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Peritonites em CAPD
Eduardo
Homsi
Mestre em Nefrologia pela
Escola Paulista de Medicina, SP
Doutor em Nefrologia pela
UNICAMP
Prof. Assistente da Disciplina
de Nefrologia da FCM/UNICAMP
Introdução
O emprego da diálise
peritoneal no tratamento substitutivo dos pacientes com insuficiência
renal crônica ganhou grande impulso no início dos anos oitenta,
quando popularizou-se a diálise peritoneal ambulatorial contínua,
ou CAPD. Um dos maiores obstáculos para a disseminação
do método eram os frequentes episódios de infecção
peritoneal, consequente a falhas no manuseio dos catéteres e bolsas
de dialisato pelos pacientes ou responsáveis pelas trocas de bolsas.
O desenvolvimento de sistemas de bolsas para CAPD que necessitam menor
número de conexões em cada troca, permitem a lavagem da conexão
antes de infundir o dialisato na cavidade peritoneal e os maiores cuidados
cirúrgicos e pós-operatórios com os catéteres
peritoneais resultou em queda da incidência de peritonites nos pacientes
em CAPD. A taxa de peritonite nos primeiros anos de utilização
do método era de 1 episódio para cada 8-10 pacientes/mes,
atualmente a maioria dos relatos publicados na literatura demonstram taxa
próxima a 1 para 30 pacientes/mes1,2. Portanto,
houve controle parcial do problema das peritonites com a melhoria técnica
de CAPD, permitindo maior número de pacientes permanecerem por tempo
prolongado neste tratamento. Atualmente cerca de 10000 pacientes
renais crônicos são tratados através de CAPD em todo
mundo.
A redução no
número de falências de técnica por peritonites
de repetição, deu lugar a outro fator limitante,
talvez mais difícil de ser controlado do que a alta taxa de infecções,
que é a queda na capacidade de depuração do procedimento
a longo prazo, quando o clearance residual renal aproxima-se de zero3.
Novos avanços técnicos na diálise peritoneal necessitam
ser viabilizados, como a distribuição de bolsas de maior
volume (2.5 e 3 litros) e a utilização de sistema automático
de troca noturna suplementar, para que a qualidade desejada de diálise
possa ser oferecida para o paciente em diálise peritoneal após
queda do clearance residual renal. Apesar do principal componente do clearance
global que reduz, após os primeiros anos em CAPD, seja o clearance
residual renal, a capacidade de clearance peritoneal também pode
ser reduzida por repetidos ou graves episódios de peritonite, compromentendo
a sobrevida da técnica, mesmo quando a redução do
clearance renal é compensada por aumento no volume de dialisato
por dia4.
A taxa de infecção
peritoneal é centro-dependente, refletindo diferentes critérios
de selecionamento e treinamento de pacientes aptos para entrar nos programas
de CAPD. Nos centros com maiores taxas de peritonite, sua ocorrência
repetida ainda é causa de falência da técnica.
Patogênese
As principais vias
de infecção da cavidade peritoneal por microorganismos, ao
longo do tratameto por CAPD, são: via intraluminal, via pericateter
(infecções relacionadas com cateter de acesso peritoneal:
infecção de orifício de saida ou do túnel subcutâneo)
ou mais raramente via hematogênica e via transintestinal, neste último
caso, associado a doença diverticular do cólon em pacientes
idosos.
A via mais comum de infecção
da cavidade peritoneal se dá pela luz do cateter, ou através
da contaminação do dialisato (via intraluminal) e o agente
infeccioso mais associado a esta via é o Stafilococus epidermidis.
A introdução de sistemas de cateter em Y, que permitem a
lavagem da conexão antes de infundir o dialisato na cavidade peritoneal
(flush-before-fill), assim como os sistemas de Twin-Bags, que reduziram
de 3 para apenas 1 conexão, reduziram o risco de contaminação
do dialisato e, portanto, da incidência global de peritonites, e
particularmente das peritonites via intraluminal.
O principal agente infeccioso
relacionado às infecções peri-cateter é o Stafilococus
aureus. Os pacientes com infecção peri-cateter em geral são
carregadores nasais do Stafilococus (isto é, apresentam cultura
positiva para a mesma espécie de Stafilococus, tanto no raspado
nasal como na pele). O aparecimento de infecção no orifíco
de saida é bem mais comum do que a infecção do túnel,
e leva a peritonite por propagação peri-cateter em cerca
de 30% dos casos. Visando reduzir também esta importante via de
contaminação peritoneal, 2 medidas estão sendo propostas
e aguardam confirmação de sua validade. Em primeiro lugar,
a identificação do portadores nasais de Stafilococus aureus
e a tentativa de eliminar o risco de contaminação do cateter,
tratando-os com instilação local de antisépticos como
a mupirocin, clorhexedina, loção de vancomicina, ou até
tratamento profilático com antibióticos sistêmicos,
ou lavagem do cateter com antibióticos. Outro cuidado refere-se
ao aprimoramento das técnicas de implante do cateter, como a orientação
para baixo do orifício externo, e mais recentemente, a técnica
de implante inteiramente subcutâneo, permitindo acesso ao exterior
apenas após longo período (1 a 2 meses), quando a cicratização
de todo o trajeto do cateter está completa.
Outros agentes infecciosos
que causam peritonite são espécies de Streptococus (principalmente
relacionado a infecção de cateter) e enterobactérias
gram-negativas (principalmente via intraluminal). Em geral, os gram-positivos
são responsáveis por 60-70% dos episódios, os gram-negativos
por 20-30% e o restante por fungos, principalmente Candida albicans.A peritonite
fúngica deve ser suspeitada em pacientes que receberam longos cursos
de antibioticoterapia para infecções bacterianas, pacientes
em uso de imunossupressores ou pacientes com infecção por
HIV. Tanto a infecção fúngica, quanto a infecção
por Pseudomonas apresentam resposta demorada aos antibióticos, em
muitas vezes requerem a remoção do cateter peritoneal para
resolução do quadro. Casos raros de peritonite são
causados por outras espécies de fungos ou micobactérias atípicas.
Um importante aspecto na
patogênese das peritonites é a resposta imune do hospedeiro.
Recentemente tem-se estudado mais detalhadamente a imunologia do peritôneo
normal, e a influência da instilação de grande volume
de dialisato nesta resposta imune5. No peritôneo
normal a defesa contra invasão microbiana depende da fagocitose
por macrófagos livres no fluido peritoneal e da opsonisação
das bactérias por proteinas plasmáticas presentes no fluido
peritoneal. As opsoninas são proteinas que recobrem as bactérias
tornando-as mais fagocitáveis. As principais proteinas envolvidas
nesta função são: IgG, frações C3b e
C3bi do sistema do complemento e fibronectina. Receptores específicos
para as proteinas opsonisadoras estão presentes na parede dos macrófagos,
que ligam-se ao complexo opsonina-bactéria, fagocitam a bactéria
e as matam através de mecanismos oxidativos e enzimáticos.
Algumas bactérias, como E. coli e Pseudomonas são fagocitadas
indepente de serem opsonisadas, pois ligam-se diretamente a receptores
nos macrófagos. Obviamente, estes mecanismos de defesa são
profundamente alterados pela instilação na cavidade peritoneal
de grande volume do pouco fisiológico dialisato. O dialisato tem
um pH entre 5 e 5.5, osmolaridade entre 330 e 400 mOsm, altas concentrações
de glicose e lactato. In vitro, o dialisato inibe a fagocitose e a respiração
oxidativa dos macrófagos. Outro efeito óbvio da instilação
do dialisato na cavidade peritoneal é a diluição das
proteinas opsonisadoras e dos macrófagos presentes no fluido peritoneal,
cuja concentração torna-se insignificante ao fim da infusão
do dialisato. Ao longo do período de permanência do dialisato
na cavidade (dwell time) há transferência de proteinas e células
para o dialisato, que no fim de cada ciclo atinge apenas concentração
de células entre 1 e 10% do normal e de opsoninas de 2 a 4% do normal.
Vários estudos que observaram a função de macrófagos
removidos em diferentes momentos após a instilação
do dialisato in vivo, mostraram que inicialmente (1 - 2 h) os macrófagos
estão inativos, mas recuperam parcialmente a capacidade fagocitária
no fim do período de permanência na cavidade(4 -12h)6,7.
Baseado nos conhecimentos
dos mecanismos de defesa peritoneal descritos acima procurou-se comparar
a atividade destes elementos em pacientes com episódios frequentes
de peritonite, com pacientes que permaneciam longo tempo livre desta complicação.
O objetivo seria de analizar se a susceptibilidade a infecções
decorreria de defeito no sistema imune peritoneal, entre outros fatores.
A maioria dos autores notou que não havia diferença na atividade
dos monócitos de pacientes com ou sem peritonites de repetição.
Por outro lado, embora não tenha sido achado unânime, os estudos
sugerem que os com alta taxa de peritonite apresentam menor atividade global
de opsonisação e menor concentração de IgG
no dialisato8,9,10.
Diagnóstico
Os critérios para
diagnóstico de peritonite são:
-
(1) sinais e sintomas de irritação
peritoneal,
-
(2) efluente turvo, com contagem
de leucócitos > 100/mm3 e
-
(3) cultura positiva do fluido
de diálise.
A presença de dialisato
turvo com ou sem dor abdominal e febre, mas com contagem de células
superior a 100/ mm3, com predomínio de neutrófilos (>50%),
indica início de tratamento, enquanto aguarda-se a identificação
do agente bacteriano. O quadro clínico dos pacientes com peritonite,
variam em gravidade, casos pouco sintomáticos e pacientes com peritonismo,
vômitos, distensão abdominal, obstipação, febre
e toxemia. O tempo transcorrido até iniciar tratamento e o agente
infeccioso envolvido influem no quadro clínico. Em geral peritonite
por Stafilicocus epidermidis está associada a quadros mais leves,
enquanto Stafilococus aureus e bactérias gram-negativas a quadros
graves. A avaliação do estado clínico (exame clínico)
de todos os episódios de peritonite é mandatório,
pela variada gravidade de apresentação e para decidir a necessidade
de internação hospitalar. Felizmente, a maioria dos
episódios são diagnosticados e tratados precocemente e não
necessitam internação hospitalar.
A avaliação
laboratorial do dialisato efluente é crítico para estabelecer
o diagnóstico de peritonite e identificar o agente infeccioso, assim
como sua susceptibilidade aos antibióticos. A contagem de células
> 100 mm3 , com predomínio de neutrófilos (em média
85%) é um dos critérios diagnósticos. Durante o tratamento
pelo CAPD, na ausência de infecção peritoneal observa-se
de 1 a 20 leucócitos por mm3, com predomínio de macrófagos
(40 a 90%), linfócitos (10 a 30%) e neutrófilos (2 a 20%,
média 12%). Portanto, pelo menos na fase aguda da peritonite, há
grande afluxo de neutrófilos para a cavidade peritoneal. Existem
observações que a contagem de leucócitos nas peritonites
relaciona-se com o função da membrana peritoneal no futuro.
O recrutamento de neutrófilos
na fase inicial da peritonite depende da interação da bactéria
com macrófagos presentes na cavidade peritoneal e com os mesoteliócitos11.
Muito provavelmente esta interação ocorre na superfície
mesotelial. Componentes da parede bacteriana, toxinas bacterianas ou superantígenos
estimulam os mesoteliócitos e macrófagos a produzirem citocinas.
O mesoteliócito secreta a interleucina-8, que tem capacidade de
atrair neutrófilos presentes na circulação. Os macrófagos
liberam principalmente interleucina-1 e TNF alfa que vão interagir
com os mesoteliócitos, estimulando-os a secretar na região
apical as quimoquinas MCP-1 e RANTES, assim como interleucian-8, todos
quimioatratores de neutrófilos. A secreção apical
cria gradiente favorável à transferência dos neutrófilos
dos vasos sanguíneos para o interstício sub-mesotelial e
daí para a cavidade peritoneal. A expressão mesotelial de
moléculas de adesão ICAM-1 e VCAM 1/2 é também
estimulada por interleucina-1 e TNF alfa, promovendo a aderência
dos neutrófilos na membrana mesotelial, facilitando sua passagem
para o peritôneo.
No início do quadro
de peritonite deve ser solicitado exame bacterioscópico e cultura
+ antibiograma do efluente. Estes exames devem ser realizados preferentemente
com o dialisato da primeira bolsa que drena turva. O paciente é
instruido para trazer a bolsa drenada clampeada para a Unidade em que é
acompanhado. Para a cultura são encaminhados grandes volumes do
fluido, que preferentemente serão concentrados no laboratório
para permitir maior positividade nas culturas. O período entre a
drenagem da bolsa e o cultivo no laboratório pode levar várias
horas, sem prejuizo para o exame. Técnicas de filtração
ou centrifugação devem ser utilizadas para concentrar o dialisato.
O comite internacional de padronização de condutas em peritonite
da Sociedade Internacional de Diálise Peritoneal12
recomenda: centrifugar 50 ml do efluente a 3000 giros por 15 minutos,
suspender o sedimento em 3 a 5 ml de salina estéril e inocular em
frasco de hemocultura. O laboratório deve estar ciente da necessidade
de realizar os testes de sensibilidade rapidamente, fornecendo os resultados
em 48 horas. Com estes cuidados os resultados negativos estarão
próximo do limite inferior da variação reportada por
diferentes laboratórios que variam de 2 a 30% de negatividade. As
principais causas de cultura negativa são: má técnica
laboratorial (meios de cultura inapropriados), pequeno volume de fluido
encaminhado para cultura, bactérias que necessitam meio de cultura
especial (micobactérias), uso não relatado de antibiótico
na bolsa encaminhada para exame e peritonite não infecciosa (química).
Tratamento
O tratamento deve ser
iniciado precocemente, após o dialisato ter sido encaminhado para
bacterioscopia e cultura. O tratamento inicial geralmente é empírico,
e deverá ser ajustado em 48 horas quando sai o resultado da cultura
e antibiograma. A bacterioscopia positiva (Gram) surge em apenas 9 a 30%
dos casos, e influencia pouco na terapia inicial. Quando demonstra a presença
de fungos dirige a conduta para tratamento específico, e quando
apresenta positividade para cocos gram-positivos ao lado de bacilos gram-negativos,
sugere doença inflamatória intraperitoneal ou perfuração
intestinal.
A conduta terapêutica
que indicamos segue as orientações mais atuais do comite
internacional de normatização de conduta nas peritonites12
(Sociedade Internacional de Diálise Peritoneal, 1996). Nos pacientes
com bacterioscopia negativa, ou na presença isolada de bactéria
gram-positiva ou gram-negativa inicia-se tratamento empírico com
a associação de cefalotina ou cefazolina (ataque: 500 mg/l
na primeira bolsa, manutenção 125 mg/l em todas as bolsas)
e aminoglicosídeo (amicacina 2 mg/ kg em uma bolsa/dia ou ataque:
25 mg/l, manutenção 12 mg/l em todas as bolsas, demais aminoglicosídeos:
0,6 mg/kg em uma bolsa/dia. ou ataque: 8 mg/l, manutenção
4 mg/l em todas as bolsas). A utilização do aminoglicosídeo
em dose única diária mantém a eficiência anti-bacteriana
e provavelmente diminui a ototoxicidade e nefrotoxicidade.
O ajuste do tratamento baseia-se
no resultado da cultura e antibiograma. Os agentes mais frequentes são
os gram-positivos. Os Stafilococus epidermidis em geral são sensíveis
à cefalotina, e podem ter o aminoglicosídeo descontinuado
e a cefalotina mantida por 14 dias. Com os Stafilococus aureus sensíveis
deve-se proceder da mesma forma, mas aconselha-se a adicionar rifampicina
600 mg/d VO. O tratamento deve ser mantido por 21 dias. Nos casos de Stafilococus
resistente (produtor de beta-lactamase) deve ser trocado o esquema empírico
inicial por vancomicina 2g intraperitoneal cada 5 a 7 dias (depende do
clearance residual) ou clindamicina (ataque: 300 mg/l, manutenção:
150 mg/l em todas as bolsas). Como se percebe, esta nova orientação
do comite restringe o uso de vancomicina para cepas multi-resistentes,
procurando preservar a mais poderosa arma contra estas bactérias,
pois surgiram progressivamente relatos de enterococus resistentes à
vancomicina, e teme-se que seu uso indiscriminado facilite a transmissão
desta resistência para os Stafilococus. Se a cultura detectar enterococus
suspende-se a cefalotina e prescreve-se ampicilina 125 mg/l em todas as
bolsas por 14 dias. O aminoglicosídeo pode ser mantido se o enterococus
for sensível e a peritonite estiver fora de controle, caso contrário
também é suspenso.
Os bacilos gram-negativos
sensíveis à cefalotina, como E. coli, Proteus e Klebsiella
podem permanecer com cefalotina por 14 dias e ter o aminoglicosídeo
suspenso. Infecções por Peudomonas/Xantomonas necessitam
maior dose de aminoglicosídeo (amicacina 6-8 mg/l) e troca de cefalotina
para ceftazidima (125 mg/l em todas as bolsas), imipinem (ataque: 500 mg/l,
manutenção: 200 mg/l em todas as bolsas), aztreonam (ataque:
1000 mg/l, manutenção: 250 mg/l em todas as bolsas) ou ciprofloxacina
(500 mg VO 2x dia). Se bolsa permanecer turva após 4 dias neste
tratamento remover o cateter. Se houver boa resposta manter tratamento
por 21 dias. Nas peritonites com múltiplos gram-negativos e/ou anaeróbios
associar metronidazol (500 mg VO ou EV 3x dia) ao esquema anterior.
Se a cultura demonstrar o
crescimento de Candida sp, suspender esquema empírico e iniciar
fluconazol 200 mg/dia VO. Aguardar 4-7 dias, se não houver melhora
remover o cateter e manter o fluconazol por 10 dias. Se melhorar, manter
cateter e tratamento por 4 a 6 semanas.
A peritonite tuberculosa
é rara e geralmente traduz a reativação de foco primário
intraperitoneal. O diagnóstico deve ser suspeitado em casos de má
resolução e com cultura persistentemente negativa. A confirmação
diagnóstica depende da cultura para micobactéria, que demora
6 semanas. Meios mais rápidos como PCR para DNA específico
são promissores. O tratamento segue o padrão de tuberculose
pulmonar e remoção do cateter. Micobactérias atípicas
também raramente podem ser causa de peritonite, e podem ser identificadas
em prazo mais curto na cultura.
A infecção
do orifício de saida pode preceder o surgimento de peritonite peri-cateter
(30% dos casos). Portanto deve ser tratada para evitar peritonites. O diagnóstico
baseia-se em hiperemia e presença de secreção purulenta
na inserção do cateter na pele. Deve-se colher secreção
para cultura e antibiograma. O tratamento depende do agente infeccioso.
Para Stafilococus inicia-se com cefalexina ou sulfametoxazol-trimetropin
VO. Se tratar-se de Stafilococus aureus adiciona-se rifampicina 300 mg
2x dia. Nas infecções de pele procura-se evitar o uso de
vancomicina pelas mesma razões já expostas acima. Bactérias
gram-negativas são tratadas com ciprofloxacina 500 mg 2x dia. Para
Peudomonas pode ser necessário acrescentar ceftazidima (125 mg/l
intraperitoneal). O tratamento do orifício de saida deve ser reavaliado
após 2 semanas. Se houve cura suspende-se o tratamento. Se houve
melhora parcial extende-se por 4 semanas. Se após 4 semanas ainda
persiste infecção deve ser removido o cateter.
Os casos que respondem mal
ao tratamento, mesmo após remoção do cateter peritoneal,
devem ter investigada complicações intraperitoneais. Nas
infecções estafilocócicas investigar abscesso intraperitoneal
e nos casos causados por bacilos gram-negativos investigar doenças
inflamatórias abdominais, pélvicas ou perfurações
intestinais. Em ambos os casos pode surgir indicação de laparotomia
exploradora. Quando a peritonite ou infecção relacionada
a cateter cura após a retirada do cateter, pode ser optado por reinstalação
de cateter e retorno ao CAPD após 3 semanas.
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