Aviso Importante
1997-2006

Individualização da Imunossupressão em Pacientes Transplantados Renais.

Roberto Ceratti Manfro
Professor Adjunto. Faculdade de Medicina. Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Serviço de Nefrologia, Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Porto Alegre, RS.

 

Endereço para correspondência: Roberto C. Manfro; Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Serviço de Nefrologia, sala 2030, Rua Ramiro Barcelos 2350; Porto Alegre, RS. 90035-003; FAX: (51) 21018121 e-mail: rmanfro@hcpa.ufrgs.br

 

A terapia imunossupressora utilizada no transplante de órgãos apresentou importantes avanços nas duas últimas décadas. Ao outrora chamado protocolo clássico com prednisona e azatioprina acrescentou-se a ciclosporina no início dos anos 80 e posteriormente diversas drogas hoje incorporadas a prática clínica: o tacrolimus, os micofenolatos (mofetil e sódico), e as rapamicinas (sirolimus e everolimus). Agentes biológicos foram aprimorados – globulina anti-timocitária – e outros, usando a tecnologia de produção de anticorpos monoclonais, foram desenvolvidos: anticorpos monoclonais anti-CD3 (OKT3), alemtuzumab e os anticorpos anti-receptor da interleucina-2 (basiliximab e daclizumab) (Tabela 1). Adicionalmente, com o Belatacept, atualmente em estudos de fase III, inaugurou-se a era do uso clínico das proteínas de fusão, neste caso bloqueando sinais co-estimulatórios, aqui especificamente na via B7-CD28, essenciais para a ativação das células T. Desta forma os imunossupressores podem ser combinados racionalmente permitindo o uso de agentes que atuam em diferentes etapas da cascata de ativação imunológica que resulta nas reações de rejeição. A estrutura básica dos protocolos de imunossupressão atualmente utilizados está demonstrada na Tabela 2 Deve considerar-se que as associações produzem imunossupressão cumulativa e por conseguinte mais eficiente, no entanto o estado de imunossupressão não deve ser excessivo devido a possibilidade da ocorrência de efeitos colaterais importantes como o surgimento de infecções oportunistas e neoplasias.

Este arsenal de drogas e agentes biológicos também proporcionou a possibilidade de terapias imunossupressoras mais adaptadas às características de determinados grupos de pacientes ou as necessidades individuais. As premissas básicas da individualização da imunossupressão são: (a) os pacientes não são todos iguais em relação aos riscos de desenvolver rejeição ou de perder enxertos; (b) os pacientes apresentam diferenças na susceptibilidade à ocorrência de efeitos colaterais das drogas imunossupressoras; (c) a terapia imunossupressora pode influenciar negativamente co-morbidades significativas que quando presentes podem alterar os desfechos dos pacientes. Partindo destas premissas vislumbram-se dois paradigmas ilustrados esquematicamente na Figura 1, comentados a seguir. Pode-se iniciar com imunossupressão potente e diminuí-la no decorrer do tempo, estratégia mais comumente utilizada e certamente mais adequada para os indivíduos com maior risco de rejeições.

Alternativamente pode-se iniciar a imunossupressão de forma menos intensa e aumentá-la caso venha a ser necessário, como no caso do surgimento de rejeição aguda, por exemplo. Assim sendo, diante da presente disponibilidade de múltiplos agentes, nos protocolos de imunossupressão deve-se considerar a variabilidade dos riscos e a possibilidade de abordá-los de maneira individualizada (1,2).

Os objetivos da individualização da imunossupressão são:

 

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