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Tópicos do Congresso Americano de Nefrologia
2005
Frederico Huzany
Tópicos do ASN – American Society Nephrology 2005
O congresso anual de nefro dos EUA desta vez foi na Filadélfia,
o atendimento foi de 12.700 participantes. Um expressivo número
de brasileiros, grande maioria paulistas (qual a novidade???) com um
considerável número de pôsteres (Brasil 66 posteres)
inclusive com apresentação oral – sei a do Miguel – o
Miglugra, Burdman, Pecoits – outras???).
Sessões iniciavam às 6.15 h da manhã (6ª e
sábado) e às 8.00 h nos outros 2 dias, e terminavam as
20.00 h (de 5ª a Sab.) sendo que o congresso terminou Domingo
ao meio dia.
Antes do congresso sempre ocorrem os cursos de atualização
para preparativo para prova de credenciamento ou re-credenciamento
em Nefrologia (obrigatório a cada 10 anos).
Como sempre, as atividades interativas foram um sucesso – casos
clínicos na área de ácido-básico, diálise,
transplante, e glomerulopatias foram discutidos – casos difíceis;
mas a taxa de acerto do público era em torno de 70%. Parece
que este tal de credenciamento e re-credenciamento tem um grande valor!!!!
A organização do congresso é sempre extremamente
super-profissional, transformando este evento em uma atividade de negócio
para a ASN aparentemente de alta lucratividade – eles tem participação
até nas diárias dos hotéis listados para o evento
(informação de congressista). Devido à venda de
fitas, vídeos etc, - pela 1ª vez foi proibido fotografar
os slides das apresentações – que que é isso?? É para
divulgar ou escamotear a ciência??? Bom, rolou muita grana – brindes
nos stands ia de caneta personalizada com apontador de laser à conjunto
de mouse para lap top e pen drive. Milhares de canetas plásticas
etc etc .
By the way – breakfast, almoço e jantar por conta dos
patrocinadores – era só chegar cedo (antes das 06.15 h
p. ex.) e entrar na fila., não dava para todos – tinha
que madrugar....
Vamos aos tópicos – serão apresentados por assunto
visto (± 20 % da massa total dos assuntos).
Primeira palestra foi do premio Nobel de bioquímica sobre mecanismo
de controle intracelular da degradação de proteínas
que caducaram ou foram formadas com defeito. Este mecanismo depende
da colocação de etiquetas “marcadas para destruição” nas
proteínas que precisam ser eliminadas. Esta marcação
se faz pela ligação da UBIQUITINA – presente em
todas as células (descoberta anteriormente), mas cuja função
foi determinada pelo apresentador com suas equipes. Uma vez marcadas
as proteínas são reconhecidas pelos proteosomas (assunto
do último congresso) que retiram a etiqueta (a ubiquitina volta
para ser reutilizada) e degradam a proteína (ou resíduos
protéicos) em aminoácidos. A ubiquitina portanto faz
parte do sistema de limpeza e higiene do meio intra-celular.
Glomerulopatias:
1. Foi desenvolvido um modelo experimental de GESF (glomeruloesclerose
focal e segmentar) através de um anticorpo anti-podocito capaz
de promover a GESF com expansão mesangial. Este fato reitera
a existência de informação cruzada entre as várias
células (e matriz) do glomérulo – endotélio,
mesângio e podocito.
2. Foi identificado outra proteína podocitária cuja deficiência
causa lesão mínima / GESF. É uma proteína
presente na mielina denominada Proteína Mielina Zero ou P0.
Esta proteína se expressa também no podocito e está deficiente
na neuropatia periférica hereditária Charcot-Marie-Tooth
tipo 1b. Estes pacientes podem apresentar uma nefropatia com GESF.
Desapontamentos:
1. Trabalho europeu para verificar se hemoglobina mais alta (Hb de
13 g vs 10,5 g) reduzia doença cardiovascular foi negativo,
embora, os pacientes com Hb mais alta apresentaram melhor qualidade
de vida.
2. Comparação entre hemodiálise intermitente e
contínua no tratamento da IRA, por um grupo francês, não
deu diferença no resultado final.
3. Comparação entre sevelamer e acetato de cálcio
não mostrou diferença em DCV.
Debates:
1. Debate entre Ronco defendendo diálise contínua (HDC)
vs HD Intermitente (por outro nefro) foi inconclusivo. Ninguém
conseguiu provar vantagem de um sobre o outro – continuaremos
testando.
2. Debate entre defensores do sevelamer - Renagel ( Chertow) versus
acetato de cálcio (E. Friedman) foi discretamente favorável
ao sevelamer quando é necessario utilizar doses muito altas
de cálcio, do contrario o alto custo não parece justificar
seu emprego (Friedman). Não existe diferença para mortalidade
entre os dois produtos em estudo controlado até presente momento.
IRA. – ocorre em 5% dos pacientes das UTIs, mortalidade hospitalar
60%, 13% dependem de diálise (só?)
Prevenção:
1. Cápsulas de alho (9 g ) foram úteis em prevenir IRA
associada ao contaste radiológico por ter propriedades semelhantes à acetil-cisteina
(???).
2. Acetil cisteina em metanálise para análise de possivel
benefício para evitar IRA de contraste ficou em cima do muro
(50 / 50%), o pessoal continua usando, mais porque não faz mal
do que por uma utilidade comprovada.
3. Bicarbonato de Na isotônico EV pré e pos estudo radiológico
(já publicado) continuou sendo considerado útil.
4. Contraste radiológico hipertônico ou isotônico
não parece ser diferente.na incidência de IRA
Diagnóstico:
1. Pequenas elevações de creatinina em pacientes hospitalizados
está associado a aumento de letalidade e tempo de hospitalização.
2. Cistatina C parece melhor marcador que creatinina no diag de IRA
3. Aumento da NGAL urinária de crianças pós-cirurgia
cardíaca prediz IRA
IRC.
1. 10 % dos pacientes com síndrome metabólica (hiperglicemia,
obesidade, hiperlipidemia) apresentam anormalidades renais. A presença
de hipertensão incrementa e agrava os achados de disfunção
renal. (se não tem hipertensão o diabo não é tão
feio assim). = Tratar agressivamente hipertensão nestes casos.
2. Progressão: a fibrose intersticial é uma das responsáveis
pela progressão da disfunção renal na IRC. O aparecimento
de fibroblastos no interstício seria devido, em parte (36%) a transformação
das células epiteliais tubulares em fibroblastos após ruptura
da MB tubular e seu contato com fatores do interstício Cerca de 15%
são provenientes da medula óssea. O fator mais importante nesta
diferenciação é o TGF ß e antagonistas poderiam
ter um importante papel na prevenção da fibrogenese. Entre estes
fatores dois se destacaram – o BMP 7 (Bone Morphogenetic Protein) cuja
expressão ou aumento reduz a fibrose outra proteína que se tem
mostrado importante para evitar fibrogenese foi a Fetuina (aquela que impede
calcificação vascular etc etc).
Hipertensão Reno Vascular.
1. HRV aterosclerótica apresenta redução da progressão
com uso de estatinas vs sem antilipêmicos.
Drogas e medicamentos.
1. Rituximab – está em alta – serve para tudo que
não respondeu à terapia convencional – Wegner grave,
vasculite crioglobulinêmica – HCV positivo ou negativa,
lupus refratário, etc. No Wegner rituximab deu bom resultado
com remissão prolongada sem manutenção de citostático
por até 3 anos. Após ritx o titulo do ANCA tende a cair
e sua elevação prevê recorrência. Rtx deu
bom resultado na arterite de cel gigante. Doses pequenas variande de
500 mg 2x no lupus refratário até 1000 mg 4x (1 por mês)
nas vasculites.
Amiloidose:
1. Amiloidose Al – bom resultado com a associação
de dexametasona e talidomida. Talidomida também foi útil
associada no tratamento do mieloma múltiplo.
2. Amiloidose AA – 18 % de todas amiloidoses. Principal causa é a
artrite reumatoide, (outras Crohn, bronquiectasia etc.); idade média
de aparecimento 46 anos, intervalo médio de doença 17
anos – podendo surgir até após 5 anos. Associado
ao aumento do SAA que usualmente paralela a PCR. Método de acompanhamento
pelo emprego de cintigrafia com Proteína Amiloide P serica,
marcadas com radioisótopos. Prognóstico varia com os
níveis sanguineos da SAA se < 10 mg/L melhor prognóstico
acima de 50 mg/L vai mal.
3. Prognóstico na HD – se supera os primeiros 90 dias,
em geral vai bem como os outros pacientes. Episódios de hipotensão às
vezes respondem a DDAVP (vasopressina); afastar insuficiência
adrenal – muito freqüente.
4. Transplante renal na amiloidose AA também costuma ir sem
grandes intercorrências.
5. As fibrilas do amiloide (qualquer natureza) se tornam resistente
a degradação pela incorporação dos GAG
(glicosaminoglicanos). Surgiu um inibidor desta ligação
que tem resultado em redução da progressão da
IR e parece ter bons resultados quando não se consegue reduzir
os níveis de SAA. O produto é o Fibrilex dose de 120
mg bid.
6. Afastar sempre amiloidose – que é facilmente executado
pela coloração com Vermelho Congo – D. Renal por
amiloidose pode ser confundido (se não fizer a pesquisa com
VC) com lesão mínima, fibrose intersticial renal, etc.
Transplante:
1. Europa executa 7000 trnsp por ano (só ??).
2. IgA – recorrência aumentada e mais grave - se no pré transplante
existir grande quantidade de IgA aberrante e na dependência do
polimorfismo do TNF a e da IL 6 (hereditário).
3. Rapamicina - Diabetes pós trnsp. associado aos inibidores
da calcioneurina não desaparece quando se faz a troca para sirolimus.
4. Sirolimus tem ação em reduzir fatores pro-fibrose:
PAI 1 ( inibidor da ativação do plasminogênio 1)
e a AKT1 (proteína kinase associada a atrofia celular) – justificando
em parte sua atividade anti-fibrótica e o seu emprego na nefropatia
crônica do enxerto.
5. Tolerância – De acordo com Terry Strom a rapa seria
um dos poucos dos novos fármacos capazes de favorecer a tolerância,
uma vez que os inibidores da calcioneurina reduzem a atividade dos
linfócitos efetores e reguladores enquanto a rapamicina poupa
os reguladores. Terry acredita que em breve teremos esquemas de induzir
tolerância periférica. Em modelos animais já conseguiu
tolerância inclusive para ilhotas de pâncreas com “cura” do
diabetes. O novo esquema proposto leva em conta que a IL2 é fundamental
para sobrevida dos T reguladores e que a IL15 é trófica
para os linfócitos efetores, que destroem o enxerto. Bloqueio
da IL 15, com anticorpo específico, associado à rapamicina
na presença de IL2 foi determinante na indução
de tolerância.
6. Uma nova família de proteínas dos linfócitos
tem capacidade de estimular sua diferenciação - são
as TIM. A ligação da Galectina I com a TIM 3 promove
apoptose de Th1 facilitando a tolerância.
7. Transplante renal em pacientes HCV positivos estão associados
ao desenvolvimento de fibrose intersticial maior que pacientes HCV
neg. Estes pacientes quando tratados no pré transplante (com
interferon) e negativaram o HCV RNA evoluem como os HCV negativos.
Independente de benefícios hepáticos, negativar o HCV
pré transplante parece útil para sobrevida renal.
8. Biópsia renal pós transplante, de rotina, perdeu importância
devido ao baixo índice de rejeição sub-clínica
com novos imunossupressores (<5%).
9. Nefropatia pelo polioma- Surgiu após novos esquemas de imunossupressão,
principalmente FK + MMF. Se manifesta com infiltrado mononuclear, tubulite
e inclusão viral intranuclear. Responde a redução
de imunossupressor, substituição do FK pela ciclospoirina,
redução do MMF, leflunomida (melhor opção)
e IgG EV. Parece que algumas quinolonas teriam alguma ação
anti-viral. O único anti-viral mais específico é o
Cidofovir que em dose baixa se mostrou eficaz com pouca nefrotoxicidade.
Células tronco:
1. Células tronco injetada na IRA experimental resultou em grande
redução do tempo de doença PORËM, não
foi devido a re-povoação, mas sim aos efeitos anti-apoptótico
e anti- inflamatório promovido nas células tubulares.
2. Célula tronco injetado em modelo experimental de Alport foi
capaz de induzir a produção de colágeno normal
no glomérulo trazendo grande esperança para correção
futura desta doença.
Angiogenese e papel em neoplasia (inclusive renal)
Grande atividade no ramo de indutores e inibidores da angiogenese. No capítulo
dos inibidores, ficou a informação que estes são os principais
responsáveis pela quiescência dos carcinomas in situ por décadas
ou pela vida afora. Inibidores relatados: Tunstatina, Arestina, Endostatina,
Canstatina e Trombospondina. Níveis aumentados destes elementos impedem
desenvolvimento de cânceres.
Vasculites: Ficou comprovado o papel patogenético do ANCA.
. Modelo experimental com anti-MPO foi capaz de causar vasculite em
ratos e crescentes. A presença de TNF torna o processo mais
agressivo e na ausência de polimorfonucleares o processo não
ocorre. A vasculite ocorre com antiMPO e neutrofilos, piora com LPS
e melhora com anti-TNFa. As vasculites não dependem de linfócitos
T efetores mas o sistema de complemento contribui pela via alternativa.
Vascuite aguda tem boa resposta a IV IgG por 5 dias associada a manutenção
com ciclofosfamida ou ciclosporina. Após IgG EV observa-se rápida
queda dos níveis de PRC e da SAA que persiste por algum tempo.
Apesar do papel do TNF na indução das vasculites o uso
de anti-TNF demonstrou resposta apenas transitória com infliximab
e não resposta com etanercept.
A vasculite depende da ativação de células dendríticas
residentes no limite da camada adventícia e muscular. A ativação
destas células via TLR – Tol like receptors – por
LPS permite que estas células ativem linfócitos T que
em contato com miócitos induzem lise.
Água e eletrólitos:
1. A hiponatremia dos maratonistas é de causa variada e está relacionada
ao tempo de corrida, ingestão de água durante e ser mulher.
A explicação atual está relacionada a manutençao
ou ao ganho de peso durante a corrida, uma vez que devido ao esforço
os indivíduos consomem grande quantidade de substrato energético
(glicogênio) e geram água. A formação de água
endógena seria suficiente para evitar hipernatremia, mas se
ocorrer oferta forçada hiponatremia vai aparece.
2. A hiponatremia associada ao ecstasy foi associada a liberação
do AVP e sede extrema.
3. No tratamento dos eventos hipernatremicos associados ao diabetes
insípido nefrogênico, que resulta da não produção
de AMP cíclico por defeito do receptor renal do ADH – vasopressina
2 – VR2 – surgiu a hipótese que o Viagra poderia
bypassar este bloqueio através do geração de GMP
cíclico que faria o papel do AMP – outra aplicação
do Viagra.!!
4. O edema resultante da retenção de Na pelas tiazolinidedionas
(glitazonas) foi associado a estímulo da reabsorção
de Na no túbulo coletor por efeito direto da droga via ativação
da PPAR celular.
5. A repleçao do K em hipocalemia pode ser feita sem diferença
no resultado com ClK ou sais básicos de K como o citrato ou
bicarbonato.

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