Passadas
duas Conferências Mundiais de Educação Médica
(em 1988 e 1993), e após seis anos de trabalhos da Comissão
Interinstitucional Nacional de Avaliação do Ensino Médico
(CINAEM) no Brasil, ficou patenteada a urgência da reformulação
do modelo pedagógico do ensino médico. E o curso de Medicina
da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná, foi um dos
primeiros a aderir ao movimento internacional de adequação
da formação do médico às novas demandas sociais.
Este ano os calouros do curso, encontrarão um sistema de ensino
absolutamente novo para eles. É quando começará a
ser implantado o chamado Currículo PBL - sigla de Problem Based
Learning, ou, em português, Ensino Baseado em Problemas, no qual
o processo ensino/aprendizagem deixa de depender exclusivamente do professor,
com seu baú de conhecimentos, e passa a ser centrado no aluno, a
quem caberá procurar os conhecimentos necessários para resolver
os problemas que lhe serão apresentados. Med
On Line, acompanhando as novas tendências foi entrevistar
o Diretor do Centro de Ciências da Saúde daquela instituição,
o médico e professor Dr. Pedro Gordan.
Med-On-Line
-
O sr. diria que o resto do Brasil está curioso para saber o que
vai acontecer naUniversidade Estadual de Londrina?
Prof.
Gordan - Está supercurioso. A UEL é a primeira Universidade
a implantar um Currículo PBL, mas uma faculdade isolada - a Faculdade
de Medicina de Marília, uma autarquia estadual paulista - iniciou
o trabalho um ano antes de nós. Já sabemos que a USP não
quer entrar, porém a Unifesp - a antiga Escola Paulista de Medicina
- está começando a se mexer. Nós estamos compartilhando
nossos estudos com eles. Veja só: Marília torce para nós
sermos bem-sucedidos, porque Londrina é uma caixa de ressonância
mais importante, nossa escola é considerada uma das 10 melhores
do Brasil. E nós torcemos para a Unifesp entrar, porque, nesse
caso, estarão abertas as portas para a adesão de muitas outras
escolas médicas do País.
Med-On-Line
-
Parece que há muita gente descontente com a atual situação
do ensino médico...
PROF.
Gordan - O movimento pró-PBL é internacional. Ninguém
está totalmente satisfeito com o ensino clássico, tradicional
- principalmente os alunos. Como é que a gente sabe disso? Posso
dizer que a grande maioria dos professores que estão envolvidos
no PBL em Londrina e no movimento de mudança do ensino médico
são pais de alunos, que já têm essa crítica
em casa. Outras análises revelam que muita coisa está errada.
É preciso dar um ensino mais envolvente, de forma que o aluno tenha
vontade de aprender. Tem que ser baseado nos princípios da profissão,
que são um bom treinamento em problemas - pois o trabalho do médico
é basicamente resolver problemas -, em habilidades manuais e em
habilidades de comunicação. O PBL fornece todos esses ingredientes.
Med-On-Line
- Como essas idéias chegaram à UEL?
Prof.
Gordan - Um grupo importante de professores do CCS achou que tinha
que mudar. Tínhamos verba da Fundação Kellogg, dos
Estados Unidos, dirigida ao Projeto UNI, do qual a UEL participa, e fomos
buscar informações sobre o PBL que não havia no país.
Dois professores foram enviados para as Universidades McMaster e Sherbrooke,
no Canadá, que, junto com a Universidade de Maastricht, na Holanda,
são a “meca” do sistema. Contaram a experiência dos canadenses,
houve gente que ficou contra. Mudar é difícil... Isso foi
na gestão anterior. Depois que assumimos, insistimos um pouco mais
e começamos a mandar gente para Maastricht. No total, 12 docentes
foram para lá. Além disso, o pessoal de Maastricht veio para
cá. Então formamos um grupo de gente treinada em PBL e fomos
ampliando o número de pessoas envolvidas com esse assunto. Ao mesmo
tempo, surgiu um grupo resistente à idéia. Como diretor,
tomei duas atitudes: primeiro, fiz um curso de gerência para aprender
a vencer resistências; segundo, procurei ser sempre muito aberto,
mas, ao mesmo tempo, muito firme quanto à intenção
da mudança. Agora, estamos fazendo um trabalho de convencimento
dia-a-dia.
Med-On-Line
- Como ficam as disciplinas no currículo PBL?
Prof.
Gordan - O currículo PBL não é organizado por
disciplinas, mas por módulos temáticos. Os módulos
reúnem temas derivados do conjunto de habilidades e conhecimentos
previstos como necessários para a formação do profissional
pretendido pelo currículo. Cada ano letivo tem 7 módulos,
com duração mínima de duas e máxima de sete
semanas, perfazendo o total de 38 semanas letivas por ano. Os professores
das disciplinas participam do trabalho nos módulos, mas na condição
de consultores, tutores ou avaliadores dos alunos e não dando aulas
como tradicionalmente.
Med-On-Line
- Quer dizer que desaparecem as aulas no novo currículo?
Prof.
Gordan - Sim. O método básico de aquisição
de conhecimentos num Currículo PBL é o estudo individual
dos alunos orientado por discussões de problemas realizadas num
grupo tutorial. Os alunos também fazem estágios em laboratórios
e serviços para o desenvolvimento de habilidades. Algumas conferências
são oferecidas para possibilitar ao aluno uma visão geral
sobre um tema que apresente muitas dificuldades conceituais. Não
constituem, no entanto, a forma principal de ensino.
|
Diretor
do Centro de Ciências da Saúde,
Dr.
Pedro Gordan e aVice-Diretora
Profa.
Ana M.Y. Ito |
Med-On-Line
- O que é um grupo tutorial?
Prof.
Gordan - É o novo modelo de turmas. Não teremos mais
turmas de 40 ou 80 alunos, mas sim grupos de oito alunos que trabalharão
em conjunto, sob a orientação de um tutor. O grupo se reúne
apenas duas vezes por semana. Há outras atividades programadas,
como os estágios nos laboratórios de habilidades. Mas o princípio
do currículo é deixar o aluno com bastante tempo para estudar
por conta própria. Por isso o aluno só tem atividades programadas
pela escola em metade das cinco manhãs e cinco tardes da semana
letiva.
Med-On-Line
- Com grupos tão pequenos de alunos, não vão faltar
tutores?
Prof.
Gordan - Queremos treinar pelo menos 50 ou 60 tutores para o 1º
ano. Gostaríamos de não repetir tutores.
Med-On-Line
- Qual é o perfil do tutor?
Prof.
Gordan - O tutor deve ter vontade de exercer essa função.
Precisa ter conhecimentos sobre o módulo temático que tutora,
mas não como um especialista. O tutor é instruído
sobre os objetivos do módulo temático através de livretos
previamente preparados pela comissão de currículo e deve
também conhecer muito bem a dinâmica do grupo tutorial. Seus
conhecimentos sobre o módulo facilitam que os alunos encontrem seus
objetivos de aprendizado.
Med-On-Line
- O sr. pode dar um exemplo de módulo temático?
Prof.
Gordan - O primeiro módulo é Introdução
ao Estudo da Medicina. Vai apresentar ao estudante a Universidade e todo
o sistema de saúde da cidade - os hospitais terciários, secundários
e as unidades básicas de saúde. Terá, ainda, uma introdução
ao método pedagógico, que é muito diferente daquele
a que o estudante está acostumado - aqui, é ele que vai procurar
a informação. Além disso, no primeiro módulo
ele vai ter noções de informática e de acesso às
bibliotecas da Universidade.
Med-On-Line
- Nos módulos é que o aluno vai se deparar com os “problems”
do nome PBL?
Prof.
Gordan - Exatamente. Há vários problemas a ser resolvidos
em cada módulo. Pelo método PBL é preciso seguir 7
passos para resolver um problema, que são os seguintes: 1 - Leitura
do problema, identificação e esclarecimento de termos desconhecidos;
2 - Identificação dos problemas propostos pelo enunciado;
3 - Formulação de hipóteses explicativas para os problemas
identificados no passo anterior; 4 - Resumo das hipóteses; 5 - Formulação
dos objetivos de aprendizagem (o que o aluno deverá estudar para
aprofundar os conhecimentos incompletos formulados nas hipóteses
explicativas); 6 - Estudo individual dos assuntos levantados nos objetivos
de aprendizado; 7 - Retorno ao grupo tutorial para rediscussão do
problema frente aos novos conhecimentos adquiridos na fase de estudo anterior.
Med-On-Line
- E qual é o primeiro problema com que o aluno se defrontará
no novo currículo?
Prof.
Gordan - É um problema de gripe. O grupo tutorial de oito estudantes
e seu tutor vão verificar o que já sabem sobre gripe. Sabem
o que é porque já tiveram gripe, devem saber que é
uma doença viral, que é transmissível, que existem
epidemias e já houve pandemias de gripe. Eles vão montar
um quadro em que vão aprender tudo sobre gripe e inclusive coisas
relacionadas a anatomia. Anatomia das vias aéreas, das glândulas
que compõem as vias aéreas, vão saber a estrutura
do vírus, enfim, vão aprender uma série de conteúdos
relacionados a gripe mas baseados num conhecimento anterior - é
assim que funciona a educação de adultos, baseada no que
a pessoa já sabe sobre o assunto. E as informações
que lhes faltarem vão ser adquiridas na biblioteca, na Internet
e com consultores, que são os professores de Anatomia, Microbiologia,
Patologia, de Moléstias Infecciosas e outros que vão estar
à disposição deles.
Med-On-Line
- Todos os módulos funcionarão da mesma maneira?
Prof.
Gordan - O quinto módulo é eletivo. E aqui há
uma grande novidade. Nós vamos copiar a experiência de Sherbrooke,
no Canadá. Vamos colocar os alunos no sistema de saúde. O
aluno poderá escolher em qual ponto do sistema de saúde ficará
mergulhado por duas semanas: hospitais da periferia, hospitais de cidades
próximas, para a rede básica de saúde ou para hospitais
terciários. O fato é que ele vai sair da escola com um caderninho,
anotará tudo o que vir durante duas semanas e vai se sentir doutor.
A idéia é colocar os alunos na dança logo no primeiro
ano, para eles se sentirem médicos. Mas o que queremos mesmo, nesse
estágio, é que aprendam cuidados básicos de enfermagem.
Alunos
da UEL prestando assistência
|
|
Med-On-Line
- No novo currículo, os alunos não passam nem pelas disciplinas
básicas?
Prof.
Gordan - Não há a divisão clássica entre
ciclo básico e ciclo clínico. Há integração
das disciplinas nos temas. O aluno tem que recorrer aos conhecimentos de
várias disciplinas para atingir os objetivos de aprendizado traçados
nos grupos tutoriais a partir da discussão de problemas. As disciplinas
básicas são assim contempladas pelo estudo do aluno.
Med-On-Line
- Como se poderá garantir que o aluno terá aprendido
o que antes era dado numa disciplina do ciclo clínico - Nefrologia,
digamos?
Prof.
Gordan - Hoje esse conhecimento é compartimentado. Você
estuda uma doença do rim, e não um paciente doente. Isso
será modificado. O conteúdo vai estar dentro de um problema,
dentro de um paciente, de tal maneira que você vai poder estudar
os sintomas relacionados a uma doença do rim, por exemplo, mas também
dentro do contexto do paciente - de onde ele vem, qual é o background
psicológico, financeiro, econômico e social desse indivíduo,
e quais as ações que você deve promover para que ele
se recupere da doença ou para que ele não venha a se tornar
um doente crônico.
Med-On-Line
- Além de servir de consultores dos alunos, como o sr. já
informou, os professores das disciplinas têm outras funções?
Prof.
Gordan - Eles podem dar as conferências a que me referi anteriormente.
Podem, também, fazer a proposição das questões
de avaliação e supervisionam estágios de treinamento
e os grupos tutoriais.
Med-On-Line
- Os docentes que não são tutores, como participam do
ensino?
Prof.
Gordan - Um currículo PBL não se resume a grupos tutoriais.
Há várias modalidades de ensino de habilidades, há
conferências, há consultorias e há o internato. Em
todos estes momentos os docentes participam do ensino direto do aluno.
Ainda, ao possibilitar ao aluno mais tempo livre para atividades escolares,
é frequente que eles procurem os docentes para auxiliar nas suas
pesquisas.
Med-On-Line
- Diante de uma dificuldade que considere insuperável, o aluno
deve recorrer a quem? Ao tutor?
Prof.
Gordan - Pode ser que um dos consultores o ajude e já resolva.
Mas nós nos preocupamos também com o lado pessoal da vida
do aluno. Se queremos que ele veja o paciente como um ser integral, temos
que tratá-lo com o mesmo respeito. Por isso, criamos a figura do
padrinho. O padrinho será um professor a ser escolhido aleatoriamente
para acompanhamento acadêmico do aluno e para assisti-lo diante dos
eventuais problemas pessoais que estejam influenciando seu desenvolvimento
acadêmico - do primeiro dia de aula até o dia da formatura.
Med-On-Line
- Sem aulas, sem disciplinas com a forma tradicional... o que obriga
um aluno a estudar, num currículo PBL?
Prof.
Gordan - Neste currículo o aluno tem menos tempo comprometido
com atividades formais. Isto possibilita que ele regule melhor seu tempo
para os estudos. Se ele não estudar, não conseguirá
bom desempenho nas avaliações a que será submetido
durante sua vida acadêmica. Também os colegas cobram seu desempenho,
pois a falta de estudo compromete a qualidade do grupo tutorial, com prejuízo
para os demais.
Med-On-Line
- Existem provas?
Prof.
Gordan - Também. São várias as modalidades avaliativas
de um Currículo PBL. As provas garantem a avaliação
do aluno e do currículo e são propostas pela Comissão
de Avaliação, segundo as estratégias de avaliação
propostas pela Comissão de Currículo. Vamos implantar a avaliação
formativa e a somativa. A formativa possibilita ao tutor conhecer as dificuldades
do aluno e, por conseguinte, identificar o tipo de ajuda mais adequada
que ele precisa para desenvolver suas potencialidades. A avaliação
somativa ajudará o tutor a identificar a aprendizagem efetivamente
ocorrida.
Med-On-Line
- O internato também vai mudar?
Prof.
Gordan - Não de imediato. O internato continuará nos
dois últimos anos, dentro do hospital, como é hoje. Não
estão previstas mudanças institucionais, mas acreditamos
que o aluno chegará com fome de aprender de maneira diferente. Vamos
mudar os quatro primeiros anos e depois, conforme a necessidade, mudaremos
o internato.
Med-On-Line
- Os médicos se especializam cada vez mais. Com essa proposta,
vocês mudam o rumo do curso para formar generalistas?
Prof.
Gordan - Não, nós não queremos formar generalistas,
mas sim um médico que tenha conhecimento geral. É bem diferente.
Os especialistas continuarão presentes no hospital, exercendo suas
atividades normais. O aluno é que vai aprender, de maneira mais
integral, a lidar com as doenças que esses especialistas são
capazes de manejar.
|
| O
Centro de Ciências da Saúde da UEL |
Med-On-Line
- Depois de todas essas explicações, o que é que
o sr. diria que o Currículo PBL tem de mais original?
Prof.
Gordan - É o fato de ser um currículo nuclear. O fio
condutor dele é o ciclo vital. Começa com concepção
e formação do indivíduo e vai até a morte,
passando pelas ações que o meio ambiente produz. Por isso
também é chamado de currículo ecológico. Porque
vai-se estudar durante quatro anos as ações do meio ambiente
sobre o índivíduo, como álcool, drogas, trânsito,
fome, doenças, enfim.
Med-On-Line
- E o resultado desse esforço será um profissional mais
qualificado ao exercício da atividade médica...
Prof.
Gordan - Nós achamos que o PBL não gera a mudança
em si, mas é a alavanca para mudanças importantes. O professor
envolvido no PBL vai se preocupar em que o aluno, além de obter
as informações do conteúdo, observe outras coisas,
como, por exemplo, a relevância social da profissão, a arte
de comunicar-se com os pacientes e o colegas, o trabalho em grupo... O
profissional médico é muito pouco treinado para receber crítica,
mas todo o currículo é baseado em avaliação
- auto-avaliação e avaliação inter-pares. A
idéia nossa é formar pessoas que se divirtam ao aprender,
que aprendam a se comunicar com as pessoas, que sejam avaliadas de uma
forma correta e decente - sem que o professor seja o carrasco da prova
- e que, ao mesmo tempo, se consiga passar os conteúdos necessários
para que ele seja um bom profissional. E além disso que ele tenha
outras habilidades que habitualmente não são treinadas, quais
sejam: comunicação e expressão, epidemiologia clínica,
noções de administração em saúde e,
principalmente, uma coisa que se tem falado muito, que é a medicina
baseada em evidências. Hoje, o que predomina numa escola médica
não é a evidência, mas sim o “achismo” e o “jaquismo”
(já que isto, já que aquilo...). Temos que acabar com isso.
Nós temos que estar baseados na evidência, até o ponto
em que a evidência existe na literatura médica e nas experiências
anteriores. Então, o aluno vai aprender outras habilidades, como
analisar criticamente um artigo, analisar cientificamente um trabalho e
saber se aquele trabalho tem valor científico ou não. Esse
é o nosso empenho, essa é a nossa esperança.
Med
On Line, agradece ao jornalista Chico Amaro pela participação
e condução da entrevista com o Prof. Dr. Pedro Gordan
Comentários recebidos
sobre esta entrevista:
Encontrei
esta entrevista em um momento muito especial para nossa Instituição.
Todos estamos preocupados com o ensino médico e principalmente com
a qualidade técnica moral e Ética do produto que nos propomos
fornecer para à sociedade numa fase em que estes valores são
essenciais para que a profissão continue a manter a tradição
adquirida em milhares de anos. Estamos desenvolvendo neste mês com
a visita da Prof. Ita Abromov da Universidade de Cleaveland um simpósio
interno sobre educação médica no sentido de conscientizar
professores e alunos que temos que mudar...para melhor. Alguns pontos são
claros para mim: 1- A escola médica tem que ser meio de vida e não
meio de morte, ou seja o ambiente tem que ser leve, descontraído
e amigável; só assim e possível ensinar e aprender.
2- A formação dos professores, tutores e padrinhos e fundamental
e neste ponto creio que a pós graduação deva exercer
sua plena atividade, ensinando os "alunos professores "toda a nova filosofia.
3- Com a publicação de 2 milhões de artigos médicos
por ano e impossível dominar o conhecimento, por isso a Medicina
Baseada em evidencias que contempla o novo método de ensino e indispensável
por permitir o entendimento do paciente e do médico como unidades
indissolúveis levando ao convívio harmonioso e eficiente
entre as partes interessadas, com tratamento carinhoso, econômico
e efetivo. 4- O custo dos serviços médicos tem se tornado
limitante da atividade ( nos EEUU, no ano passado gastou-se cerca de 1
trilhão de $US com a saúde) sendo que o crescimento destes
gastos vem aumentando exageradamente, na maior parte das vezes por falta
de critério dos próprios médicos. Os médicos
tem que estar conscientes destes fatos e entender que eles são
mais importantes do que os aparelhos, que ai estão apenas para ajuda-los
mas não são a essência da medicina em si. Desejo
parabenizar a atitude da Universidade de Londrina por estar a frente do
próprio tempo e servir de estimulo e exemplo para nos todos. Parabenizo
também a Med on Line por ter feito a tão oportuna entrevista
com a qualidade com que o fez.
Obrigado
Domingos
M. Braile
Prof.
de Cirurgia Cardíaca da FAMERP e UNICAMP
Coordenador
da Pós graduação Stricto Senso da Faculdade de Medicina
de Sao Jose do Rio Preto S.P.
Medicina embasada no poder de persuasão
de uma autoridade torna-se, a duras penas, medicina embasada em evidencia.
O exemplo utilizado pelo prof. Salomão, evocando a metamorfose sofrida
pela compreensão do significado patológico da hipertensão
arterial, é bastante pertinente: há menos de quatro anos,
ecoavam por todo o planeta os protestos das autoridades pela bizarra "marcha-a-ré"
do JNC V ao indicar, para terapia de primeira linha nesta doença,
os diuréticos e betabloqueadores. Hoje, nos parece absolutamente
coerente a decisão tomada pelos drs Furberg e Psaty, de abandonar
o JNC VI, uma vez constatada, segundo eles, a excessiva tolerância
com o "pouco rigor científico" representada pelo alargamento das
indicações para terapia de primeira linha. Tais recomendações
teriam sido tomadas com base em evidências ainda carentes da necessária
robustez conferida pelos estudos prospectivos placebo-controlados...
Chama a atenção,
também, o emprego do termo "embasada" como tradução
para "based", trazendo um sentido mais correto ao termo "evidence-based
medicine", em contraste à tradução literal e, neste
caso, infiel. O corpo editorial está de parabéns pela iniciativa
e pelo desenho da Homepage. Projetos deste teor contribuem para aumentar
a disponibilidade na Internet de fontes confiáveis de informação,
talvez hoje um dos grandes desafios à expansão do intercâmbio
de conhecimentos pela rede planetária.
Sérgio Emanuel
Kaiser
Professor assistente
de Cardiologia
Escola Médica
de pós-graduação da PUC-RJ
Prezado Pedro, Antes
de mais nada quero cumprimenta-lo bem como aequipe que esta enfrentando
este enorme desafio que eh transformar o curso tradicional medico em novas
alternativas. Apesar do receio de ser muito tradicionalista, não
posso deixar de transmitir minha preocupação pela necessidade
de avaliação continua desta mudança. Se no final do
6º ano percebemos que a formação não foi adequada,
a correção e a adequação para este jovem medico
será bastante complicada. Também quero transmitir minha preocupação
que um curso como este onde a participação do Tutor é
fundamental, ele necessita uma dedicação aior. Isto implicará
em reduzir atividades profissionais dentro e extra-muros, como decorrência
dos nossos salários acadêmicos. Sei que vocês pensaram
e estão pensando muito sobre estes aspectos e sem querer ser pessimista
também entendo que devemos "modernizar" o ensino médico.
Pena você não ter podido assistir a Conferencia do Thomas
Maack na FESBE, em 97, onde enfatizou que a mudança curricular na
Cornell visa entre outras coisas deixar pelo menos um período livre
do dia (a tarde) para o aluno estudar. Esta revolução,de
fato, prepara o aluno para manter uma educação medica continuada,
talvez uma das principais tarefas dos educadores. De qualquer maneira,
a EPM-UNIFESP tem se manifestado positivamente a estas mudanças
e entendo que iremos um pouco mais devagar, torcendo para que Londrina
de certo e assim podemos seguir o seu exemplo pioneiro.
Tenha
um excelente 98.
Prof.
Dr. Nestor Schor
Sou estudante do quarto ano de Medicina
da Universidade Federal de Santa Catarina em Florianópolis, ano
passado o nosso curso sofreu uma "reforma curricular", escrevo entre aspas
de propósito, motivo: o que houve foi uma mudança às
pressas devido a pressões externas onde muito pouco foi feito no
sentido de planejar uma alternativa ao nosso ensino tradicional, simplesmente
aumentaram o período do internato em meio ano (anteriormente de
1 ano) incluindo o internato em saúde pública, remanejando
algumas disciplinas e excluíndo outras. Em nenhum momento houve
discussão alguma com alunos e professores, seminários, nem
mesmo a participação dos reformuladores nas reuniões
brasileiras sobre ensino médico. Alguns professores do departamento
de saúde pública e clínica médica são
interessados e participativos no processo de reformulação
do ensino, entretanto à eles não é dada a merecida
posição nas mudanças.
Estive presente na conferencia
do Dr. Thomas Maack na FESBE citada pelo Prof. Nestor Schor e fiquei maravilhado
com a mudança e, principalmente, com a forma do planejamento das
mesmas, reuniões, comissões, seminários, plenárias,
tudo na intenção de realmente MELHORAR o ensino médico.
Na condição
de aluno posso perceber na pele (e vocês também já
sentiram) o que é ser obrigado a engolir sem mastigar, repetir sem
pensar, ser exigido incoerentemente, enfim. Espero que vocês em Londrina,
Marília, futuramente em São Paulo, e em todas as outras escolas
de Medicina preocupadas em fornecer aos alunos melhor condição
de formação tenham muito sucesso nas suas verdadeiras reformas.
Espero que esta coragem de mudar seja difundida e um dia chegue por aqui.
Sucesso.
Daniel Philippi de Negreiros
Estudante de Medicina
da UFSC
Caro
Daniel,
Comentarios
como os seus eh que nos enchem de esperanca.
Gostei
desta parte:
"Na
condição de aluno posso perceber na pele (e vocês também
já sentiram) o que é ser obrigado a engolir sem mastigar,
repetir sem pensar, ser exigido incoerentemente, enfim...".
Se
nada for feito pelos professores, os alunos continuarao a sofrer e os cursos,
mesmos os bons, continuarao a ser desagradaveis.
Venha
nos visitar. Pedro Gordan
Mande
seus comentários e opiniões sobre a entrevista.
Após
48 horas estarão fixados na sessão Forum. Participe!
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