalho na mudança, ou inovação, de
decisões clínicas. Portanto, na Medicina Embasada em Evidência
, aceita-se que há incerteza em decisões clínicas;
que algumas ações são tomadas sem se conhecer o seu
real impacto; que por melhor que seja a experiência clínica
existe incerteza em certas decisões; devem-se buscar evidências
clínico-epidemiológicas para a tomada de decisões.
Sendo
tão importante o conceito de evidência clínico-epidemiológica
como se pode caracterizá-lo?
Para Ducan e Schmidt, valorizando
desfechos clínicos, permitindo definir graus de evidência
cientifica para condutas clínicas e apresentando dados para análise
objetiva do potencial impacto das condutas clínicas. Ocorre, porém,
que se há alguns desfechos claros ( morte, doença, custo,
perda de função, hospitalizações), outros são
medidos por parâmetros que não demonstram evidencias que justifiquem
intervenções de risco, ou dispendiosas.
Assim sendo, cada médico
precisa desenvolver sua estratégia para acessar adequadamente
a evidencia clínico-epidemiologica. Perceberá, então,
que as evidencias cientificas para intervenções podem ser
graduadas e para cada tipo de evidencia foi utilizada uma fonte, dai se
decidindo pela justificativa para a intervenção.
A Medicina Embasada em Evidência
, passou a oferecer uma nova abordagem para o ensino da pratica médica,
permitiu a criação de grupos de trabalho ( que auxiliam avaliar
validade de um trabalho, se os resultados apresentados exigem novas condutas
com o paciente), forneceu guias para acesso à literatura médica,
e influiu, decisivamente, na redação de artigos originais.
O que fica claro, para os iniciantes, é que , bem aplicada, a Medicina
Embasada em Evidência viabiliza um exercício médico
mais eficaz.
Medicina
Embasada em Evidência - No Exercício da Prática Médica
:
Os comentários introdutórios
neste rápido artigo - é tão amplo o universo da
Medicina Embasada em Evidência que parece um atrevimento ser
abordado por um especialista clínico despretensioso - permitem
que se façam alguns comentários desambiciosos para
responder algumas questões específicas, principalmente
dirigidas por nefrologistas. Com a pletora de comunicações
cientificas devem-se identificar, ou se tentar, fontes de melhor abrangencia.
Citem-se , entre elas, ensaios clínicos randomizados, metanálises,
artigos de revisão, editoriais e publicações que resumem,
melhor ainda se comentando , artigos publicados em periódicos dirigidos
a áreas especificas de interesse.
Em 1997 o Dr. Marvin Moser
publicou um interessante ensaio sobre a história do tratamento
da hipertensão. Quantas evidências foram necessárias
para se rejeitar o conceito de Paul Dudley White de que “ hypertension
may be an important compensatory mechanism which should not tampered
with ... “ estabelecido em 1931, ano em que no BMJ Hay escreveu o seguinte:
O maior risco que corre um homem é ter sua hipertensão
detectada, porque, então, aparece algum idiota que certamente vai
tentar reduzi-la” . Um típico caso de hipertensão não
tratada, por falta não só dos conhecimentos da Medicina
Embasada em Evidência , como de drogas adequadas, foi o de
Franklin Delano Roosevelt, nos anos 40, que acabou falecendo de hemorragia
cerebral. É difícil apontar outra situação
onde a Medicina Embasada em Evidência tenha demorado tanto
a alterar o nihilismo terapêutico como na hipertensão arterial.
Hoje a Medicina Embasada em Evidência visa apenas chamar a
atenção para os benefícios em se reduzir a pressão
a uma meta razoável ( 140 / 90 ) já que isto reduz muito
o risco cardiovascular. Na escolha inicial das drogas recomenda-se,
baseando-se em dados fiéis obtidos com acompanhamento prolongado,
o uso de diuréticos e beta-bloqueadores.
Um exemplo de evidencia
cientifica preliminar do tipo pesquisa clinica observacional com
desfechos clínicos cuja fonte são estudos de caso controle,
é o uso de ciclosporina no tratamento de glomerulosclerose
segmentar e focal, situação que dá margem a favoráveis
e anedóticos relatos. Eis uma intervenção que, ainda
que eficaz (reduzindo hiperfiltração glomerular) não
é custo-efetiva: uso de inibidores da ECA em pacientes com diabete
tipo I sem hipertensão, nem microalbuminúria.
Inúmeras outras evidencias
demonstrariam a definitiva e ampla superioridade no exercício
da medicina utilizando-se as informações fornecidas pela
Medicina Embasada em Evidência . Tomara que a simples menção
do modelo torne mais crítica a leitura de artigos e estimule o profissional
a buscar sempre evidencias que contribuam para aprimorar o cuidado com
o paciente.
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